30/09 - Halber Mond
“Halber Mond” é uma dança da literatura?
Annette von Droste-Hülshoff é uma das mais importantes escritoras da Vestfália. Nascida próximo a Münster, ela publicou em 1845 a obra conhecida hoje como “Bilder aus Westfalen”. Nela, de forma poética, a autora leva o leitor a uma viagem espetacular e impressionante pela Vestfália.
Claro que Annette von Droste-Hülshoff também dedicou sua atenção aos moradores da região. Com o seu olhar preciso, ela criou um quadro de pessoas simples do campo e da cidade, com suas histórias, seus mitos e suas superstições. É um olhar benevolente sobre os diferentes indivíduos que viviam na Vestfália.
Em seu texto, em um breve trecho, ela menciona as antigas danças que faziam parte da comemoração de casamento. Entre elas, estava a “Der halbe Mond”:
“Depois do jantar, iniciam-se as danças tradicionais: ‘Der halbe Mond’, ‘Der Schustertanz’, ‘Hinten im Garten’, algumas com as mais graciosas voltas e reviravoltas. A orquestra é composta por um ou dois violinos e um contrabaixo. [...] Se o público gosta muito de música, provavelmente algumas tampas de panela e uma peneira de cereais acompanham a batida. Aqui e ali, um rapaz solta um ‘Juchhei’. [...] A cerveja e os destilados são bebidos com moderação. Mas o café é servido aos cântaros.”
Assim como em outras regiões, o casamento na Vestfália também é marcado por uma série de ritos e tradições que tornam a vida do camponês tão singular. Poucos foram os autores que tiveram a sensibilidade de Annette von Droste-Hülshoff para retratar de forma tão poética as tradições dos camponeses.
Apesar de não terem mais informações sobre a dança “Halber Mond” na obra citada, sabe-se que ela era muito popular em várias partes da Vestfália. Segundo o professor Otto Ilmbrecht, antigamente, era comum que ela começasse apenas com o primeiro par, e, a cada repetição da música,um novo casal era acrescentado, até que todos estivessem em movimento.
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29/09 - Tel Aviv
“Tel Aviv” é uma dança ou uma cidade?
A cidade de Tel Aviv é o centro econômico e social de Israel e, dependendo da avaliação do status de Jerusalém sob o direito internacional, é considerada a maior ou a segunda maior cidade do país.
Fundada por uma comunidade judaica em 1909, Tel Aviv era originalmente um subúrbio da antiga cidade portuária árabe de Jafa (Yafo), à qual se uniu em 1950, passando a se chamar oficialmente Tel Aviv-Yafo. Atualmente, é considerada uma das maiores metrópoles econômicas do Oriente Médio.
Com sua fundação no início do século XX, a cidade precisava de um nome. A sugestão posteriormente aceita foi “Tel Aviv”, tradução poética do título do romance utópico de Theodor Herzl para o hebraico. No original, a obra se chama “Altneuland” (a antiga-nova terra) e, na tradução para o hebraico, optou-se por usar o termo “Tel Aviv”, que significa “colina da primavera”.
O nome “Tel Aviv” como indicação de um local surgiu já nas Antigas Escrituras no livro de Ezequiel. “Tel Aviv” seria um outro lugar, na Babilônia, para onde o povo judeu havia sido reassentado.
Apesar de ter uma fundação recente, a região de Tel Aviv-Yafo já é conhecida há muitos anos. Nas Antigas Escrituras, a cidade de Jafa (então chamada de Jope) é mencionada no livro de Jonas. Deus deu a Jonas a tarefa de ir até Nínive e alertar seus moradores do iminente castigo divino. Contudo, Jonas decide não realizar a tarefa e, no Porto de Jope, embarcou em um navio com destino a Társis. Foi nessa viagem que ele acabou sendo engolido por uma baleia.
Também na mitologia grega há referência a Jafa. Segundo versões a partir do século 3 a.C., Andrômeda foi acorrentada em um rochedo em Jafa, de onde foi salva por Perseu. Ainda hoje, é possível avistar lá o rochedo de Andrômeda.
Apesar das poucas referências sobre sua origem, a dança “Tel Aviv”, criada a partir da música de A. Amiran, é uma referência a essa cidade de Israel e a sua história. Ela é um belo exemplo da cultura israelita.
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28/09 - Jibidi
“Jibidi” é a dança da filha do padeiro?
A dança conhecida como “Jibidi” é encontrada na região da Bretanha, no noroeste da França. Em todo o país e em outras regiões, existem variações locais dela. Aqui, vimos já a variação luxemburguesa (Chiberli, 28.01.2023). Além disso, em alguns lugares, ela pode ser encontrada como “Jibidi-Jibida”, “Jibeli”, “Sémeri” ou até mesmo “Jibidi-Jabadao”.
Até o final do século XIX, ela era amplamente encontrada em comunidades do interior. Contudo, hoje em dia, ela está presente basicamente em canções infantis, aparecendo também em algumas publicações sobre danças típicas para crianças. Uma canção com melodia semelhante é a “La fille de la meunière”, a filha do moleiro.
O que a dança tem em comum, independente das variações regionais, é sua composição em dois momentos. Na primeira parte, os dançarinos se deslocam, geralmente em marcha. Já na segunda parte, aparecem os saltos.
Na Alemanha, a “Jibidi” foi publicada como francesa em uma coletânea de danças infantis de diferentes países. Para essa versão, foi escrita uma canção em alemão. Nela, não temos a filha do moleiro, mas sim a do padeiro!
Segundo a canção, a filha do padeiro quer casar com aquele que estiver disponível. Sua mãe diz: “coitadinha”. Seu pai diz: “vai rápido!” E no refrão: “Jibidi, jibida”, a filha do padeiro. Jibidi, jibida, muito rápido quer casar.
Curiosidade: Como a dança é de origem francesa, o “J” de “Jibidi” tem o mesmo som da letra na língua portuguesa.
Será que a filha do padeiro vai achar um bom partido?
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27/09 - Virginia Reel
A “Virginia Reel” é uma dança de cinema?
Nos tempos anteriores ao rádio, à televisão e à internet, a forma como as pessoas se divertiam era muitas vezes realizando um baile comunitário. Esse encontro reunia diferentes pessoas e geralmente era um grande evento social.
No século XIX, especialmente no sudeste dos Estados Unidos, era muito comum encontrar longas fileiras de pessoas para dançar a “Virginia Reel”, uma das danças mais populares. De região para região, podem ser verificadas pequenas diferenças em sua coreografia.
Para sua execução, eram escolhidas músicas animadas dos velhos tempos, como a “Durang's Hornpipe” ou a “Old Zip Coon” (também conhecida como “Turkey in the Straw”). Acredita-se que ela tenha sido chamada de “Virginia Reel”, pois estudantes da Universidade da Virgínia costumavam dançar esse “Reel” em grandes bailes locais.
Mas onde ela surgiu antes de chegar nos Estados Unidos?
A “Virginia Reel” tem suas origens atribuídas à dança escocesa e foi popularizada na Inglaterra no século XVII. Lá, ela foi publicada pela primeira vez em 1695 na coleção “The English Dancing Master” do mestre de dança John Playford sob o nome de “Roger of Coverly”. Existe uma história que conta que ela teria sido nomeada assim em homenagem a Sir Roger of Coverly, cujo bisavô a teria coreografado em 1766. Mas, se fizermos o cálculo das datas, podemos ver que a informação não procede.
Da Inglaterra, ela foi levada primeiro para os Estados Unidos, onde, como vimos, passou a ser chamada de “Virginia Reel” e, mais tarde, para várias regiões da Europa, onde, por volta do ano de 1900, com o nome de “Sir Roger”, acabou se tornando verdadeira moda.
Às vezes, o que é moda por um tempo acaba caindo no esquecimento logo depois. Contudo, a “Virginia Reel” foi eternizada também no cinema. Ela era tão popular que um pequeno trecho seu ganhou destaque no filme americano “E o Vento Levou” (1939), tendo como dançarinos os protagonistas Scarlett O'Hara e Rhett Butler.
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26/09 - Muffline
A “Muffline” quer dizer “Tia Helena”?
Já dizia um conhecido ditado “não confundir alhos com bugalhos”, já que são coisas totalmente diferentes. Quem sabe se pudesse dizer em alemão, com sentido similar, “verwechsle bitte nicht Muffline und Muslime”?
O nome da dança “Muffline”, também chamada de “Mufline” ou “Muhmlene”, é um diminutivo carinhoso para “Muhme Madalena” - “Tia Madalena/Helene”. Já “Muslime” quer dizer “muçulmano”. Se errar na pronúncia os sentidos se alteram totalmente.
A dança “Muffline” não tem nenhuma conotação religiosa, pelo contrário, está ligada ao namoro, com um jogo engraçado de sinais. Suas três etapas poderiam ser descritas como: 1. encontro, 2. pergunta, 3. comemoração. A segunda é interessante: o rapaz gira seu par para a esquerda, ele olha para ela e diz “E jo!” - seria como um “sim” - e ela retorna, mira o par e responde, acenando com a mão esquerda, “Na, na!” - como um “Não”. Ao repetir a figura, a dama, ao final, apontando-lhe o dedo, responde “Na, jo” - que poderia ser “talvez” ou “ok”.
E onde aparece a Helena nessa história? Será que a pergunta era para ela e, ao final, disse um “talvez” e “ficou para titia”? Ou será que a “tia Madalena” ajudou o casal de alguma forma? Muitas vezes essas danças eram contextualizadas em rimas populares ou canções típicas, que, com o tempo, acabavam perdidas ou dissociadas umas das outras.
O que é possível afirmar é que a “Mufflina” foi publicada em uma coletânea de danças do Schönhengstgau, por mais que o próprio material esclareça que ela não era de lá, contudo sendo ali popular. Outras referências de local da dança seriam Teßtal e a Morávia do Norte. Ela está presente na “Sudetendeutsche Tanzfolge”.
Existe uma outra forma como ela era chamada: “Spitze, Ferse, Fuß”. Esse faz referência direta à primeira parte da coreografia, quando os pares expõem “a ponta, o calcanhar e o pé”. Neste caso, se verifica que nem sempre os dançarinos eram muito criativos nas escolhas dos nomes… mas melhor ser simples e falar certo do que confundirem com outra coisa.
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25/09 - Walzer für Mona
A “Walzer für Mona” é uma dança típica do ABBA?
A banda sueca ABBA é conhecida internacionalmente. Formada em 1972, ela liderou as paradas musicais de vários países nas décadas de 70 e 80. Com grandes sucessos como “Dancing Queen”, “Mamma Mia” e “Fernando”, ABBA é conhecida pelos públicos de diferentes idades.
Mas será que a banda também teve algum sucesso nas danças típicas da Suécia?
Isso é pouco provável, mas entre as novas danças típicas suecas surgiu uma que está ligada ao grupo: “Walzer für Mona”, ou, no original, “Födelsedagsvals till Mona”.
Sabe-se que o nome ABBA vem das letras iniciais dos nomes dos seus componentes, mas, nenhum deles se chama “Mona”. Então, como essa música está ligada à banda?
Os compositores dessa melodia são nada mais nada menos que Benny Andersson e Björn Ulvaeus. Ambos representam as duas letras “bê” no nome do grupo musical. Ela foi um presente para a segunda esposa de Benny, chamada Mona Nörklit, por ocasião de seu aniversário de 40 anos em 1983.
Claro que, na ocasião, ela não passava de uma bela valsa com melodia “folk”, uma das paixões de Andersson. Porém, os compositores não tinham nenhuma pretensão de que ela se tornasse uma dança típica. Pelo contrário, era apenas uma homenagem à Mona. Em 1987, a música foi lançada no primeiro álbum solo de Andersson, o “Klinga mina klockor”, reunindo diferentes “folks” suecos. Em pouco tempo, o disco tornou-se um grande sucesso nos países escandinavos.
Algum tempo depois, Ann-Louise Jönsson criou uma coreografia para essa música. Rapidamente, ela se tornou um sucesso entre os grupos típicos suecos, especialmente pela bela melodia e também pela interação constante entre os dançarinos.
Apesar de não ser uma dança típica da famosa banda sueca, podemos dizer, contudo, que eles também foram responsáveis por essa criação única, afinal, sem essa bela música, talvez não teríamos essa bela dança.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/4fUCBLIp2-Y e Benny Andersson tocando em https://youtu.be/h96dPxmmJ8I . E acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
24/09 - Sterntanz
Qual a coreografia correta da “Sterntanz” bávara?
Considerada uma das mais bonitas danças bávaras, a “Sterntanz” é da família das “Laubentänze”: coreografias onde um par guia os demais, todos conduzindo arcos enfeitados com ramos e fitas, a realizarem figuras, ao estilo “Polonaise”. O que a diferencia de sua prima “Reifentanz” e sua irmã “Kronentanz” é o uso de arcos com pontas.
Segundo o “Bayerischer Tranchtenverband”, após Sepp Pfleger, de Peißenberg, ter apresentado pela primeira vez a “Kronentanz” - Dança da Coroa - em 1927, com seus arcos arredondados, Hartl Mayer, de Weilheim, teria tido a ideia da “Sterntanz”. Supostamente em uma noite estrelada, ele vislumbrou a possibilidade de usar arcos com pontas para compor sua nova dança.
Ela foi apresentada em agosto de 1930, em Rosenheim, no grande “Trachtenaufmarsch”, sendo considerada perfeita para o evento. Mostraram 15 figuras, entre elas as realizadas em círculos, fileiras e em formações cruzadas, com os arcos na horizontal e vertical. Não demorou para que outras associações de trajados - “Trachtenvereine” - adotassem a dança.
Em 1952, Sepp Pfleger publicou uma versão “melhorada” da “Sterntanz”. Com seis pares, ele agregou figuras, como as pirâmides, formações em trios, a cúpula dos rapazes e novas estrelas expostas na vertical. Frente às novidades de Pfleger, os grupos que já a praticavam simplesmente passaram a misturá-la com o que fora apresentado por Mayer. Mais do que uma dança, surgiu um estilo.
O que se observa na atualidade é que a “Sterntanz” se tornou uma dança “viva”, já que seus intérpretes acabam apresentando-a de diferentes maneiras, com quantidade distinta de pares, mesmo que tenham como base os trabalhos de Mayer e Pfleger. Geralmente fazem uso de marchas tradicionais bávaras para conduzir os dançarinos, não tendo um tempo limite para sua execução. Mantêm um diálogo constante entre o passado e o presente, fazendo com que cada execução seja única.
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23/09 - Stockholms Schottis
Será que a “Stockholms Schottis” é realmente de Estocolmo?
Já vimos aqui que muitas danças que levam o nome de um lugar, geralmente, não têm origem naquela região. Será esse o caso da “Stockholms Schottis”?
O nome Estocolmo tem origem na junção das palavras suecas “stock”, que significa tronco e também pode significar fortificação, e “holm”, que significa pequena ilha, uma referência à pequena ilha de Stadsholmen, que deu origem à cidade. Essa “ilha fortificada” se tornou a maior cidade de toda a Escandinávia.
Ao que tudo indica, esse xote realmente vem da Suécia, cuja capital é Estocolmo. Porém, nenhum registro indica que sua origem seja exclusivamente na capital. De qualquer forma, é uma homenagem a essa importante cidade.
O que poucos sabem é que a dança é acompanhada por uma canção. Nela, uma pessoa pergunta:
“Você quer vir até mim?
Deitar aqui ao meu lado?”
E ela continua:
“Eu não vou fazer nada
Olhar, mas não tocar”
“Então, quando você adormecer
Profundamente e completamente adormecida”
“Então, minha pequena Greta
Você não vai saber o que está acontecendo”
Claro que a canção permite uma série de interpretações. Ao pensarmos na função de uma canção em uma dança popular, muitas vezes ela servia apenas para auxiliar na contagem dos compassos e a gravar a melodia da dança para que, caso os músicos não estivessem disponíveis, ela pudesse ser executada mesmo assim.
Já outras canções trazem situações que procuram ensinar algo, semelhante à função dos contos de fadas. Outras ainda já trazem uma conotação de diversão, de ofensa ou até de cunho sexual. Com o tempo, muitas dessas canções deixaram de ser registradas, pois, quem a estava anotando, considerava a letra inadequada ou inclusive depravada.
A canção acima pode ser interpretada como um ensinamento para os jovens não caírem na lábia de certas pessoas que, apesar de dizer que não vão fazer nada, estão cheios de más intenções.
Porém, isso tudo é suposição. Assim como a exata origem da “Stockholms Schottis”.
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22/09 - Honakischer
Você gosta de dançar a “Honakischer”?
“Honakischer”: amada ou odiada? Por vezes ganha posição de destaque no cronograma de danças dos bailes típicos bávaros e austríacos… em outras nem é cogitada… Mas por qual motivo há essa dualidade?
Primeiramente, a “Honakischer” é também chamada de “Honakisch” ou “Wadl-Schinter”. Com base em registros, foi recolhida em 1941 pelo Prof. Otto Eberhard, em Henndorf am Wallersee, na região austríaca de Salzburg.
O motivo real do nome é uma incógnita, contudo existem algumas teorias. De acordo com o “Salzburger Volksliedwerk”, no século XVIII apareceu em Mark uma dança chamada “Hannakischer” e esta se tornou moda nos círculos sociais urbanos. Era uma espécie de mazurca lenta, onde os casais, em “Kreuzfassung”, apoiavam-se nos calcanhares.” Será que teriam ligação?
Mas não é pelo nome que ela ganhou afetos e desafetos: é pela coreografia. A “Honakischer” não só exige condicionamento físico, como também, para muitos, parece estranha. Daí alguns dançarinos se perguntam: vale a pena se cansar por ela?
Dividida em três partes, a última é a mais diferenciada: com a mão direita tanto o rapaz quanto a dama seguram a perna esquerda do seu par, por trás do joelho dobrado, e aos pulos com a outra perna, dão voltas no diâmetro do círculo do casal. E há uma observação interessante na partitura: nessa etapa deve-se acelerar a música. Claramente não se trata de uma figura “polida”.
Como destaca Erna Schützenberger e Hermann Derschmidt, “talvez essa forma de dança grosseira e selvagem tenha sido ainda mais exagerada”. Vê-se que a “Honakischer” soma adjetivos não muito positivos… por mais que, por uma parcela dos espectadores, ela seja considerada engraçada.
Da mesma forma que ela, para uns, é grosseira, para outros é diferente e um tanto cômica. Para estes ela consegue inovar e alegrar. E sempre há um baile que insiste em agregá-la ao “menu”, para o deleite de seus fãs. O que seria do vermelho se todos gostassem do azul? Gosto não se discute.
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21/09 - Ostländisches Viergespann
A “Ostländisches Viergespann” é uma dança militar?
Segundo os registros encontrados, a dança “Ostländisches Viergespann” surgiu entre os anos de 1932 e 1933 na cidade de Königsberg, Prússia Oriental. Apesar de a música já ser bastante conhecida entre os militares das guarnições do leste do Império Alemão, não haviam registros oficiais sobre seu compositor. Acredita-se que a melodia seja do dirigente musical da 3ª Infantaria dos Granadeiros no período em que esteve em Gumbinnen na década de 1880.
Na partitura da música, indicava-se que ela era conhecida como “Kulligkehmer Nationaltanz”. “Kulligkehmen” era um vilarejo próximo a Gumbinnen. Acredita-se que o nome tenha sido dado já que o lugar ficava próximo do campo de exercícios dos soldados, ou seja, um lugar bastante conhecido por todos. Por ser bastante popular, ela chegou a ser usada em 1932 como a abertura de um programa de rádio de Königsberg.
Apesar de sua música ter tido certa origem militar, a dança “Ostländisches Viergespann” não tem relação alguma com as unidades de infantaria. Além disso, como sua coreografia foi criada entre 1932 e 1933, não é possível classificá-la como dos camponeses da Prússia Oriental.
Contudo, ela faz parte de um grupo de danças típicas conhecidas como “novas danças alemãs”. Ela foi escrita pelo professor Hermann Huffziger, uma grande referência no trabalho com jovens da região próxima a Gumbinnen. Ele foi o responsável por retomar antigas danças típicas e criar novas na região.
Seu nome “Viergespann” vem da formação da dança com quatro pares. Já a referência “Ostländisches” aponta para a localização da própria Prússia Oriental no território leste do Império Alemão. Assim, em tradução livre, pode-se dizer que essa é a quadrilha das terras do leste.
Após a Segunda Guerra Mundial, toda a região da Prússia Oriental passou para o domínio soviético. Hoje, Königsberg é a cidade russa conhecida como “Kaliningrado”.
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20/09 - Chote Carreirinho
O “Chote Carreirinho” é primo do “Siebenschritt”?
O “Chote Carreirinho”, também dito “Carreirinha”, foi coletado na cidade de Parobé-RS, em 1956, no Vale do Paranhana - Brasil, uma área com forte imigração alemã. Na região a dança também era chamada de “Ritsch-Polka”, uma variante em dialeto para o “Rutschpolka”, a “Polca Escorregada”. É claramente uma versão da “Siebenschritt”, não só pela estrutura coreográfica, como também pela melodia e letra.
Sobre a música, era popular nas comunidades teuto-brasileiras ser cantada em alemão. Contudo, provavelmente com a proibição de idiomas estrangeiros nos anos 1940, também surgiram versões em língua portuguesa, como neste exemplo: “este chotes carreirinho / é um chote muito amoroso /pois foi dançando ele / que morreu José Fragoso”. Pode-se notar que não se trata do texto usualmente cantado hoje nos CTGs: "os pares vão marcando e logo desvirando / e a prenda do meu lado faz voltinhas pela mão / o chotes carreirinho é um chotes bonitinho / e todos vão cantando a marcação".
A letra popularizada pelos tradicionalistas gaúchos provavelmente foi adaptada por Paixão Côrtes, “que também criou música regional para aplicar a essa dança”. Mesmo havendo a contagem de 1 até 7, vista em muitos idiomas, seria improvável no Vale do Paranhana da primeira metade do século XX serem recorrentes termos “gaudérios”, como “Prenda” e “Chinoca”, mencionados na música atual. A canção foi “agauchada” dentro do contexto da época, o que seria muito compreensível.
Na atualidade o “Chote Carreirinho” faz oficialmente parte do cânone das danças tradicionais gaúchas. Está em publicações e se faz presente em grandes eventos culturais, como na Semana Farroupilha, além do destacado ENART - Encontro de Artes e Tradição Gaúcha. É exemplo de como as identidades regionais, repletas de manifestações, estão amplamente interligadas, mesmo quando não se fazem perceptíveis as suas pontes.
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19/09 - Untersteirer Ländler
A “Untersteirer Ländler” soma “Gstanzln” e “Paschen”?
A “Untersteirer Ländler”, segundo registros, foi recolhida nos anos de 1940 junto às localidades de Mureck, Bad Radkersburg e Klösch, na divisa com a Eslovênia. O nome da dança faz referência à Baixa Estíria - Untersteiermark -, região que fica em grande parte dentro de território esloveno, enquanto que a área da Estíria Central e do Norte estão dentro do austríaco.
A "Untersteirer Ländler" é um bom exemplo de dança que soma coreografia típica, “Gstanzln” e “Paschen”. Mesmo estando dentro de uma mesma melodia, cada etapa tem seu momento específico.
Iniciando pela coreografia, essa Ländler tem como característica movimentos rápidos, com três passos corridos por compasso. Seus movimentos ligeiros e controlados, com flexões leves dos joelhos, dão-lhe dinamismo e fluidez. Uma de suas principais características é que os casais, através de seus giros, pareçam ficar com os braços enozados.
Já os “Gstanzln” ocorrem na segunda parte desta dança. São rimas de quatro ou oito versos - como as “quadrinhas” -, cantadas em dialeto pelos rapazes. Geralmente têm temáticas como a vida no campo e relacionamentos, mantendo tom irônico e zombeteiro - “Spottlieder”, como se vê neste exemplo - em tradução livre:
“Mei Dirndl hoaßt Anerl, (minha mulher se chama Anna)
Hot schneeweiße Zahnerl, (tem dentes brancos como a neve)
Und schneeweiße Knia, - (e joelhos brancos como a neve)
Oba gsegn hab is nia.” - (mas ver eu nunca vi)
Já os "Paschen" são palmas ritmadas feitas pelos homens, bastante típicas em danças alpinas. Podem ocorrer também no contra-tempo da melodia. Elas interagem com a música como uma grande brincadeira, sendo que os participantes não necessariamente atuam em sincronia.
Assim, trata-se de uma composição alegre, que não só se manifesta através da melodia e coreografia, mas também pela canção, idioma, percussão corporal e forte identidade regional. Um belo exemplo de como a cultura popular pode ser plural e multifacetada.
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18/09 - Stettiner Kreuzpolka
A “Stettiner Kreuzpolka” já foi dançada no rádio?
Na década de 1930, uma publicação contava sobre uma dança pomerana que se tornou famosa em uma época em que não havia discos e nem rádio. Ela teve origem em um vilarejo da região de Pyritz e ganhou o mundo.
Apesar de a coreografia ser mais antiga, a música foi composta por Siegmund Schlichting. Morador de Beyersdorf, foi lá que, no ano de 1879, ele compôs a “Beyersdorfer Kreuzpolka”. Executada pela primeira vez em uma festa do vilarejo, logo se espalhou pelas demais localidades da região. Em 1883, ela foi publicada por uma editora de Stettin com outro nome: “Stettiner Kreuzpolka”. A partir de então, a melodia se tornou muito popular em toda a Europa.
Mas, tendo feito sucesso em um período em que a radiodifusão nem existia, será que a “Stettiner Kreuzpolka” já foi dançada no rádio? Tocada, talvez sim. Mas dançada?
Em 1926, a rádio de Stettin trouxe um programa com quadrilhas da Pomerânia. Para o momento, a música foi tocada ao vivo pela orquestra da emissora e as coreografias ficaram sob responsabilidade do “Stettiner Tanzschar”. Como a dança é algo para os olhos, antes da execução, cada dança foi explicada aos ouvintes pelo professor Willi Schultz.
Será que o programa agradou os ouvintes?
O retorno foi muito positivo! Alguns relataram como foi bom poder ouvir verdadeiras melodias de camponeses e não apenas músicas da moda, ainda mais podendo escutar e acompanhar os passos, saltos e batidas dos dançarinos, como em um salão de baile. Outros, especialmente os mais antigos, conseguiam até imaginar a dança acontecendo.
Com isso, um segundo programa foi realizado em 1927, no mesmo estilo, mas com outras danças pomeranas, não apenas quadrilhas. Será que a “Stettiner Kreuzpolka” estava junto? Imagina-se que sim! Porém, como não foi encontrado mais nenhum registro da rádio sobre suas atividades, não é possível precisar.
Você conhece algum programa de rádio que toca danças típicas? Conte aí para nós!
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17/09 - Schlupper
A “Schlupper” é uma Ländler do Hessen?
No sul do Hessen fica uma região repleta de história: o Odenwald. A área também se estende para dentro de Baden-Württemberg e da Baviera, já que sua demarcação é anterior ao próprio mapa atual da Alemanha. Foi lá que o pesquisador Hans von der Au (1892-1955) registrou a “Schlupper”.
Diferente dos tradicionais movimentos rodados, devidamente posicionados de modo enlaçado ou em círculo, que mantêm estruturas clássicas das Volkstänze, a “Schlupper” seguiria, em sua origem, uma tendência mais livre e menos presa aos compassos. Teria se comportado quase como uma brincadeira.
Sobre ela, Herbert Oetke coloca: “uma dança típica e difundida no Hessen é o “Schlupper”, em que os dançarinos giram com os braços arqueados - “schluppen”, como se costuma dizer por lá. A execução desta figura é recorrente em muitas danças dessa região, como na “Schnicker” e na “Lauterbacher”. O “Schlupper” combina as antigas formas de Ländler e de valsa, como são geralmente conhecidas.”
E o que quer dizer “schluppen”? Pode ser “escorregada” ou também tem a chance de representar um movimento de laço. Observando a dança, lembra um “looping”, um giro. A descrição do passo, na publicação “Deutsche Volkstänze” de 1952, diz: “o rapaz e a moça se dão as duas mãos ou engancham-se com os dedos do meio. Se mantendo no lugar, fazem uma volta sob os braços levantados com dois contra-passos - ele girando para a esquerda e ela para a direita.” Também é possível ver movimento similar na tradicional “Schwälmer”, igualmente do Hessen, de conhecimento de Hans von der Au.
Assim, a “Schlupper” não seria somente uma dança do Odenwald: ela sintetizaria parte de um modo das comunidades do Hessen de se expressarem através do movimento. Se ela é encarada como uma Ländler ou uma valsa, é um elemento secundário. Como teria dito um viajante ao conhecer esse repertório regional “deve ser uma felicidade dançar essas danças”.
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16/09 - Münchner Polka
A “Münchner Polka” é a dança da Oktoberfest?
De modo objetivo, a resposta é NÃO! Mesmo que Munique seja a cidade onde iniciou a “Oktoberfest”, em 1810, inexiste relação entre a festa e a “Münchner Polka”. Por sinal, essa dança nem nasceu na capital bávara, o que a distancia ainda mais de uma relação histórica com a popularmente chamada “Wiesn”.
Mas de onde veio, então, a “Münchner Polka”? Christoph e Michael Well afirmam que Erna Schützenberger a registrou em 1930 em Nottau, na Floresta da Baviera, a cerca de 200 km de Munique. De toda forma, ela pode ter nascido em outro lugar. Também há apontamentos que a ligam à Floresta da Boêmia.
Qual o motivo, então, de chamarem-na de “Polca de Munique”? Segundo os irmãos Well, o termo viria de “Langsame Polka”, a “Polca Lenta”. Já de acordo com Walter Bucksch, haveria uma localidade conhecida como “München” em Markt Hutthurm, a aproximadamente 15 km de Passau, sendo o nome da dança ligado à esta comunidade e não à capital bávara.
O que se pode afirmar com certeza é que a melodia e a coreografia acabaram por se espalhar para outras partes da Baviera - inclusive para a capital Munique, como pode ser visto no famoso “Kochelball” ou no “Kirchweihtanz”. Também cruzou as fronteiras do Estado, chegando à Baden-Württemberg e à Áustria. Ganhou, nesse movimento, variantes, sendo apresentada de modos diferentes em diversas publicações.
De toda forma, por mais que na Oktoberfest de Munique se toque música ao vivo nos vários pavilhões da festa, atingindo mais de 120.000 pessoas sentadas, há pouquíssima incidência de espaço para dançar - praticamente restrito a dois locais com tablados pequenos na “Oide Wiesn”. O tradicional local da “Festa de Outubro” para os amantes da dança é em cima dos bancos - de 177 cm x 23,5 cm - dos pavilhões das cervejarias, onde podem dar uns pulinhos. Ali, infelizmente, não há espaço suficiente para as “Volkstänze”, nem mesmo para a “Münchner Polka”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a danca em https://youtu.be/X0NaUsiBbVM e escute a música em https://youtu.be/nkCOQRP7520 . E acompanhe às quintas-feiras, 20h, nosso “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
15/09 - Seyras
A “Seyras” tem origem em uma canção revolucionária?
Entre as danças de Hamburgo e região, é comum encontrar o termo “Sayra” ou “Seiras”, como sinônimo de “quadrilha”, como por exemplo, nas danças “Seyras” e “Kontra Sayra”.
Mas de onde vem esse termo, já que ele não parece ser em alemão ou “Plattdeutsch”? Segundo um artigo da “Bundesverband für Deutsche Tänze”, é provável que a expressão tenha origem na canção revolucionária francesa “Ça ira”, cuja base melódica remonta à quadrilha francesa “Le Carillon National”, trazida para o norte da Alemanha pelas tropas napoleônicas.
A evidência dessa origem da palavra está num artigo de um jornal de Hamburgo/Altona por volta de 1830, listando as danças populares da época, incluindo a “Ça ira des Küstenfischers”, também chamada de “Seiras Cuntra”.
Com o tempo, o significado original do termo “Sayra” foi perdido e muitas quadrilhas foram renomeadas usando o termo “Quadrille” ou até mesmo “Bunte Tänze”.
No entanto, no início do século XX, ainda era possível encontrar algumas poucas quadrilhas chamadas de “Sayra”. Uma delas é a “Seyras”. Ela foi encontrada na região de Wendland, no estado de Niedersachsen. O que chama atenção é sua figura inicial encontrada também nas danças americanas “square dance”, conhecida como “grand square”, o grande quadrado - já que os dançarinos se movimentam sobre a linha de um quadrilátero.
Aí que surge a dúvida, como essa figura atravessou o oceano? Acredita-se que ela tenha sido dançada inicialmente na Alemanha e, posteriormente, levada por imigrantes alemães para os Estados Unidos, onde a figura foi incorporada nas danças locais.
Apesar de não ter nenhuma relação melódica com as quadrilhas francesas ou americanas, “Seyras” representa a aproximação entre culturas a partir de seu nome e de sua principal figura.
Curiosidade: apesar de, na dança alemã, ela ter virado sinônimo de “quadrilha”, a expressão “Ça ira” significa “vai ficar tudo bem”, e assim iniciava o texto da canção revolucionária francesa.
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14/09 - Heilsberger Dreieck
“Heilsberger Dreieck” é uma dança da Prússia Oriental ou de Berlim?
Esta dança traz em seu nome alguns aspectos históricos bastante interessantes. Ela foi criada pelo compositor alemão Heinz Lau, nascido em Stettin, e que viveu a última década de sua vida em Berlim. Talvez ela tenha ficado um pouco ofuscada por outra produção do compositor: “Das Fenster” (17.02.2023).
O nome “Heilsberger Dreieck” é muito mais conhecido na história da Alemanha do que na dança. Ele nada mais era do que uma posição fortificada para proteger a Prússia Oriental, construída entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.
Após o Tratado de Versalhes (1919), a Prússia Oriental foi isolada do Império Alemão, não tendo mais ligação territorial. Por isso, algo precisava ser feito para proteger a área ao redor de Königsberg (hoje: Kaliningrado, Rússia). Contudo, as disposições do Tratado de Versalhes previam uma distância mínima de 50 km da fronteira para a construção de fortificações e instalações militares. Com isso, na Prússia Oriental, elas somente podiam ser construídas em uma área triangular próxima à cidade de Heilsberg. Foi exatamente ali que foi edificado este complexo militar chamado “Heilsberger Dreieck”: o triângulo de Heilsberg.
Agora está tudo explicado: a dança tem relação com essa fortificação militar construída antes da Segunda Guerra Mundial! É isso? Claro que não!
Vamos adiante. Apesar desse interessante aspecto histórico, a origem da dança é mais simples. Ao pesquisarmos um pouco mais, o nome “Heilsberger Dreieck” aparece também em Berlim para indicar uma área triangular junto à rua Heilsberger Allee, próximo ao Estádio Olímpico de Berlim (Olympiastadion Berlin). Era nessa região que residia o Heinz Lau (lembra dele?) Isso mesmo, o compositor da “Heilsberger Dreieck” - e da “Das Fenster” - residia ali e nomeou sua composição a partir do seu endereço.
Simples não? Agora sim o mistério está resolvido! Essa nova dança alemã tem sua origem em Berlim.
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13/09 - Quatro Passi
O Chote de “Quatro Passi” se canta em italiano no Brasil?
Sim! Segundo publicação do extinto Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore - IGTF, o “Chote de “Quatro Passi” é uma variante do Chote Gaúcho, com letra em italiano, também conhecido como “Chote a lá Italiana”.
Segundo o mesmo material, “ele teria sido recolhido em janeiro de 1966 por Antônio Augusto Fagundes entre professores rurais, que se encontravam no município de Osório por ocasião de um curso de formação para professores e que procediam dos municípios de Anta Gorda, Arvorezinha e Erexim”, todos no Rio Grande do Sul”.
Em Arvorezinha era conhecido como “Chote Figurado”, “Quatro Passos” ou mesmo “Tiritomba”. Há relatos de que dança similar teria sido vista no município de Pinto Bandeira, também uma comunidade formada por imigrantes italianos.
E se visto e ouvido, pode-se perceber que o Chote de “Quatro Passi” é parente direto de outras danças de sete passos encontradas na Itália, como o “Settepassi”, “I Siet Pas” e o “Cori cori Bepi”. Também tem relação com versões da “Siebenschritt” encontradas na Áustria, Suíça, Alemanha, República Tcheca, Luxemburgo, Polônia, entre outros locais.
Vejamos a primeira estrofe da “Quatro Passi”: “Quatro passi si fá cosi, cosi / Quatro passi si fá colá, colá / Due di quá due di lá / Lá biondina me vuoi abraciar”. Já a “I Siet Pas” italiana fala: “Un, doi, trê, cuatri, cinc, sîs, siet (2x) / Un, doi, trê, (2x) / bambinute ven cun me”. Além de ambas terem a mesma métrica musical, as duas também usam o sistema de contagem dos passos como tema da canção. É um contexto visto também nas variantes de outros idiomas.
Mas quem sabe para os gaúchos o parente mais destacado do “Quatro Passi” não seja uma melodia européia. Provavelmente o primo distante, que veio com a imigração alemã, seja o mais “íntimo”: o “Chote Carreirinho”. Sobre ele seguiremos a conversa em 20.09.2023 no “Ein Tanz pro Tag”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/W_whesY1u3Q . Conheça nossas redes sociais e nos escute às quintas-feiras, 20h, no “Boletim Der Hut” em www.imperial.fm.br .
12/09 - Marchfelder Landler
A “Marchfelder Landler” é um presente de aniversário?
Existem diferentes “Landler” nos Alpes e grande parte delas tem relação com um local, como a de Blindenmarkt, Feistritz, Ottenschlag, Untersteirer, Zillertal. Estas são só algumas delas. E quando uma localidade ou região não tem sua própria Landler? Ou podem se conformar com isso, ou acabar criando uma.
Na região de Marchfeld, na Baixa Áustria, isso também aconteceu, mas por um motivo especial e diferenciado: dois aniversários marcantes, dos dançarinos Franz Binder e Robert Fritz da “Volkstanzgruppe Marchfeld”. A ideia veio por decisão do grupo já que a data era especial: ambos completaram 60 anos. Uma dança seria o presente perfeito para eles. Desse modo, incumbiram o músico principal do grupo, Gerhard Kinast, para essa tarefa.
Assim surgiu a “Marchfelder Landler”. O trabalho foi cumprido em apenas três dias, somando passos típicos e uma melodia que Gerhard já tinha em mente. Segundo o próprio grupo, a criação da dança não teve influência de outras pessoas da comunidade. “Todos gostaram imediatamente. Foi feita com o objetivo de ser variada, divertida e não muito difícil. A música deveria ser adaptada aos participantes.”
O teste da “Marchfelder Landler” foi realizado por um casal de dançarinos do grupo em uma semana de danças típicas em Bad Waltersdorf. Após testada “a dança foi finalizada e o grupo pôde começar a aprendê-la, para ser a surpresa do aniversário”, contaram. Em 31.08.2019 ocorreu a tão esperada festa.
A “Marchfelder Landler” está alinhada a um princípio base do seu grupo: o enriquecimento da vida cotidiana. Ela trouxe pluralidade, mantém tradições e tem um real significado para a identidade local. Aos poucos ela está se espalhando e chegando a outros locais... e já chegou à região de Viena!
Mostra que a qualidade e o valor de uma dança não dependem do tempo de sua existência: seu significado e sua estrutura fizeram toda a diferença. Agradecemos à “Volkstanzgruppe Marchfeld” pela bela iniciativa.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/HMYSYDYqKzM e visite o site http://www.volkstanz-marchfeld.at/ .
11/09 - Pankepolka
“Pankepolka” é a polka de um rio?
“Pankepolka” é uma das novas danças de Berlim e faz menção ao “Panke”, o quarto maior rio de Berlim. Ela foi criada pelo “Berliner Volkstanzkreis” e, de certa forma, o rio é especial para seus integrantes, uma vez que seu percurso passa exatamente pela região onde o grupo está estabelecido. Por isso essa homenagem a ele.
Sua nascente é em Bernau, cidade ao norte de Berlim. De lá, ele passa pela comunidade de Panketal e, depois, vinte de seus vintenove quilômetros estão dentro de Berlim, no distrito de Pankow. Tanto Panketal quanto Pankow recebem seus nomes a partir do rio.
O nome “Panke” tem origem eslava e possivelmente vem da palavra “pak”, que significa “botão” (de planta), pois a bacia do rio vai crescendo no mesmo formato que o botão de uma planta. Outra possível origem seria o termo eslavo “ponikwa”, que significa “água em turbilhão”, por causa do volume do Panke, especialmente nas enchentes de outono e primavera.
O Panke convida os moradores de Berlim a belos passeios. Um dos lugares mais procurados é o Schlosspark (ver a dança de 22.05.2023), em Pankow. Porém, hoje, a beleza do Panke está escondida ao longo de seu percurso. Por isso, especialmente em seu trecho final, ele deverá ser “renaturalizado” nos próximos anos.
Mas o que é isso? Algumas medidas serão adotadas para que o Panke, apesar de ser um rio limpo, possa ter mais vida dentro da água e também em suas margens. Uma ação é a construção de uma escada para peixes, facilitando o deslocamento no período de reprodução. Outra intervenção a ser feita é dar novamente a ele a possibilidade de ter curvas em seu percurso, especialmente nas regiões de várzeas. Com o tempo, o leito do rio foi alterado em alguns locais e, em outros, as margens foram concretadas, tirando do Panke seu caráter natural.
O distrito de Pankow e toda a cidade de Berlim estão prontos para devolver ao Panke suas características naturais.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/R8pJ2i6ZtCY e a música em https://youtu.be/7EsmMb6lKi0. E veja nossas redes sociais e nos escute às quintas-feiras, 20h, no “Boletim Der Hut” em www.imperial.fm.br .
10/09 - Da Howansook
O que tem no saco de aveia da “Da Howansook”?
Para uma parcela dos agricultores do Egerland o cultivo da aveia era uma parte importante da economia, assim como o da cevada, trigo e linhaça. Do beneficiamento desses produtos, parte feito no moinho, era aproveitado quase tudo, tanto para a comunidade quanto para os animais.
A aveia também fazia parte de algumas tradições do Egerland, como o “Ostersaat”: contam que dez dias antes da Páscoa se colocava em pratinhos sementes e estas eram postas ao sol. Onde viessem brotos era colocado um ovo pintado. Outro exemplo era dar o “G'leck” - uma ração com aveia, farelo, sal e, muitas vezes, maçãs e nozes - aos animais na véspera de Natal. Há diferentes usos da aveia durante todo o ano, inclusive como produto de troca.
E qual a relação dela com a dança “Da Howansook”? O nome! Também chamada de “Der Habernsack” - em Hochdeutsch “Der Hafersack”, em português “O Saco de Aveia”. O termo pode ser sinônimo de “saco de tecido para carregar cereais”, ou uma bolsa para alimentar cavalos. Sobre esse contexto, veja a narrativa a seguir, que está dentro da canção da “Da Howansook”:
Um agricultor, provavelmente jovem, vai ao moinho, mas ele ainda não juntou os cereais. Chegando lá, ele conversa com a moleira: “Olá, olá, Sra. do Moinho! Onde coloco meu saco de aveia?”. Ela responde: “Ah, coloque naquele canto! Encoste-o na cama da minha filha!”. E assim ele fez. E não demorou, no saco de aveia aparecem “mãos e pés”… e se escutou a filha chamando: “Mamãe!”.
Esse “Howansook” está mais para “Cavalo de Troia”? Tinha alguém lá dentro? Com certeza não era aveia. É interessante que nesta estrofe final os dançarinos estão em pares - diferente dos círculos vistos anteriormente. Pode ser um indício de que estava no saco o parceiro da filha dos trabalhadores do moinho? …ou um pretendente? Mas se ela chamou pela mãe, o plano dele não deu certo.
A vida é cheia de tradições e surpresas. Como diria um ditado albanês: “Quando você tem figos em seu “saco de aveia”, sempre vão procurar a sua amizade”. E se tiver uma pessoa lá dentro? Hum…
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09/09 - Kegelkönig
O que é o“Kegelkönig”?
Na Romênia existe uma comunidade de língua alemã bastante conhecida: o “Siebenbürgen”, também chamada de “Transilvânia”. Nesta região, muitos hábitos dos alemães e austríacos, que há séculos para lá migraram, se mantêm vivos. Com o passar do tempo, esses modos de vida foram acrescidos de novos elementos, assimilando características locais e se ajustando às realidades específicas.
O projeto “Ein Tanz pro Tag” já mostrou anteriormente algumas das que vieram do “Siebenbürgen”, como a “Siebenbürger Rheinländer” (07.07.2023) e a “Neppendorfer Landler” (06.03.2023). Por outro lado, algo que nem sempre é abordado é que o jogo de Bolão, o “Kegel”, acabou chegando lá. É da soma desse esporte com os bailes típicos que provavelmente surgiu o “Kegelkönig”.
Quem é o “Kegelkönig”: nos territórios onde se fala alemão, ele é o Rei do Bolão, o vitorioso do campeonato desse esporte - um parente do Boliche. Esses vencedores ficam registrados no “panteão” das sociedades de bolão, que é geralmente uma parede ou placa onde é imortalizada a “realeza” de cada ano.
O nome do jogo é relacionado ao pino central - o “Kegel” -, de um conjunto de nove, que fica posicionado em formato de losango ao final da pista. Recebe mais pontos aquele que, com a pesada bola, consegue derrubar todos. Em alguns locais é normal gritarem “Alle” - tudo - quando isso acontece.
Já sobre a dança, não há realmente uma precisão de onde nasceu a “Kegelkönig”, por mais que ela seja atribuída ao “Siebenbürgen”. Como existem outras coreografias de “Kegel” no norte da Europa, com estrutura similar à dita romena, é possível que sua base tenha vindo de fora e, depois, acabassem ajustadas pelos Siebenbürger Sachsen. Há a possibilidade dela ter sido trabalhada pelos emigrados da Transilvânia em outro local, inclusive pelos que voltaram para a Alemanha no pós Segunda Guerra.
Mesmo sem precisar informações sobre a dança do “Kegelkönig”, ela carrega em si muito do contexto do Bolão e como esse esporte amador se manifesta na comunidade. Também mostra como a cultura transita de modo não linear.
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08/09 - Gänserich
Quem é o ganso na “Gänserich”?
Brincar! É um processo atribuído às crianças… mas é presente junto a todos os seres humanos. Para os adultos pode ser chamado de jogo, ou distração, ou passatempo, … e em muitos casos pode também se manifestar como uma dança, mesmo ainda sendo uma brincadeira. Sem dúvida a “Gänserich” faz parte dessa realidade.
Essa dança austríaca é simples, intuitiva e instigante. Há um rapaz a mais do que o número de moças. Elas formam uma roda, com a face virada para o centro, e erguem as mãos formando portões. Paralelamente o dançarino puxador da fileira conduz, em marcha, os demais, em corrente, pelas torres das damas. Quando o ritmo da música muda de surpresa- geralmente para uma valsa ou chote - os rapazes se soltam e correm para capturar rapidamente um par.
O homem que sobrar é chamado de “ganso” e vai ser o próximo a liderar a fila, reiniciando a brincadeira. Daí que vieram os nomes “Gänsetanz” - Dança do Ganso -, “Gänserich” - Ganso -, “Ganausertanz”- Dança do Ganso, em dialeto -, “Spatzentanz”- Dança do Pardal -, entre outras variantes. Há versões onde o primeiro da fileira que encontra um par acaba por sair do “jogo”, tornando a coreografia eliminatória. Os últimos dois rapazes disputam ferrenhamente quem ficará com a dama restante. É como a brincadeira da “Dança da Cadeira”: ninguém quer perder.
Assim como acontece em uma recreação, na “Gänserich” existe bom humor, risadas e piadas entre os presentes, com trotes e disputas cômicas. Contam que em alguns lugares um dos presentes pergunta “Onde está o Schwab?” e eles respondem “Aqui está o Schwab!”, fazendo menção ao “ganso”.
Nestas figuras simples existe um jogo de improvisos e surpresas, instigando que um tente ganhar do outro. Contudo, mais do que a vitória, se busca um passatempo lúdico. E sendo uma tradição, essa dança passa a ter um papel acolhedor dentro da comunidade, onde podem se divertir do mesmo modo que seus antepassados o fizeram.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/N9FcwbmJRGo . E veja nossas publicações nas redes sociais e nos escute às quintas-feiras, 20h, no “Boletim Der Hut” em www.imperial.fm.br .
07/09 - Lauterbacher
Quem dança a “Lauterbacher” perde uma meia?
Contam que, com espírito aventureiro, um jovem fabricante de meias decidiu sair do sul da Alemanha e viajar pelo mundo. Quando o frio do inverno chegou, ele teve que dar uma pausa em seu tempo de andarilho: encontrou na pequena localidade de Lauterbach, junto a um mestre fabricante de meias, trabalho e alojamento.
Quando despontou a primavera ele viu que podia continuar sua jornada e fez as malas; contudo, acabou esquecendo lá um pé de meia. Em cada lugar que fosse ele relatava o caso da meia perdida e sobre Lauterbach. Ao encontrar outro viajante, este com dotes musicais, teriam composto uma canção sobre essa história: “Perdi minha meia em Lauterbach e não voltarei para casa sem ela”, cantavam. Teria surgido, assim, a “In Lauterbach hab' ich mein' Strumpf verlor'n”.
Ninguém pode provar a existência desses personagens, entretanto a cidade de Lauterbach hoje tem uma forte base turística e inúmeras representações de seu andarilho sem meia: em souvenirs, monumentos, comércio e, claro, lojas de meias. Algumas vezes ele é representado como uma criança desnuda, somente com uma meia no pé e uma bolsa em forma de tubo. As variantes se multiplicam.
Já a dança está entre as recolhidas pelo conhecido Hans von der Au, por mais que outras publicações também a descrevam. Sua variante mais popular, vista por toda a Alemanha, Áustria e Suíça, usa a base dessa canção. Herbert Oetke destaca que a “Lauterbacher” provavelmente tem suas bases no século XVIII, ganhando versões no passar do tempo. Ela ainda hoje é dançada e cantada nas "Lindenfelser Burgfeste".
Um dado interessante é que, na descrição da primeira parte da coreografia, indica que as moças cantam a “In Lauterbach hab' ich mein' Strumpf verlor'n”. Mostra que, de alguma forma, a história do andarilho segue viva, contada e recontada. A pergunta que fica é: alguém achou sua meia? Naquela época não tinha máquina de lavar roupas para “comê-la”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e escute uma das versões da música em https://youtu.be/N1u9P9F9uoM e compare com a dança realizada na localidad de Lauterbach em https://youtu.be/gj2A1YGWC8M .
06/09 - Kesselflicker
“Kesselflicker” é a dança de um artesão ou de um encrenqueiro?
É interessante observar que várias danças dinamarquesas estão presentes no repertório do norte da Alemanha (“Halbe Kette” - 04.07.2023; “Sonderburger Doppelquadrille” - 20.08.2023). Isso se deve especialmente ao fato de que, no início do século XX, muitas publicações em língua alemã sobre danças típicas trouxeram diferentes títulos da Dinamarca e da Suécia.
Uma delas é a “Kesselflicker”. Ela nada mais é do que a dança do remendador de chaleiras. Em seu nome e também em seu passo característico, ela traz o trabalho artesanal desse funileiro que passa em cada vilarejo consertando caldeirões de cozinha e remendando quaisquer rachaduras ou buracos que tenham surgido em chaleiras e outros utensílios de metal.
Algumas obras descrevem esses funileiros como uma espécie de caldeireiros que viajam pelo país com cobre velho e suas ferramentas. Eles passam especialmente por vilarejos no campo e outros lugares mais afastados, nos quais há demanda, porém falta o profissional.
Assim como os amoladores de tesouras, os fabricantes de vassouras e outros artesãos, eles se deslocavam de um lugar para outro com suas carroças e suas famílias. Eles acampavam perto das aldeias e ali montavam sua fogueira e, principalmente, sua oficina. Quando iam às aldeias, recolhiam as panelas e frigideiras que precisavam de conserto.
Eles costumam vagar pelas ruas das cidades e anunciar seu trabalho gritando. Por isso, eles também eram considerados encrenqueiros. Em língua alemã, várias expressões são derivadas dessa profissão: “Ele xinga / bebe como um Kesselflicker” ou “Eles batem / brigam como os Kesselflicker”. Ambas querem dizer que você se manifesta de forma excessiva e barulhenta.
Apesar de a dança ser de origem dinamarquesa, esse artesão existiu e existe ainda hoje em diferentes regiões e países.
E, na sua cidade, também passam profissionais oferecendo seus serviços?
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja-a em https://youtu.be/c-r0NsGeNpM e o áudio em https://youtu.be/q4JiYWfDGSE . Acompanhe nossas redes sociais e o “Boletim Der Hut” às quintas-feiras, 20h, em www.imperial.fm.br .
05/09 - Fjäskern
“Fjäskern” é uma dança apenas para jovens?
“Fjäskern” é uma dança típica encontrada no sul da Suécia. Alguns relatos indicam que ela possa ser dinamarquesa, mas a maioria dos registros aponta que ela é sueca. Parte desses escritos sugerem ainda que é para jovens. Será?
Seu nome significa algo como “corra depressa”. É comum que ela seja dançada durante as comemorações de “Midsommar”, a segunda maior festividade do ano na Suécia depois do Natal. A maioria dos suecos a celebra com parentes, amigos e vizinhos. O “Midsommar” é o solstício de verão e costuma ser festejado na sexta-feira que cai entre os dias 19 e 25 de junho.
Na véspera, é comum erguer-se o “Midsommarstång”, um tronco de árvore decorado com folhas verdes e flores coloridas. Ao redor dele, as pessoas se divertem com diferentes danças típicas suecas.
Antigamente, acreditava-se que a noite de “Midsommar”, de sexta para sábado, era mágica. Os elfos dançavam e os trolls ficavam atrás das árvores. Também era dito que o sereno da manhã poderia curar os animais e as pessoas doentes. Por isso, o orvalho era coletado em uma garrafa para ser usado posteriormente para a cura.
Mas será que a “Fjäskern” é uma dança apenas para jovens?
Sabe-se que ela é uma dança em círculo para casais, na qual os homens ficam do lado de dentro e as mulheres do lado de fora. Ela inclui muita repetição, troca de lugar com os parceiros e palmas. Tanto os homens quanto as mulheres seguem os mesmos passos. A “Fjäskern” começa devagar, mas, à medida que avança, acelera seu ritmo. Porém, quem tem fôlego para ir até o fim? Os mais velhos ou os mais jovens?
Especialmente nos dias atuais, sabemos que existem muitos jovens que não têm o pique de muitos idosos. Por isso, não é possível classificar a “Fjäskern” como dança para uma determinada faixa etária. Assim como as comemorações do “Midsommar”, ela é aberta para todas as pessoas da comunidade. O importante é a alegria e a diversão das comemorações do solstício de verão.
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04/09 - S'Luada
A canção da “S’ Luada” tem um xingamento ou elogio?
Interpretar o que se fala é mais do que traduzir, mas quando se tem uma canção em dialeto, como saber seu significado (real)? A letra diz algo positivo ou negativo? Para entender melhor essa situação um bom exemplo é a “S’ Luada”.
Erna Schützenberger coletou essa dança em 1949 na localidade de Hinterschmiding, um distrito de Freyung-Grafenau, na Floresta da Baviera, próximo à divisa da Alemanha com a República Tcheca. Trata-se de uma “Zwiefache”, estilo musical popular entre os bávaros do sul.
Em sua coreografia a primeira parte é uma mescla de giros e valsas - típicas das “Zwiefache” - e a segunda são momentos em que a dupla se separa e se reencontra. Repete quantas vezes a música for tocada. Neste tipo de dança a sincronia do casal é importante, já que os movimentos são rápidos e fluidos.
E onde está a polêmica? Nas duas frases principais: “Luada, kimm a wengerl her” e “Du rumperts, pumperts Luada du”.
Em dialeto bávaro “Luada” significa “Luder”, como se o nome da música fosse “A vaca” ou “A vadia”. Mas analisando o contexto da dança, não teria nenhum sentido, pois em nenhum momento há xingamento ou espaço para chamar a parceira de mulher obscena. Seria como “Vaca, venha um pouco aqui”, algo totalmente grosseiro.
Isso não parece ter sentido. “S’Luada” é um xingamento? Segundo Bernhard Stör, “o termo inicialmente tem um significado negativo: uma mulher obscena. Mas num determinado contexto “Luder” também pode ser um reconhecimento.” Seria quando, em um exemplo, uma moça ganha de rapazes em um jogo de cartas, como Poker, e um deles diz “essa vaca ganhou com dois pares”. Seria um sinônimo de ser “astuta”. Claro que não se trata de uma linguagem formal… e muito menos polida.
Por essa interpretação, “S’Luada”, falando em um contexto popular, pode representar uma mulher hábil e sagaz. Seria ela chamada de “vaca” pelo seu amado, mesmo ironicamente? Quem sabe por tê-lo conquistado, sendo ele um homem rude e complicado. Talvez. Na atualidade existem músicas com um linguajar muito pior do que esse.
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03/09 - Schäi(n) lustigh u kearngout
Qual a grafia correta da dança “Schäi(n) lustigh u kearngout”?
“Schaulustig”, “Schai(n) lustig”, “Schäi(n) lustigh u kearngout”, “Schau lustig”, “Schön lustig”,... É grande a quantidade de grafias encontradas para o nome desta dança. Qual é o certo? Antes de entrar em possíveis polêmicas ortográficas, cabe conhecer um pouco melhor essa dança.
A melodia e letra, de nome “In Eghaland is schäi(n)”, são atribuídas à Rudolf Sabathil, nascido em 1875 na localidade de Sangerberg, atualmente República Tcheca. Ele era professor, músico e pesquisador de culturas locais - com destaque às tradições e dialetos. Seu conhecimento profundo dos ritmos do Egerland lhe permitiu fazer composições muito fiéis às estruturas musicais de lá somado a bases de marchas. Isso lhe agregou reconhecimento.
Já informações sobre sua coreografia não são precisas. Ela pode tanto ser originária de comunidades no Egerland ou ter sido montada por elas fora de lá, posteriormente à saída desses alemães da região (após 1945). Há um registro que liga essa dança à cidade de Dinkelsbühl, na Baviera, onde muitos “Egerländer” se estabeleceram. Outra descrição cita que foi transmitida por Walter Helm, do Eger, também apontando o Jugendgruppe Wendlingen, do Baden-Württemberg. Pelo arrojo das figuras, ela não é resultado de formação espontânea.
Mas, voltando à forma de escrita do nome, qual delas é correta? Não se tem como precisar isso, pois os dialetos se guiam pela oralidade, sendo o modo de seu registro plural. Assim, há muitas maneiras de escrever a mesma coisa. Além disso, “o que” e “como” se fala algo se altera de aldeia para aldeia, se refletindo na transcrição. É usual encontrar a citação dela como “Schäi(n) lustigh”. O significado pode diferir levemente, dependendo do dialeto e da forma de escrita ou fala, variando em torno de ser muito divertido. A variante mais longa se refere também à letra da música e sobre o Egerland ser um lugar bonito e bom.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a música em https://youtu.be/EoIEFIuH-Ao (minuto 19:00). Acompanhe nossas redes sociais e o “Boletim Der Hut” em www.imperial.fm.br .
02/09 - Anne Marthe
“Anne Marthe” é uma dança de despedida de solteiro?
Em muitas partes da Alemanha, existe ainda hoje uma tradição que antecede o dia do casamento, na qual os amigos costumam comemorar esse momento tão especial com os noivos: a “Polterabend”. Apesar de não ser a mesma coisa, muitos a comparam com uma despedida de solteiro. Já para o matrimônio em si, eles convidam apenas os familiares e as pessoas mais íntimas.
Na antiga Pomerânia, quando tinha casamento no vilarejo, era comum que os jovens juntassem a louça que não podia mais ser usada e levassem para a “Polterabend” na casa dos noivos. Em frente à porta, eles jogavam essas cerâmicas e porcelanas no chão, sobrando apenas cacos. Na manhã seguinte, a noiva deveria varrer tudo e, quanto mais fragmentos ela encontrasse, mais feliz seria sua vida conjugal. Teve vezes que a noiva chegou a recolher uma carroça de lascas de pratos, travessas e baixelas.
Um rapaz em especial também teria muita sorte em sua vida conjugal. Sabe quem? Aquele que se casasse com a bela Anne Marthe. Por quê? Por ser uma bela moça, “leal, trabalhadora e inteligente. Como ela, não tem igual.” Pelo menos é o que diz a canção que é cantada junto à coreografia da “Anne Marthe”. Por sinal, não podiam faltar danças em um matrimônio pomerano.
E tem mais: a Anne Marthe, para a casa nova, ganhou de sua mãe panelas e frigideiras, e também um grande espelho, além do fogão. Para a subsistência do casal, ela ganharia ainda uma das melhores vacas do estábulo, um barril de cerveja, uma ratoeira (provavelmente precisavam!), doze galinhas e um porco gordo. E, por fim, uma cama pura e limpa como a neve.
E, no refrão da dança acompanhado de palmas, todos cantavam:
“Sim, sim, sim, ela vai ganhar isso, ela vai ganhar isso,
sim, sim, sim, ela vai ganhar tudo isso.”
“Anne Marthe” é uma dança típica da “Polterabend” pomerana e representa em sua canção essa bela tradição do casamento no norte da Alemanha. Costumes semelhantes também são encontrados em outras regiões.
E quais eram as tradições presentes no casamento da sua comunidade?
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01/09 - Schmetterlings- tanz
A “Schmetterlingstanz” e a “Annemarie-Polka” são a mesma dança?
Por volta do ano de 1900, em toda a região de Berlim, era encontrada uma dança chamada “Schmetterlingstanz”. “Schmetterling” nada mais é do que o termo em alemão para “borboleta”. Por muitos, ela também era conhecida como “Berliner Polka”, afinal, era uma polca bastante conhecida nesta cidade.
Em um bom baile, ela não poderia faltar! Existem relatos contando que ela era presença constante na lista de danças das melhores festas. Claro que ela não era conhecida apenas na capital alemã e nas proximidades. Foi levada até aos Estados Unidos e, lá, recebeu o nome de “Butterfly”.
A partir de outros registros, percebeu-se que o nome da dança acabava sendo o mesmo da música usada para ela. Em uma publicação de 1934, sugeriu-se que, para ensaiar a coreografia, poderia ser cantada até a tão popular “eine Seefahrt, die ist lustig”.
Hoje, sabe-se que a “Schmetterlingstanz” é uma dança originária da região do “Altmark”, ao norte do estado de Sachsen-Anhalt. Curioso é que, com o transcorrer do tempo, ela passou a ser mais conhecida em Berlim e no estado de Brandemburgo.
Especialmente nas regiões de Lausitz e do Spreewald, ela é encontrada como “Annemarie-Polka”, já que, para dançá-la, costumava-se usar a música “Liebchen, adé”, popularmente conhecida como “Annemarie” ou “Annemarie-Polka”. No texto da canção, o soldado estava partindo e pedia a ela um beijo de despedida.
Porém, como a “Annemarie-Polka” tem direitos autorais, muitos grupos costumam dançá-la com a melodia “Berliner Polka”, cujos “copyright” são livres. Para a “Berliner Polka”, existe também o registro de uma coreografia de “Kreuzpolka” lançada pela antiga Walter Kögler Verlag, mas daí já são danças diferentes.
Dessa forma, pode-se dizer que sim, a “Schmetterlingstanz” e a “Annemarie-Polka” são a mesma dança.
E você teria alguma sugestão de qual outra melodia se encaixa com a “Schmetterlingstanz”? Conta aí para nós!
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja as duas danças em https://youtu.be/b6XKIQLxBmw e https://youtu.be/adFQyHD3cao . E às quintas-feiras, 20h, tem o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .