31/12 - Woaf
A “Woaf” é a última dança?
Assim como um fio de lã que inicia o tecido, há o momento que ele também termina. O mesmo acontece com uma sequência de danças: em algum momento ela se encerra. Segundo a tradição de muitas comunidades dos Sudetos, a última música do baile é a “Woaf”.
Por mais que o nome possa lembrar “Wolf”, que é lobo em alemão, o título não tem nenhuma relação com esse canino selvagem. O termo vem do verbo “Weben” e “Weifen”, que querem dizer “tecer”. Trata-se de mais uma coreografia que representa o movimento do tear, um tema tradicional das comunidades agrícolas, já que elas produziam seus próprios tecidos . A dança também é chamada de “Da Waf”, “Weifentanz”, “In der Jugend”, “Webertanz”, entre outros.
Sua origem é atribuída às comunidades da antiga Boêmia e Morávia, hoje no território pertencente à República Tcheca, a exemplo de Schönhengstgau e Theßtal. De toda forma, a mesma dança é amplamente difundida na Áustria. Sua coreografia tem pequenas diferenças de um local para outro, como na ordem das figuras, e ganhou versão do “Jugendbewegung” - Movimento dos Jovens Alemães.
Como acontece com outras coreografias tradicionais, essa também é acompanhada de uma canção. A letra dela diz: “pois bem, vamos ambos dançar uma alegre dança circular, gire-te, pequenina, pois tem que ser assim”, seguido de “tralala, tralalala, …”. Os próprios participantes cantam a melodia enquanto fazem as figuras, podendo intercalar partes com e sem o texto entoado.
A “Woaf” é mais um exemplo de tradição que atua como peça de um enorme quebra-cabeças cultural. Ela conta histórias, dá indícios de sabedorias do passado e congrega a comunidade, sejam jovens ou idosos, numa mesma pista de baile. E como todo o costume que está vivo, segue em movimento, chegando a outros locais, como é o caso da Baviera, onde essa dança também está se fazendo presente. Uma narrativa que constantemente recebe novos elementos a serem contados.
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30/12 - Lustiger vor dem Tisch
A “Lustiger vor dem Tisch” representa os bailes de antigamente?
Antigamente, especialmente na região de Lüneburger Heide, as pessoas costumavam se reunir nos salões das tavernas locais para dançar. Na dependência principal, era montada uma mesa para os músicos, sendo, em alguns casos, apenas uma tábua sobre dois cavaletes.
Em muitas localidades de Lüneburger Heide, para dançar, as moças vestiam trajes de linho e aventais. Os rapazes usavam calças até o joelho e uma jaqueta curta azul, frequentemente retirada após as primeiras danças. Era crucial que o rapaz convidasse sua acompanhante para a primeira dança, pois em muitos lugares era costume dançar grande parte da festa (senão a festa toda) com a ela.
Não era necessário um convite especial para as contradanças. Quando a introdução começava, o rapaz se posicionava e batia palmas, indicando que a moça deveria se aproximar para iniciar a dança. Porém, se fosse a primeira música dele, além das palmas, um aceno ou algumas palavras podiam ajudar a chamar a futura par. Às vezes, essas colocações não eram nada delicadas: “Você não está vendo que eu quero dançar com você?”
Nessas festas foi encontrada uma dança em fileiras que alegrava os dançantes: a “Lustige vörn Dische” (Alegres em frente à mesa). Os dançarinos se alinhavam em fileiras de dois pares, sendo comum que aqueles que pagavam pela música ocupassem as primeiras fileiras. O destaque desta dança era o deslocamento das linhas em direção à távola dos músicos. A primeira fila, em vez de apenas bater os pés no chão, batia os calcanhares na mesa dos músicos, pois eram os “Lustige vor dem Tisch”.
Posteriormente, a partir dessa dança da Lüneburger Heide, a professora Traude Hanf desenvolveu a “Lustiger vor dem Tisch” na antiga Alemanha Oriental. Nessa coreografia, ela procurou destacar e retratar o alegre jogo diante da mesa dos músicos, presente na dança original, enfatizando a animada relação entre os dançarinos e os músicos, comum nas festas de antigamente.
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29/12 - Lüneburger Windmülle
Onde se pode encontrar o “Lüneburger Windmülle”?
Lüneburg está situada a 50 km a sudeste de Hamburgo, na região de Lüneburger Heide. Sua história remonta a tempos antigos, sendo nomeada oficialmente pela primeira vez no século X. Ao contrário de muitas cidades alemãs, Lüneburg escapou da destruição na Segunda Guerra Mundial, preservando um dos mais belos centros históricos do país.
Menos conhecido é o papel de Lüneburg na Liga Hanseática, graças ao monopólio no comércio de sal, extraído de uma mina subterrânea.
Há mais de 1000 anos, vastas áreas de floresta e pântano circundavam Lüneburg. Dois caçadores avistaram uma javalina (fêmea do javali) revolteando na lama. Ao tentarem emboscar e abater o animal, falharam, permitindo que a javalina ferida escapasse pelo matagal. Os caçadores, imediatamente, seguiram o rastro dela.
Mais adiante, descobriram a javalina morta em uma clareira ensolarada. Notaram que seu pelo brilhava sob a luz do sol, atribuindo ao fenômeno um caráter miraculoso, pois o pelo dela tornara-se branco como a neve. Ao tocarem nele, que reluzia de forma peculiar, perceberam a presença de cristais de sal.
Retornando ao local inicial da caçada, onde a javalina se revolvia na lama, provaram a água e constataram sua salinidade. Assim, descobriram a primeira lagoa de sal, que mais tarde se tornou a fonte de salmoura para o Salino de Lüneburg. Na prefeitura, ainda se pode admirar o osso do ombro do porco numa caixa de vidro.
Contudo, o moinho de vento de Lüneburg é uma ausência intrigante. A resposta reside na dança “Windmüller”, registrada por Eduardo Kück e Elfriede Rotermund-Schönhagen. Apesar de não haver construção física, a dança representa a posição dos pares em um moinho e, como ela era encontrada na região de Lüneburg, ficou amplamente conhecida como “Lüneburger Windmüller”.
Assim, a região de Lüneburg, além de sua história marcante, oferece importantes tradições, revelando-se única na Alemanha.
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28/12 - Danziger Achter
A “Danziger Achter” é a dança que deu origem à cidade de Danzig?
Danzig é hoje uma cidade polonesa com quase meio milhão de habitantes, destacando-se como centro econômico, científico, cultural e turístico. Situada às margens do Mar Báltico, é uma cidade hanseática milenar, desempenhando papel vital no comércio entre diferentes regiões por séculos.
Uma das lendas da origem de Danzig remonta ao vilarejo de Wieke. Lá, o comércio e os depósitos de peixes prosperavam. Os habitantes eram em sua maioria pescadores e guerreiros, e costumavam celebrar suas festividades com grandes fogueiras e muita dança. Seu líder, o Príncipe Hagel, vivia em seu castelo na montanha conhecida como Hagelsberg. Ele impunha a todos regras rígidas, controlando-os e exigindo trabalho árduo.
Após uma década de tirania, os súditos conspiraram contra Hagel. Aproveitando uma festividade anual, subiram ao Hagelsberg para dançar. Era comum que, durante a dança, Hagel oferecesse a todos algo para beber. Quando o Príncipe abriu os portões para oferecer cerveja, os conspiradores invadiram o castelo matando todos, exceto a filha de Hagel, a qual se tornou esposa do líder da revolta.
Antes de ser morto, Hagel lamentou ter sido enganado. Aos gritos ele bradou: “Oh, dança, oh, dança, como você me enganou!” Posteriormente, quando o Castelo de Hagelsberg foi queimado, dando origem a uma nova cidade, esse fato foi lembrado. A “Dança dos Wieke” (“Tanz-Wieke”) teria, segundo a lenda, dado o nome “Danzig” à cidade.
Apesar de ser apenas uma lenda, pode-se afirmar que a “Danziger Achter” não tem nenhuma relação com ela. A dança foi criada em 1933, período em que Danzig pertenceu à Prússia Ocidental, como um presente em homenagem ao grupo de danças de Danzig (Danziger Volkstanzkreis). Ela foi publicada por Hermann Huffziger em sua obra com danças típicas e novas criações da Prússia Oriental. Seu nome “Achter” faz relação a uma de suas figuras em formato de 8.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança no minuto 12:45, em https://youtu.be/ty7XwKnPiD8 . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
27/12 - Wohlder Markttanz
A “Wohlder Markttanz” é uma dança de mercado?
Desde a Idade Média, o “Markt” - termo usado para designar um mercado ou uma feira - tem sido espaço fundamental nas cidades e vilarejos, onde bens materiais ou imateriais são negociados. No entanto, o direito de realizar um “Markt”, conhecido como “Marktrecht”, não era concedido a todas as localidades. A autorização para manter um mercado permanente, seja semanal ou anual, era concedida pelo governante, geralmente um rei.
Essa concessão de direitos de mercado desempenhou um papel crucial na prosperidade das cidades medievais. Desde os primórdios da urbanização, esses espaços comerciais têm sido o coração da vida urbana, muitas vezes adquirindo relevância arquitetônica. Até hoje, a praça do mercado costuma ser o epicentro de uma cidade, na qual, frequentemente, também está localizada a prefeitura (Rathaus).
Na Alemanha, entre as danças típicas, algumas estão diretamente relacionadas a esses mercados que, hoje, são praticamente grandes festas populares anuais. Um exemplo é a dança “Puttjenter” (20.05.2023), associada à feira em Hille, Vestfália. Outra, a “Wohlder Markttanz”, faz alusão à feira em Wohlde, Baixa Saxônia.
Wohlde é uma localidade de Bergen, na região de Lüneburger Heide. Seu nome vem do termo “Berger Wohld”, significando “Floresta de Bergen”. Lá, encontrava-se até o século XVII uma capela que se tornou local de peregrinação. Com isso, diferentes comerciantes se instalaram nas proximidades dando origem ao “Wohlder Markt”. Apesar da destruição da capela durante a Guerra dos Trinta Anos, o “Wohlder Markt” é realizado até hoje, sendo destaque em toda a região.
É nessa festa que a “Wohlder Markttanz” surgiu. Conforme registros do professor Eduard Kück sobre danças na região de Lüneburger Heide, era comum vê-la sendo executada com entusiasmo após o encerramento do “Markt”, muitas vezes até mesmo ao ar livre na Wohlder Chausse, a rua que conecta Wohlde e Bergen.
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26/12 - Gumbinner
A “Gumbinner” é uma dança austríaca na Prússia?
A Áustria está situada a aproximadamente mil quilômetros do antigo território da Prússia Oriental. Surge a indagação: há alguma influência austríaca junto aos prussianos? Para desvendar essa questão, é imperativo aprofundarmo-nos na história do antigo Reino da Prússia, com enfoque especial na região de Gumbinnen.
O nome “Gumbinen” deriva da palavra lituana “Gumba”, que significa curvatura. Algumas teorias sustentam que o nome originou-se da má qualidade da cerveja servida lá, levando quem a bebesse a contorcer-se como um verme. Outros sugerem que a denominação provém das numerosas curvas do rio Pissa, o principal rio local.
Durante os anos de 1709 a 1711, marcados pela epidemia de peste, toda a Prússia Oriental sofreu severas consequências, perdendo grande parte de sua população. Diante disso, o rei prussiano Friedrich Wilhelm I lançou um programa de colonização na região. A partir de 1732, Gumbinnen tornou-se o epicentro dos exilados de Salzburgo, forçados a abandonar sua terra natal devido à fé que professavam.
Apesar da presença de austríacos de Salzburgo em Gumbinnen, é pouco provável que tenham relação com a dança “Gumbinner”. A composição musical é atribuída ao professor Hermann Huffziger, com a coreografia originada em 1927, durante um curso de danças em Gumbinnen. Ou seja, quase duzentos anos depois da chegada dos colonos austríacos. Inclusive a letra da canção que acompanha a dança é em idioma prussiano.
Uma curiosidade adicional sobre a região remonta ao século XIX. Os residentes de Gumbinnen, incomodados com o nome de seu rio (já que Pissa em prussiano significa “pântano sem chão onde crescem apenas pequenas plantas”), solicitaram ao rei prussiano Friedrich Wilhelm IV uma mudança. Este aprovou a troca em decreto, sugerindo o nome "Orinoco", em alusão ao rio sul-americano. Imagine se essa mudança tivesse sido efetivada! Talvez teríamos uma dança chamada “Orinoco-Tanz” entre as tradições da antiga Prússia.
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25/12 - Rixdorfer
“Rixdorfer” é uma dança imoral?
A canção popular “In Rixdorf ist Musike” foi composta em 1895 por Eugen Philippi, com letra de Oskar Klein, inspirada em uma polca boêmia. Naquele ano, Rixdorf era uma cidade independente. Hoje, ela se chama Neukölln e é um dos bairros da capital alemã Berlim. Mas como ocorreu essa mudança?
No século XII, Berlim era uma cidade menor, e Rixdorf era um vilarejo independente chamado “Richarstorpf”, mencionado pela primeira vez em 1360. A praça “Richardplatz” permanece até hoje e é considerada o centro da antiga cidade. Em 1525, foi renomeada para “Ricksdorf” e, posteriormente, adotou a grafia “Rixdorf”.
No final do século XIX, Rixdorf era conhecida por sua atmosfera frívola, com bares duvidosos e salões de dança proibidos para soldados, pois ali reinava a imoralidade. A reputação negativa levou um grupo de cidadãos a pedir a atenção do Imperador Wilhelm II. Em 27 de janeiro de 1912, no aniversário do imperador, Rixdorf foi rebatizada como Neukölln. Eles acreditavam que a má fama do lugar, reforçada pela música “In Rixdorf ist Musike” acabaria com essa mudança. O nome Neukölln originou-se dos assentamentos ao norte da antiga Rixdorf. Oito anos após a mudança, Neukölln foi incorporada à Grande Berlim.
Pode-se dizer que essa alteração não fez a fama da região mudar. Embora o nome Rixdorf ainda seja lembrado em Berlim, como na bebida Rixdorfer Fassbrause e no Mercado de Natal de Rixdorf, pouco se sabe hoje em Neukölln sobre o antigo vilarejo.
A canção “In Rixdorf ist Musike” evoca as festas animadas da época, refletindo em seu texto a atmosfera pecaminosa de Rixdorf. Mesmo com as mudanças, resquícios dessa história permanecem na cultura local e nas tradições, como nesta dança típica: uma “Kreuzpolka” com galope, polka e figuras com taco e ponta. A dança não é nada pecaminosa e nem imoral aos olhos de hoje, mas sim uma reminiscência das animadas festividades da antiga Rixdorf.
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24/12 - Sendlinger Galopp
A “Sendlinger Galopp” e a “Sendlinger Schottisch” são de Munique ou de Sendling?
Um dos belos pontos turísticos da capital bávara é o “Sendlinger Tor”, um antigo portão da muralha de Munique, que dava acesso à localidade de Sendling. Por sinal, era comum que vias que levassem para um determinado local acabassem sendo conhecidas pelo nome do destino, como o “Brandenburger Tor” em Berlim, “Berliner Tor” em Hamburgo, “Holstentor” de Lübeck, entre outros. Em muitos casos a estrutura antiga nem existe mais, contudo o nome permanece.
Bem menos turístico que o “Sendlinger Tor” são os bairros muniquenses de Sendling (no plural, pois a região foi dividida em várias partes). Existem danças especificamente relacionadas a essa parte da cidade, como “Sendlinger Galopp”, “Sendlinger Schottisch” e “Sendlinger Reigen, que foram coreografadas por Ingeborg Heinrichsen, inspiradas em composições históricas. Ela, nascida em Niederlausitz, morou por muitos anos em Munique, onde tinha o hábito de dançar.
Um dado curioso é que até o século XIX Sendling era uma pujante área industrial e artística independente. Até 1818, por exemplo, “Sendlinger Haide”, onde fica hoje a Theresienwiese, não pertencia à Munique. Se o casamento real de Ludwig e Teresa ocorreu em 1810, antes de tudo ser incorporado à capital bávara, se poderia dizer que a primeira Oktoberfest do mundo foi em Sendling? Até então Munique era muito menor do que é hoje, rodeada por uma muralha, e aos poucos foi absorvendo as localidades do entorno.
Assim, quando realizares sua viagem à Baviera, lembre-se de sair da rota comum dos turistas e conhecer Sendling, em Munique. Além da arquitetura antiga e vias menos badaladas, o visitante tem a oportunidade de se surpreender com a boa gastronomia local… além de dizer que esteve na referida região da “Sendlinger Galopp” e “Sendlinger Schottisch”.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja a “Sendlinger Schottisch” em https://youtu.be/OaUpk0K9xi4 e veja Ingeborg Heinrichsen em https://youtu.be/fnlABl8-UzU . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
23/12 - Leineweber
Os “Leineweber” eram gente boa?
A canção “Die Leineweber haben eine saubere Zunft” (Os tecelões de linho têm uma guilda limpa) é amplamente conhecida em diferentes regiões de língua alemã. Essa composição, classificada como uma sátira à profissão de tecelagem, faz referência a uma “guilda”, uma associação de profissionais similar a um sindicato. Com o declínio da tecelagem tradicional, a canção assumiu um caráter humorístico, especialmente quando acompanhada por encenações.
Difundida oralmente no início do século XIX, a música zombava dos tecelões de linho, conhecidos como “Leineweber”, cuja situação econômica e social era precária na época. As revoltas dos tecelões, algumas delas relacionadas à fome, ocorreram durante o processo de industrialização do final do século XVIII até meados do século XIX. A canção, nesse contexto, reflete a falta de empatia social e a necessidade de ridicularizar a segregação e exclusão.
Publicada pela primeira vez em 1833, a canção teve versos selecionados para o registro, optando-se por aqueles politicamente corretos, uma vez que versos impróprios eram comuns entre a população.
Devido à sua popularidade, a melodia também foi encontrada em algumas regiões na forma de dança, como registrado por Anna Helms em Eschede, na região de Celle, estado de Niedersachsen, e por Herbert Oetke na região do Mark. Atualmente, Sigrid Doberenz, de Leipzig, criou uma coreografia para a canção.
A popularidade da música pode ser atribuída ao uso de palavras sem sentido, como “harum di dscharum di schrum, schrum, schrum”. No entanto, as estrofes selecionadas por Sigrid Doberenz revelam críticas à vida difícil dos tecelões de linho, destacando sua união diante da fome, critérios rigorosos para aprendizes e até mesmo ironias sobre sua condição de vida.
Assim, a canção perpetua a memória do sofrimento dos “Leinweber” durante a Revolução Industrial, transformando-se em uma expressão popular duradoura.
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22/12 - Ränningen
A “Ränningen” representa a produção de um tecido específico?
As primeiras informações sobre a dança “Räningen” foram fornecidas por Karl Gustavsson, um violinista sueco de Brännkyrka, um distrito de Estocolmo. Ele também foi responsável pela gravação da música. “Räningen” simboliza o trabalho do tear, sendo considerada uma variante da conhecida dança sueca “Väva vadmal”.
Gustavsson recorda que a última vez que havia visto a dança foi em 1894, em Uppland. A coreografia representa o trabalho do tear desde o início, com a formação de pares em círculo representando a roda de fiar. A disposição em moinho no centro simboliza a roda em ação para a formação do fio, crucial para a produção de tecido.
O círculo se desfaz, formando uma longa corda, simbolizando o enrolar do fio na bobina. Este é preparado para ser colocado no bastidor, onde o casal que se movimenta rapidamente entre as fileiras representa a lançadeira que passa a linha. Após esse movimento rápido, o tear é batido, marcando o momento em que as filas se movem e batem os pés.
Ao final, os pares em fileira apresentam o tecido pronto. A representação em forma de filas representa o tecido listrado produzido no tear e que remete aos trajes suecos. Na Suécia, as vestimentas típicas remontam a roupas confeccionadas antes da industrialização, por volta de 1850. Naquela época, elas eram confeccionadas inteiramente em casa, ou seja, utilizando a lã das próprias ovelhas ou o linho que cultivavam. Assim, os camponeses precisavam preparar o fio e, depois, fazer a trama no tear.
Desta forma, a dança “Räningen” perpetua uma prática comum da vida dos camponeses, transformando-a em uma bela expressão coreográfica.
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21/12 - Marschierboarischer
A “Marschierboarischer” é uma dança da terceira idade?
A pergunta ideal seria “existem danças de terceira idade?” Na prática, nos territórios de língua alemã não é convencional dividir os grupos típicos em categorias adultas e “mais experientes”. No geral, os jovens e idosos dançam o mesmo repertório, somente tomando cuidado quanto a intensidade das figuras.
Assim, a “Marschierboarischer”, a “Marcha Bávara”, está desvinculada da idade dos participantes, por mais que não esteja ligada ao universo infantil. Ela é, sim, uma sequência de figuras tradicionais que foi organizada dentro de uma música cadenciada, tendo forte viés identitário. Dependendo da forma como ela é executada, pode exigir dos pares destreza na transição de suas etapas, já que deve haver fluidez nas mudanças de posições.
É costumeiro ver em muitos eventos tradicionais da Baviera e Áustria os “Trachtenumzüge”, as caminhadas de trajes: ao som das bandas típicas os participantes marcham pelas vias públicas. Pode se dizer que a “Marschierboarischer” parece a mistura desses desfiles e figuras típicas, sendo feita para as pistas de baile e palcos. Dentro de uma velocidade moderada, ela é executada com altivez e boa postura.
Segundo Walter Bucksch, Rudolf Tinsobin compartilhou esta dança com Hermann Derschmidt em 1930, contudo a origem exata da coreografia é imprecisa. A melodia e as figuras dela se alteram um pouco de local para local; de toda forma, no geral, ela mantém sua base rítmica e estética. É possível relacioná-la com formações das “Steirischer”.
Assim, a “Marschierboarischer” busca desfazer o [pré]conceito de que somente as danças acrobáticas e complexas são bonitas: a beleza dessa marcha bávara está em bem executar um desfile de figuras típicas. Fazê-la de modo corrido tornaria-a sem sentido, perdendo totalmente sua conexão ancestral. Seu objetivo é viver as tradições como elas realmente ocorrem nas pequenas comunidades, sejam com jovens, sejam com idosos.
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20/12 - Willewick
A dança “Willewick” está relatada no livro “Zwille wille wick”?
A autora Paula Walendy, nascida em 1902 na Renânia do Norte-Vestfália, publicou mais de 40 livros infantis em suas quase nove décadas de vida. Um dos seus populares trabalhos foi “Zwille wille wick”, de 1949. Essa história tem relação com a dança “Willewick”, que tem registros já em 1880?
Em uma primeira visão, o que poderia indiretamente ligá-las é o tom alegre de ambas. “Zwille wille wick” é destacado como um alegre livro com rimas, contos de fadas e canções, coletadas e editadas por Paula Walendy. Já Herbert Oetke aponta que a “Willewick”, assim como outras danças do Reno, são cheias de “animação”, apresentando gestos jocosos, como ainda se podia ver em Hambach.
A canção que embala essa dança é a “Willewick-bummbumm”, uma valsa lenta que traz em seus versos muitas promessas de um rapaz para uma moça, dizendo que as dores de amor acabaram. Contudo, se visto que logo no início da música ele convida-a para seu “Kämmerlein” - seu “quartinho”-, jurando lealdade, a dama deve realmente confiar nele? Cada um que interprete o que quiser… ainda mais já que se sabe que a dança tem características cômicas.
A história da Renânia-Palatinado é repleta de superações, já que a região está no caminho de muitos conflitos, passando por muitas guerras. Isto teria ensinado à população local a buscar forças na luta pela existência. Fazem parte das danças de lá a “Buchelklopper”, “Hei, du mei liewe Lene”, “Der Birkweiler”, “Alt Hambacher”, “Kreuztanz”, além da própria “Willewick”, entre outras.
Mas voltando à pergunta inicial: o livro e a dança tem conexão? Visto que a publicação de Walendy é infantil e a música “Willewick-bummbumm” tem tons “adultos”, provavelmente não haja relação direta entre eles. De toda forma, como ambas dialogam com a cultura popular, perpassadas pelo rio Reno, as pontes entre elas podem existir, mesmo que distantes. São as possíveis surpresas das Volkstänze.
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19/12 - Drosselnest
A “Drosselnest” foi salva do fogo?
Certamente, muitos de vocês compartilham uma cena da infância: a família reunida na cozinha, ao redor do fogão a lenha, com o avô ou avó sentados sobre o “Holzkasten”. Especialmente nos dias de inverno, esse era um momento especial - todos se aquecendo em torno do fogão e trocando conversas.
Mas o que isso tem a ver com a dança “Drosselnest”? Bem, por pouco, um dos últimos registros dessa dança quase foi parar no fogo. Quem nos conta essa história é Anna Helms, a pesquisadora que encontrou algumas danças no interior da Alemanha:
“Enquanto pesquisava sobre antigas danças em uma pequena aldeia em Winsen an der Aller, cheguei a uma casa no exato momento em que o fogo estava sendo aceso no fogão da cozinha.
Ao lado do fogão, havia uma grande cesta com papel, lenha e lixo, tudo destinado a ser queimado um por um. Mal pude acreditar no que via quando percebi um monte de partituras soltas nesta cesta. Todas essas partituras estavam repletas de antigas danças da região de Lüneburger Heide e quase acabaram no fogo. Entre elas, estava a encantadora dança “Drosselnest’.”
Em português, “Drosselnest” significa “ninho de sabiá”. A dança leva esse nome porque os rapazes conduzem suas moças até o centro do círculo, onde as quatro meninas formam o ninho de sabiá. Enquanto os rapazes dançam ao redor do ninho, todos cantam:
He, juchhe, no ninho de sabiá, no ninho de sabiá
He, juchhe, no ninho de sabiá, no alto.
Em seguida, durante o movimento de abrir e fechar o ninho, seguem os versos:
Se eu não ganhar o mais velho, mais velho, mais velho,
Se eu não ganhar o mais velho, pego o mais novo.
Muitas vezes, esses momentos com os avós são apenas saudosas lembranças nos dias de hoje. Portanto, devemos valorizar os momentos com os mais antigos. É nessas conversas ao redor do fogão que podemos aprender e descobrir muito sobre nossa própria história e, quem sabe, encontrar mais danças fascinantes como a “Drosselnest”!
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18/12 - Horlepiep
A “Horlepiep” é uma dança do “Holandês Voador”?
Antes de responder à pergunta, é essencial explorar a origem da dança “Horlepiep” antes de sua chegada aos Países Baixos. Remontando ao passado, encontramos o “Hornpipe”, um ritmo de dança conhecido desde o século XV. O termo tem origem em um antigo instrumento de sopro popular no País de Gales e na Escócia. Dessa tradição, nasceu a dança homônima, popular nesses países e também na Inglaterra. Na Dinamarca, uma variação chamada “Hornpfiffen” é encontrada, enquanto que, nos Países Baixos, registra-se a dança “Horlepijp” ou “Horlepiep”.
Acredita-se que a variação encontrada nos Países Baixos tenha sido introduzida no continente por nautas holandeses no século XIX. Por muito tempo, ela ficou conhecida como dança de marinheiros. Atualmente, é frequentemente realizada em grupos de quatro pares.
A hipótese de ter sido trazida por marinheiros do navio fantasma “Holandês Voador”(De Vliegende Hollander) é discutível. Registros históricos mencionam um navio real de Amsterdã, em 1680, que enfrentou uma tempestade no Cabo da Boa Esperança. A teimosia do capitão Willem van der Decken em contornar o cabo levou à suposta maldição da embarcação, atraindo outras e resultando em sua própria destruição. Embora alguns relatos tenham sido considerados ilusórios, as testemunhas detalharam amplamente a história.
Embora seja possível que os marinheiros do “Holandês Voador” conhecessem o ritmo, é improvável que tenham sido os responsáveis por introduzir a “Hornpipe” no continente, já que, segundo a lenda, fora condenado a vagar pelos mares até o fim dos tempos sem poder atracar em nenhum porto. Outros grupos de marinheiros são mais prováveis nessa tarefa.
Você já tinha conhecimento da lenda do navio fantasma “Holandês Voador”? Compartilhe conosco nos comentários.
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17/12 - Die schöne Wulka
“Die schöne Wulka” tem parentesco com o Danúbio Azul?
Uma das músicas mais conhecidas do mundo é “An der schönen blauen Donau”, “No belo Danúbio Azul”, em língua portuguesa simplesmente “Danúbio Azul”, do austríaco Johann Strauss. Em alemão é popularmente chamada de “Donauwalzer”. Mas teria a dança “Die Schöne Wulka” um parentesco com a música do Rei da Valsa?
A composição de Strauss trata do famoso rio Danúbio, que nasce na
Alemanha, na Floresta Negra, e corta o continente transversalmente até chegar ao Mar Negro, na Romênia, transcorrendo mais de 2.800 km. Ao passar pela Áustria ele alimenta um sistema fluvial, que percorre vales e atravessa montanhas. Lá, existe um rio de nome Wulka. Por ele passar quase na fronteira com a Hungria, também é chamado pelos antigos magiares de “Seleg”. Seria ele “A bela Wulka” da dança?
Por mais que os nomes sejam os mesmos, é pouco provável que o rio austríaco tenha relação com “Die schöne Wulka”. O principal problema de relacioná-las é a localidade à qual a dança é atribuída, Lauenburg an der Elbe, no norte da Alemanha, que é muito distante desse rio Wulka da Áustria. A cidade fica em Schleswig-Holstein, na divisa com Hamburgo, dentro de áreas de diálogo com Mecklemburgo e Pomerânia.
Então, de qual outra “Wulka” a dança trata? No idioma alemão esse nome não tem significado específico, contudo tem ligação com línguas eslavas, como no caso de dialetos sorábios. Observando de modo detalhado antigos mapas do norte da Alemanha e da antiga Prússia é possível perceber pequenos vilarejos e córregos de nome “Wulka”. Qual deles é o homenageado nessa música, ainda não se tem condições de dizer.
Assim, segue o mistério. Agora, se o nome da dança foi inspirado na valsa de Strauss, não há como precisar. Pelo menos a similaridade de denominações faz-nos presumir que Wulka possa ser também alguma espécie de rio ou riacho. Vejamos o que o futuro pode nos revelar.
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16/12 - Hetlinger Bandriter
A “Hetlinger Bandriter” não existirá mais?
Sim, infelizmente. Mas não se preocupe, vamos explicar!
A dança “Hetlinger Bandriter” foi criada nos anos 1920 por Ludwig Burkhardt (03.10.2023 - Krüz König) como parte do Movimento da Juventude Alemã. Sua coreografia foi desenvolvida durante uma caminhada ao longo do rio Elba até Hetlingen, a cerca de 30 km de Hamburgo. A música, gravada por Paul Neukam de Hamburg-Altona, possui uma melodia característica da região de Lüneburger Heide.
Hetlingen, localidade no Baixo Elba, era conhecida por seus “bandriteiros”. Por muitos séculos, para que a manteiga em barril não adquirisse o gosto dos aros metálicos (que enferrujavam rapidamente), era preciso usar barris presos com aros de madeira. Nas planícies do Elba, crescia uma espécie de salgueiro propício para essa finalidade, fazendo de Hetlingen uma referência na produção de barris com aros de madeira, trazendo prosperidade para a região até por volta de 1960.
Ao visitar Hetlingen e testemunhar a reputação dos “Bandriter”, Burkhardt encontrou a inspiração para sua obra. A dança, segundo ele, materializava-se mentalmente durante seu passeio. O grande círculo simbolizava a colocação dos aros de madeiras, enquanto a segunda parte representava a disposição das aduelas (pranchas de madeira), moldando o barril. A terceira parte, lado a lado com o par, celebrava a alegria pelo trabalho concluído com sucesso.
No entanto, a profissão dos “Hetlinger Bandriter” enfrenta a extinção iminente. De acordo com um jornal de Hamburgo, apenas dez homens em Hetlingen estão preservando esse antigo ofício. Através de uma associação cultural, eles se mobilizam para garantir que as gerações futuras possam compreender como seus antepassados ganhavam a vida, construíam casas e sustentavam suas famílias, preservando assim uma parte valiosa da história local.
Então, infelizmente, a profissão dos “Hetlinger Bandriter” está chegando ao fim.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz , veja a dança na Alemanha em https://youtu.be/KPl-PQrejFU e no Brasil em https://youtu.be/ccLX5AzeuXE . Acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
15/12 - Reiftänze
As “Reiftänze” são danças de arcos para casamentos ou de profissões?
As danças de arcos em muitas comunidades de língua alemãs podem ser chamadas de “Reiftänze” ou “Bindertänze”. “Reifen” é um aro, como o visto numa roda ou num bambolê. Já “Binder” está ligado à arte de conectar madeiras com argolas e fazer baldes, tinas e barris -“Faßbinder” ou “Großbinder”. A partir dessas tradições que supostamente surgiram os adereços dessas coreografias.
Segundo Karl Horak, as “Reiftänze” são manifestações antigas, inclusive com citação em texto do século XV. Eram danças masculinas ligadas a grupos profissionais, as famosas guildas, ou feitas pelas comunidades para homenagear autoridades da época.
Na atualidade a “Schäfflertanz”, feita pela associação dos tanoeiros de Munique, é com certeza a mais conhecida dentre as “Reiftänze” antigas ainda vivas, datada de 1517. Ela, assim como outras atribuídas ao século XVI, tem como “mito” de origem a Peste Negra, como se essa dança tivesse se originado como resposta à reclusão ao final do período da doença.
Existem também outras “Reiftänze” históricas. Por exemplo, há uma pintura da família de comerciantes Christanell, de Bozano, que representa uma “Bindertanz” realizada em 06.05.1790 na localidade, quando da visita da rainha Maria Luise. Na cidade alemã de Ulm, em Baden-Württemberg, há a “Ulmer Bindertanz”. Em Hüttenberg em Kärnten, na Áustria, dançam a “Hüttenberger Reiftanz”.
Hoje essas danças aparecem em momentos inesquecíveis da vida de muitos casais, como em suas bodas, e também nas atividades festivas das comunidades campesinas, como festas da colheita. São apresentadas com pares tipicamente trajados. Contudo, isso é uma composição recente. Dentro deste novo contexto, a mais famosa delas é a “Tiroler Reiftanz”, havendo também a “Lungauer Reiftanz”, entre outras. Viu-se a partir do século XX novas roupagens e novos personagens para “emoldurar” antigas tradições.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança a versão tirolesa em https://youtu.be/ASpVi1u63gE e a de Hüttenberg https://youtu.be/ilzai0_VszI e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
14/12 - Wenn älle Leit schlofet
“Wenn älle Leit schlofet” é uma serenata, quando todos dormem?
Existe uma dança com um nome curioso: “Wenn älle Leit schlofet”. Quer dizer “Wenn alle Leute schlafen”. Sendo de Metzingen, no atual estado alemão de Baden-Württemberg, ela provavelmente esteja escrita em uma variante do grupo de dialetos “Schwäbisch” encontrado em partes do sul da Alemanha, Áustria e Suíça.
E por qual motivo a dança se chamaria “Quando todos estão dormindo”? Por andarem na ponta dos pés? Por ser lentíssima? Nenhum dos dois casos. Essa valsa, mesmo calma, está longe de colocar o público para dormir. Sua coreografia traz um conjunto de figuras diversificadas, que dialogam com a melodia, tornando-a interessante aos olhos dos espectadores. Provavelmente ela assim foi chamada devido à primeira frase da canção que deu base à coreografia:
“Wenn älle Leit schlofet ond i ben no auf,
no spiel i meim Schätzle a Wälzerle auf”
Ela diz “Quando todos estão dormindo e eu ainda estou acordado, então eu toco uma valsinha para a minha querida”. Realmente a música está mais para o estilo de alegrar a amada do que para fazê-la cair no sono.
As informações sobre essa dança, de modo geral, são limitadas. Se tem registro dela em uma publicação de 1935 da editora de Friedrich Homeister de Leipzig, famosa por lançar títulos ligados ao contexto das Volkstänze de toda a Alemanha, como a destacada coleção “Bunte Tänze” de Anna Helms e Julius Blasche. Outro dado aponta que Hans Jörg Brenner, de Fellbach, retoma a “Wenn älle Leit schlofet” em 1981.
Vemos aqui mais uma dança que ficou mais conhecida pela letra da sua canção do que por sua coreografia, uma prática comum, ainda mais em tempos nos quais, para executá-la, dependiam diretamente de cantar e tocar a música. A ironia é que as figuras da “Wenn älle Leit schlofet” são bem mais interessantes do que o título pressupõe. Quantos devem ter lido o nome dela e achado ser enfadonha? Uma pena. É mais ou menos como avaliar todo um livro somente pela capa.
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13/12 - Waldjager
A “Waldjager” faz referência a qual caçador dos contos de fadas?
Um personagem que aparece em diversas histórias antigas é o “Caçador”, em alemão chamado de “Jäger”. “Chapeuzinho Vermelho” e “Branca de Neve” são exemplos que trazem esse personagem, que conhece as matas e tem como profissão capturar e abater animais selvagens. Mas também é sinônimo de “Waldjäger”?
Tecnicamente há diferenças entre os caçadores que atuam em locais específicos, como nas florestas - Waldjäger - e nos campos - Feldjäger, por mais que eles não deixem de ser “Jäger”. Nos Contos de Fadas, eles geralmente atuam em bosques, sendo mais a estilo “Waldjäger”.
Quanto às danças “Waldjäger”, elas não fazem referência a um caçador em específico. A grafia aparece em diferentes dialetos, podendo ter designação de localidades, como “Waldjager”, “Woidjaga”, “Finsterauer Waldjager”, “Innviertler Waldjager” e “Mühlviertler Waldjager”. Em outros casos, podem ser referências a uma característica da coreografia ou localidade como “Junger Bua” e “Bruggertaler”. Termos que são encontrados na Alemanha, Áustria e países vizinhos.
As “Waldjäger” têm provavelmente esse nome em função da simbologia dos caçadores junto às comunidades tradicionais dos Alpes e proximidades. Há outras danças que fazem referência a eles, como a “Jägermarsch” e “Jägerpolka”, assim como muitas canções populares. São visíveis em espaços coletivos de vilarejos alpinos os troféus de caça, por exemplo, uma demonstração de que suas tradições são lembradas.
Quanto à coreografia, ao primeiro olhar, as “Waldjäger” têm tendências comuns, como movimentos simples que interagem com giros do par. Caminhadas, contra-passos e expor a ponta dos pés são exemplos comuns vistos com o “Dreher”. Pode-se dizer que são todas aparentadas? Possivelmente não. Seria um estilo “Waldjäger”? Quem sabe. Não se pode esquecer que diversos contos de fadas também se assemelham, mesmo não sendo produtos de uma mesma fonte.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja exemplos dela em https://youtu.be/OgNvtRn1VUo e https://youtu.be/zJetPGhEe3c e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
12/12 - Schlunz
“Schlunz” é uma dança ou um xingamento?
A quadrilha conhecida como “Schlunz” tem origem na localidade de Wülpke, situada no distrito de Minden, no leste da Vestfália, na região de Schaumburg-Lippe. Uma das primeiras publicações sobre ela data de 1931, na coleção “Westfälische Heimattänze”, do professor Otto Ilmbrecht.
Uma particularidade interessante é a explicação dada por Otto Schneider no livro “Tanzlexikon” para a origem do nome da dança. Ele sugere que o termo “Schlunz” deriva do verbo “schlunzen”, que significa “ser desleixado”. No idioma alemão, “Schlunz” frequentemente se refere a uma pessoa suja e desajeitada. Embora a origem exata da palavra não seja clara, o dicionário Grimm aponta usos do termo e de suas variantes desde o século XIV, denotando algo sujo e desarrumado. Curiosamente, a palavra em inglês “slut” e a alemã “Schlampe” têm a mesma origem.
Contudo, surge a questão: a dança deve ser executada de forma desleixada? Apesar da ausência de registros indicando o contrário, é improvável. O nome dela pode ter se originado de uma canção com esse título ou ter sido atribuído pelos moradores locais em algum momento, mas, até agora, não foram encontrados dados que justifiquem essa nomenclatura. Independentemente disso, é destacado que a dança não deve ser interpretada de maneira desleixada.
É curioso notar que, na Alemanha, a partir de 2007, uma série de livros infanto-juvenis intitulada “Der Schlunz” foi lançada, apresentando um protagonista que perdeu a memória em um acidente e só se lembra de ser chamado de “Schlunz”. Esse personagem, com a cabeça cheia de ideias malucas, pouco preocupado, aventureiro e atrevido, pode ter recebido esse apelido por essas características. Enquanto isso, a origem da dança permanece um mistério intrigante.
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11/12 - Schurt den Ketel ut
A “Schurt den Ketel ut” é uma dança ou uma tarefa?
No casamento pomerano, a “Schurt den Ketel ut” era uma tradição comum. A noiva e o noivo, assim como seus familiares eram apresentados por meio dessa dança, que requeria alguém para entoar a parte A da canção, enquanto todos, em coro, cantavam a parte B.
Na letra, os versos instigavam a limpar bem o caldeirão, crucial para celebrar o casamento, pois seria usado na preparação da cerveja festiva. Afinal, um caldeirão sujo significava a ausência da cerveja, elemento indispensável para o sucesso da festa.
O responsável pelas apresentações iniciava chamando os noivos: “Martha, esta é a noiva” e “Peter, este é o noivo”. Na sequência, os pais deles eram apresentados na segunda estrofe, seguidos por irmãos, tios, tias, padrinhos e demais parentes. Entre cada conjunto de versos, todos cantavam o texto sobre o caldeirão da cerveja, dançando em círculo.
O relato de Gundel Hergenhan, baseado nas histórias de sua mãe, Ursula Langbecker, revelou a tradição vivenciada em 1930, quando Ursula, aos 16 anos, foi apresentada durante a “Schurt den Ketel ut” nas núpcias de uma prima em Reckow. Cada parente era destacado individualmente, seguindo um protocolo que se estendia também às moças que participavam de um casamento pela primeira vez após sua Confirmação.
Na região do Mark, a dança também era praticada como uma antiga tradição de casamento. Geralmente, era seguida pela dança “Kränzchen ist verloren”, quando a moça trocava sua coroa de flores pela touca, simbolizando a transição de solteira para casada, uma prática comum também na Pomerânia.
É interessante notar que um relato publicado em 1903 na Alemanha por Eberhard Meinhold, contando sobre um casamento pomerano em São Lourenço do Sul-RS, menciona esse momento da troca da coroa pela touca, marcando o ritual de mudança de estado civil da mulher.
Portanto, apesar de ser uma dança “Schurt den Ketel ut” é também uma importante tarefa. Afinal, sem ela, a festa não acontece!
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja um pouco sobre o casamento na Pomerânia em https://youtu.be/kK3rGIPi3Fw com o Ihna Erlangen e o Ina Gollnow.
10/12 - Heidjer
“Heidjer” é uma dança ou uma pessoa?
“Heidjer” é o termo encantador em Plattdeutsch para designar os habitantes da região de Lüneburg, conhecida como “Lüneburger Heide”. Igrejas, moinhos, antigas fazendas e sítios arqueológicos testemunham a história milenar dessa área e a vida do povo Heidjer.
O idioma regional, conhecido como “Heidjer-Platt”, representa não apenas um valioso patrimônio cultural, mas também uma expressão do pensamento local. Lendas e contos de fadas permeiam histórias de gigantes, bruxas, ladrões e trolls apaixonados. Escritores e artistas como Herman Löns, Christian Morgenstern e August Freudenthal, além de produções cinematográficas locais, contribuíram para moldar a imagem da Lüneburger Heide, tornando-a reconhecida. A atmosfera às vezes sombria e nebulosa da região continua a inspirar muitos escritores e artistas.
Apesar de a região de Lüneburger Heide possuir diversas danças típicas registradas e a maioria delas ainda ser executada em festas locais, Heinrich Dickelmann, um músico alemão, optou por nomear sua criação em homenagem aos nativos de Lüneburger Heide. Na década de 1920, Dickelmann compôs e coreografou a quadrilha “Heidjer”. Destacando-se pelo zigue-zague com passos de balanço e saltos finais, essa combinação caprichosa de passos pode parecer peculiar e desafiadora inicialmente, mas, uma vez dominada, proporciona um autêntico prazer de dançar.
A dança “Heidjer” exemplifica as características das danças do Movimento da Juventude Alemã, apresentando coreografias e figuras mais complexas, à semelhança de outras duas criações de Dickelmann: “Lanzer” (05.11.2023) e “Kontra Lustig” (12.11.2023).
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja os vídeos do canal oficial do Lüneburger Heide em https://www.youtube.com/@lueneburgerheideTV e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
09/12 - Hammerschmiedgselln
A “Hammerschmiedgselln” é a dança dos ferreiros?
Há muitas danças que estão ligadas a belas histórias. A “Hammerschmiedgselln” é uma delas. Vejamos: ela seria uma antiga coreografia masculina vinda da guilda dos ferreiros. As palmas e os movimentos dos rapazes representariam as conversas entre os aprendizes que, segundo essa teoria, necessitavam trocar experiências profissionais discretas entre si, já que seus mestres não lhes ensinavam todas as etapas do ofício, temendo perder seu trabalho.
A história é bonita, mas procede? A tradução de “Hammerschmiedgselln” realmente faz referência ao aprendiz de ferreiro, especificamente aos marteleiros. Em geral as muitas letras dessa canção, vistas em distintos dialetos, não contradizem essa narrativa, apresentando cânticos possivelmente entoados por esses profissionais.
Não há como verificar se a história é real - nem em partes. Primeiramente, ela não tem só um nome: “Der Hammerschmied”, “Die Hammerschmiedg'söll'n”, “Hammmerschmiedgeselle”, são variantes do mesmo título, já “Klatschwalzer”, “Alt-Ausseer” e “Zimmermannsschlag” seguem outras lógicas. No último exemplo, que trata do marceneiro, observamos que aproveitam a mesma narrativa para outra profissão.
Seria ela, então,inspirada em profissões medievais? É uma possibilidade, no entanto, seus registros são datados do século XIX e início do XX. De toda forma, não se pode descartar que um antigo costume das guildas acabou se modificando com o passar do tempo e, em partes, perdurando até a atualidade. Coreografias com espadas, varas, arcos, fitas, entre outras, são casos onde mesmo alteradas, essas tradições têm uma origem ancestral.
Onde surgiu? Por onde transitou? Só participam homens? Há muitas perguntas que mereceriam respostas claras, mas nem sempre há algo preciso para dizer. As publicações conhecidas são em maioria austríacas. Há registros no sul da Alemanha e inclusive menções de que ela teria vindo da Suécia. Trata-se da cultura em livre movimento, como as comunicações paralelas dos aprendizes das gerações pré-internet.
Quer saber mais? Veja a dança em https://youtu.be/FfRyuG2BAqY e acompanhe o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br .
08/12 - Helgoländer Siebensprung
A “Helgoländer Siebensprung” é uma dança de casamento?
Para esclarecer a origem desta dança, a pesquisadora Anna Helms oferece suas próprias palavras:
“Quando testemunhamos pela primeira vez a ‘Helgoländer Siebensprung’ em 1908, eu tinha conhecimento limitado sobre a história da dança. No entanto, a cena que presenciei ainda está viva em minha memória: ao entrar no salão de dança, algo extraordinário aconteceu. O grande grupo de convidados para aquela festa de casamento se uniu em uma dança. Ao ver mulheres mais velhas, pescadores, seus filhos e filhas, todos elegantemente vestidos, movendo-se em um círculo, fiquei maravilhada.
Ao som do animado refrão ‘Wide-widewitt’, percebi que todos levavam a dança a sério. Cada sequência era executada com maestria. Um sentimento poderoso de solenidade surgiu em nós, indicando a magia e o poder ancestral dessas danças, possivelmente ligadas à vida.
Entendemos melhor essas danças ao imaginarmos a experiência grandiosa do despertar da natureza. A dança era o ponto central das festas e celebrações de todos os povos, como ainda é observável entre aqueles mais próximos da natureza. Quem está familiarizado com a rica variedade das danças típicas notará o contraste apresentado pela ‘Helgoländer’, com sua forma única de grande círculo e sete níveis distintos de ‘saltos’, remetendo a uma antiga cultura da dança.
Böhme, em sua ‘História da Dança’, sugere que possivelmente era uma dança germânica de oferenda para celebrar a primavera. A mitologia associa ‘Frigga’, a deusa da primavera, aprisionada pelo gigante do inverno. Uma interpretação encantadora sugere que, ao bater sete vezes na Mãe Terra, a jovem deusa da primavera desperta para uma nova vida e criatividade.”
Anna Helms traz elementos semelhantes aos apresentados na narrativa sobre a dança “Langenschiltacher Siebensprung” (09.11.2023). Embora não seja exclusiva de matrimônios, Anna Helms teve a sorte de testemunhar a “Siebensprung” em uma festa de casamento em Helgoland.
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07/12 - Bankerltanz
A “Bankerltanz”, “Dança do Banco”, é para crianças?
No século XX intensificou-se no sul da Alemanha as atividades das Associações de Trajes - Trachtenvereine -, que além de preservar as vestimentas típicas, também trabalham na manutenção dos dialetos, das canções tradicionais, das danças populares, entre outros pontos. Se tornaram espaços de fortificação de identidades regionais, principalmente entre os camponeses.
Na Baviera essas entidades tiveram crescimento em dois momentos históricos: na primeira metade do século XX, com os movimentos nacionalistas, e na segunda metade, com a Guerra Fria. Também a Olimpíada de Munique (1972) deu visibilidade a esses grupos culturais.
Com o tempo, esses bávaros acabaram incrementando as suas apresentações públicas, sofisticando suas coreografias e agregando adereços - como arcos e fitas. Isso ocorreu seja por diversão, seja pelas demandas do turismo crescente, o que também levou a um clima competitivo: que grupo faria a melhor dança? Neste contexto, um dos destaques passou a ser o “Schuhplattler”, o sapateado, já existente anteriormente, que teve sua técnica aprimorada, havendo em alguns casos o acréscimo de teatralidade e brincadeiras.
Em um relato de um grupo de Ruhpolding, por exemplo, eles citam que nos anos de 1950 os jovens e crianças já realizavam o jogo do banco - “Bankerlbuam” - “Banco dos Meninos”. Depois, ele foi incorporado a sequências com “Schuhplattler” se tornando a “Bankerltanz” atualmente popular, que se mantém ativa ainda hoje com os adultos do grupo. O que se sabe é que essa teatralização somada à coreografia não ficou fixa em uma única sequência.
Posteriormente, com o sucesso da “Bankerltanz” junto ao público - com destaque aos turistas -, passaram a novamente valorizar a “Bankerlbuam”. Em alguns locais, inclusive fora da Baviera, foi suprimido o sapateado e fizeram novas coreografias para as brincadeiras com os bancos. Um exemplo voltado às crianças é o “Bank(l)-Reiter”.
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06/12 - Holsteiner Dreitour
Quantas sequências tem a “Holsteiner Dreitour”?
A busca pela origem da “Holsteiner Dreitour” revela uma lacuna de informações nos registros dela. Ausente em referências dedicadas às danças típicas, essa coreografia não encontra espaço em fontes convencionais. No entanto, ao explorar as danças características do Norte da Alemanha, surgem similares como a “Dreitourig” (Ost-Holstein), “Pommersche Dreitour” (Pommern), “Schwarzer Rappen” (Mecklenburg) e “Krup dörn Tun” (Bückeburg).
Embora estas compartilhem algumas características, nenhuma está diretamente associada à “Holsteiner Dreitour”. Uma investigação mais profunda revela que a “Dreitourig” catalogada pelo professor Wilhelm Stahl não apenas apresenta uma coreografia semelhante, mas também uma melodia comparável. Stahl, em suas publicações, indica que retirou as danças dos “Fichtelbücher”, livros de músicos locais. A possível omissão do nome da região sugere que, na época, isso não era considerado relevante.
Descobertas recentes apontam Franz Pulmer, pesquisador, professor e músico, como possível responsável pela renomeação da dança. Pulmer, conhecido por agregar nomes de lugares às danças, pode ter aplicado o mesmo princípio à “Holsteiner Dreitour”. O registro escrito mais antigo desse nome ocorre em atas de um seminário de danças conduzido por Pulmer em 1960, próximo a Hamburgo.
A popularidade da “Holsteiner Dreitour” cresceu ainda mais em 1961, com seu destaque no LP da editora Walter Kögler, alcançando grupos não só na Alemanha, mas também em outros países. Apesar de outras “Dreitour” mencionadas apresentarem de oito a dezoito repetições, a limitação de sequências a quatro na “Holsteiner Dreitour” foi uma escolha pragmática para adequar-se à duração de um disco, estabelecendo um padrão para a gravação de quadrilhas do Norte da Alemanha.
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05/12 - Drei Deiwels Danz
Que demônios fazem parte da “Drei Deiwels Danz”?
Veja essa charada: Ludwig morreu e conversará com três demônios que decidirão seu destino: o da “verdade”, que sempre diz a verdade, o do “engano”, que sempre mente, e o da “diplomacia”, que às vezes diz a verdade e às vezes não. Ele os encontra à sua frente sentados em uma mesa. Para saber quem é quem, Ludwig pergunta: "Qual de vocês está sentado no meio?" O da esquerda responde: "No meio está o demônio da veracidade." O do meio responde: "No meio está o do engano." Já o da direita responde: "O da diplomacia fica no meio." Então, qual deles está sentado no meio?
Charadas à parte, a “Dança dos Três Demônios” teria sido recolhida no norte da Europa, na costa do Mar Báltico. Hermann Huffziger, em suas publicações “Der Tanzkreis”, buscou dar luz a danças da Prússia Oriental. Ele encontrou títulos como “Allemande”, “Gröttketeller”, “Hack und Zeh”, “Der Besentanz”,... e “Drei Deiwels Danz”. Segundo consta, ao apresentá-las às comunidades, era como se as memórias de juventude de Huffziger se mostrassem a público.
Uma versão da “Drei Deiwels Danz” que tornou-se conhecida é a executada pelo “Tanz- und Folkloreensemble Ihna”, de Erlangen. Essa coreografia é atribuída à Rosemarie Ehm-Schulz. Nos arquivos da antiga DDR - Deutsche Demokratische Republik ela aparece como “Mädchentanz”, a “Dança das Meninas”, provavelmente por ser realizada, nesta variante, unicamente por moças.
Sobre o nome, não se tem clareza do por que ser “Drei Deiwels Danz”. Provavelmente não tenha relação com eventos do Krampuslauf ou outra alusão aos festejos natalinos. É bom lembrar que a ideia de “demônios” era bem comum em culturas pagãs, como o exemplo da personificação do inverno. Com o tempo esses personagens e suas narrativas foram ressignificados.
E descobriu a resposta da charada dos três demônios? Escreva aqui nos comentários. Provavelmente não tenha relação com a dança… contudo, assim como ela, pode ser um bom divertimento.
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04/12 - Eiswalzer
A “Eiswalzer” é uma dança de salão?
Tanto no presente quanto no passado, um baile é uma festa onde há música e os participantes convidam outros para dançar. Por outro lado, hoje é recorrente ter nesses eventos “som mecânico”: antes do advento dos aparelhos eletrônicos, 100% da animação musical vinha por conta da execução ao vivo das melodias. Os músicos tocavam o que os presentes gostavam… ou as novidades que eles acabavam conhecendo em suas viagens.
Se for observado a realidade do século XIX e início do XX, vemos que muitas das danças chamadas hoje de típicas nasceram nas pistas desses bailes, como pode ser o caso da “Eiswalzer”. Segundo Ilka Peter, ela foi coletada por Anna Aberger primeiramente em 1939 na Áustria, a cerca de 50 km ao sul de Linz. Nessa oportunidade ela era conhecida meramente como “Walzer”, sem um nome específico. No ano seguinte, 1940, Anna teria reencontrado a mesma coreografia, quando Johann Fischhofer, um sapateiro de profissão, lhe mostrou a dança, que chamou de “Eiswalzer”. Ela seria homônima à música que geralmente a acompanhava.
E a “Eiswalzer” é de que ano? Isso não temos como precisar. Provavelmente não é antiga, sendo ainda do século XX, contudo sua estrutura segue a tradição das danças abertas presentes em bailes típicos. Trata-se de uma sequência de 8 compassos: 2 para andar para o sentido do círculo, 2 para seguir de costas, 4 de valsa rodada com o par. Uma formação simples que sem grandes dificuldades teria aparecido espontaneamente em meio a festividades.
Se na atualidade as bandas promovem suas músicas com base em coreografias feitas para o público interagir mais com seus lançamentos, a estilo “Fliegerlied”, antigamente o efeito não era bem esse, por mais que os conjuntos musicais soubessem se aproveitar do que estava “em alta”. É a mostra de que as danças típicas também podem ter base um tanto nos “hits” de seu tempo, mesmo que dentro de uma realidade menos abrangente e “rentável” do que a atual.
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03/12 - Webertanz
A “Webertanz” é uma dança camponesa do tecelão?
O que há em comum entre a dança do sapateiro, do ferreiro, do carpinteiro, do alfaiate, do tanoeiro, do pescador, do fiandeiro e do tecelão? São ligadas a profissões. Mas por mais que muitas coreografias e canções antigas tragam esse tema, somente uma pequena parte delas surgiu dos profissionais desses setores: a maioria é de origem camponesa.
A “Webertanz” é um desses casos. Por mais que existam muitas danças dos tecelões, a mais famosa é a “Väva vadmal” sueca, que depois chegou à Alemanha, Noruega e demais Estados vizinhos, recebendo novas versões. Fontes apontam que sua melodia e coreografia já eram executadas no século XVIII, praticamente como no formato atual. Se popularizou tanto entre os camponeses, quanto entre a pequena nobreza.
Observando uma das letras suecas, vê-se que descreve o processo da tecelagem, mais ou menos assim: “então tecemos os fios, depois os batemos juntos,...” dando o passo a passo do fazer do tecido. Se for analisar a coreografia, ela também segue essa lógica, reproduzindo os movimentos do tear: uma pantomima desse trabalho milenar.
E é bom lembrar que a sobrevivência dessa dança no passar dos séculos deve-se a um conjunto de fatores. A tecelagem ser uma prática existente tanto no ambiente profissional, com os tecidos finos, quanto nas residências, com os panos rústicos, por exemplo, fez com que a “Webertanz” estivesse na mente dos camponeses. Também a estética, com uma combinação elegante de figuras e música fluida, teve papel fundamental para que ela caísse no gosto das comunidades.
Considerada uma das mais belas danças típicas da Europa, a “Väva vadmal” / “Webertanz” não só mostra elementos de uma profissão, que depois se tornaria centro da Revolução Industrial, como também é um exemplo vivo de como os ofícios diários se manifestavam nas tradições e identidades locais. São as pessoas tecendo sua história através da cultura popular.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz . Veja a dança em https://youtu.be/MNnwLrtjVB8 , escute a versão alemã em https://youtu.be/mVN-KRc0XY0 e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br
02/12 - Karusellen
Na “Karusellen” os adultos pagam 10 e as crianças 5?
Dizem que os parques de diversões surgiram na Dinamarca no século XVI, mas que já nas feiras da Idade Média européia se montava estandes de entretenimento. De toda forma, foi só a partir da revolução industrial, com as máquinas à vapor, que apareceram os brinquedos mecânicos que se conhece hoje.
Um exemplo de brinquedo que ainda hoje é popular nesses parques é o Carrossel. O nome significaria “pequena batalha”. Era um circo giratório com réplicas de cavalos e carruagens. Seu ar romântico inspirou casais de namorados. Por isso, não imagine que ele era somente para crianças: quando surgiu era amado por todas as idades.
No início do século XX ocorreu um seminário de professores em Nääs, na Suécia, e lá teria surgido uma canção chamada “Karusellen”. Também conhecida como “Jungfru skär” ou “Jungfru skön”, ela falava exatamente desse brinquedo dos parques de diversões. Registros apontam que a música foi publicada por Otto Hellgren e Rurik Holm em 1905 e que recebeu também uma dança.
Sua letra diz: “Jovem dama, aqui está o carrossel, que segue até à noite. Custa 10 para os grandes e 5 para os pequenos. Apresse-se, agora o carrossel está partindo.” Em sua segunda estrofe coloca: “Hahaha, agora está indo bem, seja pro Anderson, pro Peterson ou para o Lundström”.
Essa música também chegou à Alemanha, como “Das Karussell” ou “Karusselltanz”, mantendo o contexto da letra sueca. Novas variantes da coreografia também surgiram, contudo as figuras centrais vistas na Escandinávia se mantiveram preservadas. No Brasil a dança tornou-se conhecida através do trabalho do “Tanz- und Folkloreensemble Ihna”, de Erlangen - Alemanha.
E duas curiosidades: 1. na Suécia tornou-se popular dançar a “Karusellen” em torno da árvore de Natal ou envolta da “Majstång” - a Árvore de Maio sueca. Assim, para muitos essa música ficou associada ao período natalino. 2. A música ganhou fama nos anos 1950 por ser o tema de um programa de rádio sueco.
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01/12 - Krebspolka
Na “Krebspolka” se anda como um caranguejo?
Nas culturas populares é bastante normal que um conjunto de músicas e danças venham de uma base comum. Como um telefone sem fio, uma melodia e/ou coreografia acaba se espalhando no passar do tempo, no “boca a boca”, e ganha mutações. A “Krebspolka” é mais do que um bom exemplo desse tipo de manifestação.
Primeiramente, é importante dizer que não se sabe de qual canção esse conjunto de danças se originou. Fazem parte dele “Krebspolka”, “Manchester”, “Neukatholisch”, “Lott is dood”, “Line Klare” “Rückwärtspolka”, “Der Neukatholische aus dem Pinzgau”, “Heß”, “Neukatholischer aus der Ramsau”, “Vierschritt”, entre outras. Qual delas é a mais antiga? Isso também não se tem como precisar.
Em grande parte das vezes, se pode especular a origem dos seus nomes, mas na maioria delas é difícil dar uma certeza. “Krebspolka”, como se escuta popularmente no sul da Alemanha e Áustria, seria devido ao fato dos pares darem passos laterais para irem e voltarem, como um siri. Por esse motivo ela seria a “Polca do Caranguejo”. Se esse argumento se faz realidade, daí é outra história.
Já no norte da Alemanha é mais comum chamá-la de “Lott is dood”, ou “Lott ist tot”. Ela tem uma canção, muitas vezes cantada em dialeto “Plattdeutsch”, que conta que o Lott está morrendo… o que é bom, já que isso significa ter uma herança por chegar. Já o refrão inicia geralmente com uma contagem “eins, zwei, drei, vier” seguido de uma parte de um versinho; depois continua a numerar “fünf, sechs, sieben, acht” e fala a segunda parte do verso. Devido ao teor dos textos, há a dúvida se eram feitos para adultos ou crianças.
O que se pode dizer com absoluta certeza é que não se trata de uma dança nacional e sim internacional, já que é encontrada em diferentes áreas da Europa, inclusive na Escandinávia. É uma antiga manifestação cultural que merece um mapeamento mais amplo e aprofundado. Uma grande corrente que conecta distintos povos e identidades.
Quer saber mais? culturaalema.com.br/tanz , veja a dança em https://youtu.be/mJXqGKiLthk e acompanhe às quintas-feiras, 20h, o “Boletim Der Hut”, em www.imperial.fm.br