TATHIANA ROSA DOS REIS
Na semana do #8M, data que marca a luta das mulheres por direitos básicos e equidade, daremos continuidade à exposição virtual “Histórias de professoras negras no extremo sul da Bahia”.
Com a história de Tathiana Rosa dos Reis, professora de Língua Portuguesa, Matemática e Ciências no ensino fundamental I em Itabatan/Mucuri, BA.
Tathi que se autodeclarou afro-indígena, também é mãe, esposa e evangélica.
A história de vida dela começa no meio rural, ela lembra a sua infância em um sítio que morava com seus avós paternos, que tinham poucos vizinhos, e por isso Tathi brincava sozinha, utilizando a imaginação e a natureza como suas parceiras.
Mas, para iniciar seus estudos, com 8 anos de idade, Tathi precisou migrar do campo para cidade, onde foi morar com seus tios que trabalhavam o dia inteiro como pedreiro e manicure. Nessa época ela precisou interromper as brincadeiras e exercer os cuidados do bebê do seus tios e da casa onde moravam.
Ela lembra a interrupção da sua infância, mas também as oportunidades que tinha de brincar livremente quando ia visitar os avós. Embora Tathi rememore sua infância no sítio com carinho, ela também relata os reflexos do racismo estrutural na constituição das relações familiares, e em especial da relação com sua avó, que se parecia com ela fisicamente, mas infelizmente era vítima dos padrões de beleza da branquitude, como tantas outras mulheres.
Tathi que teve a oportunidade de estudar e reelaborar as narrativas de sua avó compôs uma trajetória diferente, apoiada em seu empoderamento se reafirma como uma mulher negra, bonita, inteligente e cheia de sonhos.
Lembra também do nascimento das suas filhas como um marco importante, sendo que na primeira gravidez quase precisou interromper o magistério que cursava. Não sonhou em ser professora, mas seguiu na profissão, concluiu o magistério e cursou uma licenciatura à distância. No entanto, desde cedo houve um encantamento pela escrita e leitura, um sonho de ser jornalista que não se concretizou, mas aos seus 42 anos de idade, Tathi sonha em ser psicóloga.
Ao final do vídeo ela lembra o início da pandemia, o medo do vírus, que se agravou por ela ter hipertensão, o isolamento social, o distanciamento das/dos suas/seus aluna(o)s.
A história de Tathi levanta as nuances do racismo e do patriarcado, dos enfrentamentos das mulheres na realização dos seus sonhos! Mas, sabemos que nunca é tarde para sonharmos, e que nada pode nos limitar, porque “lugar de mulher é onde ela quiser”! Ou como nos ensinou Marielle Franco “não seremos interrompidas”!
Entrevista realizada pelas estudantes: Ágatha Bonfim e Brenda Ribeiro.
Edição de vídeo: Ágatha Bomfim, Brenda Ribeiro, Clara Gobira Lima e Daniel Souza dos Santos.
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