Nas rádios nacionais raramente temos oportunidade de conhecer quem nos ouve para além dos indicadores oriundos dos estudos de audiências. Sabemos quantos são, a que faixa etária pertencem, de que zona do país, se são homens ou mulheres e a que estratos sociais pertencem. Mas isto não faz com que os conheçamos.
Em rádios de locais mais pequenos vamos sabendo aqui e ali quem são as pessoas porquue o "feedback" é mais directo. Nas nacionais isso torna-se impossível.
Vem isto a propósito de um pedido de amizade com que me deparei ontem no facebook. Apesar de não reconhecer, nem pelo nome, nem pelo rosto, a origem do pedido por uma questão de educação, aceitei.
Pouco depois, o meu novo amigo chamou-me pelo chat e "apresentou-se". O Senhor José Paiva Martins.
Reproduzo aqui abaixo um "print screen" da conversa que tivémos no chat do facebook com a sua devida autorização.
Não reproduzi o chat por nenhuma vaidade pessoal ou por ter um enorme ego. Tenho consciência do que, ao longo de 50 anos, fiz de bom e de menos bom na rádio. O que fiz de bom não me faz ficar inchado e o que fiz de menos bom não me faz ficar deprimido.
A reprodução tem que ver com o facto de todo o teor da conversa se reportar a programas e trabalhos feitos há 40 anos, mais coisa menos coisa, na Rádio Renascença em Lisboa e na Antena 1 igualmente em Lisboa.
Nesse tempo adorava trabalhar na Renascença e gostava da maior parte do trabalho que fazia na RDP.
Como disse no ínicio desta página, para além de toda a gentileza, e bondade, do senhor José Paiva Martins, o que me tocou fundo foi o facto de, finalmente, ao fim de quase 40 anos ter podido conhecer uma pessoa que ouvia, e apreciava, o meu trabalho.
Conhecer para além das métricas dos estudos de audiência. Saber que àquele número corresponde uma cara de uma pessoa que apreciava o que eu fazia em diferentes sítios.
Desligado das andanças da rádio há já bastante tempo é com toda a emoção que agradeço ao senhor José ter-me, como disse, "procurado" ao longo de todos estes anos apenas para me dizer "olhe o que fazia, tocava-me".
O meu obrigado muito sincero e sentido ao senhor José.
Em jeito de rodapé tudo isto se reporta a um tempo em que a rádio tinha "gente lá dentro" e não um mero computador.