Olho dia de hoje, solarengo, depois da tempestade de ontem. E não consigo evitar uma lágrima rebelde pela morte de meu amigo Max Elizabethe. Olho o estúpido título de um jornal que diz literalmente " Max morre vítima de doença prolongada ". Porque é que os jornais têm esta serôdia mania de escamotearem as coisas? Max morreu de cancro. Ponto. Não há que dourar palavras nem perder a objectividade das coisas. É uma merda morrer de cancro. Mas é uma merda ainda pior morrer de "doença prolongada". Do Max guardo o estilo "cigano", a gargalhada fácil, o olhar perdido no horizonte que a sua máquina fotografica captava como ninguém. Guardo a ternura que colocava nas coisas, o tom baixo em que falava, a mão que tombava nas nossas costas como que a traduzir a emoção cúmplice nos pequenos nadas da vida. Do Max, lembro aquela primeira Maré de Agosto. Perdi, mais um, amigo. Pois que esteja bem e a olhar aqui pela gente que te queria bem. Nesta Sexta-Feira, embrulhada em papel de crise, não resito em partilhar convosco este vídeo na certeza de que gostaria de viver num país assim...