Assim que foi decidido que o curso de Odontologia seria escolhido, Juscelino Kubitschek e Pedro Paulo Penido tiveram como preocupação inicial a escolha do quadro de professores. Juscelino estava em período de campanha para a Presidência da República e recebia diversos pedidos de nomeação de cunho político, as quais ele negava pronta e invariavelmente dizendo que o quadro já estava completo. O fato é que o Professor Pedro Paulo Penido era quem estava inteiramente incumbido de convidar os futuros professores, com total confiança de JK, levando em consideração que ele sequer sabia quem estava sendo contatado.
O curso naquela época era ministrado em três anos, havendo no currículo quatro matérias em cada ano e com a seguinte disposição: no primeiro Anatomia, Microbiologia e Histologia, Fisiologia, e Metalurgia e Química Aplicada; no segundo Patologia, Técnica Odontológica, Prótese e Clínica 1ª parte; e finalmente no terceiro Clínica 2ª parte, Ortodontia e Odontopediatria, Prótese Buco-Maxilo-Facial, Higiene e Odontologia Legal. Por conseguinte, eram necessários no mínimo vinte e quatro professores, sendo doze catedráticos (o mesmo que professor titular, a mais elevada categoria da carreira docente) e outros doze assistentes. Em Diamantina, naquela época, haviam cinco médicos e cinco dentistas, quantidade insuficiente para formação do corpo docente. Foi necessário, portanto, recorrer ao recrutamento da maioria de professores de Belo Horizonte.
Antes de citar os professores escolhidos, é importante explicitar que Penido já havia declarado a sua intenção da formação de um corpo docente composto por professores bem sucedidos em suas clínicas e não apenas professores teóricos e livrescos, com o intuito de que eles pudessem ensinar aos seus alunos a conduta que mantinham em seus consultórios. Dessa forma, os Professores Catedráticos interinos escolhidos foram Arnaldo Marques de Souza (Prótese Buco-Facial), Enyr Arcieri (Anatomia e Fisiologia), Fausto de Paula Pinto (Técnica Odontológica), Gudesteu de Medeiros (Histologia e Microbiologia), Guilherme Armond (Metalurgia e Química Aplicadas), José Severiano Brasil de Lima (Higiene e Odontologia Legal), Marciano Ribeiro Vianna (Patologia e Terapêutica), Pedro Luiz Diniz Viana (Clínica Odontológica II), Roberto Rocha (Ortodontia e Odontopediatria), Rubens Guzella (Prótese) e Walter José de Carvalho (Clínica Odontológica I). A eles foi dada total liberdade de escolha quanto aos seus assistentes e, assim, eles julgaram mais racional aproveitar ao máximo os pratas da casa. Dessa forma, foram selecionados para o cargo de professores assistentes: Algemiro Duarte Netto (Histologia e Microbiologia, e Ortodontia e Odontopediatria), Augusto César (Metalurgia e Química Aplicadas), Evandro Souza Couto (Técnica Odontológica), João Antônio Meira (Histologia e Microbiologia), João Antunes de Oliveira (Higiene e Odontologia Legal), José Aristeu de Andrade (Fisiologia), José de Araújo Flecha (Clínica Odontológica II), Zanilo Moreira da Silva (Patologia e Terapêutica), de Diamantina, Osmir Luiz de Oliveira (Anatomia e Prótese Buco-Facial) e Sílvio Lourenço de Strambi (Clínica Odontológica I e Prótese), de Belo Horizonte. Os da capital ocuparam duas cadeiras de assistência cada, como uma forma de compensar os baixos salários vigentes.
No momento em que os convites foram feitos aos professores, as promessas foram de fato atraentes, sendo prometidos desde um salário diferenciado, o qual permitiria a dedicação exclusiva ao magistério e até uma casa pra morar. Contudo, o cenário encontrado foi bem diferente, os salários eram baixos e pagos com atraso, de forma que os professores catedráticos interinos continuaram dependentes do rendimento em suas clínicas. Para isso, os horários tiveram que ser organizados de forma que os professores pudessem conciliar as duas ocupações, visto que a distância entre Diamantina e Belo Horizonte é de 320 quilômetros. Portanto, somente muito amor em difundir o conhecimento e idealismo em construir uma coisa nova foram os responsáveis por permitir que continuassem a jornada dupla de clinicar e lecionar.
DE CARVALHO, Walter José. Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina - Sua História. 1. ed. Diamantina: Gráfica Urgente, 2000.
FERNANDES, Antônio Carlos; CONCEIÇÃO, Wander. Caminhos do desenvolvimento: síntese histórica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri 1953 - 2005. 1. ed. Diamantina: UFVJM, 2005.