A tradição religiosa criou dois hemisférios. Um para incentivar a prática da bem (céu) e outro para inibir a prática do mal (inferno). Repassando a ideia de punição e recompensa para boas ações, essa elaboração teológica tem seu valor, pois estimula o bom proceder.
Porém essas projeções, na maioria das vezes são desfiguradas por diversos interesses.
Separar os seres em duas legiões é não enxergar a grandeza de Deus e seus ensinamentos de amor incondicional.
Vamos imaginar que o céu seja o mundo das virtudes, um local pacífico, harmonioso, fraterno, cheio de alegrias e bem-aventuranças e que seus habitantes sejam compreensivos. Por outro presumamos que o inferno seja o mundo dos vícios, um local sombrio, desorganizado, repleto de mentira, malquerença, orgulho, avareza e disputa.
Partindo dessas premissas, pensemos juntos. Se alguém é levado ao inferno, pois comete pequenos deslizes, mas não é totalmente mal, já que em muitas ocasiões age com desprendimento, com gentileza e compaixão. Só que infelizmente não cumpriu certos rituais religiosos que o habilitassem ao paraíso. Será que esse alguém merece o inferno?
Ao mesmo tempo tínhamos outra pessoa que era apegada a cerimonia, conduzia-se com razoável retidão, porém em muitos momentos agia com aspereza, superioridade e discórdia. Será que esse alguém e digno do céu?
Que local estará reservado àqueles que não têm uma conduta tão reta que o habilite ao paraíso e nem um proceder tão malvado que o leve ao inferno?
Se conservamos o que somos. Imagine que uma certa alma foi condenada ao inferno, porém não era tão mal, tinha alguns pequenos vícios, e carregava muitas qualidades. Se hades é o mundo dos vícios o que acontecerá com as virtudes que ela portava? E no paraíso teremos pecados ?
Se ainda não somos perfeitos para não cometermos nenhum erro e nem tão inocentes e ignorantes para vivermos no reiterado erro. Que lugar nos espera?
Quando compreendermos que o paraíso e tormento são estados de espírito-mente e não um local circunscrito. Estaremos mais preparados para vivenciarmos a fé racionalizada. E assim assumiremos nossa responsabilidade no presente e no futuro. Conscientes de nossas ações, construiremos o paraíso ou o inferno, seja na vida ou depois dela, cumprindo a máxima “assim na terra como no céu”.
Se o Deus nos legou o livre-arbítrio nessa existência terrena, por que retiraria na outra.
Onde formos, seremos o que somos. Ou será que após a morte mudaremos de personalidade?
Precisamos avançar em nosso pensamento filosófico-religioso. E analisar os ensinamentos que nos são repassados a respeito da vida futura.
Assim se não caminharmos no bem e aprimoramos nossas ações, mesmo que estivéssemos no paraíso, logo ele estaria em caos e sofrimento.
Se agirmos inspirados pela luz da bondade, mesmo que sejamos lançados no inverno podemos transformá-lo no paraíso.
Somente a lógica da reencarnação para contemplar a vida futura com a luz da razão.