30/04 - Scheeßeler Windmüller
Por que esta dança se chama “Scheeßeler Windmüller”?
Em diversas regiões, é comum encontrar danças com a figura do moinho de vento. Era muito comum chamá-las de “Dança do Moinho de Vento” - Windmühlentanz - ou apenas de “Moinho de Vento” - Windmüller. Em suas variações regionais, encontram-se também diferenças no nome, conforme o dialeto local. Por isso, elas são conhecidas também como “Windmöhl” e “Windmöller”, entre outros.
A dança que hoje é conhecida como “Scheeßeler Windmüller” é um exemplo. Os autores Eduard Kück e Elfriede Schönhagen publicaram a dança com o nome pelo qual era conhecida na região de Scheeßel: “Kontra mit der Windmühle”, ou seja, a “Contradança com o Moinho de Vento”. Segundo o relato de um músico da região, ela é muito antiga, tendo possivelmente mais de duzentos anos.
Ao descrever a coreografia, Eduard Kück e Elfriede Schönhagen explicam a relação de cada figura com o moinho de vento. Já no início, após o círculo inicial, as moças são conduzidas por seus pares ao centro da roda e, ali, de costas, elas dão início à formação do “Müller”. Na sequência, os rapazes dançam ao redor delas batendo palmas: eles são as pás e as palmas representam as batidas da moenda. Após darem uma volta inteira, os pares dão-se as mãos e, agora, juntos, representam o moinho completo em movimento.
Não se pode deixar de mencionar também a música que acompanha a coreografia. Em sua melodia, podemos perceber diversas passagens que, de certa forma, procuram representar o vento em movimentos mais brandos e também agitados, como se fossem redemoinhos.
Mas por que ela ficou mais conhecida por “Scheeßeler Windmüller”? Uma possível justificativa talvez seja o fato de que foi publicada com esse nome pelos hamburguenses Anna Helms e Julius Blasche. Ainda hoje, sua obra é uma importante referência para a dança típica na Alemanha. Para eles, fazia mais sentido chamá-la de “Moinho de Vento de Scheeßel”, registrando também em seu nome o local de origem, diferenciando-a de outras similares conhecidas até então.
Quer saber mais: culturaalema.com.br/tanz e veja a Windmüller em https://youtu.be/UIaK1JLY4Nw e em https://youtu.be/yH4CU55mJ4M .
29/04 - Sternpolka
A Sternpolka é uma dança alemã?
Nada melhor do que no “Dia Internacional da Dança” tratar de uma dança internacional. Mas ela não é alemã? É uma pergunta justa, ainda mais considerando a ideia de algo “alemão” não ser, necessariamente, o que “nasceu” na Alemanha. A Sternpolka se faz hoje um “movimento” cultural amplo e inovador, colocando em cheque a “rigidez” na preservação da cultura popular.
Há um certo consenso de que surgiu a partir da “Linzer Polka”, uma dança do final do século XIX criada a partir do trânsito de músicos entre a Áustria e a Floresta da Boêmia. Nesse caminho, por ter sido tocada na localidade de Doudleby, ganhou também o nome de “Doudlebska-Polka”. A partir deste ponto há um conjunto de suposições sobre como ela virou a “Polca da Estrela”, sendo a versão da “viagem aos EUA” a mais conhecida: segundo ela a melodia e a coreografia da “Polca de Linz” foram levadas para a América do Norte e pelos anos de 1950 teriam retornado à Europa. Como isso aconteceu ou se realmente é verídico, ainda está no campo da especulação.
De toda forma, o destaque da “Sternpolka” está na maneira com que cativa tantas pessoas, se tornando moda: na República Tcheca, por exemplo, ganhou rimas, passando a ser cantada; na Alemanha e Áustria vários foram os que agregaram novas partes à coreografia original, quase como uma competição - na Baviera, inclusive, somaram sapateado típico. No Brasil ela se simplificou e agregou movimentos alegres e espontâneos, como uma grande brincadeira. De modo geral, ela transcende à tradição, reformulando antigos modos de dançar e instigando criações coreográficas - o que não é normal no contexto alemão.
E como ela alcançou tantas pessoas? Fontes afirmam que foi ensaiada pelos Trachtenvereine bávaros para ser apresentada na Olimpíada de Munique de 1972, o que teria ajudado a mesma a se popularizar. Seu áudio também acabou comercializado em muitos discos de vinil. De toda forma, é provável que tenha caído no gosto popular por mérito próprio, devido ao seu ritmo gostoso e figuras coletivas.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a Sternpolka versão de 2020 coordenada pelo Hin & Weg em https://youtu.be/mKmH-zfN0qc
28/04 - Bumerang
Como o Bumerang chegou na Alemanha?
O bumerangue é um objeto de arremesso e foram criados para que pudessem voltar à mão de quem o jogou, quando não atingissem um alvo. Sua origem remonta a várias partes do mundo. Algumas fontes indicam que o mais antigo que se tem notícia até hoje foi encontrado na Polônia, feito de uma presa de mamute há 23 mil anos.
De qualquer forma, a Austrália ficou famosa no mundo como “o país do bumerangue”. Lá, entre outras ferramentas, os aborígenes os usaram por milhares de anos. Além de características lúdicas, ele era utilizado em atividades cotidianas. Servia para cortar carnes e vegetais, cavar a terra em busca de raízes comestíveis e também para golpear a superfície da água durante a pesca.
Os europeus modernos descobriram os bumerangues com a chegada dos ingleses à Oceania. O exemplar levado à Europa despertou tanta atenção que o ele foi elevado à categoria de esporte, sendo aperfeiçoado.
Então foi assim que a dança “Bumerang” também chegou à Alemanha?
Na verdade não. Ela foi uma criação de Martin Ströfer (música) e de Helga Preuß (coreografia). No ano de 1993, Helga criou-a com diferentes elementos tradicionais das Deutschetänze. Como em todas as figuras que havia troca de par, acabava-se voltando para sua dupla original, resolveram dar o nome de “Bumerang”, afinal, havia esse efeito de retornarem após “darem uma voltinha”.
É interessante observar que, entre as figuras, apenas uma não é tradicionalmente encontrada nas danças alemãs: a figura do losango. Helga chamou-a de “Salmi”, uma pastilha para tosse feita de Salmiakki, uma variedade de alcaçuz, que é muito tradicional em Hamburgo e tem esse mesmo formato. Ela é tão conhecida que, muitas vezes, em vez de chamarem a forma geométrica de “losango”, a chamam de “Salmi”.
Temos aqui uma boa história que, assim como o bumerangue, fez uma grande volta para explicar como chegamos à dança “Bumerang”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também o Seminargruppe Volkstanz, coordenador por Johann Eder, em https://youtu.be/XscaNG5aQkY
27/04 - Ich schmäiß drean di Ripp
A “Ich schmäiß d’r ean di Ripp’” é uma dança infantil do Hessen?
Nem todas as músicas cantadas que tenham coreografias fáceis surgiram ou foram destinadas para crianças. A “Ich schmeiss Drean di Ripp” ou “Ich schmäiß d’r ean di Ripp’”, que tem origem provavelmente na região de Vogelsberg no Hessen e coreografia em Köddingen, é um desses clássicos exemplos. Segundo Hans von der Au, “sua letra tem humor grosseiro, que obriga a todos os dançarinos a entrar nesse espírito” - o que não condiz com o universo infantil:
“Ich schmäiß d’r ean di Ripp (4X)
Hüt dich, wahr’ dich, nemm dich in Acht ich sag der’s, (2X)
Kalinchen, mit dei’m Sellriekopp, Sellriekopp und die hopp, hopp, hopp (2X)”.
Hans von de Au explicou em suas anotações que uma grande parte dos bailados típicos do Hessen são Singtänze - “danças cantadas”. Elas eram entoadas por jovens em salas de fiar - onde trabalhavam com as rocas - e em áreas ao ar livre, como gramados e sob as árvores, onde não necessariamente havia um músico presente. Assim, as coreografias eram embaladas pela cantoria. Os versinhos podiam ser bem humorados, irônicos e também de duplo sentido. Tratava-se de um hábito antigo que praticamente sumiu à medida que os pequenos vilarejos passaram a ter grande circulação de passantes.
É possível notar que essas rimas da “Ich schmäiß d’r ean di Ripp” foram feitas por jovens aldeões dentro de seus momentos informais “politicamente incorretos”. E mesmo que não se cantasse, omitindo a letra, a coreografia simples também contém passos de “Schottisch”, o que não é comum em composições infantis, sendo um indício de que se trata de uma dança de adultos.
Com o passar do tempo, com o enfraquecimento das culturas locais, muitas das tradições dos “jovens adultos” foram desaparecendo. Uma parte sobreviveu pelas mãos de pesquisadores, que as coletaram à beira do esquecimento. Outra se manteve junto às crianças, que não compreendiam plenamente seu significado, mas repetiam e adaptavam. Desta forma, por ironia do destino, muitas danças dos “mais velhos” hoje vivem ainda no brincar dos “bem novos”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e conheça essa e outras danças.
26/04 - Taukiekerdanz
Taukiekerdanz: Quem são os Taukieker no casamento pomerano?
A festa do casamento pomerano sempre foi muito divertida. Era costume que, após a cerimônia religiosa, todos os moradores do vilarejo participassem dessas comemorações durante os três dias de festa.
Geralmente, dentro da casa ficavam os convidados próximos dos noivos. Como não havia espaço para todos os vizinhos lá dentro, as janelas da sala eram abertas e eles ficavam do lado de fora, como uma verdadeira plateia. Por isso eram chamados de “Taukieker”, os espectadores.
Também do lado de fora, a comida e a bebida não paravam de ser servidas e, da janela, eles acompanhavam as danças. A certa altura da festa, eles eram chamados para dentro para fazerem a sua participação: a “Taukiekerdanz”. A coreografia, geralmente, era para oito pares, o que mostra que a maioria seguia assistindo da rua.
Para chamá-los, era dito: “De Taukieker möten de Hochtied loben” (Die Zuschauer müssen die Hochzeit loben), “os espectadores devem elogiar o casamento”. Apenas quando os Taukieker estivessem felizes e satisfeitos, podia-se dizer que a festa do matrimônio era farta e alegre.
Era comum que os jovens do vilarejo aprontassem com esses espectadores, os Taukieker. Enquanto eles assistiam as danças, os adolescentes aproveitavam a distração e costuravam as saias e os casacos de uma pessoa na outra e, quando eles queriam ir embora, descobriam que estavam presos uns nos outros, causando muitas risadas entre os presentes.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz
25/04 - Hakke Toone
Hakke Toone é a mesma coisa que Hacke-Spitze?
Hakke Toone é a expressão holandesa para “taco e ponta” ou “Hacke-Spitze”, em alemão. Esta dança não poderia ter outro nome, uma vez que o passo “Hakke Toone” está presente em praticamente toda a coreografia.
Ela foi criada na década de 1920 por Anna Henriette Sanson-Catz e publicada posteriormente no livro “Nederlandse Volksdansen”, Danças Populares Holandesas, em parceria com seu amigo Anne de Koe. Na Alemanha, possivelmente a “Hakke Toone” ficou conhecida a partir de sua publicação em alemão, sob o nome “Hacke, Spitze!”, por Anna Helms e Julius Blasche em seu livro de coreografias holandesas, a partir das coletâneas criadas, registradas e publicadas por Anna Sanson-Catz e Anne de Koe.
Em seus registros, é indicado que a “Hakke Toone” teve inspiração nos costumes da ilha de Terschelling, na província da Frísia, na Holanda. Posteriormente, na década de 1970, Elsche Korf, ao realizar as pesquisas para sua formação como professora de danças típicas, fez um novo resgate dos bailados dessa ilha, publicando, então, uma obra com informações das tradições coreográficas originais do local.
Entre os elementos marcantes da ilha de Terschelling está sua bandeira formada por cinco faixas horizontais. Suas cores são explicadas em um poema muito querido por todos de lá:
Vermelho são as nuvens
Azul é o céu
Amarelo é o estorno (espécie de capim)
Verde é a grama
Branco é a areia
Essas são as cores da terra de Terschelling
Podemos dizer que Anna Sanson-Catz cumpriu seu objetivo inicial com a “Hakke Toone” e suas demais coreografias: fazer com que os jovens holandeses voltassem a praticar com entusiasmo os antigos ritmos de seu povo, tornando a dança típica novamente um dos elementos constitutivos da cultura dos Países Baixos.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a “Hakke Toone” com o West-Friese Dans Groep "Midwoud em https://youtu.be/I7DQX_9qDW0 e o Centro Cultural Neue Heimat de Jaraguá do Sul em https://youtu.be/jQnw1xsS_DQ
24/04 - Kuckuckspolka
A “Kuckuckspolka” é a dança do relógio Cuco?
Não tem nada de relógio cuco nesta dança. Para começar, a “Kuckucksuhr”, que indica as horas, têm procedência da Floresta Negra, na Alemanha, sendo um dos símbolos dessa região. Já a “Kuckuckspolka” teria prováveis origens bem longe do Schwarzwald: segundo Karl Horak, ela nasceu na Galícia, na encosta dos Cárpatos, hoje estando parte na Polônia e parte na Ucrânia. Lá ela tem um ritmo um pouco diferente, sendo conhecida como “Kokettka”, o que em português significaria “Flerte”.
E por qual motivo nas áreas de língua alemã essa dança é relacionada ao Cuco? Talvez seja porque esse pássaro “canta” o iniciar da primavera no hemisfério norte? É quando os machos buscam uma companheira. Por isso ele é bastante lembrado como um cantor da floresta, pois seu som pode ser ouvido há um quilômetro de distância. De toda forma, não parece ser essa a conexão dos nomes da polca do cuco e da do flerte, sendo esta meramente casual.
Mas, por incrível que pareça, esse belo animal tem seu lado “pouco amoroso”: após espantar outras aves de seus próprios ninhos, o cuco coloca seus ovos na casa alheia, jogando os ovinhos das donas para fora. Assim, os “cuquinhos” nascem sendo chocados por “mães de aluguel”, que foram enganadas, sem ganhar nada em troca.
Os cucos e as histórias ligadas a eles estão muito presentes nas comunidades de idioma alemão. "Kuckuck, ruft's aus dem Wald", "Der Kuckuck und der Esel", "Der Kuckucksjodler", "Kuckuckswalzer" são algumas das muitas músicas que tratam dessas aves, mostrando sua popularidade. Possivelmente é por esse motivo que existem também muitas diferentes melodias de nome “Kuckuckspolka”.
Na atualidade ela é reconhecida como típica na Áustria e no sul da Alemanha, já que por lá se difundiu e ganhou estilo próprio. Mas há um ponto comum seja na versão galícia, seja na variante austríaca, seja no relógio cuco alemão: é preciso cuidar para todos estarem no tempo certo.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja o vídeo da “Kokettka” em https://www.youtube.com/watch?v=sDqLrcaip6s e da “Kuckuckspolka” em https://www.youtube.com/watch?v=77Ozv9GwJ-A
23/04 - Anka
Afinal, “Anka” é uma dança pomerana ou sorábia?
Onde viveu essa menina chamada “Anka”? Pois bem, os registros que existem sobre ela remetem à uma antiga canção típica entre os Sorábios, moradores da região de Lausitz na Alemanha e na Polônia.
Na Alemanha Oriental, para preservar a cultura regional, foi produzida uma série de publicações com danças tradicionais dos Sorábios. Em duas delas, é vista a “Anka”. Em uma excursão pela região de Niederlausitz, os pesquisadores encontraram uma bela dança sorábia chamada “Anka ty sy kołowrotna”. Em seu texto, é dito para a Ännchen não girar de forma tão desajeitada. Pobrezinha da moça.
Para preservar os passos dessa dança tradicional, os pesquisadores criaram uma coreografia representando um jogo de conquista entre rapazes e moças. Nela, fica mais clara a canção, já que muitos deles costumam provocar exatamente as damas que mais gostam.
Alguns anos depois, foi publicada uma segunda coreografia criada por um grupo de danças sorábio a partir da melodia e dos passos da primeira. Segundo os pesquisadores, foi a primeira vez que os participantes voltaram a entoar canções durante a sua realização, como era de costume naquela região. Para isso, foi registrada uma segunda estrofe. Nela, é dito que, na verdade, é o “Hanko” (Hannes) que gira desajeitado. Nada mais justo em uma provocação, não é?
Mas como essa dança de Niederlausitz chegou à Pomerânia? Na verdade, ela não chegou. Até o momento, não é conhecido nenhum registro pomerano que faça alguma menção a uma Volkstanz chamada Anka. Possivelmente, por ter ficado muito conhecida em uma encenação sobre os costumes e as tradições na Festa da Colheita na Pomerânia, coreografada por Eike Haenel, ela acabou sendo associada com a região.
Agora, já sabemos de onde vem essa jovem moça. Anka e Hanko (Anna e Hannes, em alemão) são jovens sorábios da região de Lausitz. A propósito: recentemente, uma versão semelhante à original da “Anka” foi publicada. Essa ação teve por objetivo tornar na região as danças tradicionais novamente populares. Com certeza, um belo projeto!
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja https://youtu.be/eTqZ6NgFkds e https://youtu.be/5c-GMaDBnNs
22/04 - Rediwa
Rediwa é a dança dos turcos-suábios de língua alemã na Hungria?
Para um brasileiro que olha a história das comunidades de língua alemã na Europa vai achar algumas informações muito confusas. Um exemplo disso é o caso da Turquia Suábia, de onde vem a dança Rediwa. Para explicar um pouco essa realidade o DGV - Deutsche Gesellschaft für Volkstanz e. V. publicou um artigo sobre este tema.
No século XVIII houve no sul da Alemanha colheitas fracassadas, o que gerou uma inflação gigantesca e faliu muitas famílias, obrigando-as a migrarem. Mas para onde? No mesmo período a Hungria e o Banat - que hoje estaria também em parte na Sérvia e Romênia - haviam passado por guerras com os turcos, reduzindo a população. Assim, cerca de 400.000 alemães viram nessas áreas do leste europeu uma solução aos seus problemas.
Muitos desses migrantes escolheram o rio Danúbio como caminho às novas terras. Segundo Bernward Wagner, embora apenas alguns tenham vindo da área conhecida como Suábia, todos os imigrantes de origem alemã foram chamados pelos húngaros como suábios - Schwaben. Neste contexto popularizou-se o nome “Suábios do Danúbio”. Foi resultado desse movimento populacional o “Schwäbische Türkei”, a maior “ilha” de pessoas de língua alemã dentro da Hungria.
Para os Donauschwaben foi um período muito difícil. Para contextualizar essa realidade uma velha rima tratava das gerações de alemães na região: “A primeira tem morte, / a segunda sofre necessidades, / apenas a terceira tem pão”. Demorou, contudo essas populações prosperaram. E o tempo não apagou da memória dessas famílias o idioma materno, suas músicas e danças.
O pesquisador Karl Horak registrou várias coreografias da Turquia Suábia em sua publicação “Deutsche Volkstänze aus dem Donauraum”, deixando-as disponíveis hoje para o grande público. Ainda na atualidade os descendentes desses suábios do Danúbio que voltaram muitas gerações depois para a Alemanha, mantém e realizam danças típicas, como a Rediwa, preservando vivas as lembranças culturais dessa história.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também a Rediwa em https://www.youtube.com/watch?v=iNv5OnNK2-s
21/04 - Deutscher Umgang
A “Deutscher Umgang” é uma dança cantada ou um canto dançado?
Em muitas etnias é comum que os participantes de uma dança típica cantem simultaneamente à execução de uma coreografia. Isso pode ser visto com frequência, por exemplo, junto aos portugueses, poloneses, búlgaros, entre outros. No caso da população de língua alemã, essa característica aparece pouco entre as Volkstänze dos adultos. Assim, pode-se dizer que a “Deutscher Umgang” pertence a duas minorias, mesmo que não incomuns: é cantada pelos dançarinos e ainda tem uma formação de trio - Triollet -, com um rapaz e duas moças.
Mesmo que em algumas versões da letra haja explícita citação ao Steiermark e à Linz, não se tem clareza sobre a origem da melodia. É sabido, por exemplo, que dependendo de onde a música é cantada a comunidade troca o nome da região e cidade contida na rima. De toda forma, existe um certo consenso de que ela é austríaca, por mais que também tenha sido vista em regiões da antiga Boêmia.
O nome “Deutscher Umgang” é curioso por si só: quer dizer “o modo alemão de lidar com alguma coisa” ou o “manuseio alemão”. Neste caso, as rimas brincam com as percepções do jovem do campo e sua reafirmação como camponês, quando ele vê a fonte de água, trata da dama do vilarejo, coloca flores no chapéu, entre outras. Se observa que o termo “Deutscher” não faz relação com o cidadão da Alemanha e sim de uma pessoa de idioma alemão.
A coreografia teria sido criada bastante tempo depois da música, provavelmente por Hermann Derschmidt em 1925, em Klaffer, nas proximidades de Ulrichsberg, na Alta Áustria. Um dado interessante é que ele escreveu um artigo intitulado “Über Singtänze und Tanzlieder in Oberösterreich”, exatamente discutindo questões ligadas a cantos dançados e danças cantadas. Não aparenta haver um motivo específico para que as figuras sejam executadas em trio, ainda mais que na letra o cantor trata de uma única moça. Ou será que ele estava “cantando” outras meninas? A resposta fica no imaginário de cada um.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja uma versão da dança em https://youtu.be/eISGeksbkMo
20/04 - Jämtpolska
A Jämtpolska é uma dança sueca ou polonesa?
A Polônia, em polonês, se chama “Polska”. Seria, então, Jämtpolska uma dança polonesa? Vamos conferir!
“Polska” também é o nome dado a uma família de formas de música e dança compartilhadas pelos países nórdicos, entre eles, a Suécia. Como sugerido pelo nome, as raízes da “polska” são frequentemente rastreadas até a influência da corte polonesa nos países do norte durante o início do século XVII. Até hoje, esse idioma eslavo é chamado de “polska” em sueco.
Alguns pesquisadores contestam essa origem e acreditam que algumas músicas mais antigas possam ter evoluído para a “polska”, recebendo também influências estrangeiras, especialmente das danças da corte, quando começaram a se infiltrar na classe média e nas comunidades rurais, como é o caso da Polonaise.
Na Suécia, a tradição da música “polska” é contínua, com melodias e estilos transmitidos por famílias, parentes e vizinhos, remontando a algumas centenas de anos. Além disso, ao longo dos séculos XIX e XX, uma série de pesquisadores viajou pelo país transcrevendo e anotando melodias. Em sua maioria, as danças foram coletadas junto a dançarinos mais velhos - em alguns casos, bastante idosos - que aprenderam-nas de parentes próximos ou de outras pessoas de uma geração mais antiga.
Foi o caso da Jämtpolska, ou, como ela também é conhecida “Polska från Ramsele”. O casal Inger e Göran Karlholm descreveram e documentaram essa dança na localidade sueca de Ramsele em 3 de julho de 1971. Eles aprenderam a coreografia com Elvina Vik, nascida em 1901, e Folke Nygren, em 1893, ambos no mesmo local.
Os Karlholms foram responsáveis pela pesquisa e pelo registro de muitas músicas e coreografias nas províncias suecas de Härjedalen, Jämtland e Ångermanland. Seu trabalho foi reconhecido no país por preservarem as antigas danças tradicionais para a posteridade.
Jämtpolska nada mais é do que a “polska” da província de Jämtland e o nome “Polska från Ramsele” indica que é a “polska” da localidade de Ramsele. Com isso, podemos afirmar que ela é sim uma dança originalmente sueca.
19/04 - Misirlou
Misirlou é uma dança grega que não é uma dança grega?
A história da canção Misirlou é tão antiga quanto a dos povos que habitam as costas do Mar Mediterrâneo, chegando a se perder no tempo. Provavelmente, ela é uma música típica, já que o autor nunca foi identificado. Sua melodia oriental é popular há tanto tempo e entre tantos povos que muitas pessoas do Marrocos ao Iraque afirmam que ela é tradicional de seu país.
A palavra “Misirlou” vem de “Misr”, termo árabe para “Egito”. Em turco, Egito se torna Misir. Ao adicionarmos o sufixo “li”, a palavra se torna Misirli, significando “do Egito” ou “egípcio”. Já “Misirlou” é a forma feminina, ou seja, é um termo turco para a expressão “mulher egípcia”.
Em 1919, o famoso compositor e cantor egípcio Sayed Darwish gravou a canção “Bint Misir” (garota egípcia), mas essa gravação foi perdida e há um debate se ela tem a mesma melodia de Misirlou.
A mais antiga gravação sobrevivente de Misirlou é uma versão de 1927 de Tetos Demetriades, feita em Nova York para o mercado de imigrantes gregos. A gravação foi concebida para acompanhar “tsiftetelli”, uma forma de dança do ventre grega bastante recatada. Com versões em vários idiomas, a canção fala da bela moça do Egito, exaltando sua beleza exótica, mágica e incomparável.
Mas como essa canção virou uma dança típica grega, que, na verdade, não é uma dança típica grega?
No ano de 1945, período em que era muito difícil de se conseguir músicas gregas nos Estados Unidos, a greco-americana Patricia Mandros percebeu que a música “Misirlou” serviria também para a execução da dança grega “Haniotikos” (Kritikos Syrtos), da Ilha de Creta.
A partir de então, essa dança “grega” tornou-se muito popular em todo o mundo e acordou-se chamá-la de Misirlou para não confundir com a dança original “Haniotikos”. Enquanto que, na Grécia, ela ainda é pensada apenas como música para dança do ventre “tsiftetelli”.
Mais recentemente, nos anos 90, a música Misirlou voltou a ter grande destaque no filme Pulp Fiction de Quentin Tarantino, na versão do americano Dick Dale.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e ouça https://youtu.be/LW6qGy3RtwY , veja https://youtu.be/H_JS5rP_0Ag e olhe https://youtu.be/pr8jyn6IBlE
18/04 - Schönborner
Schönborner é a dança do salteador Friedrich?
Schönborn é o nome de uma localidade na Baixa Silésia, região outrora alemã, mas que hoje está localizada em território polonês. Sabe-se que em Liegnitz, que fica próxima a esse lugarejo, foi registrada uma dança com o nome de “Schönborner”. Possivelmente, ela tenha origem naquele local homônimo e acabou ficando conhecida em todo a Niederschlesien.
Não apenas essa dança do círculo Liegnitz ficou popular na Baixa Silésia, mas também suas histórias. Entre elas, está aquela de um salteador muito cruel conhecido como “Der schwarze Friedrich”. Conta a história que ele era muito temido em toda a região. Grandes prêmios foram oferecidos por sua cabeça, mas ninguém conseguiu encontrar seu paradeiro.
Eis que Friedrich raptou uma jovem moça chamada Anna. Assim que chegou à caverna do ladrão, ela foi obrigada a prometer que nunca deixaria o local sem seu consentimento. Caso contrário, o assaltante mataria seus pais.
Um dia, o bandoleiro precisou fazer uma viagem para a “Böhmerland”. Era a oportunidade perfeita para a moça. Ela criou coragem e foi em direção à cidade. Para lembrar o caminho de volta, foi espalhando ervilhas por onde passava. No trajeto, ela avistou as torres da igreja de São Pedro e São Paulo em Liegnitz e seguiu em sua direção. Ao chegar lá, Anna foi até o altar e anunciou: “Ouçam todos! Quem quiser saber onde fica o esconderijo do Friedrich, vá para onde eu for!”.
Seguindo o caminho marcado pelas ervilhas, Anna foi acompanhada por uma multidão. Ao chegar em frente à caverna, lá estava Friedrich. “É ele!”, ela gritou. Nisso, a multidão agarrou o salteador e, triunfalmente, marcharam em direção a Liegnitz, onde ele foi julgado e executado no ano de 1661. Ela estava salva e pode voltar em segurança para os seus pais em sua aldeia natal.
Seria Schönborn o vilarejo onde Anna vivia com sua família? Ou os passos rápidos da dança representariam a sua fuga? Infelizmente, não se sabe. Contudo, após o incidente, todos os moradores da região puderam voltar a viver tranquilamente.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e essa e outras danças tradicionais.
16/04 - Kronentanz
Existiu uma Kronentanz antiga e uma nova?
Algumas temáticas estão muito vivas dentro dos grupos de danças típicas, como do moínho, da colheita, do tear, do casamento, entre outras, geralmente ligadas ao dia a dia do camponês. Contudo, dentre as coreografias com arcos uma lembra a nobreza: a “Kronentanz”, a Dança da Coroa.
Contam que é tradição na Baviera e regiões alpinas da Áustria e norte da Itália haver danças com arcos, sendo muitos deles ornamentados com ramos verdes ou mesmo flores. Seria um hábito muito antigo, tendo registros dele já no século XV. Esse costume teria relação com os tanoeiros, das guildas de profissionais fazedores de barris, que teriam conhecimento técnico para arquear as varas de madeira. São exemplos conhecidos dessa arte uma variante da “Reifentanz”, de 1412 em Bautzen, e a popular “Schäfflertanz”, datada de 1463 em Munique.
E a coroa? Pesquisadores relatam que nas coreografias com arcos se tornou comum moldarem a Krone. Assim, há relatos de “Kronentänze” antigas, todavia suas descrições não sobreviveram. Contudo, em 14 de agosto de 1927, em Hohenpeissenberg, houve a estreia de uma nova versão: montada por Sepp Pfleger, da Volkstrachtenverein Peißenberg, que teve a ideia dela em 1922. Ela não só tinha a figura que se parecia com esse símbolo monárquico, mas também inovou com a presença de mulheres na dança: é bom lembrar que esse tipo de dança só era feita por homens, podendo estar associada à Schuhplattler.
Hoje essa dança faz parte de muitos festivais culturais da Baviera, sendo do gosto dos Trachtlers, pessoas que preservam as indumentárias tradicionais. A versão da “Kronentanz” do Sepp Pfleger segue presente em manuais de danças de associações de trajados da Baviera. Também serviu de base para a criação de muitas novas coreografias com arcos, não necessariamente formando a figura da coroa. São antigos costumes que se moldam às novas realidades.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja uma das variantes da Kronentanz em https://www.youtube.com/watch?v=JaP-gSFRe4I
15/04 - Eldenaer Kegel / Greifswalder Kegel
A dança Kegel é de Eldena ou de Greifswald?
Onde e como o Bolão teve início, é difícil precisar. Porém, existem indícios de que, há séculos, o homem conhece jogos relacionados a derrubar pinos com uma bola.
No final do século XIX, mais precisamente em 1885, foi criada em Dresden a Federação de Bolão da Alemanha, reunindo as diferentes Sociedades e Associações do esporte. A partir de então, elas começaram a surgir na Alemanha como cogumelos nascendo no chão.
Na Pomerânia, não podia ser diferente. No ano de 1889, em Greifswald, foi criado o clube “Emin Pascha”. Desde então, o jogo de bolão ocorreu de forma organizada na região, não mais apenas como hobby ou passatempo.
Já na localidade vizinha de Eldena, haviam registros do jogo de bolão como hobby desde 1883. Porém, apenas em 1921 foi fundado o “Kegelklub Eldena”. Posteriormente, na localidade, foi construída uma pista oficial, seguindo as orientações da Federação Nacional de Bolão, o que movimentou intensamente a prática do esporte em Eldena.
E qual a relação desses clubes com as danças de tipo “Kegel”? Bem, diretamente, não tem nenhuma. Mesmo que as coreografias de tipo “Kegel” tenham ligação com o bolão, em nada dialogam com o “Emin Pascha” e o “Kegelklub Eldena”. Contudo, percebe-se que a prática do bolão é uma tradição tanto em Eldena quanto em Greifswald. Da mesma forma, a “Eldenaer Kegel” - o Kegel de Eldena - e a “Greifswalder Kegel” - o Kegel de Greifswald -, também o são. Na verdade, são a mesma dança, sendo difícil de identificar em qual das duas localidades ela se originou.
Há alguns relatos que indicam que essa Kegel possa ter surgido primeiro em Eldena, pois há, inclusive, uma canção para ela que fala “Eldena, Eldena é uma bela cidadezinha. Eldena, Eldena é uma bela cidade.” E, possivelmente, estudantes universitários que estudavam em Greifswald podem ter levado a dança para lá.
Da mesma forma que dividem a tradição no esporte, Eldena e Greifswald também dividem sua dança mais tradicional, a Kegel.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também os vídeos https://youtu.be/iaUftKcaLKY e https://youtu.be/jQ3L_KI1nNg
14/04 - All American Promenade
“All American Promenade” é uma dança norte-americana?
Quem não conhece o verso “She'll be coming round the mountain when she comes”? Bom, para quem não é simpático à língua inglesa pode ter ouvido “Ela vem pela montanha, ela vem”. Trata-se de uma canção popular norte-americana que frequentemente está no potpourri de melodias da dança “All American Promenade”. Assim, a coreografia dela é estadunidense?
Nem toda sequência de figuras é criada no mesmo local da música. Da mesma forma, uma mesma coreografia pode se encaixar em uma porção de melodias. Também, muitas versões de danças podem surgir por transmissão oral, ao estilo “telefone sem fio”. A grande dificuldade, nesses três casos, é conseguir identificar a “semente”: qual a origem de tudo?
Vejamos a “All American Promenade”. Sua coreografia está ligada a outras, como “Gärdeby Gånglåt”, “Tripping Upstairs”, “Hamburger Marsch”, “The Gay Gordons Two Step”, “Progressive Gay Gourdons”, “La Chapelloise” e “Aapje”. Mapear qual veio primeiro - ou se nenhuma delas - é um desafio. Durante o século XX a base dessa dança foi vista acompanhando diferentes melodias na Europa e na América do Norte, cantadas ou não. Nelas o primeiro conjunto de passos é praticamente o mesmo, podendo na segunda parte trocar de par.
Por mais que as variantes dos EUA tenham se espalhado pelo mundo, é mais provável que a base coreográfica venha das jig da Irlanda ou Grã-Bretanha, onde há registros mais antigos dela. Existem hipóteses que a ligue à França ou a países nórdicos. Assim, não parece estranho que, neste contexto, danças similares sejam vistas com releituras de músicas celtas.
E relembrando a melodia da “Ela vem pela montanha”, por mais que pareça de origem infantil, ela é um cantico vindo dos trabalhadores ferroviários e estes, por sua vez, se inspiraram na “When the Chariot Comes”, música cristã ligada ao movimento negro dos EUA. Como se pode ver, mesmo que algo se popularize de uma forma ou um local, ela pode ter sua origem de outra bem diferente. É a riqueza da metamorfose cultural.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também uma variante da “Gay Gordon” em https://www.youtube.com/watch?v=5dQvi7Dzdts
13/04 - Saarländischer Bergmannstanz
O que representa a “Saarländischer Bergmannstanz”?
Durante os séculos XIX e XX, a mineração foi uma das principais atividades econômicas do estado do Saarland. Há cerca de dez anos, a última mina de carvão foi desativada, deixando para trás um legado que vai muito além da extração mineral, o que marcou fortemente a vida cultural dessas localidades.
Nas festas dos mineiros do Saarland, era muito comum a “Saarländischer Bergmannstanz”. Para realizar essa dança, o tradicional da mineração: o martelo e a picareta cruzados. O casaco trazia botões dourados: seis em cada manga, seis na altura do peito e cinco para abotoar. Ao todo, 29 botões, simbolizando a idade de Santa Bárbara, padroeira dos mineradores.
As “Bergmannstänze” costumam trazer elementos oriundos do dia a dia dessa profissão. É o caso, por exemplo, dos passos chamados “Steigeschritt”, representando o caminhar com os pés mais levantados, como se estivessem seguindo numa mina com água no chão, e “Kniewippschritt” que demonstra um andar quase de joelhos. Além disso, em alguns momentos, os pares dançam curvados como se estivessem passando por algum túnel estreito da mina.
Na entrada das minas, é comum encontrar a expressão “Glück auf!”, Boa sorte!. Era com essa expressão que cada mineiro entrava para seu dia de trabalho. A dança também não poderia começar de outro jeito. A canção que a acompanha inicia exatamente com essa expressão: “Glück auf!”, e nos fala que os mineiros são pessoas boas a procura de ouro e de prata e, lá fora, suas amadas estão a espera deles e que, durante o trabalho, eles não deixam de pensar nelas.
E qual a relação dessa dança com o Brasil?
Muitas famílias do Saarland migraram para o Brasil, principalmente de localidades próximas ao município de Sankt Wendel. Apesar de não existirem registros, é possível que algumas dessas famílias tenham ouvido falar sobre as minas da região e até mesmo possam ter participado de alguma festividade dos mineiros e, quem sabe, até ter visto uma de suas danças.
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12/04 - Das Lied vom Wecken
“Das Lied vom Wecken” é uma canção de ninar ou de acordar?
Você lembra de canções da sua infância? Com certeza todos guardam na memória alguma melodia marcante. Seja uma música de ninar, de uma brincadeira de roda ou ainda uma que aprendeu com os amigos na escola. Muitas vezes, elas estão ligadas a sentimentos intensos e trazem boas recordações.
As canções infantis são geralmente marcadas por um texto fácil, com rimas e repetições, tendo melodia contagiante. Esse tipo de música é conhecida em alemão como “Ohrwurm”, que atua como aquele bichinho que não sai de nosso ouvido!
O curioso aqui é que não temos uma “música de ninar”, mas sim uma “canção de acordar”. Isso mesmo! “Das Lied vom Wecken” é a canção de acordar. Nela, todos os dias, os pais tentam despertar o seu pequeno ou a sua pequena. Contudo não é uma tarefa fácil. Para isso, quando eles forem para o mercado da cidade, querem comprar alguns objetos que façam barulho para tirar a criança diariamente do sono. Entre esses objetos, estão o galo, o sininho, o despertador, o relógio cuco, a ovelhinha e o rádio. E não é que os pais esqueceram de levar dinheiro junto no mercado e, por fim, tiveram que fazer todos os sons sozinhos para despertá-la?
Facilmente, a canção virou também uma brincadeira de roda e, por que não, uma dança? Nela, além de cantar, podemos imitar cada um dos objetos e, ao fim, com certeza, estarão todos bem acordados prontos para começar o dia!
E você? Lembrou de alguma canção da sua infância? Mande para nós um comentário!
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11/04 - Pankower Dreier
Pankower Dreier: uma dança de família?
Ao falarmos da dança “Pankower Dreier”, podemos discorrer várias linhas sobre a diversidade e a beleza do bairro de Pankow, ao norte de Berlim, sem esquecer os fatos históricos que remetem à região. Podemos citar também a sua origem eslava, o que é possível verificar pelo seu nome, através do sufixo “-ow”.
Mas por trás desta dança, está a história de uma família. É no distrito de Pankow que residem Horst e Edith Feurich, assim como Oliver e Claudia Schier, nascida Feurich. Os quatro têm uma longa história com as Volkstänze.
Horst dança desde jovem. Ele foi e é responsável pela coordenação de diferentes grupos. Foi no meio dos amantes das Volkstänze que ele conheceu sua esposa Edith há quase 50 anos. Mas não bastou o hobby ser compartilhado pelo casal: passou para a geração seguinte. Desde a tenra infância a filha Claudia os acompanha nesta paixão. E não ficou por aí, já que quando adulta influenciou o esposo Oliver a seguir os mesmos passos (e olha que ele gostava mais era das danças de salão).
Hoje, esses quatro moradores de Pankow dançam no Berliner Volkstanzkreis (falamos sobre o grupo na publicação de 07.03.2023, da “Schönholzer Mazurka”). Este foi fundado em 1946 por Erich Krause e que Horst coordena há vários anos com sucesso.
A música é muito importante para essa família e, por isso, tiveram a ideia de eles mesmos compor e coreografar algumas danças. Foi assim que surgiu seu primeiro CD, o “Pankower Tanzreigen”. Especialmente a “Pankower Dreier” teve a música composta por Claudia Schier e a coreografia escrita por seu pai Horst Feurich, em homenagem ao distrito onde moram.
Conforme eles mesmo dizem: “Esperamos sinceramente que essas danças sejam apreciadas e distribuídas em muitos grupos (não apenas em Berlim)”. Quem diria que suas danças chegariam até o Brasil!
Portanto: Viel Spaß beim Tanzen!
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10/04 - Zigeunerpolka
A “Zigeunerpolka” é a Polca dos Ciganos?
No passar da história muitas comunidades foram marginalizadas. Os romani são parte deles. Também conhecidos por “ciganos”, esse termo não é reconhecido como sinônimo pelo povo “roma” e “sinti”, pois ele é pejorativo, com sentido negativo. Não é diferente com a expressão alemã “Zigeuner”. Mas se eles eram mal vistos, por qual motivo há tantas músicas que os destacam positivamente?
Dentro das comunidades de língua alemã sobrevivem ainda hoje muitas melodias associadas aos “roma”, como a “Zigeuner Lied”, “Spiel zigeuner”, “Lustig ist das Zigeunerleben”, “Die Zigeunerfrieda”, “Er War Nur Ein Armer Zigeuner”, “Zigeunerpolka”, entre outras. E um dado interessante: mesmo havendo preconceito com seus membros, nessas músicas eles foram muitas vezes retratados como pessoas alegres e livres. Uma das hipóteses para isso é o saudosismo, na segunda metade do século XIX e início do XX, de querer voltar ao período pré-industrial, antes das fábricas tomarem conta das cidades. Assim, os “ciganos”, nômades e desvinculados das regras locais, eram vistos como uma fuga da pressão e do trabalho repetitivo. De toda forma, isso não os poupava de serem maltratados.
A “Zigeunerpolka” é atribuída à antiga Boêmia, local de origem de muitos romani. Não por acaso, em alguns lugares “boêmio” era sinônimo de “cigano”. Mas essa dança não tem origem roma: ela faz parte das “Klatschtänze” dos alemães dos Sudetos. Provavelmente por ter em sua terceira parte a troca de pares de modo descontraído, saindo do seu local para ir ao encontro de outros dançarinos, ela acabou sendo comparada à vida nômade. Suas variantes receberam distintos nomes, como, por exemplo, “Platschletanz” ou “Der Plotschtanz” - a “Dança das Palmas”.
Segundo a revista Spiegel, na atualidade residem na Europa cerca de 12 milhões de roma e sinti. No pós-guerra muitos vieram para atender às ofertas de trabalho, devido à escassez de mão de obra. Na Alemanha eles têm direito por lei de "preservar suas tradições e sua herança cultural", por mais que ainda sintam-se discriminados.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e https://www.youtube.com/watch?v=I8ZNbAhLKuA
09/04 - Sorbische Osterbräuche
Seria a “Sorbische Osterbräuche” a dança da Páscoa?
A “Sorbische Osterbräuche” reúne em sua coreografia diferentes danças e costumes da Páscoa do povo Sorábio, organizados em três grandes momentos.
No primeiro, é representada a antiga e bela tradição de enfeitar os ovos de Páscoa, o “Ostereier verzieren”. Hoje, diversas regiões ainda preservam esse costume. Viu-se no ovo o símbolo da origem de toda a vida na Terra. É com satisfação que os Sorábios podem afirmar que a decoração deles na Páscoa está consolidada em seu povo, enraizada e bastante difundida. Com habilidade incomum e imaginação vívida, crianças e adultos criam objetos artísticos com a ajuda de ornamentos, símbolos e cores antigas.
Já o segundo momento representa a busca da água da Páscoa: “Osterwasserholen”. Não apenas entre os Sorábios, mas em várias outras regiões, as meninas vão ao rio ou à lagoa da aldeia antes do nascer do sol e enchem uma jarra com água. Esse líquido tem poderes mágicos: traz beleza e saúde, protege contra doenças e não estraga. No entanto, não se pode fazer barulho para buscar a água de Páscoa: deve-se ir e voltar em silêncio, senão ela perderá seu poder miraculoso. Porém, os rapazes da localidade esperam escondidos equipados com chocalhos e latas, prontos para assustar as moças.
Por fim, o terceiro momento apresenta a brincadeira chamada “Waleien”. Em muitas aldeias, é cavado um buraco de até 1,5 m de largura por cerca de 3 m de comprimento, com aproximadamente 30 a 40 cm de profundidade. Um jogador coloca seu ovo de Páscoa na cova. O seguinte deve tentar acertar o ovo que está lá, jogando o seu próprio. Se ele não acertar, os dois ovos ficam na cova e é a vez do próximo jogador. Mas, se ele acertar, pode ficar com os dois, ou também ganha uma moeda ou um doce.
De geração em geração, esses costumes são passados de pai para filho em todas as comunidades de Sorábios nos estados de Brandemburgo e da Saxônia, no leste da Alemanha. E, através desta coreografia, eles apresentam de forma dinâmica e cativante detalhes tão ricos sobre seus costumes e suas tradições.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz, https://youtu.be/s6EyOa4xmro e https://youtu.be/AR7_edsX0_Q .
08/04 - La Varsovienne
Seria a La Varsovienne a dança da sogra?
Na cultura popular, a sogra é vista muitas vezes como um peso a ser carregado. Com isso, a palavra acabou adquirindo sentido pejorativo. Há uma frase em alemão que diz: “Die Schwiegermutter im Haus macht den Frieden gar aus” / “ter a sogra em casa, acaba de vez com a paz”.
Mas o que a pobrezinha fez dessa vez para estar aqui? Para entender como a sogra veio parar nessa história, precisamos voltar para a primeira metade do século XIX, quando a mazurca chegou aos salões de bailes franceses vinda da Polônia. Foi após esse período que o ritmo ganhou o mundo, recebendo também suas variações regionais por onde passava.
Em todas as regiões, nas quais essa dança se enraizou, ela foi enriquecida com elementos coreográficos tradicionais locais. A versão de “La Varsovienne” encontrada na Alsácia é dançada em pares e é seguida por uma valsa lenta contrastante. Aqui, foram inventados também alguns versos para auxiliar na marcação do ritmo do passo da mazurca.
É aí que a sogra entra nessa história. Os moradores de Robertsau, ao norte de Estrasburgo, foram muito criativos e, no dialeto alemão local, criaram versos reclamando da sogra que não conseguia mais fazer bons bolinhos de tutano. E, caso soubessem que a velha viria a morrer, poderiam ter esperança de voltar a ter bons “Màrikknopfle”.
Parece absurda a relação entre esse texto e uma dança tão bonita quanto “La Varsovienne”, mas precisamos lembrar de que os versos nada mais são do que apenas uma ajuda para fazer a marcação da mazurka. Ou seja, não estão reclamando da sogra, estão apenas treinando esse passo. Boa estratégia, não é?
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja também o Groupe d'Arts et Traditions Populaires de Kuttolsheim https://youtu.be/ULjT5UvD6bg e o L'ensemble de traditions populaires Barberousse https://youtu.be/MXdUEUfP1kE com essa dança.
07/04 - Schwerttanz
Na Dança das Espadas, Schwerttanz, o cavaleiro ressuscita?
Se alguém fizesse rituais de ressurreição na Alemanha cristianizada, provavelmente pararia na fogueira ou seria excomungado.Na verdade, muitas “Schwerttanz” trazem, sim, representações da subida dos falecidos ao céu, como a ascensão do espírito merecedor. Mas de quando vem essa tradição? É uma coreografia antiga?
É muito difícil descrever uma “regra geral” para as danças de espadas. Majoritariamente masculinas, há muitos registros sobre elas em textos, imagens e ícones medievais. Estudiosos das Volkstänze apontam que elas se pareciam muito com cultos ou cerimônias, não sendo teatralizações de lutas ou treinos. E grande parte das Schwerttänze da atualidade viriam de reconstruções de relatos do passado, o que não garantiria total fidelidade coreográfica, sonora e simbólica.
Podem ter a participação de bufões, ora interpretando os espectadores - que perplexos e inocentes viam o “ritual”-; ora fazendo brincadeiras e sátiras junto ao público. Na Floresta da Boêmia, por exemplo, o Edlesbluat, como era chamado, usava roupas coloridas, chapéu pontudo, máscara com uma “larva” no nariz e, representando a espada dos demais participantes, uma grande linguiça. Nas versões suábias, pode se ver também esses personagens com máscaras de madeira, esculpidas à mão, vindas de tradições milenares. Outras fontes ligam esses palhaços à forma irônica que interpretavam os mouriscos.
De toda forma, mesmo que com diferentes origens e estilos, a Schwerttanz chama a atenção tanto pelas espadas como, na maior parte das coreografias, pela formação da estrela, feita do cruzamento das peças de metal. É com ela que o personagem “falecido” é erguido, como que seu espírito valente subisse ao céu.
O que, em um primeiro momento, poderia ser interpretado como violência armada, mostra uma comunidade cheia de esperança e mantenedora de seus valores. Mais do que palmas dos espectadores, os muitos intérpretes desta dança buscam reformar antigas tradições e dar visibilidade às culturas locais.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja uma Schwerttanz em https://www.youtube.com/watch?v=jO2Dg2aljgc
06/04 - Sauerländer Quadrille
Prontos para a Sauerländer Quadrille? Ou seria Neheimer Quadrille?
Internacionalmente, a “Quadrilha do Sauerland” é bastante conhecida, especialmente de número 4 e 5. Informações apontam que elas são dançadas também por grupos no Brasil e nos Estados Unidos. Por muito tempo, acreditava-se, inclusive, que existiam registros apenas da quarta e da quinta partes. Contudo, em Neheim, local de origem desta dança, podemos conhecê-la completa.
Lá, a propósito, ela é chamada de “Neheimer Quadrille”. É importante observar que esta é uma localidade dentro de Arnsberg, na área do Sauerland, no estado de Nordrhein-Westfalen. Quando ela foi registrada no livro de danças da Westfália, ela foi denominada “Sauerländer Quadrille”, por ser conhecida em toda esta região. Porém, os moradores de Neheim a reivindicaram, pois é uma quadrilha de lá e, por isso, que mantivesse o nome do local de origem.
Antigamente, a “Quadrilha de Neheim”, em suas cinco partes, era elemento presente nas festas das Sociedades de Tiro locais. Geralmente, os pares se encontravam no salão da prefeitura para dançá-la. Na época, as músicas modernas não eram muito bem vindas. Em seu lugar, eram frequentemente feitos o Rheinländer, a Polca, a Valsa e, claro, a “Quadrilha de Neheim”.
Após a Segunda Guerra Mundial, no ano de 1955, a juventude da Sociedade de Tiro de Neheim ensaiou essa tradicional quadrilha. Assim, no dia de sua festa, a banda tocou a música ao vivo e os jovens dançaram-na. A empolgação foi tão grande que, desde então, ela voltou a fazer parte da programação oficial do evento.
Atualmente, as Sociedades de Tiro promovem ensaios específicos para a execução da “Neheimer Quadrille” em seu evento. Para isso, são feitos cartazes convidando as pessoas para relembrá-la ou aprendê-la e, assim, em conjunto, executarem-na com perfeição. A preparação inicia já muitos meses antes, proporcionando a todos muita alegria e diversão.
E então? Vamos nos preparar para a Neheimer Quadrille?
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e conheça as várias partes da Neheimer Quadrille em https://www.youtube.com/watch?v=9mRe_k0nXQE ou veja a de nº. 5 em https://www.youtube.com/watch?v=3Mjuznne9Vs
05/04 - 44 Hühner und 1 Hahn
Na “44 Hühner und 1 Hahn”, tem o número de aves de um galinheiro?
Ter um galinheiro não é coisa do passado. Com a vinda da Pandemia do Covid19, que teve força no ocidente entre 2020 e 2022, muitos alemães buscando a autossuficiência alimentar passaram a criar frangos em casa. Ovos e carne são os dois pontos que mais interessam aos proprietários. Mas diferente de antigamente, os donos de hoje querem facilidades e comodidade, o que não combina com a avicultura. De toda forma, para quem quer ter seu criadouro caseiro, qual a proporção de galinhas para um galo?
Há uma música da região de Kuhländchen, na Morávia do Norte - na Boêmia de língua alemã, atualmente República Tcheca -, que tem em sua letra uma sugestão: quarenta e quatro (44) galinhas e um (1) galo. Em dialeto ela diz “44 Hiener onn a Hohn / san mr kaner liver als mei Mon.”; em português “44 galinhas e 1 galo / ninguém me era mais querido do que meu marido” - um versinho em que se pode perguntar “quem está se comparando com quem?”.
Essa dança é um Zwiefacher, uma composição que mescla mais de um ritmo e passos, geralmente intercalando partes binárias e ternárias curtas. Na “44 Hühner und 1 Hahn” há alternância entre 3/4, para valsa, e 2/4, para o giro, tendo ainda momento com polcas. Dentro de um esquema técnico sua sequência é DDWWDDWWWWPPPPDDWWWW, sendo os compassos “D” para Dreher, “W” para Walzer e “P” para Polka.
O que não se pode ter em um galinheiro são dois ou mais galos: eles brigam e podem se matar. Da mesma forma, provavelmente ter dois maridos em casa não parece uma opção muito amistosa… por mais que no ocidente um harém de 44 esposas também não - mesmo que fosse o sonho de alguns machões. Segundo fontes especializadas, uma boa proporção para ter alto índice de ovos “galados” é de um macho para doze fêmeas. De toda forma, nem sempre o objetivo é ter todos fecundados, tendo vários estéreis para consumo: uns fritos podem cair bem.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja outras danças do projeto. Veja essa música em https://www.youtube.com/watch?v=n9DA_gJRHYY
04/04 - Walzquadrille
Walzquadrille é um patrimônio cultural de Siebenbürgen?
Sobre a dança em Siebenbürgen, a professora Marie Luise Schuster escreveu o seguinte:
“é sempre a expressão da vitalidade. Ela é a alegria de estar presente. Muito antes de o homem aprender a formar palavras, ele dançou ao ritmo de sua natureza. Ele bateu os pés no chão, manifestando seu desprazer; ele elevou sua alegria aos céus de braços abertos; ele se humilhou, agachando-se pequeno diante da onipotência desconhecida; e, após uma longa seca, ajoelhou-se e implorou a misericórdia de uma chuva redentora.
Os indivíduos formam pares e os pares formam uma comunidade, na qual todos podem estar presentes. A forma e o conteúdo da dança podem mudar com o tempo, mas os princípios básicos permanecem.
Com o tempo, a dança popular desenvolveu-se em cada comunidade. Ela é ilimitada e livre, não sujeita a nenhuma outra lei senão a uma: estar viva no povo, representar o que todos sentem, apresentar o que é próprio do povo.”
Com essas palavras, a professora Marie Luise descreve a importância da dança para a identidade dos Siebenbürger Sachsen na Romênia. Ao mesmo tempo, suas palavras são também internacionais. Elas podem ser usadas para representar a vontade de cada indivíduo no mundo que vive.
“Walzquadrille” é uma dessas danças. A “quadrilha da valsa” é encontrada tanto na Alemanha, quanto em Siebenbürgen, na Romênia. Em sua música, podemos perceber a manifestação da alegria que Marie Luise destacou no texto acima. Também pode-se observar como cada um dos elementos da roda está em harmonia com os demais para que o movimento possa ser fluido e constante.
Quer saber mais? Veja o vídeo com o Siebenbürgische Jugendtanzgruppe Heilbronn em https://youtu.be/kFAmwpMqd24 .
03/04 - Ditlumdei
Teria a dança “Ditlumdei” origem irlandesa?
As canções da Westfália costumam trazer rimas divertidas que, muitas vezes, chegam até a ser irônicas. Um exemplo disso é o canto registrado em 1767 sob o nome “Westfälischer Volkstanz”:
“Se você passar por minha amada,
diga que enviei meus cumprimentos.
Se ela perguntar como estou,
diga: sobre ambos os pés.
Se ela perguntar se estou doente,
diga que eu morri.
Se ela começar a chorar,
diga que eu virei amanhã.”
É interessante ver como o rapaz brinca com o amor de sua amada. Porém, é possível perceber que ele, na verdade, está “jogando verde para colher maduro”, como se diria em português. Ou seja, se a moça ficar comovida com sua morte, significa que o jovem é importante e que ela o ama. Então, irá visitá-la.
Contudo, há um outro fato curioso sobre essa música: textos semelhantes também foram encontrados em outras regiões de língua alemã, como no Schaumburg-Lippe - Niedersachsen -, chamada de “Ditlumdei”. Em algumas publicações mais antigas, essa dança aparece como “Schottischer Triller”, que significa “O trinado escocês”, por causa da sua composição.
Agora mais interessante é saber que na Irlanda existe uma melodia parecida com a “Westfälischer Volkstanz”, conhecida como “The Rakes of Mellow”, registrada em 1741. As duas músicas, a alemã e a irlandesa, teriam uma relação direta, já que ambas são praticamente da mesma época? Como nos faltam registros, é difícil dizer que sim ou que não.
E por ser uma dança muito difundida, poderia, então, a “Ditlumdei” ter salvo o Barão de Münchhausen? Segundo a narrativa, em sua terceira aventura marítima, quando nadava no Mar Mediterrâneo, ele teria sido engolido por um enorme peixe. Para sair de dentro dele a solução foi dançar lá dentro um “Schottischer Triller”. Parece absurdo, todavia conseguimos imaginar esse famoso mentiroso da literatura contando essa história.
Mas vamos parar por aqui, já que esta não é mais uma das aventuras do Barão.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e veja a “Ditlumdei” em https://youtu.be/08NfVzdK5ko
02/04 - Stodltürl
Na Stodltürl a porta da cidade cai?
Em algumas localidades muradas, onde fortificações protegiam a população dos invasores, era comum terem portões levadiços. Os mais utilizados eram de metal ou madeira, que eram levantados e abaixados (estilo guilhotina) para controle dos acessos públicos. Um dado interessante é que uma dança do Egerland traz informações sobre essa defesa: a Stodltürl.
Em dialeto o nome quer dizer a “Porta da Cidade” ou “Portão da Cidade”, fazendo referências a essa barreira. Era tradicional que fossem fechadas em determinados horários, antes que anoitecesse. Quem não conseguia chegar a tempo precisava encontrar uma passagem secundária, geralmente pequena, de difícil alcance e controlada por algum comerciante de prestígio - se não por guardas.
No caso da Stodltürl, uma das muitas letras da canção diz aproximadamente assim: “Corra, menina, pule, menina, o portão da cidade vai “cair” (fechar), vai “cair”. / Se você tivesse corrido um pouco mais, você teria conseguido passar”. Segundo essa versão do texto, ela “ficou de fora”. E é interessante que na coreografia também haja uma menção ao fechamento da via: ao final de cada sequência todos os participantes batem duas vezes os pés, imitando o som da queda da porta levadiça.
O Egerland fica no lado tcheco da divisa entre a atual Alemanha e a República Tcheca. Lá existia, até o final da II Guerra Mundial, um destacado comércio e comunidades de língua alemã com grande prestígio. Elas mantinham suas tradições, canções, trajes, danças e dialeto. Assim, é compreensível que tivessem muitas cidades muradas, como de costume desde o medievo, o que se refletia igualmente em suas manifestações populares.
Hoje esses portões se mantêm vivos na memória dos descendentes de alemães do Egerland, não pelas edificações antigas ou passagens de pedra, mas pela diáspora de seus habitantes e proibição de retorno. Eles foram expulsos da região após 1945 e não puderam, por décadas, voltar para lá: era como se a porta de cada cidade tivesse caído. Tristes consequências da maior guerra que o mundo já presenciou.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz e conheça essa e outras histórias.
01/04 - Buske di Remmer
Por que é preciso abrir o olho com esse “Buske di Remmer”?
Aqui, é difícil precisar o que é mais antigo, se a canção ou se a dança. Porém, o que se sabe é que ambas são longevas. Seu registro foi feito em 1691 pelo pastor Cadovius Müller na região de Ostfriesland. Em seu relato, ele nos apresenta algo muito interessante.
“Encontrei apenas uma antiga canção original da Frísia Oriental, a qual eu posso nomear como a única relíquia da antiga poesia da região. Aparentemente, não existe mais nenhuma outra canção original daqui além desta. Quão antiga ela é e quem a compôs, ninguém conseguiu me dizer. Mas todos foram unânimes em afirmar que ela era muito antiga, de tempos imemoráveis.”
Para essa única canção, os antigos Frísios Orientais também tinham uma única dança. Tanto os homens quanto as mulheres executavam sua coreografia, que exigia agilidade e vigor dos Frísios, fazendo-os até mesmo suar. Além disso, os dançarinos costumavam ser acompanhados por cantores, os quais ficavam em um círculo por fora.
Originalmente, é uma “Hirtenlied”, ou seja, uma canção de pastores. Em “Buske di Remmer”, “di Remmer”, significa “der Schäffer” - o pastor - e “Buske” é um nome próprio masculino.
Em seu texto, podemos conhecer um pouco mais de perto esse rapaz. Buske, o pastor, era um homem solteiro que estava noivo já há sete anos. E, quando esse tempo passou, ele ainda continuava só no noivado, ou seja, ele estava apenas enrolando sua amada.
As demais estrofes costumavam ser cantadas por mulheres, representando a enrolada-amada de Buske. Ela chegava a ameaçá-lo dizendo que ele a enganou e, caso ele não desse seu sim, ela morreria. Ao longo dos versos, diferentes animais são mencionados como testemunhas: o galo, o boi, o gato, o cachorro e o pombo, e a moça volta a repetir que, sem o “sim” do Buske di Remmer, ela vai acabar morrendo.
Agora, nos diga: mudou alguma coisa daquele tempo até hoje ou ainda existem “Buske di Remmer” por aí enrolando sua noiva? Você conhece alguém? Marca aí nos comentários (brincadeira!). Ou é mentira do “1º. de abril?”
Quer saber mais? Veja o vídeo do Volkstanz- und Trachtengruppe des Heimatvereins Aurich: https://youtu.be/Q8G_tu3La7k .