Lá vou eu entrar no campo minado. Este senhor foi nomeado Director de Programas da RDP, ao mesmo tempo que exercicia as funções de Deputado do PS. Era Primeiro Ministro Mário Soares com uma oposição de grande qualidade exercida, à esquerda por Álvaro Cunhal e, à direita, por Sá Carneiro e Freitas do Amaral.
O senhor sonhava com comunistas de um lado e tinha pesadelos do outro. Era verdadeiramente aquilo a que os velhos soviéticos chamavam de "Controleiro".
Na altura eu trabalhava na redacção do Contraponto que tinha o hábito de, uma vez por ano, ouvir todos os partidos representados na Assembleia da República para que cada um e um por dia, pudesse fazer a avaliação do estado do país.
Chegou a semana do CDS que seria representado por Adelino Amaro da Costa.
Quando soube, O senhor Igrejas Caeiro passou a semana, e o dia, a lixar-nos a cabeça para que cancelássemos a entrevista por ser "inoportuna" e nós a responder qiue "desse a ordem por escrito" que nunca chegou.
Perante isso, Amaro da Costa apresentou-se no estúdio à hora marcada e foi entrevistado, se a memória não me falha, pelo José Manuel Nunes e pelo João Coelho, ficando eu no apoio à emissão.
Quando a mesma acabou eis que entra, para meu espanto e "boca aberta", estúdio dentro, braços abertos, o Igrejas Caeiro que se dirigiu ao Adelino Amaro da Costa dizendo "isto é para ver as oportunidades que damos à oposição"!?!?
Em primeiro lugar ele não deu porra nenhuma porque a RDP não era dele, nem do Partido Socialista. Era uma empresa pública e, por isso, de todos. Depois ele tinha tentado a todo o custo evitar aquela entrevista.
Morreu com honras de democrata. Que Deus tenha piedade da alma deste socialista que mamou à grande à francesa do Estado Novo com uma coisa "brega" chamada "os companheiros da alegria", um espectáculo recheado de artistas do chamado "nacional cançonetismo" que andava pelo país todo e que, sem pinta de vergonha na cara, aderiu ao PS mamando, depois do 25 de Abril, do outro lado.
Era um sacana...
Á semelhança do anterior a senhora era deputada do PS e acumulava o cargo de directora do Serviço Internacional da RDP, verdadeira "cloaca" da estação a que me referirei mais tarde na página criada para o efeito.
O Sérgio Godinho tinha lançado o seu album "À Queima Roupa" uns meses em 1975, bem depois do 25 de Abril.
Album que continha uma música chamada " Etelvina".
Por ordem expressa da senhora directora todos os exemplares dos LPS que chegavam às mãos dos locutores na "Onda Curta" tinham esta faixa inutilizada através do uso de um lápis de cera amarela que "riscava a totalidade da mesma.
Para falar de sacanices não é preciso dizer mais nada, pois não?
Uma senhora que apregoava aos 4 ventos os valores do 25 de Abril e da liberdade mandou usar os métodos da velha censura para "calar" uma música que, tendo o seu nome, não lhe era dedicada.
Confesso que, como tinha um album destes meu, levei-o comigo algumas vezes e toquei a faixa censurada nos LPS da Emissora Nacional.
Mais uma sacana...