Existem pequenas diferenças - se é que existe alguma - entre a forma sefaradi convencional de usar o tefilin e o modo S&P. Ambos evoluíram conforme as gerações, mas apenas em pequenos detalhes.
De longe os mais importantes são as mudanças entre os tefillin sefaradi e ashkenazi, parte devido aos melhoramentos nos métodos de fabricação (os quais são bem vindos), mas também parte devido a aceitação em massa de regras estritas desnecessária que aumentaram o tamanho das caixas e espessura das retzuot (tiras de couro) - assim como também a tendência de eliminar as legítimas diferenças entre as comunidades.
A ilustração feita pelo artista não judeu Bernard Picart, penso que não está com a devida precisão, certamente lembra a segunda foto abaixo mais do que a primeira (perceba as tiras do dedo médio).
Nota: A ilustração mostra um tefilin utilizado na mão direita. Eu inverti a imagem original para que facilitar a compreensão e poder comparar com as fotos abaixo, a qual mostra um tefilin utilizado na mão esquerda, como é de costume em usuários destros.
Como todos sefaradim, os S&P enrolam a tira para fora do braço, e voltam por baixo (O costume ashkenazi é enrolar na direção oposta: para fora do braço, e voltar sobre ele no sentido oposto - o que leva a uma piada politicamente incorreta bem conhecida às custas deste último que não repetirei aqui). Perceba, no entanto, que a ilustração de Picart não mostra sete dessas voltas. Por mais adorável que seja o número sete, sete voltas ao redor do braço nunca foram - e não é - um requerimento. Algumas simples voltas até chegar no pulso, usando quantas voltas forem necessárias. Entretanto há um dilema levantado por Ben Ish Hai se devemos contar a primeira meia-volta ou não, almejando alcançar as sete voltas - e a sua decisão de adicionar ainda uma outra volta "para ter certeza" - se torna irrelevante. Mas se você gosta de sete voltas, isso é adorável.
A diferença entre os grupos de sefaradim ocorrem depois das voltas no dedo médio:
Um terceiro costume...
O ponto principal a ser destacado aqui não é particularmente uma forma de nó S&P. Isto é, em teoria todos os sefaradim e ashkenazim utilizavam o mesmo tipo de nó que se parece um quadrado formado por outros quatro quadrados menores(imagem da esquerda). Este se refere como a letra hebraica "ד" dalet, por que as tiras inferiores saem em ângulos retos como um dalet.
A referência das fontes relacionadas ao "nó com formato de dalet" foram mal interpretadas, e eventualmente levaram a invenção a um novo tipo de nó cujo seu formato em si é um dalet (como na imagem da direita). Muitas pessoas que originalmente usavam o nó antigo mudaram para o novo modo (ou foram mudados para o novo pelos ultrazelosos soferim sem o seu conhecimento), sob a errônea impressão de que o "nó com formato de dalet" é o correto - o qual não é.
Braço
A Ilustração de Picart mostra um bait do braço posto muito baixo. O correto seria no meio do bíceps, do braço mais fraco. (esquerdo para destros e direito para canhotos)
Cabeça
A ilustração no topo da página nos representa com outro problema. Ele retrata um chapéu tricórnio usado ao mesmo tempo que o tefilin da cabeça, o qual está significativamente baixo na testa, e a posição recomendada pelas fontes tradicionais é na linha natural onde inicia o cabelo.
Então, ou eles usavam seus tefilin de cabeça (como na foto), mais baixos que a tradição nos conta, ou talvez a foto não é precisa e eles usavam o tefilin da forma tradicional com os tricórnios recaídos um pouco para trás.
Em Nova Iorque hoje, os soft hat usados pelos clérigos e congregantes podem ser recaídos um pouco para trás, permitindo que o tefilin seja utilizado na altura da linha do cabelo. Em londres, onde as cartolas substituíram os tricórnios há muito tempo atrás e são os únicos chapéus utilizados nas sinagogas, eles são deixados de lado nos dias da semana, mas algumas décadas atrás eram de fato utilizados precariamente recaídos para trás permitindo o posicionamento correto dos tefilin da cabeça.