Conceito de Educação Financeira no Brasil
Segundo a OCDE (2005), educação financeira é “o processo mediante o qual os indivíduos e as sociedades melhoram a sua compreensão em relação aos conceitos e produtos financeiros, de maneira que, com informação, formação e orientação, possam desenvolver os valores e as competências necessários para se tornarem mais conscientes das oportunidades e riscos neles envolvidos e, então, poderem fazer escolhas bem informadas, saber onde procurar ajuda e adotar outras ações que melhorem o seu bem-estar. Assim, podem contribuir de modo mais consistente para a formação de indivíduos e sociedades responsáveis, comprometidos com o futuro".
A recente ascensão econômica de milhões de brasileiros coloca o cidadão em contato com novas situações e operações financeiras pouco familiares para muitas pessoas. Somado a isso, o aumento das possibilidades de consumo torna necessário promover a educação financeira para despertar a consciência da população quanto às suas decisões individuais e familiares relacionadas a seus recursos.
Adotar decisões de crédito, investimento, proteção, consumo e planejamento que proporcionem uma vida financeira mais sustentável geram impactos não só a vida de cada um, como também no futuro do nosso país. A educação financeira convida a todos para ampliar sua compreensão a respeito dessas escolhas, sendo um conhecimento que possibilita o desenvolvimento de uma relação equilibrada com o dinheiro.
O Brasil é um dos poucos países do mundo que possui uma Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), criada para promover ações de educação financeiras gratuitas e sem qualquer interesse comercial. A ENEF brasileira é resultado de uma articulação entre 11 instituições de governo e da sociedade civil e, por este diferencial, valoriza ações que integrem a iniciativa privada, a sociedade civil e o governo.
A educação financeira tem por propósito auxiliar os consumidores na administração dos seus rendimentos, as suas decisões de poupança e investimento, consumir de forma consciente e ajudar a prevenir situações de fraude. Esta educação ganha importância com o aumento progressivo da complexidade dos mercados financeiros e produtos financeiros, e de mudanças demográficas, econômicas e políticas.
Desde o surgimento do sistema capitalista as pessoas tiveram a necessidade de se adaptar ao novo conceito de dinheiro e suas variáveis mais complexas comparativamente aos sistemas anteriores. As novas relações de troca, domínio e poder fundamentaram as bases econômico-sociais vigentes ainda nos dias de hoje. .
A educação financeira surge como resposta para orientar a tomada de decisões, informando sobre os serviços financeiros ofertados, sobre necessidades e desejos de consumo, de necessidades de poupança, financiamento e juros, investimentos e rendimentos. Pode ser entendida como o conjunto de informações que auxilia as pessoas a lidarem com a sua renda, com a gestão do dinheiro, com gastos e empréstimos monetários, poupança e investimentos de curto e longo prazo.
A difusão da educação financeira às pessoas impactaria na forma como estas poderiam aproveitar as oportunidades de produtos e serviços ofertados de uma forma consciente.
Educação financeira pessoal
A área de finanças pessoais trata-se da forma como um indivíduo ou uma família administra sua renda. Diariamente decisões financeiras são tomadas e estas terão impacto na vida pessoal dos indivíduos. O estudo das finanças pessoais envolve conceitos e técnicas fundamentais para a existência de uma gestão eficiente da renda de uma família. A poupança pode produzir uma segurança necessária para a vida do indivíduo, assim como os investimentos de uma pessoa podem ser mais precisos e planejados de acordo com as suas necessidades de curto e longo prazo, resultando em ganhos maiores para a vida financeira das pessoas. Poupar exige o adiamento do consumo presente, visando o consumo de algo maior no futuro. Dois objetivos motivam as pessoas a poupar, sendo um deles a possibilidade de consumir mais em certo tempo e o outro as adversidades causadas pelo envelhecimento e a queda de produtividade para a geração de receitas suficientes para arcar com a despesas.
O grande desafio nesse tema é ensinar a cultura do hábito do controle financeiro onde neste ponto é que muitos erram, pois temem ver quais os seus gastos mensais.
Educação financeira no Brasil
No Brasil, as mudanças trazidas principalmente pela estabilização da economia e a queda da inflação alterou a forma como a população lida com seus recursos financeiros. A educação financeira pessoal é fundamental na sociedade brasileira, visto que influencia diretamente as decisões econômicas dos indivíduos e das famílias.
Já pode ser observado o surgimento de iniciativas para a criação de um cenário que possibilite uma maior difusão de informações financeiras para a população. A alfabetização financeira é um processo de educação e de responsabilidade do país, das escolas, do governo e das instituições privadas, envolvendo vários atores sociais. A Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) disponibiliza à sociedade, com o seu Programa Educacional, conceitos sobre o tema educação financeira através de cursos e palestras. Este programa difunde informações a respeito de hábitos de poupança, tipos de investimentos e planejamento de finanças pessoais, além de orientar sobre a importância destes conceitos para o desenvolvimento da economia do país
O Banco Central do Brasil(BACEN) desenvolveu o Programa de Educação Financeira para orientar melhor as pessoas sobre a importância do planejamento financeiro e também para auxiliar os indivíduos a entender melhor o funcionamento da economia, assim como de seus agentes e instrumentos. O Programa atua em vários níveis para a divulgação de informações financeiras para a sociedade, contendo programas para o ensino Fundamental e Médio, momento importante para a formação adulta.
Educação financeira em Portugal
A Educação Financeira tem crescido de forma significativa em Portugal, depois dos elevados problemas financeiros que o país atravessou, onde podemos destacar o elevado nível de endividamento das famílias e o aumento do crédito mal-parado, que já atingiu 17,8% da população ativa do país Instituto Nacional de Estatística, 2013.
Está atualmente em estudo um Programa Nacional de Literacia Financeira, estudo liderado pelo Banco de Portugal e pelas principais associações ligadas ao sector financeiro, como a Associação Portuguesa de Bancos e a Associação Portuguesa de Companhias de Seguros, com o apoio de outras entidades relevantes.
Diversas empresas têm avançado com programas de literacia financeira para os seus colaboradores, conscientes dos impactos dos problemas financeiros na produtividade e bem-estar dos seus colaboradores. Destacam-se empresas como a IKEA, a Jerónimo Martins, Novartis, Media Capital, Lease Plan entre muitas outras. Nestas empresas, os programas de literacia são desenvolvidos por entidades privadas, com ou sem fins lucrativos, das quais se destacam a EFP - Escola de Finanças Pessoais e a DECO, a principal associação de defesa de direitos do consumidor.
Vários autores se destacam no contexto da literacia financeira em Portugal e no Brasil, como João Morais Barbosa, Gustavo Cerbasi ou Pedro Queiroga Carrilho.
Ensino de finanças pessoais
Os participantes no processo de educação financeira são as escolas, as empresas, o governo, as instituições financeiras, e outros, como as organizações não-governamentais. Alguns autores afirmam que se a criança desenvolve os moldes comportamentais e cognitivos antes e durante a escola elementar, a educação financeira deve ocorrer durante os primeiros estágios de desenvolvimento comportamental e cognitivo.[7] Para outros a educação é a grande ferramenta para a redução de desigualdades sociais, evidenciando a importância da educação para o crescimento financeiro de uma pessoa, uma sociedade e um país. É notória esta relação quando se analisa grandes nações que despertaram para o crescimento econômico a partir da educação, o que possibilitou o aumento da renda da sua população.[8]
Referências
1. Ir para cima↑ OCDE, 2004
2. ↑ Ir para:a b MATTA, R. O. B. Oferta e demanda de informação financeira pessoal: o programa de educação financeira do banco central do Brasil e os universitários do Distrito Federal. 2007. 214 p. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) - Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2007.
3. Ir para cima↑ HALFELD, M. Investimentos: Como administrar melhor o seu dinheiro. São Paulo: Fundamental Educacional, 2004
4. Ir para cima↑ SAITTO, A. T. SAVOIA, J. R. F. PETRONI, L. M. A Educação financeira no Brasil sob a ótica da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Rio de Janeiro: RAP, 2007.)
5. Ir para cima↑ BOVESPA
6. Ir para cima↑ BACEN
7. Ir para cima↑ Lucey e Giannangelo, 2006, p 270 apud MATTA, 2007, p. 63
8. Ir para cima↑ Halfeld (2004. p.19)
PROJETO DE MATEMÁTICA FINANCEIRA
No dia 13 de março de 2017, lançei a ideia em cada turma do 9º ano do Colégio Estadual Nossa Senhora Aparecida - CENSA, sobre a criação de uma cooperativa financeira e as três turmas gostaram e compraram a ideia e irão executar o projeto. Nome do projeto é Banco Financeiro Escolar. A seguir temos a síntese do projeto.
BANCO FINANCEIRO ESCOLAR (BFE) – CENSA
1) Objetivos: O projeto tem como objetivo incentivar os alunos a tornar-se um investidor financeiro.
2) Condições para a implementação do projeto ter pelos menos 50% do número de alunos matriculados na turma.
3) A turma que participar deve escolher dois alunos para serem os diretores da instituição: Um Diretor Administrativo e um Diretor Financeiro, que irão gerenciar. Assim como incentivar os correntistas para fazer ações entre amigos para aumentar o dinheiro aplicado.
4) O aluno irá assinar um contrato, no qual, terão o valor que será depositado, a taxa de juro para o depósito atrasado e a data do vencimento, e as assinaturas da Diretoria do BFE , do aluno e seu responsável.
5) O professor de Matemática é responsável pelo projeto. O dinheiro ficará guardado pela equipe pedagógica, e a minha sugestão que abra uma conta poupança em um Banco Oficial.
6) O prazo para o depósito será definido pela Diretoria do BFE, e que terá um nome específico e uma logomarca que serão criados pelos correntistas.
7) As regras como: a taxa de juros para os pagamentos atrasados, alunos transferidos e remanejados, alunos que desistiram do projeto, alunos que entrar na turma durante o ano letivo serão definidas pela Diretoria e seus correntistas.
8) No final do ano letivo, provavelmente no início de dezembro cada correntista vai receber proporcionalmente o capital aplicado.
Resultado: No meio do ano dois dos três já tinha falido, portanto somente uma turma foi até o final ainda com 60% dos alunos.