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Em quarentena, presa em outro país, os dias têm necessidade de mergulho em memórias vivas. Entretanto, ali, tudo ao redor ressente-se da familiaridade. Há falta. Objetos estranhos que vejo e revejo a cada manhã. Casa vai adquirindo outras camadas de sentidos. O que há é o corpo casa, corpo memória, corpo sentido, corpo tudo. Material e imaterial. O caos é aqui e agora, o aconchego também. As paredes não me contam histórias ao mesmo tempo que já sussurram crônicas diárias.
Corpo ilha, corpo peninsular. Corpo estreito. Afasta e aproxima. Como os músculos da respiração.
Todo o tempo o corpo ressignifica o espaço tempo território. E (re)cria a própria invenção de si no processo vital de elaborar a realidade em escritas imagens danças.