Exposição de Scytalopus iraiensis (Passeriformes: Rhinocryptidae) às Mudanças Climáticas
Juliana Palagi, Mario Tagliari, Marcos Bornschein
& Fernando Passos
As Mudanças Climáticas estão em curso e essas mudanças no clima acarretarão grandes modificações ambientais, podendo colocar toda a biodiversidade planetária em risco. Muitas espécies terão que se adaptar, migrar ou serão extintas e a migração será um grande desafio, visto que os habitats estão cada vez mais fragmentados. Além disso, algumas espécies não possuem mobilidade que dê suporte a grandes deslocamentos, como o Scytalopus iraiensis (Bornschein, Reinert & Pichorim, 1998), um pequeno passeriforme da família Rhinocryptidae. Trata-se de uma espécie sedentária que realiza voos curtos e possuí um habitat restrito a várzeas de rios. Endêmica do Brasil, ocorre no RS, SC, PR e MG. Seu nível de ameaça é classificado como “em perigo” de acordo com a IUCN e ICMBio. Até o momento, não se sabe o nível de exposição dessa espécie às Mudanças Climáticas, por isso nosso estudo objetivou analisar a distribuição atual dessa espécie e avaliar qual será o risco de exposição de suas populações a partir da Modelagem de Nicho Ecológico.
Os dados de ocorrência utilizados para a elaboração dos modelos foram obtidos a partir de uma plataforma de dados de biodiversidade, o GBIF. Os dados climáticos foram extraídos do WorldClim, para três cenários futuros de emissões: um otimista, um intermediário e um pessimista (SSP126, 245 e 585, respectivamente). A partir desses dados os modelos foram gerados no Software R, com o pacote Biomod2.
Nossos resultados evidenciam que, de acordo com as variáveis bioclimáticas, sua distribuição potencial é restrita. Estima-se que até 2040, ocorra uma grande perda da adequabilidade ambiental para essa espécie e o estreitamento da sua faixa de distribuição atual, mesmo em cenários mais positivos de mudanças climáticas. Essas mudanças no clima, associadas a constante perda e fragmentação de habitat, podem colocar essa espécie em um nível ainda mais alto de risco de extinção. A partir dos modelos de nicho ecológico, é possível entender melhor a distribuição atual e futura dessa espécie e adequar medidas de conservação e mitigação de possíveis impactos causados pelas Mudanças Climáticas.