30/06 - Holzauktion
“Holzauktion” é a famosa música onde a Oma vai de moto ao galinheiro?
Se você for passear pela capital alemã pode conhecer uma belíssima área verde, com rodovias, ferrovias, ciclovias, lagos e estrutura de lazer: o Grunewald. Contam que no final do século XIX, quando faziam as melhorias na região, se instalou por lá uma venda de madeira, o que teria motivado a primeira frase da popular música “Im Grunewald ist Holzauktion”.
“Holzauktion” poderia ser uma venda de madeira promocional ou um leilão. Especulam que o produto seria resultado do corte das árvores nos locais das benfeitorias feitas na região à época. Um dos versos diz que “Der ganze Klafter Süßholz kost nen Taler, nen Taler kost er nur”, destacando que um montante de madeira custa somente “um Taler” - antiga moeda vigente na Prússia. Há versões da letra que colocam que “lá se vende tudo por um Taler”.
Sendo ou não essas informações verídicas, a canção se tornou um sucesso, sendo apresentada e gravada de diversas formas. A coreografia que passou a acompanhá-la provavelmente já existia, sendo uma simples sequência de passos no estilo “Rheinländer” - uma variante do chote, popular na Europa da metade do século XIX. Com o tempo a “Holzauktion” - como também ficou conhecida - tornou-se uma dança característica de Berlim.
E qual a conexão dessa música com a “Meine Oma fährt im Hühnerstall Motorrad” - “Minha avó vai de motocicleta ao galinheiro”? Na terceira parte da “Holzauktion”, onde originalmente trata do custo de madeira, passaram a criar novos versinhos, grande parte bem-humorados. Assim, foi provavelmente a partir dos anos de 1920 que fizeram paródias atribuindo à vovó o uso de algumas “modernidades”, como ir motorizada ao trabalho rural. A nova letra tornou-se tão famosa que praticamente virou música independente da original, caindo nas graças das crianças.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também a “Holzauktion” em https://youtu.be/WI_JFUg-V-Q , escute a música em https://youtu.be/_pPsHH1Aj7M e veja a canção da Oma em https://youtu.be/xPYeBv5R6qk .
29/06 - Natanger Allemande
A “Natanger Allemande” é uma dança de corte?
O nome “Allemande” significa algo como “a dança alemã”. Seria ela a representação de todas as danças alemãs? Bom, é interessante observar que, em português, temos o gentílico “alemão” e o nome do país “Alemanha”. Mas, em outros idiomas, como o inglês, por exemplo, há os termos “german” e “Germany”, enquanto que, no próprio alemão, “deutsch” e “Deutschland”. São termos com três origens diferentes, mas, hoje, com o mesmo significado.
A língua portuguesa adotou o termo a partir do francês, no qual, indicava inicialmente o povo “Alamano” (Alamannen ou Alemannen, em alemão), que vivia no território da atual fronteira entre Alemanha e França. Posteriormente, a expressão passou a ser usada em francês e em outros idiomas, como o português e o espanhol, para indicar todos os alemães e o país Alemanha.
Já no contexto cultural, alguns pesquisadores indicam que “Allemande” era o nome dado a algumas danças alemãs de corte no século XVI, as quais logo foram levadas à nobreza francesa, de onde se difundiu para outros países. Como manifestação camponesa, ela é encontrada em diferentes regiões. Assim, não estamos falando sobre “a” dança alemã, mas “uma” delas.
Hoje, é difícil identificar se a dança surgiu primeiro entre os camponeses ou entre os nobres, pois faltam registros da época. Sabe-se que as “Allemande” eram muito queridas na corte. Já como dança popular, uma das versões bastante conhecidas foi encontrada na costa do Mar Báltico e, por lá, também era chamada apenas de “Fischertanz” (dança do pescador).
Uma versão bastante conhecida foi escrita por Rosemarie Ehm-Schulz, coreógrafa responsável pelo Staatliche Folklore Ensemble der DDR, o Balé Folclórico da antiga Alemanha Oriental. Nela, Ehm-Schulz procurou dar um caráter teatral típico para o trabalho dos pescadores no mar, a partir dos registros feitos anteriormente por Reinhard Leibrandt e Hermann Huffziger sobre essa Allemande de Natangen.
Quer saber mais? cultutraalema.com.br/tanz e veja a dança com o Blumenberg Volkstanz, de Petrópolis-RJ, em https://youtu.be/rUA8fyj-sTI .
28/06 - Sarajevka Kolo
Qual a relação da “Sarajevka Kolo” com o Atentado de Sarajevo?
VIENNA - A notícia do attentado de Sarajevo causou profunda consternação nesta capital. Por toda a parte se vêm bandeiras a meio páo. Os theatros estão fechados desde hontem.
VIENNA - Telegramma recebido de Sarajevo informa que a população realisou ali hontem e hoje várias manifestações hostis á Servia, tendo apedrejado a casa de um chefe político sérvio.
BELGRADO - Causou grande consternação nesta capital a notícia do attentado contra o príncipe herdeiro da Áustria e sua esposa. As festas que hontem se estavam realisando para commemorar a reconquista das provincias servias, perderam todo o brilho e enthusiasmo ao chegar aqui essa notícia.
LONDRES - O “Times” publica um telegramma de Sarajevo, communicando que o anarchista Prinzip, antes de fazer uso do revólver, atirou sobre o archi-duque Francisco Fernando uma bomba de dynamite, que não chegou a explodir.
Esses são telegramas publicados pelo jornal carioca “A Notícia” um dia após o Atentado de Sarajevo, que vitimou o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg, em Sarajevo, capital da Bósnia. Esse atentado foi executado em 28 de junho de 1914 por Gavrilo Princip, membro da organização nacionalista sérvia “Mão Negra”. Foi considerado o estopim para a Primeira Guerra Mundial.
É desse mesmo local que vem a “Sarajevka Kolo” ou apenas “Sarajevka”: a “Moça de Sarajevo”. Em sua canção, ela nos fala do romance entre dois jovens em uma Sarajevo livre de guerras e conflitos:
“A linha da roda gira; no círculo, um jovem canta docemente, alegremente. Pule levemente, querida menina. Serão dois, três beijos. Quatro, cinco e talvez dez! Beije-me, belo jovem, para sempre. Eu vou te beijar, adorável garota de Sarajevo, que seja ouvido de longe.”
“Sarajevka Kolo” é uma dança tradicional dos sérvios moradores da Bósnia, grupo étnico do qual fazia parte Gavrilo Princip.
Talvez, se, naquele dia 28 de junho, o jovem Princip estivesse dançando com sua “Sarajevka”, os rumos da história do século XX teriam sido outros.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja essa e outras danças.
27/06 -Memphis
“Memphis” é uma cidade ou uma dança?
Se você viajar à América do Norte pode visitar a metrópole no Tennessee chamada Memphis; ou não sair de casa, tocar uma música e sair praticando a “Memphis”. E dá para dançar “Memphis” em Memphis. Essa conversa está ficando meio estranha? É… e tem como ficar mais confusa ainda.
Pelo que se conta, originalmente a coreografia, de poucos passos e feita com base no estilo “Line Dance”, foi escrita em 1965 para o sucesso das pistas “Memphis, Tennessee”, do cantor, guitarrista, poeta, compositor e um pioneiro do Rock 'n' Roll, Chuck Berry. E mesmo o autor sendo dos EUA e a narrativa da música se passando lá, a dança teria sido criada do outro lado do oceano: na Inglaterra.
E do que trata a letra dessa canção? Ela fala de duas pessoas que querem se reencontrar, deixando recados uma para a outra. No texto o cantor apresenta Marie: “ela é a única que me ligaria de Memphis-Tennessee; a casa dela fica no lado sul, no alto de um cume; apenas a meia milha da ponte do Mississippi”. Chuck Berry é do estado norte-americano do Mississippi, vizinho ao Tennessee. Ao final da música consta: “Tente me colocar em contato com ela, em Memphis, Tennessee”.
Uma curiosidade é que, com o tempo, as figuras da dança “Memphis” se tornaram muito populares e se independizou da música “Memphis, Tennessee”. Hoje ela se encaixa em diversos ritmos, seguindo os impulsos da moda. Ela não é “típica” e nem é para apresentações. É uma coreografia considerada para festas, pistas de dança e atividades de integração do coletivo.
Então, você pode dançar a “Memphis” em Memphis, Tennessee. Ou pode fazê-lo com a música “Memphis, Tennessee” ou com outra que você desejar. O importante é poder festejar, seja onde for, quando for, com quem for… e se a Marie estiver junto, melhor ainda. Uma música e uma coreografia que não só são uma ponte para o Mississippi, como para o mundo.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a música “Memphis, Tennessee”, Chuck Berry, em https://youtu.be/KrbPlr4Wskc . Já as figuras da dança para festas “Memphis” pode ser vista em https://youtu.be/IH7ZH7mOKvs e https://youtu.be/VH6DKL_guDA .
26/06 -Orientexpress
Vale a pena uma viagem na “Orientexpress”?
O nome “Orientexpress” - Expresso do Oriente - chama atenção entre as tradições alemãs. Com coreografia de Helma Boltze e música de Martin Ströfer, essa “nova dança alemã” da década de 1990 faz menção à famosa linha de trem que ligava a Europa a Constantinopla (hoje, Istambul).
Já no primeiro acorde, percebemos que essa relação não está apenas no nome. O apito do trem convida a todos a embarcar nesta viagem. Inaugurada em 1883, a rota do Expresso do Oriente, apesar de algumas alterações ao longo de sua história, saia originalmente de Paris e passava por cidades como Munique, Viena, Budapeste e Sofia, antes de chegar em Istambul. Com vagões de altíssima qualidade, sendo considerado o trem mais luxuoso do mundo, seus passageiros eram, em sua maioria, membros das altas classes.
O auge do Expresso do Oriente foi na década de 1930, período em que, além da qualidade da estrutura, a excelência do serviço aos passageiros também era destaque. Com possibilidade de embarcar nas principais cidades europeias, os passageiros tinham ao seu dispor o conforto das cabines e também chefes renomados no preparo das refeições, já que a viagem durava vários dias.
Porém, em 1977, a viagem direta entre Paris e Istambul chegou ao fim. Algumas partes mais curtas e com necessidade de troca de trem continuaram sendo oferecidos. Hoje, algumas linhas são mantidas em alguns trechos como entre Paris e Veneza, resgatando o glamour e mantendo a nostalgia em torno do famoso Expresso do Oriente. Especula-se também uma volta da linha em 2024 ligando Paris e Istambul.
Talvez a referência mais conhecida a esse trem seja o livro “Assassinato no Expresso do Oriente”, da escritora britânica Agatha Christie, o qual recebeu também versão para o cinema. A ligação entre o mundo ocidental e oriental proporcionava um certo mistério, excelente para compor o enredo de diferentes histórias.
E então? Prontos para embarcar nesta viagem?
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Die Siebenbürgische Kindertanzgruppe Augsburg com essa dança em https://youtu.be/yBrnHnV3hFA .
25/06 -Matrosentanz
Os pescadores da Matrosentanz seriam os culpados pela diminuição do número de focas?
Em uma música popular de marinheiros chamada “Hal mi den Saalhund”, registrada em 1832 na ilha de Rügen, os pescadores pedem para que a foca seja buscada da praia para a terra, pois ela vai comer todos os peixes e estragar as redes. Assim como a maioria das canções desse tipo, ela era entoada em “Plattdeusch”- dialeto do norte da Alemanha. Alguns relatos apontam que para a melodia também existia uma dança que era executada no litoral antes de os marinheiros iniciarem a caça às focas.
Deixando as brincadeiras e as ameaças de lado, afinal, o pescador do mar Báltico tinha motivos para estar bravo com as focas por estragarem suas redes. É interessante observar que essa mesma canção também servia de introdução para a “Matrosentanz” (Dança do Marinheiro) encontrada nos povoados de pescadores alemães ao longo da costa do mar Báltico.
No século XIX, foram registradas várias canções entre esses homens do mar. Eram músicas que serviam de acompanhamento para a execução das tarefas. Em geral, elas eram adequadas ritmicamente e serviam para coordenar e sincronizar o trabalho do grupo de tripulantes, como, por exemplo, o empurrar e o puxar, o levantamento de âncoras, a armação de velas ou o remar.
Esse tipo de canção é conhecido em português como “celeuma” e, em alemão, como “Shanty”. No norte da Alemanha, ainda existem corais que se dedicam a esse tipo de canto, tendo em seus nomes a palavra “Shanty”, como o “Shanty Gruppe De Schweriner Klönköpp.” e o “Rostocker Shanty Chor Luv un Lee”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também o Shanty Gruppe De Schweriner Klönköpp (https://youtu.be/XJfHwc3PQkU) e o Rostocker Shanty Chor Luv un Lee (https://youtu.be/2GPeyjitxoc ).
24/06 - Großes Triolett
A “Großes Triolett” é a dança mais bonita?
Outro dia, em uma discussão sobre quais títulos deveriam fazer parte do repertório de uma Tanzfest, os participantes estavam tentando equilibrar a representatividade de danças do sul e do norte da Alemanha. Mas, quando chegaram na “Großes Triolett”, uma frase apenas bastou: “weil es einfach schön ist!”, ou seja, porque ela é simplesmente bonita. Não era mais necessário levar a discussão adiante, pois todos estavam de acordo que ela não poderia faltar na festa.
A “Großes Triolett” foi escrita por Volkhard Jähnert em 1958 no grupo Volkstanzkreis Reinickendorf de Berlim. Posteriormente, ela foi publicada em 1964 junto com outras novas danças berlinenses. Desde então, ela não pode faltar nas festas dos grupos de danças da capital alemã.
Foi Martin Ströfer que compôs e deu a esta dança uma melodia. Ele foi responsável por compor mais de 700, mas talvez a mais conhecida seja ainda “Großes Triolett”. Não adianta ter uma coreografia bonita se a música não ajuda. E, neste caso, essa é perfeita!
Uma vez tive a oportunidade de aprendê-la com uma antiga aluna de Jähnert. Lembro bem de algo que me marcou. A dança é fluída e não travada. O círculo deve andar e não ficar parado no lugar. Desde então, observo bastante a diferença entre velocidade e a fluidez nas danças. Quando uma dança “sai do chão”, não significa que ela precisa ser rápida. Pelo contrário, ela segue o ritmo da música, mas os (bons) dançarinos se deslocam pela pista.
“Großes Triolett” não é uma dança simples. É uma verdadeira obra de arte. O próprio autor relatou uma vez que, anos depois, gostaria de ter aprimorado algumas partes dela, mas, como ela já havia sido publicada, isso apenas traria confusão entre os dançarinos.
Mesmo que alguém ache que ela não seja a dança mais bonita, vai concordar que, ao menos, ela é uma das mais belas que conhecemos. Se não achar isso, “bom sujeito não é! É ruim da cabeça ou doente do pé!”
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Volkstanzkreis Reinickendorf, de Berlin, com essa dança em https://youtu.be/hhAVy7FhplQ .
23/06 - Bravade
Aquele que dança a “Bravade” é um fanfarrão?
Ao pesquisar o termo “Bravade”, descobre-se que ele tem origem no italiano “bravata”. Em português temos essa mesma palavra, com igual origem e com significado semelhante: ameaça, intimidação. Em alguns idiomas, encontra-se o sinônimo “fanfarrice”. Será que é isso que a música e a dança querem transmitir?
A melodia foi composta no século XVII pelo holandês Jacob van Eyck. Ele era um “Glockenspieler”, um “carrilhonista”, na cidade de Utrecht. Por suas habilidades, ele foi considerado um expert em carrilhões. Para quem não sabe, esse é um instrumento musical formado por um teclado e por um conjunto de sinos colocados geralmente em altas torres.
Também no século XVII, o inglês John Playford publicou em sua obra de danças populares inglesas uma chamada “Argeers”, coreografia para a música "Bravade", de van Eyck.
Recentemente, na década de 1950, o trabalho do holandês teve uma nova e moderna publicação. Possivelmente por esse motivo, a música “Bravade” voltou a ser novamente popular no país, surgindo, nas décadas de 1980 e 1990, algumas gravações da música. Em um trabalho conjunto entre Marita Kruijswijk e a banda holandesa de Folk “De Perelaar”, foi criada a coreografia conhecida atualmente. Aparentemente, não há nenhuma relação com a “Argeers”, de Playford, passando a dança a ter o mesmo nome que a música: “Bravade”.
Mas, quem dança a “Bravade”, afinal, é um fanfarrão?
O que poucos sabem é que o compositor van Eyck era cego de nascença. Com isso, ele desenvolveu muito mais outros sentidos. Tanto que o famoso filósofo e matemático francês René Descartes elogiou sua audição aguçada e muitos carrilhonistas se mudaram para Utrecht para estudar com ele. Em momento algum, van Eyck se deu por vencido na vida, superando todos os desafios.
Seria a “Bravade”, então, uma bravata frente às dificuldades que encontrou? Como ele não deixou nenhum relato conhecido sobre isso, só nos resta dançar em homenagem a seu legado.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também o Folkloreorchester Ohrwurm em https://youtu.be/HMqIVQcohAc e a composição original de Jacob van Eyck em https://youtu.be/h1E13b1wWVg .
22/06 - Maym, Maym
Por que “Maym, Maym” é uma cerimônia à água?
No início do século 20, o fluxo de judeus voltando para se estabelecer na “Terra Prometida”, em torno de Jerusalém, tornou-se constante. A região era habitada por uma população de maioria muçulmana, com uma população judaica crescente e cada vez mais determinada a criar um estado soberano.
Uma marca registrada do assentamento judaico na Palestina foi o Kibutz – um pedaço de terra de propriedade coletiva organizado como uma comunidade agrícola, que, em sua maioria, buscava a autossuficiência. Frequentes reuniões de grupo apresentavam não apenas discussões sobre economia, agricultura e política, mas também interesses sociais e artísticos. Frequentemente, uma reunião começava com uma dança em grupo criada lá mesmo.
Foi nesse contexto que surgiu a dança “Maym, Maym”. Com música composta por Yehuda Sharett, canção de Emanuel Pugashov e coreografia de Else Jeanette Dublon, ela foi executada pela primeira vez no Kibutz Na’an, em junho de 1937. A ocasião era um festival da água, porque, depois de uma busca de sete anos, o poço vital para Na'an poderia ser perfurado.
A canção é um verso da Bíblia Hebraica, cuja tradução diz: “Com alegria, você tirará água das fontes da salvação.” (Isaías 12:3), sendo que a palavra “Maym” significa “água”.
Anos depois, Dublon deu o seguinte relato sobre sua coreografia: “Yehuda me deu sua música Ushavtem, que ele havia orquestrado, e eu fiz uma verdadeira cerimônia com ela.” O passo inicial representa o movimento das ondas. Já a segunda parte, na qual os dançarinos entram na roda, expressa o fluxo da água da nascente. Por fim, a terceira parte da dança, com os saltos e as palmas, foi acrescentada ao longo dos anos por diferentes grupos.
Para muitos, “Mayim Mayim” é o principal exemplo de uma dança performática que surgiu no movimento Kibutz. Ela foi destaque no primeiro festival de danças israelitas em 1944 no Kibutz Dalia, na Galileia, e é considerada hoje a dança israelita mais antiga ainda em execução.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Surrey International Folk Dancers em https://youtu.be/nsY3WWlK46A .
21/06 - Sünnros
A “Sünnros” é a quadrilha do girassol?
Nas regiões onde há períodos de inverno intensos, quando as plantas hibernam por meses a fio, o florescer delas tem significado especial. Na Alemanha uma tem destaque: a “Sonnenblume” - o girassol. Ele é uma flor de verão, tendo na Europa sua época de junho a outubro. O seu movimento de acompanhar o sol demonstra uma linda dança da natureza.
Observando as frias terras no entorno de Hamburgo, não é de estranhar que uma antiga dança da localidade de Vierlande faça referência a essa flor de verão: a “Sünnrus”. O nome é a versão em dialeto para “Sonnenrose” - a Rosa do Sol - um dos sinônimos para girassol. Há registros dela tanto de Friedrich Friedrichs quanto de Anna Helms e Julios Blasche, importantes estudiosos das Volkstänze, além de constar em diversas outras publicações.
Em sua terceira parte, tem como figura principal dois círculos concêntricos que se entrelaçam. Essa formação é a “Flechtkranz” ou “Stirnkreis” e já apareceu desenhada em artefatos da antiguidade. Segundo Herbert Oetke, a “Sünnros” tem ligação com outras danças da mesma região, como a “Windmüller”, da Lüneburger Heide, por exemplo. Mesmo com temas diferentes, a estrutura delas é parecida na coreografia e na melodia.
Um dado interessante é que esta dança é acompanhada de letra cantada. Na parte referente ao girassol ela diz em dialeto: “Du büst min Sünnros, du büst min Hartensblom, Du büst min Sünnros, du büst min Blom.” O texto faz menção ao fato da pessoa ser seu girassol, sua flor.
E de tão descontraída, há registros que dizem que, quando os dançarinos estavam empolgados, na última repetição da figura do “girassol”, eles podiam, de surpresa, com os braços, erguer as moças - a estilo cadeira de balanço. Se vê, assim, que a “Sünnros” não é só antiga, como um registro imaterial da história: é também uma forma de divertimento, que atravessa o tempo mantendo vivos canto e dança.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a “Sünnros” em https://youtu.be/JMarqDdcP00 , com o Trachtengruppe Laisa, do Hessen.
20/06 - Körbletanz
É preciso usar cestos de vime na “Körbletanz”?
Nem cestos de vime, nem de palha e muito menos de plástico. O que gerou a inspiração de uma dança não obrigatoriamente tem que ser utilizado nela. A “Körbletanz” tem uma coreografia de trios, que é atribuída à pequena região do Kuhländchen, nos Sudetos Alemães - hoje na República Tcheca. Ela não usa nenhum adereço na sua execução.
O que provavelmente deu nome à “Körbletanz” - Dança do Cesto - foram os movimentos dos rapazes junto às duas damas, que parecem se trançar, indo e voltando. Através dessas formações é que pode ter ocorrido a lembrança do método de fazer os balaios. Fora isso, sua coreografia simples não nos permite gerar mais especulações.
Por sinal, uma característica das danças nascidas junto ao povo é a simplicidade de sua estrutura e um diálogo com o cotidiano da comunidade. Ali se manifesta, indiretamente, a história viva das pessoas: como trabalhavam, suas memórias, valores e tradições. Fazer menção ao tramar de cestos, por exemplo, é condizente com áreas rurais do final do século XIX e do início do século XX.
É considerada antiga, descrita como “Altfränkischer Körbletanz” nos relatos de quando foi coletada. É muito provável que até o início do século XX tenha sido transmitida dentro da cultura oral. Fritz Kubiena a documentou e publicou e há referências a ela também em dialeto como “Italiener Kewletanz”. Por sua popularidade, acabou em muitos manuais de danças, o conhecido Karl Horak escrevendo sobre a mesma.
Segundo ele: “Na “Körbletanz” há dois estilos de danças que são característicos das regiões da Morávia-Silésia e dos Cárpatos: dança em trio e as batidas múltiplas com o mesmo pé - Tupftritt - não são transmitidas com tanta frequência em nenhuma outra paisagem. Não se pode descartar que essas peculiaridades remontam a formas mais antigas de dança de salão da corte, como o minueto e a contradança. Os modos de vida das classes altas foram facilmente imitados nas pequenas cidades do interior e, a partir daí, se espalharam junto às aldeias.”
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o vídeo da “Körbletanz”, no minuto 15:25, em https://youtu.be/AcuNdPeblM0 .
19/06 - Der Mollner Tanz
“Der Mollner Tanz” tem que ser dançado no moinho?
Por mais que em alguns dialetos e idiomas a palavra “Møller” tenha relação com moendas ou moleiros, aqui é preciso cuidar da grafia. Em “Der Mollner Tanz” o nome quer dizer “A Dança de Molln”, e não do moinho: faz referência à localidade pertencente à Kirchdorf, na Alta Áustria. Mas o que tem de diferente neste pequeno recanto austríaco?
Molln tem grande destaque no Ecoturismo, fazendo parte do “Nationalpark Gemeinde Molln”, com mais de cem quilômetros de trilhas para caminhadas ou ciclismo. Lá também é área de peregrinação religiosa, com a famosa “Wallfahrtskirche Frauenstein”, igreja onde está uma das madonas esculpidas pelo artista Gregor Erhart, do século XVI.
Um elemento bastante icônico na história local foi uma série de assassinatos atribuídos aos “caçadores furtivos”, ocorrido entre 1918 e 1919. Devido à fome do Pós-Primeira Guerra Mundial, muitos passaram a desconsiderar as regras vigentes sobre o abate de animais silvestres, o que resultou na caça ilegal de servos. A situação chegou a tal ponto que um massacre ocorreu na pousada Dolleschall, em Molln, onde a guarda militar matou um grupo desses caçadores, supostamente depois de um conjunto de mal-entendidos.
E a dança? É bastante tradicional nas comunidades alpinas que elas tenham suas próprias Ländler ou Steirische. No caso de “Der Mollner Tanz” - também chamada de “Mollner Steirer” ou simplesmente “Mollner” - isso também acontece, contudo com mais figuras e elementos do que é normalmente visto em outras composições austríacas. Soma várias figuras dos casais e em grupo; tem mudanças de velocidade na melodia; há partes com canto, não abdicando do típico Gstanzl. Uma destacada sequência coreográfica que provavelmente surgiu no final do século XIX, tendo seus registros no início do XX.
Seja nos aspectos naturais ou no turismo religioso, seja nos fatos históricos ou nas danças tradicionais, Molln se mostra um destino atrativo aos visitantes… mesmo que os moinhos não estejam entre seus pontos de destaque. Não se pode ter tudo.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a o vídeo da dança em https://youtu.be/EhoSDkqnjTM .
18/06 - Schwälmer
A “Schwälmer” é a dança da Chapeuzinho Vermelho?
Um dos contos mais populares publicados pelos Irmãos Grimm, é “Rotkäppchen” - “Chapeuzinho Vermelho”. O que nem todos sabem é que ele é atribuído à região do Schwalm, no norte do Hessen, na Alemanha. A história não só se passaria lá, onde o lobo perseguiu a menininha e comeria sua vovó, como também as vestimentas regionais teriam influenciado no seu nome.
Primeiramente, o traje do Schwalm não se parece com as vestimentas da “Chapeuzinho Vermelho” dos livros. Provavelmente devido a traduções, o “Kappe” da história acabou sendo interpretado como um capuz. Na verdade, ele é um pequeno enfeite que envolve o coque das damas, como um mini chapéu. Podia ser de diferentes cores, como preto, para casadas, e roxo, para viúvas. Como as crianças usavam esse “Käppchen” em cor vermelha, provavelmente dizer “Rotkäppchen” seria sinônimo de “menininha jovem e pura”.
E qual a relação da Chapeuzinho Vermelho e a dança “Schwälmer”? A conexão é a região e sua indumentária. Por mais que, na coreografia ou na música, não citem a “Rotkäppchen”, ao ver a “Schwälmer”, muitos liguem ao “Schwälmer Tracht” e suas muitas saias, assim como seu “Käppchen”. Não por acaso o turismo local explora muito essa combinação.
É interessante que registros no século XVII apontem a existência de melodia com esse nome, designando que “era de Schwalm”. Já a coreografia, também antiga, segundo apontamentos, era comum em festividades, contudo não se fixava a uma única música. Mesmo sendo a junção de ritmos e passos já conhecidos, a sua composição e forma de execução, devido às peculiaridades da indumentária, a fazem única.
A “Schwälmer”, assim, se tornou uma das principais manifestações típicas da Alemanha, por destacar toda uma região. Se a Chapeuzinho Vermelho, já crescida, teria dançado ela, daí fica no campo da ficção. Agora, um dado é certo: imaginar a narrativa da “Rotkäppchen” com a menina trajada como no Schwalm traz uma perspectiva toda nova do conto.
Quer saber mais, culturaalema.com.br/tanz e veja o documentário com o Tanz- und Trachtengruppe Loshausen, com a “Schwälmer” em 2:38: https://youtu.be/nJhO9A_bbKg .
17/06 - Zweischritt aus Pommern
A “Zweischritt aus Pommern” é uma dança indecente?
Segundo o professor Willi Schultz, as danças com “Zweischritt” eram muito apreciadas na Pomerânia por terem movimentos animados e belas melodias. O registro que ele fez foi a partir das anotações de um camponês e músico do vilarejo de Stöckow, na região de Kolberg-Körlin.
Com certeza, você já deve ter ouvido a música “Zweischritt aus Pommern” e ficou imaginando belas paisagens da antiga Pomerânia e seus camponeses em belos trajes executando a dança. Porém, poucos sabem que ela já foi considerada uma dança indecente!
Isso mesmo! Por causa do contato muito próximo entre o rapaz e a moça para poder executar os giros, muitas delas frequentemente se recusavam a dançá-la. Por isso, restava para eles dançar rapaz com rapaz. Além disso, na região de Franzburg, próximo a Stralsund, era conhecida uma canção que acompanhava a coreografia. Mas ela continha versos tão indecentes que não puderam ser divulgados.
Agora fica a dúvida: que versos impublicáveis são esses?
Um outro autor também faz referência à dança “Zweitritt”. Segundo ele, após a colheita, as pessoas se encontravam na eira - Tenne -, onde se separava o grão da palha dos cereais e, ali, bebiam a “Austbier”, cerveja feita especialmente para a colheita. Todos se divertiam com belas danças, entre elas, uma não muito decente conhecida como “Zweitritt”.
E agora? “Zweitritt aus Pommern” é indecente ou não? A aproximação do rapaz e da moça durante a coreografia, pelo menos para os padrões do século XIX, era vista como algo inapropriado. De toda forma, hoje, sabemos que não há nada de mais nisso e que, bem executada, ela é, ao mesmo tempo, uma grande diversão para quem dança e um belo espetáculo para quem assiste.
Contudo, o conteúdo da canção que costumava acompanhar sua melodia, de tão indecente, ainda permanece desconhecido.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Grupo Folclórico Heimatland, Cerro Largo-RS, realizando esta dança em https://youtu.be/YdL2ls8JWtI .
16/06 - Kastilliano
Quanto custa para tocar a “Kontra Dreitritt”?
Não bastasse uma, existem duas “Kontra Dreitritt” na região de Lüneburger Heide, no Norte da Alemanha. E, para completar, são conhecidas seis diferentes melodias para elas.
Mas, quanto custa para que os músicos toquem a “Kontra Dreitritt”?
Antigamente, nas diferentes localidades de Lüneburger Heide, era comum que, ao longo do ano, fossem realizadas diferentes festividades: festa da igreja, do tiro, da colheita, carnaval e, é claro, os casamentos. Não somente os camponeses, pescadores e artesãos, mas também os músicos esperavam ansiosos por esses dias.
Os salões de festa geralmente eram a taverna do vilarejo ou uma sala maior em uma das casas. Em um dos lados, ficava a mesa dos músicos e, sobre ela, os copos (eles não podiam passar sede!) e as partituras. Quando escurecia, era ali colocada uma vela ou lanterna para iluminar. Ao centro da sala, era deixado espaço para a pista de dança e as cadeiras eram colocadas ao redor.
Quando a festa começava, todos queriam dançar em frente à mesa dos músicos, afinal, era o melhor lugar da sala. Para ter essa honra, era preciso pagar. O registro feito pelo professor Eduard Kück indica que, na segunda metade do século XIX, em alguns vilarejos, uma “Bunte” (contradança com várias sequências), como a “Kontra Dreitritt” custava para cada rapaz do círculo em frente aos instrumentistas a quantia entre um “Doppelschilling” e dois “gute Groschen”, equivalente a cerca de 12 a 24 centavos do dinheiro da época.
Em outras localidades, era comum que apenas um rapaz pagasse um “Doppelschilling” - podendo ser o par número 1 e, algumas vezes, podendo escolher a música, além de dançar em frente aos instrumentistas - e os demais participavam de graça. Mais tarde, no século XX, era comum que cada cavalheiro pagasse um valor fixo para cada dança, indiferente de onde dançaria, ou, então, uma quantia equivalente para a festa toda.
E você? Já calculou quanto gastaria em uma festa? Conta aí pra nós!
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja essa e outras danças do nosso projeto.
15/06 - Erntetanz
A “Erntetanz”, Dança da Colheita, usa foice e ancinhos?
No outono das comunidades de língua alemã, após a conclusão do período de safra, é típica a realização das Festas da Colheita - a Erntefest, Erntedankfest, ou simplesmente chamam-na de Festa Popular - Volksfest -, celebrando e agradecendo pela boa produtividade da terra. Por ser uma comemoração de destaque, ela motivou também o surgimento de muitas danças com este tema: as “Erntetänze” ou nomes relacionados.
Em algumas localidades era comum usar o último feixe de feno cortado como símbolo do final da colheita. Com ele podia ser feito também o “Hafermann” - uma espécie de boneco “Homem de Palha”. Cada local tinha sua peculiaridade. O “Erntekranz” - uma guirlanda especialmente feita para essa ocasião -, aparece em muitas tradições, de norte a sul da Europa. Por vezes essa coroa era colocada no campo, onde dançavam em sua volta. Outras vezes o festejo ocorria no galpão de armazenagem da propriedade rural.
Na Baviera, por exemplo, foi registrada uma variante do “Erntetanz” onde os participantes formavam uma fileira, estando os homens com suas foices e as mulheres com os ancinhos. Aqui se vê um caso onde também os instrumentos do dia a dia entraram na coreografia, ficando visível, neste tipo de dança comemorativa, o acréscimo de elementos simbólicos. São representações dos momentos vitais da comunidade.
Enquanto no hemisfério sul o outono ocorre de março a junho, no norte se faz de setembro a dezembro. De toda forma, indiferente do momento, na atualidade muitos grupos interpretam suas “Erntetänze” a qualquer momento, não só pela festividade da colheita, mas também por elas terem belas coreografias e músicas vibrantes. E se for analisar as novas tecnologias do agronegócio, que fazem a terra produzir muito em vários períodos do ano, quem sabe não seja um exagero ter essas danças em todas as estações. Mais importante do que uma data é o simbolismo que traz à comunidade.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja uma das variantes da “Erntetanz” em https://youtu.be/jaM0SQ6mmHQ .
14/06 - Baarer Polka
Alguém vai para o inferno se dançar errado a “Baarer Polka”?
Um grande problema em lidar com seres sobrenaturais é que, segundo as histórias, em grande parte das vezes, eles são onipresentes: veem tudo em qualquer lugar. E se alguns deles cuidassem de uma coreografia em específico, espiando quem a realiza de modo errado? E se fosse ela a “Baarer Polka”? Provavelmente isso seria uma boa maneira dos instrutores de dança pressionarem seus pupilos nos ensaios, para que não se desconcentrem e cometam um deslize.
Mas por qual motivo os demônios "protegeriam" essa polca? Em Baar, de onde surgiu a “Baarer Polka”, existem as Höllgrotten, as “Cavernas Infernais”. Essa formação geológica está localizada na Suíça Central, próxima à conhecida e rica cidade de Zug, capital do cantão de mesmo nome. Nesta lógica, o que nasceu no entorno desse “acesso ao submundo” mereceria uma proteção especial.
Crendices e brincadeiras à parte, o Höllgrotte é hoje um ponto turístico que leva muita gente a desbravar suas entranhas. Suas estalactites, que parecem vindas de uma realidade paralela, encantam e mexem com o imaginário de quem as vê: criam um mundo à parte. E realmente esse cenário não é tão infernal, já que, tanto quanto se sabe, todos os seus visitantes voltaram a ver a luz do dia após um belo passeio.
A “Baarer Polka” foi coreografada em outubro de 1974 por Martin Hotz, de Baar. Ele era dono de uma padaria, então estava acostumado com coisas “quentes”.Também é conhecido um de seus outros títulos, que hoje faz parte do repertório de todos os grupos de dança suíços: o “Seppel”. Já a melodia é de Walter Betschart, do conjunto “De Lützler Seebi”.
E não tendo um Cérbero mitológico na porta do Höllgrotte, quem sabe o que mais assuste os visitantes seja o ingresso de 12 francos suíços para adultos. E se alguém quiser burlar a cobrança e entrar de modo clandestino, que não se esqueça dos demônios: eles podem não vigiar realmente algumas danças, contudo sabem perseguir com destreza quem não paga o ticket.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a “Baarer Polka” em https://youtu.be/COcZUASLYHU .
13/06 - Choriner Vierer
A “Choriner Vierer” foi inspirada em um mosteiro?
Ao falarmos da dança “Choriner Vierer”, é preciso conhecer um pouco mais sobre Chorin, cidade localizada no estado de Brandemburgo. Seu nome vem do adjetivo eslavo “chory”, que, em alemão, significa “krank” e, em português, “doente”. Mas o porquê de a localidade ser chamada assim não tem relação com alguma doença. Como é um adjetivo, ele foi relacionado ao lago da região, o “Choriner See”, o qual não era doente, mas sim com poucos peixes.
Acredita-se que o vilarejo tenha sido criado antes do século XIII, quando foi construído o Mosteiro de Chorin, o qual passou a exercer grande influência e representatividade no Mark Brandenburg. Por cerca de trezentos anos, o mosteiro foi responsável pela administração da região, uma atuação muito mais administrativa e econômica do que religiosa.
Porém, no ano de 1542, as atividades no mosteiro chegaram ao fim. O poder administrativo passou das mãos da Igreja para a família real regente, no caso, os Hohenzollern. Poucos monges ainda permaneceram morando lá, mas, a partir de 1550, o complexo religioso ficou abandonado. Alguns de seus prédios foram desmontados por moradores locais para usar suas pedras na construção de casas. Outros, foram se deteriorando com a ação do tempo, sendo usados até como estábulo.
Foi apenas no início do século XIX que o Mosteiro de Chorin voltou a chamar atenção. Primeiro, pela beleza de suas ruínas às margens do lago e, posteriormente, pela importância de sua arquitetura e de sua história. Desde então, ele passou por diferentes processos de restauro e, hoje, serve de local para diferentes atividades religiosas e culturais.
É pouco provável que o mosteiro tenha influenciado diretamente na dança. Contudo, ele pode ser considerado responsável por tornar Chorin uma referência regional. Com composição de Heinrich Dieckelmann e coreografia de Herbert Oetke, a “Choriner Vierer”, o Quarteto de Chorin, procura representar essa importante cidade do antigo Mark Brandenburg, valorizando o seu legado.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Arbeitskreis für Jugendtanz der DGV com essa dança em https://youtu.be/yFE_3YH6tmo .
12/06 - Kurnauer Durl
“Kurnauer Durl” é a dança do enamorado da Dorotéia?
No Egerland, região muito próspera da antiga Boêmia, existe uma localidade de nome Haid, que, em tcheco, chama-se Bor. Segundo Ursel Großschmidt, no entorno deste local, teria surgido uma dança: “Kurnauer Durl”. Ela é o exemplo claro de diálogo de culturas, somando diferentes musicalidades e passos populares.
A canção conta, através do ponto de vista de um rapaz, a sua ida a Kurnau - Kornau, distrito no entorno de Eger - com a Doroteia - que, em dialeto, é chamada de “Durl”. Diz o texto da primeira estrofe: “Eu vou com a Doroteia, eu danço com a Doroteia, até Kornau. (2x) Quando nós chegamos a Kornau, tiraram a Doroteia de mim (2x)”. Já na segunda parte da letra, ele canta os positivos atributos da moça: que ela vale ouro, que se “encaixava” perfeitamente bem em sua cama e que nunca mais na vida ele encontraria outra como ela.
Vendo sua parte melódica, na primeira etapa da “Kurnauer Durl”, há o ritmo tradicional de mazurca. Provavelmente ela tenha ligação com a canção alemã “Tanz ich mit der Durl bis nach Schweinau”: tem uma clara similaridade entre as duas melodias, por mais que os textos sejam bem diferentes.
Já na segunda etapa, o ritmo muda para uma Ländler, não mais mazurca. Karl Horak destaca que a “Kurnauer Durl” conseguiu somar esses dois populares ritmos da época em uma única música. Também os dois tipos de passos são claramente vistos em sua coreografia. Ela foi registrada em um conjunto de publicações, como no tradicional “Egerländer Tanzfibel”, de Josef Heil. Ali, o autor, que apresenta duas variantes da coreografia, destaca: “essa dança é muito rápida em sua execução. Os pares devem se olhar sempre e sorrir um para o outro”.
A “Dorotéia de Kornau”, como seria a tradução, conseguiu atravessar o tempo preservando melodia, narrativa, dialeto e passos típicos das comunidades de língua alemã do Egerland. É um belo exemplo de como uma dança pode guardar muito mais do que mera coreografia.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a dança em https://youtu.be/5UiIvYHd0kQ .
11/06 - Pommersche Krakowiak
Na Pomerânia, também existia uma Krakowiak?
Conhecida como “Krakowiak” ou “Cracovienne”, essa música típica da região de Cracóvia se desenvolveu não apenas como uma dança nacional polonesa, mas também se tornou, no século XIX, uma das mais apreciadas em toda a Europa. Como coreografia popular, ela apresenta variações conforme as diferentes regiões onde é encontrada.
Mas, será que na Pomerânia também existia uma variação da Krakowiak?
Uma grande referência para as tradições da Pomerânia é o professor Willi Schultz. Em uma de suas obras, ele publicou a dança chamada “Krakowiak”. Nela, há uma observação de que a música se repete três vezes e, na terceira, os dançarinos ou os pares se colocam em fileira e improvisam o “Kossak”.
A partir do registro de Schultz, o grande pesquisador da cultura pomerana, Eike Haenel, fundador do Tanz- und Folkloreensemble Ihna, trabalhou uma coreografia para seu grupo, à qual ele deu o nome de “Pommerscher Krakowiak”, afinal, era preciso diferenciar a “Krakowiak” pomerana das demais. O conjunto dos passos se manteve praticamente fiel ao registro de Schultz, tendo alguns aprimoramentos para o palco. Inclusive a última parte, onde seria necessário improvisar o “Kossak”, foi mantida.
Porém, para o “Kossak”, Haenel precisava saber um pouco mais e deu sequência a suas pesquisas. Segundo ele, no período da colheita, vinham trabalhadores da Ucrânia e da Polônia para a Pomerânia para ajudar no campo. Como nas festas da colheita havia muita dança, possivelmente esses trabalhadores também tivessem mostrado alguns de seus passos, o que foi assimilado por moradores locais, chamando essas figuras de “Kossak”.
É interessante observar que, hoje, a “Pommersche Krakowiak” é muito mais conhecida entre os grupos de danças brasileiros do que entre os alemães. Tudo isso se deve ao trabalho incansável de Eike Haenel e do grupo Ihna que, em suas turnês e em seus cursos pelo Brasil, despertaram o interesse de muitos pela cultura pomerana.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Landjugend Geismar, do Hessen, interpretando-a em https://youtu.be/_KznC4j-wFQ e o Grupo Grünes Tal, de Jaraguá do Sul, em https://youtu.be/_KznC4j-wFQ
10/06 - Utrecht Hornpipe
Qual a relação entre “Utrecht Hornpipe” e “Lord of the Dance”?
Quem ouve ou assiste a dança “Utrecht Hornpipe” nem imagina toda a história que está por trás dela. Para compreender um pouco mais sobre sua origem, vamos precisar juntar algumas peças:
a) Onde fica Utrecht?
b) O que é Hornpipe?
c) Quem escreveu essa dança?
Aí vão as respostas:
a) Utrecht é uma das cidades mais antigas dos Países Baixos. Ela foi construída ao redor da catedral da cidade e é conhecida internacionalmente por seus canais.
b) “Pipe”, em inglês, significa “canos”. Seria então a dança dos canos (ou dos canais) de Utrecht? Não! O termo “Hornpipe” remete a um estilo de dança inglesa tradicional. Ela tem esse nome por causa de um antigo instrumento de sopro homônimo.
c) A dança “Utrecht Hornpipe” foi registrada pelo coreógrafo holandês Cor J. Hogendijk, especialista em contradanças inglesas. No ano de 1973, ele a publicou no volume I do livro “English or Double Dutch”, com gravação de áudio da banda Dutch Comfort.
Agora, está tudo explicado. Cor J. Hogendijk procurou divulgar novas coreografias ao estilo das antigas contradanças inglesas. Aqui, ele registrou uma dança no formato Hornpipe para a cidade de Utrecht.
E você não tem a impressão de já ter ouvido essa música em algum lugar?
Ao pesquisar um pouco mais sobre a origem da música, é possível encontrar uma canção religiosa chamada “Lord of the Dance”, composta pelo inglês Sydney Bertram Carter em 1967, cuja melodia também se baseou em outra canção litúrgica chamada “Simple Gifts”, composta em 1848 e atribuída ao americano Joseph Brackett.
Logo após a canção “Lord of the Dance” ser composta por Carter, ela teve notáveis gravações dentro do movimento Folk na Irlanda, Escócia e Inglaterra. É provável que Cor J. Hogendijk tenha tido ali contato com sua melodia, tendo a inspiração necessária para sua dança “Utrecht Hornpipe”.
Poderíamos, agora, analisar a letra da canção ou ainda observar as semelhanças com o famoso musical “The Lord of the Dance”. Mas tudo isso é tema para outras narrativas!
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Grupo Kunstkraft, de Esteio-RS, em https://youtu.be/exU8Ek-ySO4 .
09/06 - Lübarser Reihentanz
Foi o Lubas que criou a “Lübarser Reihentanz”?
Campos vastos, prados verdejantes e piquetes com cavalos. Essa descrição se encaixa com diferentes lugares, menos com a capital alemã Berlim. Certo? Errado! Bem-vindos a Lübars, o vilarejo mais antigo da capital alemã! É uma localidades do distrito de Reinickendorf. Com sua paisagem excepcional, é difícil de acreditar que Lübars está apenas a 30 minutos do centro da cidade. Com sua parte histórica, fazendas, criações de cavalos e oficinas de artesãos, a rotina diária do local é muito diferente daquela vida estressante de da grande metrópole.
As casas antigas, a igreja, o cemitério, a escola e, claro, a taberna formam o antigo centro histórico, o Alt-Lübars. Em seu nome tem a palavra eslava “Ljuba”, que significa “Liebe”, ou seja, “amor”. Sua designação também pode indicar que o vilarejo pertenceu a uma pessoa chamada “Lubas”. Porém, quem é esse Lubas? Foi ele o criador da “Lübarser Reihentanz”?
Lubas é um nome eslavo e é encontrado ainda hoje em algumas regiões. Porém, não se sabe quem era essa pessoa, o possível dono das terras do vilarejo. Apesar de sua origem ser mais antiga, os primeiros documentos que citam Lübars datam do século XIII, mas sem nenhuma menção ao senhorio.
Mesmo não se conhecendo quem é o Lubas, sabe-se que não foi ele que criou esta dança. Assim como algumas outras de Berlim (“Hermsdorfer Dreikehr” - 09.06.2023; e “Reinickendorfer Mühle” - 09.06.2023), ela é produto do trabalho do professor Volkhard Jähnert.
O título “Lübarser Reihentanz” surgiu a partir de suas figuras em fileiras (Reihen) e do nome de Lübars. Assim, ela nada mais é do que a “Dança de Fileiras de Lübars”. É interessante observar que o professor Jähnert nomeou algumas de suas danças a partir das localidades do distrito berlinense de Reinickendorf, local de origem de seu grupo “Volkstanzkreis Reinickendorf”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o “Volkstanzkreis Reinickendorf” com a Lübarser Reihentanz em https://youtu.be/gwERdovPmZs .
08/06 - Großvatertanz
Seria a “Großvatertanz” uma homenagem ao Opa?
“Opa” ou “Opi” é como os alemães chamam carinhosamente o avô, assim como temos em português o “vô”, “vovô”, “vovôzinho” ou “voinho”. Seria, então, a “Großvatertanz” a dança do avô?
Na Alemanha, existe uma antiga canção cuja melodia remonta ao século XVII e até já foi citada por famosos compositores como Johann Sebastian Bach e Robert Schumann. Para ela, eram cantados alguns versos:
Als der Großvater die Großmutter nahm
da war der Großvater Bräutigam
und die Großmutter war die Braut
da wurden sie beide zusammen getraut
E foram esses versos que deram nome à melodia e, posteriormente, à dança: “Großvatertanz”, ou seja, a dança da música do avô. Na canção, é dito que, quando o avô levou a avó, ele era o noivo e ela era a noiva e os dois se casaram. A melodia ficou muito popular em diversas regiões, sendo encontrados também diferentes textos para ela. Inclusive, para a parte rápida da música, há uma segunda estrofe.
Também conhecida como “Kehraus”, a “Großvatertanz” costumava ser dançada ao final dos casamentos, antes do “Braut austanzen”, momento em que a noiva fazia a passagem oficial de solteira para casada. Ela era executada por todos da festa, como uma Polonaise, passando por todos os espaços. Com o tempo, ela também foi tocada ao final de diferentes festividades. Segundo o historiador Franz Magnus Böhme, ela era a última dança, para que todos os convidados pudessem se divertir mais uma vez na conclusão do evento.
Atualmente, a melodia é conhecida internacionalmente através do famoso ballet “O Quebra-Nozes” (1892), do compositor russo Tchaikovski. No primeiro ato, antes da despedida dos convidados, todos dançam ao som da “Großvatertanz”.
Mesmo não sendo uma homenagem direta ao avô, a “Großvatertanz” retrata um belo costume (o que foi mantido até em sua citação no ballet): o alegre encerramento de uma grande festa. Que tal se voltássemos a resgatar essa tradição trazendo essa dança ou outra “Kehraus” para os encerramentos de algumas festividades?
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a Großvatertanz, no “O Quebra-Nozes” - The New York City Ballet - em https://youtu.be/g55F5n3Js3o .
07/06 - Hackenschottisch
Como a “Hackenschottisch” chegou ao Rio Grande do Sul?
Em sua infância na cidade pomerana de Kolberg, o professor Willi Schultz registrou uma dança de taco e ponta chamada “Hackenschottisch”. Segundo ele, o “taco e ponta, 1, 2, 3”, ritmo de marcação dela, foi o precursor das “Kreuzpolka” (09.02.2023), mantendo sua presença entre as tradições de diferentes regiões até os dias de hoje.
Com diferentes melodias, essa dança típica ainda é encontrada em vários repertórios. Na Alemanha, encontramos algumas coreografias com o nome de “Schmetterlingstanz”, “Hackschottisch”, “Hack-Schottisch”, “Hacke-Spitze”, entre outros.
Mas como a “Hackenschottisch” foi parar no livro “Danças e Andanças da Tradição Gaúcha” publicado em 1975 por Paixão Cortes e Barbosa Lessa, expoentes da dança gaúcha?
Nessa obra, os dois pesquisadores relataram, entre outros achados, as danças típicas que presenciaram nas festividades das colônias alemãs no Rio Grande do Sul: “Herr Schmidt”, “Kreuz-Polka” e “Hacken-Schottisch”, por exemplo. Preocupados com o resgate das coreografias e das melodias tradicionais gaúchas, Paixão Cortes e Barbosa Lessa não podiam deixar de fora as encontradas entre os descendentes de alemães no estado gaúcho, mencionando-as também em sua obra.
E qual será a “Hackenschottisch” que eles encontraram? Foi a versão trazida pelos imigrantes pomeranos? Ou foi uma versão dos da Boêmia, ou, quem sabe, da Vestfália? Ou, ainda, alguma trazida pelos alemães do Hunsrück? Sabe-se que os costumes trazidos pelos imigrantes europeus tiveram grande influência na cultura gaúcha em vários aspectos: culinária, festejos, música, dança, entre outros. Tanto é que, entre as danças gaúchas, encontramos algumas com fortes semelhanças com as danças de origem alemã, como o Chote Carreirinho e o Chote do Dedinho. E não é que existe até um Chote Ponta e Taco?
Teria o Chote Ponta e Taco parentesco com a “Hackenschottisch”? Bom, isso já é assunto para uma próxima história!
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a Schmetterlingstanz em https://youtu.be/b6XKIQLxBmw , assim como o ACTG Portal da Serra, de Dois Irmãos-RS, com a "Ponta e Taco" em https://youtu.be/ZR3_NHUFuqc .
06/06 - Phraze Graze
A “Phraze Graze Mixer” é um jogo de Videogame?
Nos anos de 1970 era muito popular na Europa a venda de discos de vinil com coletâneas de danças internacionais. Eram títulos gregos, junto com suecos, alemães, romenos, portugueses, entre outros… geralmente acompanhados de uma breve descrição de como realizar cada uma delas. Vários desses LPs acabavam ou em escolas, sendo base de material didático para professores, ou em grupos que trabalhavam o folclore internacional, chegando a adultos.
A “Phraze Graze Mixer” é um desses exemplos. Ela faz parte do grande grupo das “Mixer”, seguindo claramente suas características, com musicalidade norte-americana típica da primeira metade do século XX. Ela está presente em um conjunto de coletâneas populares.
As “Mixer”, geralmente em círculo, tem como principal característica a troca constante de pares: a cada repetição da melodia as duplas se desfazem e formam novas. A ideia era “misturar” os participantes. Podem ou não ter um narrador - “caller”, "Master of Ceremonies", "prompter" ou "cuer" - guiando os participantes ao dizer a sequência de passos vindouros.
Mas é mesmo uma dança dos EUA? Provavelmente sim, porém, não localizamos uma fonte precisa que assim confirme. Um dado interessante é que um dos intérpretes da “Phraze Graze Mixer” é a tradicional “Nationaal Volksdansorkest”, conjunto holandes que publicou vários LPs de músicas internacionais. Pode ser meramente efeito da moda… ou ela pode parecer ser de um lugar, não necessariamente sendo.
E como ela poderia ser um software de videogame? Um dado que parece ser casual é ter existido um Arcade - esses grandes aparelhos que ficavam em Fliperama, com TVs de tubo -, com o mesmo nome: “Phraze Graze”. Ele é de 1986 e o jogo era do estilo “descubra a palavra”, como se fosse um antepassado do “Roletrando”.
E seja no jogo eletrônico ou seja no “game” da dança, a “Phraze Graze” marcou gerações. A diferença é que a primeira sumiu do mapa… a segunda segue viva nas pistas de baile. Nem sempre as novidades tecnológicas ganham.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a “Phraze Graze Mixer” em https://youtu.be/Gz-t2qejN5g .
05/06 - Ratzenburger Viertour
Todos os caminhos levam para a “Ratzeburger Viertour”?
Para descobrir a origem de algumas danças, é preciso percorrer diferentes caminhos. Será que todos eles nos levam a “Ratzeburger Viertour”?
Os poucos registros conhecidos nos conduzem para ao Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, especialmente para a cidade de Ratzeburg. Contudo, hoje, a dança não é muito conhecida entre os moradores locais.
Ao conhecer a região, descobre-se que os seus primeiros registros têm mais de mil anos. Seu centro histórico nada mais é do que uma ilha cercada por quatro lagos. Será que o nome da dança está relacionada a isso, “Ratzeburger Viertour” seria a dança de quatro sequências de Ratzeburg? Apesar de ser uma explicação muito bonita, ela é pouco provável.
Algumas fontes apontam que ela foi publicada pela primeira vez pelo prof. Wilhelm Stahl em sua coletânea de danças do norte (Niederdeutsche Volkstänze). Lá, ela recebeu o nome de “Viertourig”, por causa de suas quatro figuras a cada sequência, mas sem indicar se ela era específica de alguma cidade ou região.
Seria esse o caminho que nos leva à origem desta dança?
Sabe-se que Stahl concentrou suas pesquisas no norte da Alemanha em localidades próximas a Lübeck, entre elas o Principado de Ratzeburg. Durante seu trabalho, ele registrou muitas informações, especialmente a partir dos “Fichtelbücher”, livros dos músicos dessas pequenas localidades.
Para eles, nem sempre era importante registrar a localidade de origem de cada dança. Às vezes, era uma coreografia encontrada em vários pontos ou, então, ela era tão conhecida que seria óbvio e até redundante registrar o local de origem em seu nome.
Assim, outro “caminho” que nos leva à origem da “Ratzeburger Viertour” é a possibilidade de que, tempos depois, algum músico acreditou ser importante dar o nome de um local para diferenciar essa “Viertour” de outras, sendo escolhido, assim, a região de Ratzeburg.
Independente do caminho escolhido, a “Ratzeburger Viertour” nos proporciona um verdadeiro passeio pela história das danças populares.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Landesarbeitsgemeinschaft Schleswig-Holstein em https://youtu.be/7MN0XGFGcTc .
04/06 - Beim Kronenwirt
Na “Beim Kronenwirt”, é preciso levantar as moças?
No livro “Alte niederdeutsche Volkstänze”, aparece no título “Beim Kronenwirt” a seguinte descrição: “Assim como a canção popular de mesmo nome, esta dança típica também é muito difundida”. Realmente antes de ter uma coreografia famosa, a “Beim Kronenwirt”, ou simplesmente “Kronenwirt”, se destacou como música da moda.
“No Kronenwirt, tem, hoje, alegria e dança”. A letra, que pode ser encontrada em diferentes dialetos, fala de uma festa de casamento que acontece em um restaurante - tipo taberna ou estalagem. Em cada verso, há a descrição do que está acontecendo e a apresentação de alguns personagens. A dança, a gastronomia e o discurso são partes dessa narrativa.
É atribuída ao escritor Heinrich Binder a letra, que teria sido publicada por volta de 1909. Já a melodia seria mais antiga, recolhida na tradição popular. Nas primeiras décadas dos anos 1900, ela se destacou como sucesso, ganhando gravações fonográficas e sendo transmitida pelo rádio. Foi interpretada por destacados artistas, como Freddy Quinn, Jonny Hill e o popular Coral de Gotthilf Fischer - o Fischer Chöre.
É provável que as coreografias foram se encaixando com o tempo à melodia da “Beim Kronenwirt”. As versões mais simples devem ter surgido de modo espontâneo, enquanto as mais arrojadas nasceram do trabalho de instrutores de dança, não necessariamente vindo de uma semente comum. De toda forma, é tradicional se ver nesta dança partes com palmas. Já a bela figura do círculo em que os rapazes erguem as damas, não aparece em todas as versões.
Seja só no canto popular, seja com dança e festa, a “Kronenwirt” para muitos está no imaginário dos casamentos populares do norte da Alemanha. Mesmo que a melodia possa ter surgido no século XIX, ou mesmo antes, foi com a disseminação das tecnologias fonográficas do séc. XX que ela virou moda, chegando com vivacidade ao XXI.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o Blumenberg Volkstanz, de Petrópolis-RJ, apresentando a “Beim Kronenwirt” na XXI Bauernfest em https://youtu.be/drwi6lGXS5s .
03/06 - Letkis
Letkis: dança típica ou da moda?
“Letkis” é uma dança da moda que se originou na Finlândia no início dos anos 1960 sob o nome de “Letkajenkka”. É baseada na tradicional “Jenkka”. O que chama a atenção nela são os movimentos de salto. Originalmente, foi composta por Rauno Lehtinen e gravada pela banda finlandesa “The Finnish Jenka Allstars” sob o nome “Letkis”. Na Alemanha, ela se tornou um hit com a gravação “Letkiss” (1965) de Roberto Delgado.
Mas, em que parte da dança está o beijo? Afinal, “Letkiss” não significa “vamos beijar”?
Tendo como nome original “Letkis”, com apenas um “s”, a música de Lehtinen passou a ter outros nomes em outros idiomas. Para facilitar a pronúncia, foi rebatizada para “Letkiss”, “Let’s kiss”, “Lasst uns küssen”. Mas, na verdade, não tem nada a ver com beijo. Essa ideia foi introduzida por falantes não finlandeses, que pensaram que o título da música soava como “vamos beijar”. Em finlandês, “Letkis” é apenas a abreviação de “Letkajenkka”.
Na Alemanha, na década de 1960, existia um programa no canal de televisão ARD que era apresentado uma vez por mês em um sábado à tarde. Ele era chamado de “Tanzparty mit dem Ehepaar Fern” - Festa Dançante com o Casal Fern. Com banda ao vivo e convidados, os Fern ensinavam ao público de casa dois ritmos em cada programa. Eles dançavam, explicavam e colocavam todos para fazer a coreografia.
A dança se tornou rapidamente um sucesso. Com um ritmo animado e uma coreografia simples, ela era facilmente assimilada até mesmo por aqueles que não eram, digamos, “pés de valsa”. O sucesso foi tão grande que a conhecida revista alemã “Der Spiegel”, em uma matéria de 1965, anunciou: “A febre de Letkiss evoluiu para uma verdadeira psicose.”
Com beijo ou sem, ela se tornou rapidamente um hit. Em 2001, ela teve uma nova gravação em estilo pop feita pelo grupo Darling. E, em pleno 2023, com o TikTok, é possível ver vídeos dela! Independente da época, “Letkis” é sempre um grande sucesso por onde passa.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e você quer aprender inclusive as figuras da Letkis? Então, confira o vídeo da aula do casal Fern para a TV alemã: https://youtu.be/eq7myqy_E9U .
02/06 - Kornmäher
Karschnatz ou Kornmäher: qual é a origem dessa dança da colheita?
Ela é de Luxemburgo, no lado esquerdo do rio Our, ou da Alemanha, da margem direita? Na primeira, chama-se “Karschnatz”, na segunda, “Kornmäher”. Sua coreografia e melodia são praticamente as mesmas. Assim, qual veio primeiro?
Na descrição da “Karschnatz”, há a referência a ela ser de Prüm, município alemão no Eifel, próximo a Luxemburgo. Assim, a dúvida estaria resolvida? Não necessariamente: nessa região, as fronteiras mudaram várias vezes e Prüm chegou a fazer parte da França no século XVIII, assim como o Ducado de Luxemburgo também. Uhm… e como ela se chamava lá? Tinha o nome de “Kornmäher”.
Bom, de modo geral, a dança parece ser parte de uma espécie de "Ação de Graças" no final do período de colheita anual. Seu ritmo rápido e caráter animado sugerem uma ocasião festiva. É um raro exemplo, no caso luxemburguês, de coreografia que imita o passo a passo do trabalho dos agricultores. Mostra como plantavam o cereal, o modo que o cortavam e, por fim, o jeito que amarravam seus feixes.
E essa dança é para quantos pares? Teoricamente, um número ilimitado; contudo, é usual serem cinco ou seis. Geralmente, todos os pares assumem uma vez o papel de protagonistas, repetindo a melodia conforme sua quantidade. Assim, tendo música ao vivo, havendo muitas pessoas, faria a “Kornmäher” - ou “Karschnatz” - ser extremamente longa. De toda forma, há comunidades que apreciam as extensas.
E mais uma curiosidade: na língua luxemburguesa, o termo “Karschnatz” é a expressão para o oitavo mês do ano (agosto). Apesar de não ser muito comum, a palavra continua a ser usada. O significado deve ser entendido no sentido de “época da colheita do grão”, “mês da colheita”.
Assim, observando as peculiaridades das áreas do Eifel, que não seguem as fronteiras nacionais, possivelmente não se consiga precisar exatamente se essa dança é, na atualidade, de um país ou de outro, ou mesmo da Bélgica. Supõe-se, assim, que ela fazia parte dos três: do patrimônio cultural compartilhado da região.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a “Karschnatz” com o Uucht - La Veillée: https://youtu.be/Wo3Kvew_jpQ .
01/06 - Birnenbaum
Na Birnbaum, os dançarinos chutam as peras?
A fruta mais popular das comunidades alemãs é, sem dúvida, a maçã. Segundo pesquisas, na Alemanha, entre 2021-2022, houve uma média de consumo de 22,5 kg por ano. Sem conseguir competir de perto com esses índices, a pera alcançou, no mesmo período, a quantia de 2,5 kg ano. De toda forma, ela não deixa de ser lembrada nas atividades culturais, sendo sua árvore protagonista de canções, histórias e até mesmo de uma dança.
A “Birnbaum”, ou “Birnenbaum”, é uma dança da antiga região de língua alemã do Kuhländchen, atualmente no território tcheco, que tem como tema exatamente o período de colheita das peras. Ela é realizada com trios - Trioletts, de um homem e duas mulheres - e sua melodia e coreografia têm três partes distintas, cada uma com sua própria narrativa.
A primeira é o passeio junto às pereiras: teatraliza o empurrar, com os pés, das peras caídas, colocando-as para o lado. A segunda apresenta as duas damas disputando o rapaz, cada uma puxando-o para junto de si. Já a terceira, a conclusão, é o tradicional “Kutsche”, quando o trio representa uma carruagem sendo conduzida pelo cocheiro.
Trata-se de uma dança alegre que retrata costumes regionais, provavelmente sendo a junção e adaptação de outras danças em trios, ressignificadas pela comunidade alemã do Kuhländchen. É o exemplo de formação cultural que, simultaneamente, dialoga com outras populações de identidade comum e, a partir delas, gera suas próprias manifestações típicas. Se elas se tornam, posteriormente, muito consumidas - como as maçãs -, ou se fazem modestamente presentes no cotidiano das pessoas - como as peras -, somente o tempo é que diz.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja uma seleção de danças do Kuhländchen, entre elas a “Birnenbaum”, em https://youtu.be/AcuNdPeblM0 .