Brentano e as quatro fases da filosofia
Gabriel Lemes (PUC-SP)
Brentano manifestava uma profunda angústia em relação ao estado da filosofia da sua época, assumindo um intenso descontentamento com respeito a predominância do idealismo, do subjetivismo e do romantismo na filosofia e nas universidades alemãs. Essa aspiração científica de Brentano se inseria no clima cultural e religioso que teve um de seus motores no seminário episcopal de Mainz, que pretendia opor-se, com o retorno ao pensamento escolástico, à filosofia idealista vista como expressão tanto do protestantismo liberal como do movimento nacionalista alemão. A angustia de Brentano com respeito a situação da filosofia encontrava a sua amenização no modo em que ele compreendia a filosofia e a sua história. Como é sabido, Brentano escreve em 1895 um pequeno texto onde expõe a sua teoria sobre as quatro fases da filosofia, baseado em uma aula na Sociedade Literária de Viena do ano anterior, onde ele exemplifica essas fases ao longo dos três grandes períodos da filosofia: antiga, medieval e moderna. Basicamente, a sua teoria afirma que a história da filosofia é diferente da história das outras ciências, por exemplo, a física e a matemática, pois enquanto nessas últimas é possível encontrar um desenvolvimento constante marcado por alguns períodos de estagnação do seu avanço relativo aos esforços científicos, a primeira é sempre marcada por períodos de ascensão e decadência, e não por um progresso e avanço contínuos. Brentano assume que essas fases consistem em (1) fase positiva, caracterizada pelo método natural e o interesse puramente teórico; (2) fase prática, caracterizada pela orientação prática da vida; (3) fase cética, caracterizada pelo ceticismo em relação ao conhecimento certo e verdadeiro das coisas; e (4) fase dogmática, onde o desejo natural de saber se volta contra o ceticismo, admitindo, ademais, meios não naturais de acesso ao conhecimento, e afastando-se da orientação científica da filosofia