O Plano Piloto de Ensino Integrado teve seu início em 1965, mas antes de contar como ele foi durante o seu tempo de execução é importante explicar os fatos que antecederam e possibilitaram sua criação e como a FAFEOD foi escolhida para sediar essa rica experiência para a Odontologia Brasileira e Internacional.
Tudo começou com uma reunião da ABENO em Natal, no Rio Grande do norte, em que após a ocasião seria escolhida uma nova sede para o evento. Idealmente a próxima edição seria sediada em Florianópolis no ano de 1959. Contudo, o representante da Faculdade de Odontologia da Universidade de Santa Catarina ao receber a proposta disse que a Faculdade não tinha condições para patrocinar a reunião. Assim sendo, surgiu a abertura para uma nova sede para o evento e o Professor Rubens Guzella, Diretor da FAOD, juntamente com José de Lima, representante da Bahia, propuseram que Diamantina fosse a sede, uma vez que em conversa entre os dois já havia surgido o assunto de que a cidade tinha as condições ideais. Após a proposição, houve aprovação do demais membros por unanimidade.
Nessa época o Presidente da ABENO (Associação Brasileira de Ensino Odontológico) Paulino Guimarães Júnior e o Secretário Cláudio Melo foram a Diamantina verificar as condições, no que tudo indica em seu primeiro contato com a cidade e com a FAOD. Após verificadas as condições o evento foi aprovado e em 1960 realizada com absoluto sucesso.
Outro fato que também influenciou bastante foi a ida do Professor Walter José de Carvalho para a Universidade de Michigan, por meio da contemplação com uma bolsa da International Cooperation Administration. Durante a resolução dos trâmites para que fosse possível sua ida, o Professor Walter ficou sabendo que um grupo de Diretores de Faculdades do Brasil iria viajar para um Congresso nos Estados Unidos, visitando também as faculdades norte americanas com o intuito de observar suas instalações e seus métodos de ensino. Com isso, ele interviu ao Sr. Forney para a inclusão de Rubens Guzella ao programa, pedido que foi concedido. Dessa forma, em agosto de 1959 os professores se afastaram de seus cargos, Walter indo para Nova Iorque e Guzella cuidando dos preparativos para seu estágio em setembro e outubro. Ao final de novembro o Diretor retornou ao Brasil, ele estavam impressionado e comovido com as impressões sobre as visitas às Escolas de Odontologia dos Estados Unidos.
Paulino Guimarães já possuía antes mesmo da sua visita a Diamantina a ideia de reformulações no ensino odontológico, por meio da modificação dos currículos. Naquele tempo, a estrutura das faculdades, tanto de Odontologia quanto de Medicina, baseava-se na existência de cátredas, nas quais eram ensinadas matérias tanto clínicas quanto básicas e sem a maior integração e correlação umas com as outras. Paulino divulgou sua ideia em dois trabalhos e os apresentou em um seminário sobre o ensino odontológico em Bogotá, em 1962. Ele tinha como inspiração uma experiência de ensino integrado que ocorreu nos Estados Unidos, na Escola de Medicina da Western Reserve University.
Devido a sua influência e prestígio no ministério da educação, Paulino conseguiu que em 1964 fosse criada no Ministério da Educação a "Comissão de Planejamento da Formação de Odontólogos" e no mesmo ano foi encarregado de elaborar os estudos básicos necessários para a implantação de uma nova estrutura para o ensino odontológico, se possível nos moldes do ensino integrado. Inicialmente, a ideia era instalar uma "Escola Experimental de Odontologia", mas dessa ideia aconteceu a evolução para que esse "Projeto Experimental" fosse instalado em uma das Faculdades já existentes. Após ser escolhido o modelo de realização, começou a fase de escolha de qual Faculdade seria melhor para sediar a experiência do "Plano Piloto de Ensino Integrado". A Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina - FAFEOD, foi a que apresentou maior quantidade de fatores positivos para a escolha, superando as outras cerca de 34 Faculdades. Sendo assim, a Congregação da Faculdade de Diamantina aprovou e assinou o Convênio em 8 de abril de 1965. Logo em seguida, em 21 de abril foi inaugurado o curso e no dia 22 já foram iniciadas as atividades.
O Plano Piloto consistia de maneira resumida na extinção das antigas cátedras e no surgimento de departamentos que abrigavam disciplinas correlatas, gerando uma grande integração. Em Diamantina, as doze cátedras deram lugar a quatro departamentos, aos quais ainda foram adicionadas mais disciplinas. É de extrema importância ressaltar que para funcionamento do Plano era necessária a dedicação em tempo integral e dedicação exclusiva dos professores e alunos.
A seguir, está disposto o documento do Plano Piloto de Ensino Integrado, que traz em suas páginas a logística adotada para o funcionamento do curso de Odontologia, com base nas determinações do Ministério da Educação no que tangem as Instituições de Ensino Superior.
Além de seu caráter revolucionário e inovador, essa experiência foi um marco muito grande para a Odontologia em Diamantina por diversos fatores. Primeiramente, a escolha entre as demais Faculdades do país dava posição de destaque e prestígio. Outrossim, da verba destina pelo Ministério da Educação para a Odontologia, metade era destina ao Plano Piloto e o outro restante dividido entre as demais Faculdades. Por fim, o Coordenador Geral escolhido para o Plano Piloto de Ensino Integrado, ficou encarregado de escolher os mais destacados mestres da Odontologia Brasileira, os quais ficaram concentrados na cidade por cinco anos, possibilitando assim formação com a melhor qualidade possível no momento. Foram integrantes do Plano Piloto cinquenta e quatro professores de doze Universidades Brasileiras (dispostos na aba dos Docentes).
O Plano piloto foi iniciado em 1965 e concluído em 1969, com a graduação de duas turmas, uma em 1968 e a outra em 1969. A maior parte desses formandos foi rapidamente absorvida por várias Faculdades, devido ao alto nível de conhecimento e formação profissional. A FAFEOD absorveu Oliveira Tângari, Walter Catarina Ribeiro, Wilson Santana dos Santos e Rafael de Miranda Pereira.
Havia a expectativa que a avaliação do Plano Piloto fosse gerar discussão na ABENO e fornecesse fundamentos para a formatação de um projeto avançado de ensino odontológico no pais. Todavia, apesar de ser excepcional do ponto de vista pedagógico, essa nova filosofia de ensino tinha se mostrado com o custo bastante elevado, ficando fora da realidade de praticamente todas as faculdades do país.
Contudo, mesmo não emplacando um modelo de ensino aplicável em todas as faculdades de Odontologia, a experiência foi bastante progressista, posto que viabilizou a extinção das cátedras, criação dos Departamentos e a setorização de várias áreas da universidade. Portanto, houve a promoção de uma reforma do ensino, mesmo que não da maneira como havia sido planejada, melhorando a forma pedagógica e didática das instituições de ensino superior.
DE CARVALHO, Walter José. Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina - Sua História. 1. ed. Diamantina: Gráfica Urgente, 2000.
FERNANDES, Antônio Carlos; CONCEIÇÃO, Wander. Caminhos do desenvolvimento: síntese histórica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri 1953 - 2005. 1. ed. Diamantina: UFVJM, 2005.