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RECONHECIMENTO DOS PROFISSIONAIS DO SANEAMENTO E DA VIGILÂNCIA MARCA CELEBRAÇÃO DOS 40 ANOS DA FLUORETAÇÃO DA ÁGUA NA GRANDE SÃO PAULO
No dia 13 de novembro de 2025, no Auditório André Franco Montoro, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), foram celebrados os 40 anos da implantação do ajuste da concentração do fluoreto nas águas de abastecimento público dos municípios da região metropolitana da Grande São Paulo. Conhecida como “fluoretação da água”, esta estratégia de saúde pública é a medida mais importante de saúde bucal coletiva para prevenir a carie dentária em nível populacional.
O evento contou com o apoio de várias instâncias do Estado e entidades da sociedade civil, e foi realizado pela Frente Parlamentar da Saúde Bucal, coordenada pelo deputado Mauro Bragato (PSDB) em parceria com o Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal (CECOL/USP) mantido pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP).
A celebração mostrou a importância da participação do Estado e da sociedade para a sustentação das políticas públicas intersetoriais com impacto na saúde bucal. Destacou-se também a relevância do trabalho de dezenas de profissionais do saneamento e da vigilância da água que, no dia a dia, com sua dedicação, realizam os procedimentos de controle e de vigilância da concentração do fluoreto na água de abastecimento público segundo as bases técnicas e legais que regem cada setor de ação institucional.
No âmbito do Estado, participaram lideranças do legislativo, e do executivo, por meio da representação do Ministério da Saúde, da Coordenação Geral de Saúde Bucal, do Conselho de Secretários Municipais da Saúde, de representantes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), do Centro de Vigilância Sanitária e do Instituto Adolfo Lutz, órgãos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Por meio de gravações, o Ministro da Saúde, Dr. Alexandre Padilha, e a Secretária de Informação e Saúde Digital, Drª Ana Estela Haddad, manifestaram seu apoio ao evento. Estiveram presentes também dirigentes e representantes da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Faculdade de Saúde Pública e da Faculdade de Odontologia, ambos da Universidade de São Paulo.
Pela sociedade organizada, estiveram presentes e manifestaram apoio dirigentes e representantes da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), da Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva (ABRASBUCO), e da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (ABENO).
No evento foi reafirmada a importância de ampliar políticas públicas de prevenção e acesso a cuidados odontológicos de forma articulada entre lideranças da sociedade, conselhos de saúde e municípios tendo como esteio e fonte de apoio, as Universidades.
Em 1985, apenas 5% dos adolescentes não tinham experiência de cárie, enquanto agora, decorridos 40 anos, mais da metade dos adolescentes chegam aos 12 anos livres de cárie. Entre os adultos, o índice CPOD diminuiu 47% (22,6 para 12,0).
Muitas pessoas que não têm problemas graves de cárie dentária nos dias atuais nem imaginam o flagelo que a doença representava para a população. Muitos fatores explicam essa mudança, entre os quais, a proteção conferida pelos baixos níveis de fluoreto na saliva propiciados pela fluoretação da água.
Em 2025, na Região Metropolitana, são mais de 18 milhões de pessoas com dentição natural amparadas por essa proteção. Se um estudo de econometria fizesse as contas, provavelmente encontraria milhões de dentes que deixaram de ter cárie e bilhões de reais que deixaram de ser gastos com tratamento. Então é de um significado muito importante essa celebração, lembrou o professor Paulo Frazão, coordenador do (CECOL/USP) e docente da FSP/USP.
Após a saudação e as falas das autoridades presentes, foi apresentado um breve painel de atualização de tecnologias e estratégias de vigilância da qualidade da fluoretação da água, incluindo sua segurança, efetividade e o contexto de sua implantação.
Participaram do painel especialistas de diferentes instituições e áreas de conhecimento.
O Prof. Dr. Paulo Capel Narvai, da Universidade de São Paulo, discorreu sobre o contexto histórico da implantação da fluoretação da água na Grande São Paulo, destacando a importância das decisões técnicas, institucionais e políticas adotadas para superar as dificuldades da época.
O Prof. Dr. Wanderley Paganini, da Universidade de São Paulo, comentou sobre os avanços das tecnologias de ajuste e controle operacional da fluoretação e a importância dos tratadores que operam o abastecimento de água no cotidiano.
A Dra. Mariangela Guanaes Bortolo da Cruz, do Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, falou sobre o significativo esforço que tem sido feito para dotar o programa de vigilância da qualidade da água para consumo humano de recursos, agentes e profissionais capacitados para monitor a água em relação ao fluoreto.
A Dra. Marisa Lima Carvalho, do Instituto Adolfo Lutz relatou sobre a relevância do apoio laboratorial ao programa de vigilância em relação à concentração do fluoreto na água.
A Prof. Dra. Branca Heloísa de Oliveira, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, discorreu sobre a segurança da fluoretação da água nas concentrações recomendadas e o contexto adverso em que vivemos marcado pela circulação na internet e nas redes sociais de fake news e interpretações equivocadas dos resultados da ciência.
Por fim, o Prof. Dr. Paulo Frazão, da Universidade de São Paulo, mencionou a importância da fluoretação da água para a redução da cárie e das desigualdades socioeconômicas da sua distribuição.
O Brasil é reconhecido mundialmente por ter incorporado o flúor como estratégia essencial de saúde pública. A política foi implementada na Grande São Paulo em 1985, por meio da SABESP e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com o apoio da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD) e da Faculdade de Saúde Pública, e do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), entre outras entidades.
A notícia completa foi publicada na página da ALESP em que a gravação do evento está disponível. Para acessar, use este link.
FLUORETAÇÃO DA ÁGUA É DESTAQUE NO ENSINO ODONTOLÓGICO
Visitas técnicas a Estações de Tratamento de Água têm enorme importância na formação de cirurgiões-dentistas, pois correspondem a vivências não clínicas, não odontológicas em sentido estrito e que, por serem ações desenvolvidas fora do setor saúde, mas com impacto importante sobre a saúde da população, mostram ao estudante o mérito de valorizar ações e políticas públicas intersetoriais de interesse da saúde bucal coletiva.
Nesta edição, o Boletim da Rede Vigifluor destacas duas experiências desse tipo, levadas a cabo no segundo semestre de 2025, como parte do calendário escolar dos cursos de graduação em Odontologia.
VISITA À ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUA DO MUNICÍPIO DE SANTA MARIA, RS
Orlando L do Amaral Jr
Jessye Giordani
Maria Laura Braccini Fagundes
A visita técnica à Estação de Tratamento de Água (ETA) do município de Santa Maria, RS, foi realizada como atividade da disciplina “Odontologia em Saúde Coletiva IV”, ofertada para a turma do 9º semestre do curso de Odontologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A atividade teve como propósito aproximar os estudantes do cotidiano dos serviços públicos essenciais à saúde, especialmente do processo de fluoretação das águas.
Fomos recebidos pelo servidor Mauro, funcionário com longa trajetória na instituição e que permanece em atividade mesmo após o processo de privatização da empresa responsável pelo serviço.
O profissional apresentou o funcionamento geral da ETA e detalhou o processo de fluoretação, abordando os parâmetros técnicos e legais que orientam o controle da concentração de flúor na água, conforme a legislação nacional e as normas específicas adotadas no Estado do Rio Grande do Sul.
A atividade permitiu a aproximação dos futuros cirurgiões-dentistas com uma das principais estratégias de prevenção coletiva da cárie, destacando o papel do controle da fluoretação como ação essencial de vigilância em saúde. Além do aprendizado técnico, a visita proporcionou reflexão sobre a importância da atuação intersetorial e do compromisso social na formação do profissional de saúde, contribuindo para a construção de uma prática odontológica que reconhece os determinantes sociais da saúde e se orienta pela responsabilidade coletiva e pela promoção da equidade em saúde bucal. Destacamos que a atividade ocorre desde o ano de 2023, onde mais de 240 alunos já tiveram a vivência.
ALUNOS DA FOP-UNICAMP VISITAM UNIDADE DE TRATAMENTO DE ÁGUA E ESGOTO DA CIDADE DE CAPIVARI, SP
Da página do Instagram fop_unicamp,
(https://www.instagram.com/fop_unicamp/#)
Na tarde de 18 de novembro de 2025, os alunos da FOP-UNICAMP realizaram uma visita técnica à unidade de tratamento de água e esgoto da cidade de Capivari, sob supervisão da professora Dra. Maria da Luz do Rosário Sousa e professor Dr. Antônio Pedro Ricomini Filho. A atividade integra o cronograma da disciplina DM021, cujo objetivo é demonstrar, na prática, o funcionamento da fluoretação da água de abastecimento público.
“A tarde foi bastante enriquecedora. Os estudantes participaram de uma visita guiado pela unidade, no qual puderam acompanhar, passo a passo, as etapas do tratamento da água, enquanto os profissionais locais explicavam detalhadamente cada processo”, destacou a professora Maria da Luz. Ela agradece à unidade do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) Capivari pela parceria e receptividade, bem como à Prefeitura de Piracicaba pela disponibilização do transporte, o que tornou possível a realização da atividade com os alunos.
BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE MOSTRA AS DESIGUALDADES NA IMPLEMENTAÇÃO DA VIGILÂNCIA DA ÁGUA NO PAÍS
O Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano foi tema da edição 56 do Boletim Epidemiológico publicado pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde. A matéria traz informações muito importantes sobre a situação da cobertura e da qualidade da água no país para o ano de 2023.
Embora a taxa de mortalidade atribuída à falta de acesso adequado a serviços de água, saneamento básico e higiene venha declinando nos últimos anos, em 2020 era ainda de 4,14 mortes/100 mil habitantes, com diferenças regionais marcantes.
O número de municípios que realizou menos de 50% das análises mínimas exigidas pela Diretriz Nacional do Plano de Amostragem da Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano foi:
1.268 (22,8%) para coliformes totais/E. coli;
1.675 (30,1%) para turbidez;
2.607 (46,8%) para residual de desinfetante; e,
3.396 (61,0%) para fluoreto.
Cumpriram integralmente a Diretriz 1.897 municípios (34,1%) para coliformes totais/E. coli; 1.950 (35,0%) para turbidez; 1.262 (22,7%) para residual de desinfetante; e 1.096 (19,7%) para fluoreto.
Em relação à cobertura de abastecimento de água, a Região Norte destacou-se com a menor estimativa do percentual da população abastecida por SAA (53,4%), inferior à estimativa nacional (71,3%). Alguns estados reforçaram essa desigualdade no País, como o Pará, em que menos da metade da população (46,2%) era abastecida por SAA.
Apenas 67,6% dos habitantes tiveram acesso a formas de abastecimento que atendiam às exigências normativas para o tratamento de água. Por outro lado, 7,1% da população recebeu água sem o tratamento mínimo (aplicação de agentes desinfetantes, seja para desinfecção propriamente dita, seja para manutenção de residuais desinfetantes no sistema de distribuição). Para 25,3% da população não havia informações no SISAGUA, mostrando grave lacuna na cobertura dos dados sobre a qualidade da água no País.
Os resultados mostraram as conhecidas disparidades entre estados e regiões brasileiras no que se refere à implementação do VIGIAGUA e ao cumprimento das exigências mínimas definidas em norma para o tratamento da água destinada ao consumo humano. Mais de 50 milhões de habitantes não dispunham de informações sobre o abastecimento de água em 2023.
O Boletim pode ser obtido na íntegra aqui.
QUARTA EDIÇÃO DO CURSO GRATUITO DE ATUALIZAÇÃO EM FLUORETAÇÃO DA ÁGUA ENCERRA COM 61 CONCLUINTES
A 4ª edição do Curso “Atualização em Fluoretação da Água de Abastecimento Público: Aspectos Operacionais e de Vigilância Sanitária” transcorreu de 16/06 a 15/11/2025 com a certificação de 61 cursistas por meio da Plataforma Moodle da Extensão USP. Do total de 284 inscrições de pessoas dos 26 estados e do Distrito Federal, foram aprovadas 128 inscrições de profissionais de nível superior com documentação completa. A maioria das matrículas correspondia a mulheres (61,7%) e profissionais na faixa etária de 25 a 44 anos de idade (75,8%). Do total, 43,8% das matrículas referem-se a profissionais da região Sudeste; 21,9% do Nordeste;21,9% do Sul; 4,7% do Centro-Oeste; e 7,8% da região Norte. Dos matriculados (128), 61 (47,7%) concluíram todas as atividades e foram aprovados. Acessaram a plataforma 120 estudantes, dos quais 17 preencheram apenas o questionário inicial, e seis fizeram apenas o primeiro exercício e não prosseguiram.
Dada a natureza de curso online, autoinstrucional, massivo e totalmente gratuito, os resultados superaram as expectativas. Cerca de 50% dos estudantes ativos na plataforma conseguiram concluir o curso, uma taxa relativamente alta comparada a cifra usualmente obtida por cursos desse tipo. Uma enquete disponibilizada no ambiente virtual de aprendizagem (AVA) do curso confirmou que os objetivos foram atingidos. Os concluintes apresentaram importantes sugestões para o aprimoramento do AVA e do programa do curso. A apreciação geral foi muito boa, e as recomendações serão avaliadas, contribuindo para a próxima edição. Em relação a uma lista de oito temas, a maioria dos cursistas (de 82% a 94%) considerou que os conteúdos abordados no programa contribuíram significativamente para mudanças nos seus conhecimentos sobre a temática relacionada com a fluoretação da água de abastecimento público. Por fim, 99% declararam que recomendariam o curso para algum amigo ou colega.
Após essa quarta edição, 325 profissionais obtiveram a certificação. As inscrições para a quinta edição do curso “Atualização em Fluoretação da Água de Abastecimento Público: Aspectos Operacionais e de Vigilância Sanitária – 5a edição” serão abertas no mês de maio em data a ser informada, na página de cursos e atividades de extensão da USP (https://uspdigital.usp.br/apolo/apoExtensaoCurso?codmnu=1444)
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