A minha vida tem sido, até há uns anos atrás, uma vida errante. Como já referi noutro lugar, passei grande parte do meu tempo, como escreveu o meu conterrâneo Mia Couto, "Sentado à beira de lugar nenhum". São duas as razões, qual delas mais dolorosas para mim, que me levaram, propositadamente a omiti-las deste breve olhar pela vida. Estão arrumados numa gaveta de que perdi a chave... Esta errância que referi, este estar-se sentado "à beira de lugar nenhum fizeram com que me tivesse afastado de tudo e de quase todos, que tivesse procurado sempre um caminho diferente. Uma necessidade quase obcessiva de voltar ao Sul do equador, ou de o reencontrar nalgum canto. Lá não há pecado...lembram-se da canção do Chico.

Nesta, que na página inicial, considerei ser a mais importante do site tentarei trazer algumas emoções, pessoas, lugares, situações.

Começo pelos meus pais. Perguntar - me nesta fase da vida se um e outro foram os melhores pais do mundo? Não sei a resposta, mas sei que se esforçaram muito por isso. E não posso deixar de falar neles aqui sem que lhes dedique nenhum espaço especial porque não iriam caber aqui nos gigabytes disponíveis. Ambos morreram à minha frente. um, o meu pai, inesperadamente, outro a minha mãe de forma mais prevísivel. A questão que, neste momento deveria colocar a mim mesmo, não é a de saber se eles foram os melhores pais do mundo mas se eu fui o melhor filho do mundo. E para esta tenho a resposta: Não, não fui!.