O Complexo Sujeito – Objeto – Atividade nos Ökonomisch-philosophische Manuskripte de Karl Marx
Iago Martinez (PUC-SP)
A comunicação que se apresenta tem o propósito de expor a relação entre o complexo Sujeito – Objeto – Atividade nos Ökonomisch-philosophische Manuskripte (1844) de Karl Marx (1818-1883). Para tanto, parte-se do estatuto do sujeito e do objeto, definidos por Marx respectivamente como sujeito ativo, pois modifica o objeto através da sua atividade prática, e objeto sensível, pois está dado à sensibilidade do sujeito. Não sem razão, o complexo Sujeito – Objeto – Atividade vem à luz enquanto Marx explicita, pela primeira vez nos Manuskripte, os grandes rasgos do metabolismo entre o homem, sujeito ativo, e a natureza, objeto sensível. A natureza é reconhecida em sua prioridade ontológica, e aparece ao homem tanto como seu objeto primordial, sem o qual não pode viver, quanto como o mundo externo sensível no qual se encontra. O homem recebe objetos provenientes da natureza, a partir dos quais exerce a sua atividade prática, o trabalho, lhes conferindo forma humana, ou recebe objetos socialmente mediados, isto é, recebe a natureza já modificada pelo trabalho. Desta maneira, vê-se uma relação de identidade da identidade e da não-identidade entre o homem e a natureza, entre o sujeito ativo e o objeto sensível. Isto remete aos lineamentos ontológicos fundamentais do pensamento de Marx. Pois o homem, reconhecido como ser social, é identificado simultaneamente com o ser natural, pertencente, também, à natureza, ou seja, é tanto sujeito como objeto natural. No entanto, a sua singularidade o torna universal dentro da totalidade da natureza, uma vez que os objetos naturais não estão nem objetiva nem subjetivamente adequados ao ser social. A sua universalidade se afirma dentro da totalidade da natureza pelo fato de modificar os objetos naturais, através da sua atividade, segundo finalidades humanas, com o que produz a sua realidade efetiva. O movimento de dação de forma humana aos objetos naturais se torna a base da práxis social em geral e demarca o caráter social do próprio homem, a socialidade, bem como dos objetos produzidos por ele. O domínio cada vez mais abrangente da natureza, em razão do caráter e do carecimento da sua modificação para e pelo homem, promove um afastamento sempre crescente das barreiras naturais, afirmando, com isto, a construção de um mundo objetivo diverso do natural, não obstante deste dependente como sua base. Na relação entre o complexo Sujeito – Objeto – Atividade reside a base dinâmica e concreta do desenvolvimento histórico do ser social. Noutras palavras: o metabolismo entre o homem e a natureza é o fundamento ontológico concreto da história.