Vida além da vida
E pó volte à terra, como era como era, e o espírito volte a Deus que o deu. Eclesiastes 12:17
Aprendamos a não temer a morte.
Se tivemos um antes, haveremos de ter um depois.
" Vós sois deuses", disse o Mestre de Nazaré, referindo-se a nossa condição de seres imortais.
Acreditar na vida espiritual traz grande esperança.
A fé constrói uma nova realidade.
Pobre é aquele que pensa que a vida termina com a morte.
Nossos entes que desencarnam fazem a travessia primeiro, retornando às origens.
Morrer em um mundo é renascer em outro.
O nascer e o morrer são duas pontes entre dois mundos.
A desencarnação não tem o condão de nos melhorar, assim como não nos tornamos melhores por atravessar uma porta.
Somos hoje o que cultivamos no passado, e seremos e seremos no futuro aquilo que realizarmos no presente. Levaremos as experiências adquiridas.
São dois mundos integrados: o material e o espiritual.
Para aqueles que se vão, digamos até breve.
Nossos entes estarão no meio de nós e nós no meio deles, em um permanente intercâmbio.
Os laços de família não se rompem com a morte.
Ir para o mais além não significa separação eterna.
Podemos estar em posições-situações diferentes, mas nunca em separação absoluta.
É a sintonia de sentimentos que nos aproxima e aproximará.
Reencontraremos nossos amados no tempo devido.
As boas obras são as chaves de acesso ao convívio com nossos familiares.
Pelas recordações, orações, pelos bons e maus sentimentos entraremos em contato com nossos familiares.
As más lembranças são como agulhas a alfinetar nossos entes na dimensão espiritual.
Entretanto, as orações e as boas lembranças são como flores a embelezar a paisagem da vida futura.
Revoltar-se contra Deus e contra o mundo, viver triste, lamentando a morte é aumentar o sofrimento daqueles que partiram.
A tristeza, desesperança não transmitem boas imagens aos nossos entes na vida além.
Esquecer as mágoas é reunir mérito, é auxiliar os desencarnados e a nós mesmos.
Mágoas, ressentimentos, sentimentos de culpa só dificultam o regresso do espírito.
O arrependimento por qualquer falta que tenhamos feito aos nossos familiares ou a qualquer pessoa, quando bem vivido, reorienta nossa bússola para o bom caminho. Mas, quando vem para alimentar o sentimento de culpa, traz prejuízos aos que ficam e aos que vão.
Os espíritos são como aves que pousam no corpo, e depois da morte regressam à espiritualidade.
Somos peregrinos estelares em viagem evolutiva.
No plano extrafísico os pensamentos e sentimentos são nossos arquitetos.
Nossa qualidade moral modelará nossa habitação espiritual.
As nossas ações desenham as paisagens que veremos após o falecimento do corpo.
Infeliz daquele que acredita na ideia de dois caminhos no post-mortem.
A humanidade não se divide entre salvos e perdidos, porque todos somos filhos de Deus.
Que tortura moral é pensar no destino de nossos amados que ainda não descobriram o bom caminho.
O Mestre das Alturas, Jesus Cristo, anunciou-nos que haveria um só rebanho.
Habitaremos todos, cedo ou tarde, no Reino de Deus.
Ninguém será deserdado de Seu amor.
Deus infinito, perfeito em suas criações, não poderia nos ter criado para sermos limitados no tempo e embora em situações diferentes, aqui ou de lá, a vida é sempre vida. Aprendamos a enxergar a beleza da vida em suas múltiplas formas.
Sigamos na certeza de que existe vida, além da vida.
Autor : Paulo José de Souza