KANT E A DEDUÇÃO METAFÍSICA DAS CATEGORIAS
Orlando Bruno Linhares (Mackenzie)
De todos os capítulos da Crítica da razão pura, o mais problemático e o que recebeu as objeções mais severas foi a dedução metafísica das categorias. Desde a publicação desta obra, a exequibilidade da dedução metafísica foi questionada de diferentes maneiras: alguns duvidam da completude da tábua dos juízos, que Kant afirma derivar dela a completude da tábua das categorias; outros se perguntam se Kant tinha a intenção de estabelecer um inventário completo das duas tábuas; há os que questionam a devida correspondência entre cada forma de juízo e cada categoria; alguns sustentam que o problema apresentado na dedução metafísica é artificial e se constitui em um falso problema e outros defendem que este capítulo não apresenta contribuição alguma para o argumento geral da analítica transcendental.
Estes e outros problemas decorrem da maneira como Kant apresenta, na Crítica da razão pura e nos Prolegômenos a toda metafísica futura, a função da dedução metafísica na arquitetônica da razão teórica. A maneira como ele formula os problemas da dedução metafísica, no capítulo denominado Do fio condutor para a descoberta de todos os conceitos puros do entendimento, dificulta a sua solução e encobre a sua real motivação. Apesar de mencionar no final da introdução aos Prolegômenos, que esta obra foi redigida de acordo com o método analítico e a Crítica da razão pura de acordo com o método sintético, ele não faz referências claras e precisas em nenhuma das duas edições da Crítica da razão pura do emprego destes métodos e não relaciona de maneira direta o problema do método com o da dedução metafísica. Também é importante observar que ele não emprega na Crítica da razão pura o método de acordo com o que é afirmado no final da introdução aos Prolegômenos, porque, na primeira obra, há a mistura de procedimentos analíticos e sintéticos.
A motivação da analítica transcendental, em geral, e da dedução metafísica, em particular, é a solução do problema geral da razão pura, formulado na introdução da segunda edição da Crítica da razão pura: como são possíveis juízos sintéticos a priori? Este problema está dividido em três subproblemas: como é possível a matemática pura, como é possível a física pura e como é possível a metafísica enquanto ciência? Kant parte do fato da razão teórica, que consiste na existência da matemática e da física e se pergunta pela possibilidade delas. As respostas a estas questões é que nelas há juízos sintéticos a priori
Esta comunicação trata de dois problemas centrais da dedução metafísica das categorias: se é possível provar a tese de Kant, que as tábuas dos juízos e das categorias são completas e acabadas, e como ele descobre as categorias. Ao avaliar o emprego do método combinado de análise e síntese, conclui-se, que Kant não prova a proposição sobre a completude das tábuas dos juízos e das categorias e ele descobre estas categorias ao tomar como ponto de partida do método de análise os Princípios metafísicos da ciência da natureza.