O papel da variabilidade genética e da pressão de propágulos na incorporação de hospedeiros ao repertório dos patógenos
Angie Thaisa da Costa Souza & Sabrina Borges Lino Araujo
No sistema parasita-hospedeiro, o conservadorismo filogenético das características das espécies hospedeiras pode agir como um facilitador para que patógenos incorporem ao seu repertório espécies filogeneticamente próximas as já utilizadas, pois estas representam recursos e desafios mais semelhantes entre si do que quando comparamos um par de espécies menos aparentado. Considerando que o estabelecimento inicial de associações entre esses grupos requer uma compatibilidade pré-existente, mas não a necessidade evolução prévia de novas capacidades genéticas, espera-se que, dada a oportunidade, ocorram interações entre espécies que não coevoluíram. Maiores pressões de propágulos estão positivamente relacionadas ao sucesso de invasões biológicas e, paralelamente, a colonização de novos hospedeiros por patógenos. Esta relação também é verdadeira para variabilidade genética introduzida pelo propágulo. A partir dessas informações, testamos se maiores tamanhos de propágulos e propágulos geneticamente mais diversos permitem a incorporação de hospedeiros distantes dos utilizados originalmente pelos patógenos. Através de simulações in silico, avaliamos o sucesso de estabelecimento de patógenos em hospedeiros que representam diferentes distancias do hospedeiro original, contrastando cenários com e sem variabilidade genética entre os indivíduos presentes no propágulo e testando três tamanhos de propágulos. Os parâmetros avaliados se mostraram positivamente relacionados com a incorporação de hospedeiros distantes ao repertório original dos patógenos e, mesmo propágulos quase dizimados no momento da troca de hospedeiros levaram ao sucesso no estabelecimento da população quando a taxa de reprodução compensou o baixo número de indivíduos iniciais. O número de linhagens formadas e variabilidade genotípica não tiverem relação com a distância entre os hospedeiros habitados, porém, a variabilidade fenotípica está diretamente associada a esta distância, aumentando a diferenciação entre as espécies que habitam hospedeiros distantes. Essa situação atenta para o risco de doenças emergentes, sobretudo quando o acesso de patógenos a novos hospedeiros tem sido facilitado por meio de ações humanas que, diariamente, deslocam diversas espécies.