A contrainteligência no Senado Federal

Como surgiu? Porquê surgiu? Quem deu a ordem? O que pretendiam os Senadores? Seriam os equipamentos para se defenderem de bisbilhotices? Ou da Polícia Federal? Ou seriam ainda os equipamentos para "múltiplas finalidades", talvez para montar escutas, para grampear?

Muito já se escreveu, mas aparentemente nunca houve empenho em esclarecer sobre a atividade de contrainteligência no Senado Federal. O objetivo desta matéria é mudar essa situação.

O objetivo primordial da contrainteligência foi, e para isso foi idealizada, desenvolvida e executada, a salvaguarda de informações relativas à Segurança Nacional que estivessem sob custódia permanente ou temporária do Senado Federal. Esse objetivo se manteve até certo ponto.

Em 2013 começou uma operação de desmonte estrutural da contrainteligência. Em virtude de tal ação, todos os responsáveis foram afastados, todos os equipamentos foram transferidos, todos os procedimentos foram relegados, e toda a doutrina constituída foi destruída. Essa ação se repetiu outra vez, e depois de novo, até que não existisse mais nenhuma relação entre a atividade e seus objetivos primordiais.

Nesse momento inaugurou-se uma nova contrainteligência, executada por agentes que não conheciam as doutrinas, e que executavam as atividades sem saber o que fazer, como fazer, nem porquê fazer.

O novo objetivo da contrainteligência no Senado Federal: sabotar as ações da Operação Lava-Jato e proteger os corruptos.

Nas páginas a seguir vou esclarecer detalhes sobre a implementação dessa atividade, pela qual tive a oportunidade de ser o responsável desde seu início, em 1999, até o começo de seu desmantelamento, em 2013.

Certamente alguns leitores se decepcionarão pela ausência de uma motivação política para o início da atividade. Mas os episódios mais recentes envolvendo a operação Lava-Jato provam que tudo pode mudar, e creio que o leitor poderá também ter uma ideia de como e porquê essas mudanças ocorreram.

A respeito dos fatos aqui apresentados, devo alertar que este autor também denunciou o mesmo diretor preso na operação Métis por improbidade administrativa, e por esse motivo sofreu contínuas e reiteradas represálias no âmbito administrativo. Além disso, o setor responsável pelas sabotagens contra o trabalho do Juiz Sérgio Moro (uma espécie de GESTAPO) é o mesmo que conduziu investigações "dirigidas" contra o denunciante, e também é o setor partícipe das estratégias de assédio contra qualquer denunciante. Mais informações nos assuntos Desinformação e Whistleblower.