Através desta ilustração de uma família Ashkenazi na Alemanha, reflete perfeitamente a mesa de Shabat idealizada nos lares judeus em todo lugar.
Nosso objetivo é criar uma atmosfera de calmaria e segurança que reabastece nossas forças espiritualmente e fisicamente para a semana que se vem a seguir com uma comida deliciosa, se acercando de boas companhias, dando atenção para os familiares (em especial para as crianças), cantando e estudando Torah.
Na primeira seção a seguir, eu discutirei os costumes que se aplicam ao lar; na segunda a sinagoga.
A primeira seção foi escrita em resposta a uma lista bem específica de pedidos sobre como é estar em um Shabat Sefaradi Ocidental e como descrevê-lo para alguém que nunca viu antes. Quando tudo estiver dito e feito, penso que o principal objetivo - em qualquer lar judeu - deva ser criar uma atmosfera que reviva as tradições fisicamente e promova o crescimento espiritual, mais que uma atmosfera na qual qualquer costume é imposto às custas do conforto.
É impossível escrever sobre costume do lar S&P
sem mencionar que "menos é mais" no princípio. Ao longo das gerações, nenhum grupo que mais fez modificações na liturgia e costume mais que os cabalistas, cujo a influência os judeus S&P permaneceram quase imunes (embora não inteiramente).
Então, você encontrará lugares abaixo onde mais que descrever um costume, eu direi que abertamente que algo não é feito. Geralmente isto não significa que você não pode ou não deveria fazer, mas que você não precisa fazer. No princípio, parece menos, mas, eventualmente, você percebe que está ganhando e não perdendo.
Acendimento das velas
Nota 1: Em anexo a esta seção, se discute a questão se as mulheres S&P abençoam antes ou depois de acender as velas.
Abençoando as Crianças
Se você tem filhos, quando você abençoa-os? Na sinagoga, logo quando chega em casa, imediatamente antes do kidush ou logo depois? A resposta é escolha o momento que seja mais confortável para você, e mantenha-o: As crianças adoram a sensação de segurança de "saber o vem depois" (Penso que também é bom incorporar surpresas também).
Shalom Alechem and Eshet Hayil (não)
No formato altamente estilizado que a observância que o Shabat assumiu em nossos dias - onde Shalom Alechem é cantado em um "modo menor do leste europeu"(escala musical) , e Eshet Hayil em um niggun composto por Ben Zion Shenker( (tão recente quanto 1953, a propósito) - Soa uma blasfêmia dizer que eles não são parte do costume hispano português. Eles foram introduzidos por cabalistas e se você gosta deles por todos os motivos e acha apropriado para sua tradição familiar, por favor cante-os numa mais otimista escala maior, como sugerida aqui.
Kiddush
Kidush é dito de pé. O copo é cheio, mas não transbordando, e segurado em mão forte como você costuma normalmente segurar um copo ( e não balanceado precariamente na palma da sua mão).
O vinho do copo principal é dividido aos participantes ( bebe do copo principal ou dos outros copos no qual foi derramado), ou alternativamente eles podem segurar seus próprios copos de vinho enquanto o kidush é dito. A escolha é sua.
Esta é a melodia usada em Londres: ♫ Kiddush da sexta à noite
Pequeno primeiro prato ou entrada(não)
Os S&P de Gibraltar (e algumas outras comunidades) tem o costume singular de comer peixe, frutas e vegetais logo após o kidush e antes de lavar as mãos. Isto lhes dá a oportunidade de dizer três brachot extra antes do hamotsi, mas isto não é obrigatório, não é o costume para a maioria dos S&P.
Lavando as mãos
O costume S&P é derramar água duas vezes na mão direita seguida de duas vezes na mão esquerda(DDEE). Os cabalistas mudaram isto para três por mão(DDDEEE). Perceba que mesmo na versão cabalística é diferente do lavar das mãos ao acordar(DEDEDE).
A questão é saber se recitamos a brachá antes ou depois de molhar as mãos, o costume permanece em discussão. Ainda que o costume preferível dos S&P seja o de abençoar antes de lavar - uma vez que nos dias de hoje nossas mãos estão sempre limpas (כל המצות מברך עליהן עובר לעשייתן) - O costume Ashkenazi de abençoar depois parece ter enraizado.
Hamotsi
A bênção sobre o pão é precedida do verso "poteach et yadecha" (Salmos 145:16) uma linda referência a providência divina. Dependendo do tipo de pão utilizado e a sua preferência, o pão pode ser cortado com uma faca ou partido com as mãos. Os cabalistas tem aversão a usar uma faca ( por que ferro não era permitido no altar) isto não é levado em consideração. Os pedaços de pão são mergulhados ou tocam sal antes de serem passados adiante na mesa.
Gefilte fish (não)
Pelo amor de Deus, sirvam o que quiserem em suas seudot. Nós não seguimos a preferência cabalística de servir peixe em toda refeição, mas de qualquer forma faça se tiver vontade. É dito que o Gefilte fish foi inventado para evitar as espinhas do peixe por conta da melachá de separar (borer), mas como nós sefaradim somos permitidos a separar o peixe das espinhas em shabat para comer, não há necessidade específica de servir gefilte fish a não ser que você goste (eu pessoalmente gosto).
Separação entre pratos de peixe e carne(não)
Este costume surgiu devido ao medo de comer os dois juntos, o que é fisicamente perigoso(por conta das espinhas). Os S&P não seguem isto, e existem receitas casher de pelo menos 400 anos atrás que incluía mistura de peixes e carne, como "bife ao molho de anchovas".
Fazer uma refeição bonita e significativa
Eu quero dizer para você, sua família e seus convidados - não por nenhum padrão inventado que mata todo mundo de tédio. Se você gosta de sopa, faça uma. Se você não gosta, não faça. Em qualquer seudá, especialmente na de Shabat, é legal que você possa introduzir um conceito, educacional, um tópico instigante no meio da conversação. Você não precisa evocar um Devar Torah, ou de fato você poderá arruinar seu efeito se o fizer.
Canções de Mesa
Se tornou tradicional em várias comunidade judaicas adicionar à atmosfera intercalando a refeição com canções de mesa exaltando o todo poderoso, recontando detalhes de observância do dia e geralmente introduzindo uma nota de santidade e bom ânimo. Canções de mesa desta espécie (o oposto das canções de bar dos menestréis) é atualmente algo único do povo judeu. E é uma linha importante no tecido da família judia e uma grande forma de inculcar a identidade comunitária nos filhos. Mas se você particularmente não gosta ou não se sente à vontade, isto também está bem. Aprenda mais sobre canções de mesa aqui and aqui.
Graça depois das Refeições
veja os detalhes aqui
Bendigamos
Esta pode ser cantada antes ou depois do Birkat Hamazon, e tem sua própria página aqui.
Kidush (manhã)
O kidush da manhã costuma ser dito sentado, exceto na sinagoga onde as pessoas geralmente estão de pé o tempo todo.
Esta é a melodia utilizada em Londres: ♫ Kidush para manhã de Shabat
Uma kula(leniência) do kidush da manhã em relação ao da noite de sexta, é que comer pão não é excencial. Bolos, crackers ou outros tipos de "mezonot" bastam, e você pode então ter uma segunda refeição de Shabat - com pão - mais tarde, quando você voltar para casa.
Seudá Shlishit(3ª refeição)
É costume ter uma terceira refeição na tarde do Shabat, também com pão. Mas se o dia for muito curto, ou se você não sentir vontade, ao invés disto pode ser um leve "chá da tarde" com bolos, quiche, biscoito ou crackers, ou até mesmo apenas frutas.
A Bênção Sacerdotal (Birkat Cohanim)
Tradicionalmente, em toda diáspora das comunidades hispano portuguesa, a Bênção Sacerdotal da congregação dita pelos Cohanim, é performada apenas nos festivais. Isto é também um costume Ashkenazi. Entre os judeus norte-africanos e mizrahim ocorre todo Shabat.
Em uma medida altamente incomum, há dez ou quinze anos atrás, como resultado de fortes sentimentos por parte de alguns membros mais novos da comunidade, a Kahal de Londre inteira decidiram votar sobre o assunto, e foi democraticamente decidido abrir mão de 350 anos de tradição e introduzir o Birkat Cohanim no Shabat. Esta decisão afeta apenas Londres; nenhuma outra comunidade S&P seguiu o exemplo.
A bênção dita pelos Cohanim apenas é dita na repetição do Shacharit. No musaf a bênção é dita pelo Hazan, como antes.
Onde existem dois ou mais Cohanim, o Hazan chama "cohanim!" e eles começam a recitar a bênção. Se existe apenas um cohen, ele começa sem a necessidade de ser convidado.[1]
Uma característica do Birkat Cohanim Hispano Português é que, enquanto houver dois ou mais Cohanim presentes, eles seguirão a benção de abertura com a primeira palavra "Yebarekhekha" sem esperar que o hazan o diga, e o ministro os liderará apenas a partir do segunda palavra da bênção. [2]
Se só há um cohen, ele espera depois de completar a bênção de abertura para o hazan primeiro dizer "Yebarekhekha" e depois a repete, como todas as palavras subsequentes, depois dele.
O Hazan continua da segunda palavra da bênção (muitas vezes mudando para um tom que se ajuste ao seu alcance vocal!), e os cohanim seguem ele palavra por palavra.
Se o Hazan é Cohen: Se a pessoa que está liderando o Shacharit é cohe, ele não participa da Birkat Cohanim. Neste caso, as palavras que guiam os cohanim são ditas pelo mestre do coral.
Se o hazan é o único cohen presente, ele mesmo assim não vai ao Hechal para o Birkat Cohanim, mas recita a versão do leitor direto da Tebah. [este era meu costume como Rabino Visitante da Bevis Marks.]
Cartolas/Chapéus coco: Se o cohen está usando um chapéu coco para o serviço, ele não a retira para Birkat Cohanim, mas cuidadosamente coloca o tallet sobre ela. Nos dias de hoje nós priorizamos o uso delas, mas quando os chapéus tricórnios eram usados, todos os congregantes usavam seus tallets sobre seus chápeus durante o serviço (como pode ser visto na ilustração de Picart acima, e outras).
Certamente isto foi descontinuado com a troca dos tricórnios para chapéus de coco, pois o atrito constante do Tallet desgastaria a borda de seda do chápeu.
Hoje em dia o tallet é usado sobre o chapéu apenas em duas ocasiões: Para Birkat Cohanim (pelos cohanim), e para soprar o Shofar (pelo Baal Tokeah), em ambas situações para adicionar solenidade na ocasião.