A concepção de psicologia segundo Edith Stein
Alessandra Alves Pelegrini (PUC-SP)
No início de sua trajetória filosófica, Edith Stein escreveu uma tese intitulada Contribuições para uma fundamentação filosófica da psicologia e das ciências do espírito (1922). Nesse texto, a filósofa propõe-se a investigar os domínios do psíquico e do espírito, com o intuito de fornecer uma base epistemológica adequada às respectivas disciplinas que se ocupam de cada um deles: a psicologia, responsável pelo estudo do primeiro, e as ciências do espírito, dedicadas ao segundo. O objetivo desta apresentação é examinar a concepção de psicologia adotada pela autora, tal como emerge de sua análise sobre a essência do psíquico. O entendimento steiniano de psicologia diverge do programa filosófico dominante em meados do século XIX, quando as discussões se concentravam na definição do método e objeto dessa disciplina. De um lado do polo, a psicologia foi concebida como uma ciência cujos pressupostos metodológicos deveriam alinhar-se aos das ciências naturais; de outro lado do polo, sustentava-se uma psicologia alinhada à tarefa e orientação das ciências do espírito. Edith Stein argumenta que ambas as alternativas reduzem o psíquico a características inadequadas: ora como um objeto meramente natural, ora como um objeto propriamente espiritual. Na esteira da tradição fenomenológica, ela evita comprometer-se com tais reduções e empreende um projeto alternativo: elaborar uma psicologia a priori, cuja tarefa é fornecer um estudo das categorias essenciais do psíquico. Somente a partir dos resultados de uma psicologia a priori torna-se possível o desenvolvimento de uma psicologia empírica. Esta, por sua vez, não se reduz ao proceder das demais ciências naturais exatas, como a física e a matemática, mas requer sua própria forma de orientação. Assim, nosso objetivo é explanar tais distinções, a fim de responder “O que Edith Stein compreende por psicologia?”.