Em comum com outras comunidades judaicas, os S&P sempre chamaram os seus xales de oração "tallét" - não "taleet" (or "tallit") como no hebraico moderno.
Os S&P possuem tallets um pouco largos, usualmente feitos de seda com listras azuis claras, e os usam envoltos em seus ombros como xales (não meramente ao redor do pescoço como um cachecol), com todos os quatro tsitsiot (franjas) para frente. Hoje em dia - com a seda substituída pelo rayon (seda artificial), o qual tem sua validade questionada para fazer um tallet - Tallets de lã modernos (usualmente com listras brancas) são mais comumente usados por rabinos e alguns membros da congregação, levemente dobrados sobre os ombros da maneira Ashkenazi (porque as dimensões são diferente, e eles não funcionam como xales).
Assim como várias outras comunidades Sefaradi, existe a tradição de embelezar e personalizar o tallet com bordados quadrados em suas pontas, embora esta prática tenha caído em desuso nos últimos anos. Enquanto na Holanda e outros lugares estes cantos poderiam ser brilhantes e coloridos incluindo desenhos, em Londres eles tendiam a ser um monograma tradicional bordado em branco, azul claro ou ouro em um fundo branco liso (ver abaixo para exemplos), similar aos tradicionais monogramas utilizados em toalhas de mesa inglesas.
Para maioria das ocasiões, quando se usa cartola, o tallet não é usado sobre a cabeça. No entanto Kohanim recitando a benção sacerdotal, e a pessoa que toca o shofar em Rosh Hashanah, usam o tallet colocado sobre o sua cartola.
Existe uma referência a tallets com cantos coloridos na descrição da Sinagoga de Creechurch Lane (a qual precedeu a Bevis Marks), datada de 1662.
Para ver a carta completa(página 9 de um PDF extraído) click aqui.
"Seus véus são todos puramente brancos, feitos de tafetá ou seda, penso que alguns são feitos de materiais mais grosseiros que seda; O véu em cada uma de suas pontas tinha um medalhas bordadas; alguns tinham medalhas vermelhas, alguns verdes, alguns azuis, alguns forjadas em ouro ou prata, ..."
A benção recitada quando colocamos o tallet é "Lehit'atef betsitsit" - se enrrolar com as franjas. Esta bênção tem sido interpretada de duas formas distintas:
A Capa: O costume dos judeus da Europa oriental é dobrar as pontas sobre os ombros, então dois tsitsiot ficam para frente e dois para trás do utilizador - como "uma Capa". Para facilitar isto, o tallet possui proporções quase quadradas. No entanto existem várias sugestões de como enrolar o tallet ao redor da cabeça e dos ombros no momento da benção - em uma tentativa de cumprir da forma mais literal a mitzva de "lehit'atef", se enrolar com o tallet - aparentemente a compreensão de se "enrolar" de acordo com este costume é na sensação de estar "envolto" pelo tallet - envolvendo-se com os tsitsiot.
O Xale: No costume ocidental, entre os Sefaradim, Ashkenazim e entre os Iemenitas, é de utilizar o tallet como um "Xale de Oração". Para este propósito as proporções do tallet tendem a ser mais retangulares e largas o suficiente para cobrir as costas do utilizador. Entusiastas do primeiro método de utilização, apontam que deste modo não se cumpre a mitzvah de estar "envolto às franjas"(com duas franjas na frente e duas para trás), mas de fato o utilizador está enrolado no tallet, a qual é de longe a mais literal das interpretações da palavra usada na benção!
O Cachecol (não): Devemos salientar que muitos tallets de seda de arte moderna em forma de xale, não passam de echarpes, e uma encharpe não pode ser um tallet (e de fato uma echarpe não requer tsitsiot). O consenso geral para ser considerado um tallet é que deve ser grande o suficiente para cobrir a cabeça e maior parte do corpo de uma criança de 8 anos de idade, e ser usado sobre os ombros e não apenas ao redor do pescoço
Embora não seja minha intenção decidir entre a primeira e a segunda tradição, a segunda claramente é a tradição S&P, e eu lamento que muitas pessoas tenham sido persuadidas a mudar para o primeiro método - devido a indisponibilidade de tallets adequados as proporções necessárias para a utilização, or pelo erro de impressão de que este método é inferior ou até mesmo incorreto.
A tradição de embelezar os cantos do tallet está de acordo com a largamente difundida prática judaica de "hidur mitzvah", embelezamento e personalização da nossa prática religiosa, como uma expressão de amor por elas, e como uma maneira de neutralizar a tendência natural de realizar as coisas fora do normal e adquirir nossas mitzvot "prontas".
1. Este monograma datado de pouco mais de 100 anos atrás da comunidade S&P de Londres, e está em exposição na Sinagoga Bevis Marks. Curiosamente tem as minhas iniciais!(Foto por Jonathan Cohen).
2. Outro exemplo tradicional Inglês.(Cedido por Estelle Levy)
3. Este provavelmente é de Calcutta, India. O monograma é em estilo inglês, enquanto o bordado floral deve ter sido feito no local ou próximo a Shanghai. (Cedido por Estelle Levy)
4. e 5. Dois exemplos S&P tradicionais que vi no museu em Amsterdam. O que está à esquerda da imagem na parte de trás é um bordado tradicional italiano, enquanto o da frente à direita é mais tradicional e exuberante.(Foto por Jonathan Cohen)
6. Um dos mais magníficos conjuntos de cantos em petit point que foram presenteados ao meu amigo Rabbi Martin Van den Bergh no seu barmitzvah, pelos seus pais S&P holandeses. Note que não furo para que as franjas sejam atadas, então os cantos foram aplicados depois das franjas serem colocadas e o furos foram cobertos. Isto torna mais fácil transferi-los para um novo tallet quando necessário.( cedido por Martin van den Bergh)
Os tsitsit (franjas) são atadas na forma tradicional sefaradi (com um nó a cada volta da corda de fora; enquanto que o costume ashkenazi é de dar voltas continuas). No entanto, eles usam a ordem de configuração 10-5-6-5 voltas, ao contrário da configuração criada depois 7-8-11-13 ( a qual hoje-em-dia é a mais comum em comunidades não S&P)*
A configuração S&P representa o Tetragrammaton, sendo os valores numericos que constituem as quatro letras: YOD (10) - HEI (5) - VAV (6) - HEI (5), mas sem dúvida não tem as mesmas restrições quanto a versão escrita do Tetragrammaton, sendo apenas um lembrete, ao invés das letras reais.
As franjas são aparadas de modo que fiquem do mesmo comprimento, para embelezar o mandamento. O costume moderno, inspirado na kabalá é de não aparar o fio usado para enrolar o tsitsit, mesmo que fique significativamente mais longo que os outros, isto obviamente não é observado.
Em 2013, Procurando nos pertences de meu falecido pai eu encontrei este tallet de seda, qual eu acredito que pertenceu ao meu tio avô Solomo. Ele frequentava os serviço na sinagoga S&P de Maida Vale entre 1933 e 1976.
Olha para estas centenas de longas, borlas de seda amarradas à mão!
As dimensões deste tallet são 81,28cm x 193,04cm com incriveis borlas de 30,48cm em cada extremidade.
Em minha visita a Mikveh Israel, Filadélfia, em 2015, fui apresentado a este tallet que pertenceu ao Sir Albert Abdullah Sassoon da famosa dinastia Baghdadi-indiana, o qual viveu em Londres (m. 1896). O bordado do canto está em alto relevo, em linha dourada/metálica.
Meus agradecimentos ao Rabbi Isaac Sasson and Prof. Herman P. Salomon por me mostrar isto.
Este tallet foi obviamente feito para um homem grande e é muito maior que o outro acima (eu sei porque eu provei). Suas dimensões são 111,76cm x 238,76cm.
Aqui estão o cantos que eu desenhei e que estão bordados no meu próprio tallet. Você consegue reconhecer minhas iniciais?
Eu ainda pude obter tsitsiot de seda por um certo preço, penso que tsiotsiot de lã são perfeitamente aceitáveis para ambos, tallets de lã ou seda.
É um costume relativamente recente adicionar uma tira de tecido bordada ao longo de uma das bordas do tallet. Esta tira é conhecida como "Atara". A ideia por trás disso é para ter certeza de que os quatro cantos do tsitsit estejam sempre na mesma posição (dois para frente e dois para trás), seguindo uma opinião minoritária de que se uma vez utilizou os dois tsitsiot para frente percebida como uma posição distinta, nas próximas ocasiões não se pode colocar os tsitsiot para trás de novo.
Embora seja uma boa a ideia, esta nova restrição halachica não foi aceita universalmente, e os tallets tradicionais S&P não possuem atara.
Nos dias de hoje, quando nós compramos tallets de "fabricantes em massa", obviamente o costume da maioria - ou percebido como maioria mesmo que seja, originalmente não era - E isso aconteceu no caso do atarah. É impossível encontrar hoje um tallet (fabricado) que não possua um atarah.