Em nossas conversas diárias com as famílias percebemos que o entendimento sobre o bullying ainda não está muito claro. Muitos o relacionam a atitudes que ocorrem de forma aleatória no dia a dia, como discussões ou provocações pontuais. O bullying é muito diferente disso, pois sua principal característica é a repetição de atitudes agressivas, sejam verbais ou físicas e intencionais.
Essas situações envolvem uma ou mais pessoas e têm a intenção de intimidar, causar dor e angústia em outro indivíduo e, em geral, se baseiam em relação de poder e divergem daquelas brigas esporádicas ou discussões pontuais.
Na infância e adolescência, identificamos um número significativamente maior de registros de bullying, principalmente no ambiente escolar - lugar em que frequentam, em geral, na maior parte do dia. Ainda é muito difícil definir se o bullying está aumentando ou não. Segundo dados do IBGE, que analisam o período de 2009 a 2012, a presença de bullying nas escolas aumentou 2% (de 5% para 7%).
Isso pode ser fruto de uma sociedade cada vez mais individualizada e competitiva que terá pouco estímulo para desenvolver a empatia. É importante também considerar a influência dos programas de televisão, das séries e dos jogos sobre o comportamento de crianças e adolescentes. Para Juliana Hampshire, psicóloga e consultora pedagógica do LIV, é necessário refletir sobre o desenvolvimento desses conteúdos e o impacto de considerarem, muitas vezes, personagens com posturas violentas como heróis.
Para as famílias, com as longas jornadas de trabalho, parece não haver outra alternativa senão deixar as crianças em frente às telas. Mas quando não pensamos sobre os espaços e as pausas para as crianças acabamos, como sociedade, precisando lidar com as consequências disso. Talvez isso explique, em parte, o aumento do bullying.
Existe uma tentativa de estabelecer uma relação de poder do “agressor” com o “agredido”. Porém, não há uma definição exata de quem é cada um deles. Para além de uma simples relação entre “aquele que agrediu” e “aquele que foi agredido”, que não necessariamente estão sozinhos nessas posições, existe um outro posicionamento que afeta essa cena. “Aquele que assistiu” e participou de forma silenciosa ou passiva, mesmo que por medo. Não se deve colocar todos em “caixinhas” de agressor ou de vítima.
O bullying pode ser um pedido de ajuda da pessoa que agrediu, por exemplo, que pode já ter passado pela situação de vítima e usa de suas atitudes como forma de externar seus sentimentos.
Para os adultos, tanto educadores quanto responsáveis, a melhor forma de lidar com essa situação é sair do papel de espectador e interferir na situação de forma inteligente e ativa para auxiliar no comportamento das partes envolvidas. Para tal, é essencial diálogo entre as partes para entender as razões de cada um e esclarecer a situação na busca de relações mais saudáveis e respeitosas. Vale ainda lembrar que o mais importante é prevenir, não remediar. Para isso, o conhecimento e o domínio da educação socioemocional é essencial. A partir do estudo e da compreensão das emoções interpessoais e intrapessoais, é possível desenvolver a consciência emocional nas crianças e adolescentes, e assim, evitar previamente situações como o bullying.
Criar espaços de escuta e fala: direcionados para resolver conflitos, colocar o que se está passando (principalmente entre colegas da escola);
Falar sobre o tema: explorar o tema o bullying e abrir o diálogo entre pais, alunos e professores;
Trabalhar junto com os espectadores: dessa forma, mostrar para as pessoas que o bullying não é um ato possível;
Mostrar que se importa: é importante que a atenção não seja direcionada apenas para o agressor, e sim para todas as crianças;
Prevenir e diminuir, mas não acabar: tomar cuidado para não idealizar as relações humanas. Os conflitos vão sempre existir, mas nós podemos buscar pela prevenção e diminuição desses.
Generalizar: não achar que o que funcionou para uma pessoa funcionará para todas. É preciso compreender o que se passa com cada pessoa inserida no conflito;
“Não rotular”: muitas vezes o bullying é um pedido de ajuda. Por isso é importante não rotulá-los. Com os rótulos, o agressor entende que será sempre agressor e que as vítimas serão sempre vítimas;
“Não liga pra isso não’’: é muito importante que as pessoas exerçam a empatia quando estão frente a uma situação de bullying. Acontece que falar para a pessoa não ligar para o que está acontecendo é irrelevante já que, provavelmente, ela já tentou realmente não ligar para aquilo.
Fonte: LIV
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