William Shakespeare
William Shakespeare
Início de sua vida
Batismo: 26 de abril de 1564 na Holy Trinity Church em Straford, por isso, estipula-se que ele tenha nascido dia 23 de abril de 1564.
Vida Pessoal
Família
Mary (Aden) e John Shakespeare, era filho de um fazendeiro e foi criado na vila de Snitterfield e mudou-se para Stratford em 1550 para se tornar luveiro e em 1556 comprou a casa na qual seu filho, Shakespeare, nasceu. No ano de 1557, John casou-se com Mary Arden, filha de um rico dono de terras. Os dois primeiros filhos do casal faleceram durante a infância, o terceiro foi William e foi seguido de outros três filhos e duas filhas.
Mary (Aden) e John Shakespeare, era filho de um fazendeiro e foi criado na vila de Snitterfield e mudou-se para Stratford em 1550 para se tornar luveiro e em 1556 comprou a casa na qual seu filho, Shakespeare, nasceu. No ano de 1557, John casou-se com Mary Arden, filha de um rico dono de terras. Os dois primeiros filhos do casal faleceram durante a infância, o terceiro foi William e foi seguido de outros três filhos e duas filhas.
Shakespeare cresceu em uma cidade próspera com, por volta de, 1500 habitantes que crescia no mercado como a principal vendedora de produtos de fazenda.
John Shakespeare: O pai de Shakespeare, era um luveiro (fabricante de luvas) e em 1557 juntou-se ao conselho da cidade (town council) conquistando a posição de oficial de justiça em 1568, ou seja, ele retinha um status político. Contudo, por volta de 1579 e 1580, ele perde sua fortuna e parou de atender as reuniões do conselho e envolveu-se em vários processos judiciários. A morte de John é datada no ano de 1601.
Educação
Nenhum documento liga Shakespeare a quaisquer escolas na época, porém, supõe-se que após aprender a escrever e ler na "Petty" school, ele tenha integrado a grammar school. Deduz-se tal fator devido ao histórico da sua família e nas referências literárias clássicas e mitológicas em suas futuras obras que condizem com o currículo escolar.
A Petty School equivale a escola de instrução inicial e a Grammar School equivale aos 1º e 2º graus, nessas escolas eram trabalhados os estudos de gramática, leitura dos clássicos, tradução, latim e retórica.
Muitos bons estudantes de famílias ricas, quando completavam 15 ou 16 anos, iriam para as universidades em Oxford ou Cambridge, o que não foi o caso de Shakespeare.
Casamento e filhos
Em 28 de novembro de 1582 Shakespeare se casou com Anne Hathaway. A dispensa para o casamento foi fornecida pelo bispo de Winchester.
Filhos: Susanna, a mais velha, foi batizada no dia 26 de maio de 1583, e os gêmeros, Hamnet e Judith, foram batizados no dia 2 de fevereiro de 1585.
Em 1596, Shakespeare retornou a Londres quando Hamnet morreu com 11 anos em 1596.
Shakespeare foi padrinho do filho de seus antigos amigos John e Jeannette Davenant.
Suzana casou-se e teve uma filha em 1607.
Judith casou-se em 1616.
Moradia: Ao estar em uma companhia de sucesso em Londres, na década de 1590, William conseguiu comprar uma das maiores casas em Stratford para sua mulher e filhas. E registros sugerem que Shakespeare viajava frequentemente para visitar sua família, como também, ele investiu fortemente em um terreno agrícola perto da cidade.
Os "anos perdidos"
Não há registros de Shakespeare entre os anos de 1585 à 1592, e é um período de grande especulação entre muitos.
Shakespeare em Londres
A primeira referencia que se tem de Shakespeare em Londres é datada em 1592, portanto, ele já havia feito sua marca como dramaturgo, por consequência, implica-se que ele já estava atuando por um tempo antes de se tornar escritor. Em 1592, ele já tinha, provavelmente, completado sua tetratologia Wars of the roses e The Two Gentlemen of Verona (Os dois cavalheiros de Verona). Shakespeare era somente mais um dramaturgo tentando satisfazer as necessidades no novos teatros que foram construídos na época em Londres.
Shakespeare foi notado rapidamente, visto que suas peças iniciais foram apresentadas no teatro mais popular de Londres no início dos anos 1590, the Rose. Um período depois os teatros foram fechados devido à peste, com isso, Shakespeare consolidou-se como um poeta o que lhe rendeu bons retornos financeiros. Em 1594, a companhia The Lord Chamberlain's Men (a companhia tornou-se the King’s Men quando o rei James I sucedeu a rainha Elizabeth em 1603 e, o novo rei, era um grande apreciador da arte dramática fazendo com que as companhias da época adquirissem o selo real) foi fundada e, durante toda sua carreira, onde Shakespeare permaneceu como ator e dramaturgo. Ele escrevia suas peças históricas, comédias e tragédias.
A companhia frequentemente era convidava para apresentar-se para a rainha Elizabeth, regularmente, nos seus palácios em Greenwich e Whitehall em 32 ocasiões, e, com o rei James I (James I era o James IV na Escócia), a companhia foi adotada e eles apresentaram-se em 177 ocasiões nas quais Shakespeare ainda era vivo entre 1603 e 1616. Com apresentações diárias, a pressão nos escritores foi muito maior.
Em 1603, a praga fechou novamente os teatros, mas Shakespeare continuou escrevendo e produzindo peças durante esse período. Neste período, Shakespeare escreveu uma das suas peças mais aclamadas: Hamlet (1600-1601) o que fez com que ele dedica-se mais as tragédias, portanto, entre 1604 e 1607 ele escreveu Otelo, Rei Lear e Macbeth. As quatro são consideradas as mais bem escritas peças do autor.
Shakespeare estava em seu maior momento.
Em 1608, chegamos no período considerado das peças finais/os romances, the King's Men recuperou a locação para o hall do convento em Blackfairs, o que oferecia possibilidades ótimas para os elementos mágicos e místicos, especialmente das peças The Winter's Tale (Contos de Inverno) e The Tempest (A Tempestade). A última é considerada a última peça escrita somente por Shakespeare, em 1613 ele colaborou com John Fletcher nas peças Cardenio (perdida), Henry VIII (queimou junto ao Globe em 1613) e Two Noble Kinsmen.
Teatro Elisabetano
A Inglaterra era um local descrito por contrastes: de um lado uma cidade suja e superpovoada cercada por muralhas e do outro os palácios.
Era comum o itinerário dos atores, apresentarem-se para multidões nos jardins de pousadas, como também, salões de conferências, pousadas da corte e casas privadas. Na década de 1560, os atores eram “adotados” por ricos nobres e monarcas.
Com a criação do primeiro teatro permanente em Londres, a demanda de trabalho para dramaturgos era extremamente alta - já que exigia que tivesse um variado repertório para a comunidade local - ou seja, a cidade era um local competitivo no mercado teatral.
Anteriormente, o teatro era um lugar de quem não retinha um grande poder aquisitivo, que pode ser considerado um local violento, igualmente como as outras formas de entretenimento da época: “enforcamentos, brigas de galo, lutas entre ursos e cães (bear baiting), entre touros e cães (bull baiting), para beber, jogar e assistir peças” (SMITH, 2008, p. 9). Não era permitido que mulheres atuassem, portanto, todos os atores eram homens e meninos. E isso era um tema retratado nas peças: Como queiras, O mercador de Veneza e Noite de Reis. Tudo mudou quando o Globe foi inaugurado em 1599 e foi considerado o melhor teatro em Londres com espaço para 2000 espectadores. Durante a próxima década, quase todas as novas peças de Shakespeare eram apresentadas nele.
A transição das monarquias, elisabetana para jacobina, não alterou os teatros em si, a mudança ocorreu na popularidade de estilo das peças. Durante a monarquia elisabetana, Shakespeare escreveu muitas comédias com tons otimistas, e na era jacobina, as comédias eram mais desconsoladas e os temas eram, usualmente, sombrios e introspectivos - nesta década que ele escreveu suas principais tragédias. Portanto, o amor, a beleza e a esperança foram ofuscados pela violência, maldade, luxúria e loucura.
Em 1613, o Globe pegou fogo e foi destruído, contudo, ele foi reconstruído, ao mesmo tempo que Shakespeare decidiu retornar a Stratford.
Alguns teatros da época: The Fortune (1600), The Red Bull (1605), The Rose (1587), The Swan (1595), The Globe (1599), e The Hope (1605).
O retorno à Stratford
Em 1614, Shakespeare retorna a sua terra natal. Em 23 de abril de 1616, é datada a sua morte e seis meses antes, ele tinha escrito seu testamento que favorecia sua filha Suzana, lhe garantindo várias propriedade, Anne Hathaway herdou a segunda melhor cama da casa e Judith herdou uma quantia monetária, como também, seus três colegas mais próximos da companhia The King's Men, Richard Burbage, John Hemminge e Henry Condell, receberam dinheiro e objetos.
Período histórico e literário
A sociedade estava em transição, especialmente com os novos feudos e a consolidação do Protestantismo, além disso, a ciência estava evoluindo na época e ocorreu a expansão do mercado editorial, consequentemente, teve-se a expansão do conhecimento. Portanto, Inglaterra teve uma transição do medieval para o moderno, e Londres era uma metrópole com uma vida econômica, política e cultural marcante, um fato que atrai imigrantes.
A literatura renascentista estava em curso, os temas de muito interesse eram os clássicos gregos e romanos e curiosidade para a literatura francesa e italiana. Além disso, muitos clássicos europeus foram traduzidos pela primeira vez.
Na época, a Inglaterra era um país pobre, a economia sobrevivia dificilmente - e no período elisabetano (no governo da Elizabeth I), a rainha desvinculou sua imagem da economia.
Londres tinha uma população de 200.000 habitantes na época, devido à migração da parte rural e de outras partes da Europa.
A peste negra alastrou-se nos anos de 1564, 1592-1593, 1603 e 1623.
Em 1597, ocorreu a construção do primeiro teatro permanente na cidade.
O sucesso de Londres afetou diretamente suas relações comerciais, fazendo com que o porto fosse uma maneira próspera de comércio e a marinha londrina reforçada.
Linguagem Literária
Shakespeare é um escritor do período da literatura britânica denominada Inglês moderno, modern English, e possui esse nome por causa da transição da era medieval para uma era moderna.
A Inglaterra cresceu por meio das guerras, da exploração, das trocas comerciais, da diplomacia, da colonização, e da pirataria, como também, da publicação dos primeiros trabalhos públicos e traduzidos em língua inglesa.
Para isso, existia a troca com diversos outros países, entre eles: Itália, Portugal, Espanha, França, leste oriental e o "novo mundo" - Ligação entre as antigas culturas clássicas e as descobertas contemporâneas.
A ciência, medicina e arte foram os campos principais a crescerem na época.
Shakespeare introduziu por volta de 1500 palavras na língua inglesa e muitas frases utilizadas atualmente vieram de suas peças e poesias.
As obras
Shakespeare escreveu em torno de 39 peças - divididas, de acordo com o Folio de 1623 em comédias, tragédias e peças históricas -, 154 sonetos e alguns poemas narrativos e líricos.
Denominado de First Folio, o primeiro Fólio, foi um livro publicado por John Hemminge e Henry Codell, colegas de Shakespeare da The King’s Men, com o intuito de preservar e promover a publicação de suas peças e é a primeira coletânea de suas produções.
Outras quatro versões do Folio foram publicadas e, nestes, foram acrescentadas novas peças - e algumas alterações haviam sido realizadas, mas foram ajustadas novamente na última versão graças a Johnson e Edward Capell. Com isso, foi acrescentado o gênero “romance” às peças de Shakespeare de maneira a adicionar as novas peças acrescentadas no último Fólio - a quarta versão publicada em 1685 é tida como definitiva.
Todas as peças possuem 5 atos.
No século 20, as peças eram muito encenadas e reinterpretadas por críticos literários e diretores de teatro o que fez com que isso se refletisse em diversos âmbitos, especialmente o acadêmico, promovendo análises de suas obras desde as teorias marxistas até teorias feministas, e por assim em diante. Algo que se mantém nos dias atuais.
Troilus and Cressida, All’s well that ends well, Measure for measure (são consideradas peças problema, por não se encaixam exatamente em um gênero.
Portanto, podemos dizer que as peças são divididas em comédias, tragédias, peças históricas e romances.
Peças Históricas
As peças históricas retratam o passado da Inglaterra utilizando reinados antigos que estavam relacionados aos eventos de unificação do país, porém, as peças não eram peças historicamente corretas. Os nomes dos Reis eram os títulos das peças.
Elementos principais: o herói caído, celebrações, personagens engraçados e cenas de batalha.
Total de peças históricas: 11
Ricardo II e III, Eduardo III, Ricardo II, Henrique IV (parte 1 e 2), V, VI (parte 1, 2 e 3) e VIII, A vida e morte do Rei João.
Comédias
As comédias são peças mais leves, esperançosas e otimistas, e seus finais são felizes com a renovação por meio do casamento, amor e promessas de melhoras a nova geração.
Variam desde mundos mágicos até trágicos.
Apresenta bastante instrumentos musicais.
Os personagens são cercados por famílias e pela comunidade, ou seja, eles possuem muitas relações sociais durante a peça. Um tópico que sempre é trabalhado é o amor superando obstáculos.
Elementos principais: a vida como algo cômico, renovação, formas de imortalidade, amor e busca por identidade, rebelião contra algo imposto aos protagonistas, resoluções cômicas que incluem os espectadores
Total de comédias: 13
A comédia dos erros; A megera domada; Os dois cavalheiros de Verona; O Mercador de Veneza, Sonho de uma Noite de Verão, Como quiseres, Muito barulho por nada; As alegres comadres de Windsor; Bom é o que o bem acaba, Medida por medida, Troilus e Cressida; Trabalhos de amor perdidos e Noite de Reis.
Tragédias
A tragédia possui um desenvolvimento e desfecho trágico que destrói tudo que ocorreu durante a narrativa. É a demonstração de que as sociedades não mudam e destrói os personagens e as ordens sociais vigentes. Muitas peças possuem personagens e tons cômicos, contudo, a finalização das peças sempre leva a morte de alguma ideia e/ou personagem. Muitos heróis trágicos são baseados em figuras históricas ou se passam em outras localizações como na Grécia e Inglaterra antiga, Escócia, Verona e Veneza.
1600 a 1608 é considerada a era de ouro das tragédias.
Elementos principais: questionamentos sobre a sociedade ou os indivíduos, acontecimentos e mortes trágicas e dramáticas.
Total de tragédias: 10
Romeu e Julieta, Hamlet, Rei Lear, Macbeth, O Otelo, o mouro de Veneza, Titus Andronicus, Timon de Atenas, Antônio e Cleópatra e Coriolanus.
Romances
Fase final da carreira de Shakespeare - na qual ele escreveu bastante com colaboradores. Retrata aventuras cheias de comédia e romance que abarca uma série de sentimentos como felicidade e luto. O desfecho sempre ocorre depois de muitas dificuldades que permanecem até o momento final ao mesmo tempo que há a união final, misturando a melancolia e a felicidade. Sempre ao final, as famílias são reunidas, e há promessas de casamento e harmonia social.
As separações são temporárias, e os casais vivem felizes ao final. Mais a busca do que a reflexão e isso gera a sensação de maravilha com ficção e ilusão.
Elementos principais: amor juvenil, obstáculos impossíveis, destinos individuais, brecha no tempo, milagres, elementos mágicos e a morte de um personagem principal.
Total de romances: 6
Péricles, Cymbeline, A Tempestade, Conto de Inverno, Cardenio e Os dois cavalheiros de Verona.
Relevância de Shakespeare
Após mais de 400 anos da sua morte, Shakespeare ainda é um dos escritores mais relevantes mundialmente, isso é um reflexo de seus construtos literários e linguístico, temáticos e sociais de modo que proporciona a conexão entre diferentes diversos contextos e sociedades por meio de seus construtos literários e linguísticos.
Shakespeare é responsável por:
acrescentar por volta de 1500 palavras na língua inglesa;
ter seus livros traduzidos em uma enorme quantidade de línguas;
despertar o interesse pela realização de festivais de teatros escolares e eventos acadêmicos;
ser referência em inúmeras atividades, filmes, séries, vídeos, musicais, encenações, artigos acadêmicos, dissertações, podcasts, músicas, pinturas, livros e entre outras mídias e pesquisas nos mais diversos contextos culturais.
Instituições
Todos os sites de maior renome sobre o Bardo dedicam-se a produção e desenvolvimento de recursos e materiais voltados ao autor:
Royal Shakespeare Company (RSC),
Shakespeare Birthplace Trust (SBT),
The Folger Shakespeare,
The Shakespeare Globe (GLOBE),
British Council (2022)
Elas desenvolvem inúmeros materiais didáticos como planos de aula, vídeos, quizzes
Esses recursos variam desde planos de aula até plataformas interativas como a Shakespeare Learning Zone, da RSC, e Mix the play, da British Council.
Além disso, neste notável ano, as instituições inglesas: RSC e a British Council, desenvolveram o material didático Shakespeare Vive nas Escolas. Esse explora os tópicos: liderança e poder, família e relacionamentos, identidade e igualdade, sorte e destino, justiça e normas e introdução a algumas metodologias teatrais com o enredo das peças de maneira a abordar tanto os aspectos literários, como a linguagem, quanto os aspectos subjetivos, como debates sobre os personagens. Esse material possui 64 páginas estando disponível tanto em português quanto em inglês por meio do site da British Council.
Referências bibliográficas
DUNTON-DOWNER, Leslie; RIDING, Alan. Essential Shakespeare Handbook. London: Dorling Kindersley, 2014.
HELIODORA, Barbara. O Homem de Stratford. In: Sonho de uma Noite de Verão e Noite de Reis. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991, p. 9-17.
HELIODORA, Barbara. O Teatro e a Obra. In: Sonho de uma Noite de Verão e Noite de Reis. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991, p. 19-25.
SMITH, Cristiane Busato. A vida de William Shakespeare. In: LEÃO, Liana de Camargo; SANTOS, Marlene Soares dos (Orgs.). Shakespeare: sua época e sua obra. Curitiba: Beatrice, 2008, p. 1-15.