Texto y traducción al español por Rodolfo Correia Cameli
GABRIEL TREVIZAN
En una esquina olvidada de São Paulo, donde lo urbano se mezcla con lo cotidiano, emerge un ensayo fotográfico que nos transporta a un pasado no tan lejano, pero casi inexistente. Es con esta muestra de vivencia que nos encontramos con Gabriel, un fotógrafo atento a las memorias urbanas, que presenta su proyecto O peso do tempo. Es un artista latinoamericano que vive en São Paulo y tiene como objetivo la exploración poética de los teléfonos públicos, esos monumentos decadentes que en algún momento nos conectaron de manera directa y simbolizaron la comunicación pública, pero que hoy resisten al tiempo y la negligencia.
El proyecto comenzó de manera sencilla, casi casual, cuando Trevizan notó la deterioración de un teléfono público en su barrio. La estructura estaba parcialmente destruida, con la parte superior caída sobre la caja del teléfono. Esta visión provocó una reflexión sobre el tiempo, el desgaste y la memoria: “me quedé pensando en eso porque no sé cómo se rompió. ¿Fue por una degradación de alguien o realmente fue el tiempo lo que lo hizo?”, comenta Gabriel.
A partir de esta inquietud, Gabriel comenzó a documentar estos objetos olvidados. Sus fotografías capturan no sólo los teléfonos públicos en su estado actual, sino también el paso del tiempo inscrito en sus superficies. Cada grieta, cada pedazo de óxido, cuenta una Historia de abandono y resistencia. “Mi relación con el tiempo es que hay un espacio de
años entre una foto y otra”, explica. Las imágenes llevan marcas temporales, resultado de décadas de exposición a la ciudad y su indiferencia.
El ensayo O peso do tempo va más allá del simple registro documental; propone una meditación sobre la memoria y el olvido. Para Gabriel, los teléfonos públicos son más que reliquias tecnológicas. Son hitos de una época, testigos silenciosos de innumerables conversaciones, despedidas y reencuentros. Al fotografiarlos, el artista nos invita a reflexionar sobre la fugacidad de las cosas y cómo el tiempo transforma lo que un día fue cotidiano en algo extraño y distante.
La obra también dialoga con el concepto de “segunda realidad”. Gabriel captura la realidad presente, pero sus fotos, al ser revisitadas, crean una nueva capa de significado. “Las fotos son un regalo que nos damos para el futuro”, dice él, reflexionando sobre el poder de la fotografía para congelar el tiempo y, al mismo tiempo, transformarlo.
Gabriel no se limita a registrar la desaparición de los teléfonos públicos. Propone una nueva mirada sobre estos objetos, insertándolos en un contexto artístico que desafía al espectador a reconsiderar el valor de lo que aparentemente es obsoleto. Además, planea expandir su proyecto, en colaboración con una artista plástica, para crear nuevas narrativas visuales, superponiendo collages y pinturas a sus fotos, en una especie de “tercera realidad”. Este proceso de resignificación de los teléfonos públicos refuerza la idea de que el arte puede revitalizar lo que ha sido descartado, otorgándole nuevo sentido poético e importancia.
Em uma esquina esquecida de São Paulo, onde o urbano se mistura com o cotidiano, surge um ensaio fotográfico que nos transporta para um passado não tão distante, mas já quase inexistente. É com essa mostra de vivência que nos contatamos com Gabriel Trevizan, um fotógrafo atinado para as memórias urbanas aqui apresenta seu projeto "O Peso do Tempo".Gabriel é um artista latinoamericano que vive na cidade de São Paulo e tem como meta a exploração poética dos orelhões, esses monumentos decadentes que em algum momento nos conectou de forma direta e simbolizaram a comunicação pública que hoje resiste ao tempo e à negligência.
O projeto começou de maneira simples, quase casual, quando Trevizan notou a deterioração de um orelhão em seu bairro. A estrutura estava parcialmente destruída, com a parte superior caída sobre a caixa do telefone. Essa visão provocou uma reflexão sobre o tempo, o desgaste e a memória. "Eu fiquei pensando naquilo porque eu não sei como foi quebrado. Foi tipo por uma degradação de alguém ou foi realmente o tempo que fez", comenta Gabriel.
A partir desse disparador, Gabriel começou a documentar esses objetos esquecidos. Suas fotografias capturam não apenas os orelhões em seu estado atual, mas também a passagem do tempo inscrita em suas superfícies. Cada rachadura, cada pedaço de ferrugem, conta uma história de abandono e resistência. "A minha relação com o tempo é que tem um espaçamento até de anos entre uma foto e outra", explica. As imagens carregam marcas temporais, resultado de décadas de exposição à cidade e à sua indiferença.
O ensaio "O Peso do Tempo" vai além do simples registro documental; ele propõe uma meditação sobre a memória e o esquecimento. Para Gabriel, os orelhões são mais do que relíquias tecnológicas. Eles são marcos de uma época, testemunhas silenciosas de inúmeras conversas, despedidas e reencontros. Ao fotografá-los, o artista nos convida a refletir sobre a efemeridade das coisas e sobre como o tempo transforma o que um dia foi cotidiano em algo estranho e distante.
A obra também dialoga com o conceito de "segunda realidade". Gabriel captura a realidade presente, mas suas fotos, ao serem revisitadas, criam uma nova camada de significado. "As fotos são um presente que a gente dá para nós no futuro", cita ele, refletindo sobre o poder da fotografia em congelar o tempo e, ao mesmo tempo, transformá-lo .
Gabriel não se limita a registrar o desaparecimento dos orelhões. Ele propõe um novo olhar sobre esses objetos, inserindo-os em um contexto artístico que desafia o espectador a reconsiderar o valor do que é aparentemente obsoleto. Além disso, planeja até expandir seu projeto, em parceria com uma artista plástica, para criar novas narrativas visuais, sobrepondo colagens e pinturas às suas fotos, numa espécie de "terceira realidade". Esse processo de ressignificação dos orelhões reforça a ideia de que a arte pode revitalizar o que foi descartado, conferindo-lhe novo sentido poético e importância