No século passado, a FAFEOD teve importantes convênios que resultaram em clínicas e atenção odontológica extramuros. Todas elas foram muito enriquecedoras e marcaram a atenção que a Odontologia Social deve ter, visto que é necessário descontruir uma visão elitista que perdura até hoje.
A primeira experiência foi um convênio com o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP). Tudo começou com uma vinda de Juscelino a Diamantina acompanhado do Superintendente do SESP, em 1960. Nessa ocasião, a FAFEOD conseguiu autorização do órgão para a instalação de uma unidade odontológica em Diamantina, voltada para o treinamento dos alunos em Odontologia Preventiva, através do Plano Incremental de Tratamento e Prevenção. Esse primeiro convênio foi o pioneiro das atividades extramurais dentro da FAFEOD.
Em 1970, houve um convênio com a Prefeitura de Diamantina para que houvessem atendimentos nos distritos do município. Essa história tem um início inusitado, posto que o então Prefeito de Diamantina e Professor da Faculdade, João Antunes de Oliveira, estava pagando alunos de Odontologia para atender na área rural de Diamantina. Ao descobrir a situação o Professor Walter José de Carvalho chamou a atenção para a ilegalidade daquilo que estava sendo feito, e como professor de Odontologia Social propôs que fosse assinado um convênio, entre Prefeitura e Faculdade, em que os alunos continuariam a atender, mas com a supervisão de um professor e sob a responsabilidade da Faculdade. Os distritos eram atendidos em unidades volantes, sendo que a primeira delas foi uma Kombi com consultório completo adaptado, conseguida em uma visita do então Secretário Geral do Ministério da Educação Coronel Confúcio Pamplona por meio da solicitação do Diretor da Faculdade Prof. Augusto César. Os Prefeitos dos municípios vizinhos, Datas, Presidente Juscelino e Inimutaba, logo ficaram sabendo e já procuraram firmar também convênios com a Faculdade, os quais ampliaram muito a área de atuação.
A Faculdade também teve outra unidade volante a disposição, e muito bem equipada. Contudo, essa não era posse da FAFEOD e sim relativa a um convênio com a Cooperativa de Assistência às Artesãs de Tapete Arraiolo (CARDI), a qual tinha recebido essa unidade como uma doação de uma entidade assistencial europeia, mas não tinha recursos para contratar por dentistas e médicos.
No ano de 1976 com a visita do professor Wolney Garrafa, da Universidade de Brasília (UnB), para ministrar um curso sobre câncer bucal teve início um dos convênios mais marcantes para a FAFEOD. Ao chegar em Diamantina o professor da UnB tomou conhecimento das atividades extramurais que estavam ocorrendo através do atendimento em unidades móveis. Com muito entusiasmo ele prepôs que a FAFEOD para assumir a responsabilidade dos atendimentos odontológicos no Campus Avançado na região do Médio Araguaia, o qual abrangia as cidades de Aragarças, em Goiás, e Barra da Garça, em Mato Grosso. É importante observar que naquela época a UnB ainda não possuía o curso de Odontologia. A proposta feita pela UnB foi prontamente aceita, inclusive pela Congregação, e foi firmado um convênio entre UnB, FAFEOD e Projeto Rondon. A UnB ficou responsável pelo alojamento e alimentação dos alunos e professores, o Projeto Rondon pelo transporte e a Faculdade pelo atendimento odontológico à população.
Inicialmente, o Projeto Rondon previa atividades apenas durante as férias dos aluno, mas a Faculdade montou um programa que incluía como obrigação curricular, tendo atividades começando em março e com fim em novembro, e prevendo a participação de todos os professores, em sistema de rodízio. Esse programa foi um grande sucesso apesar do grande sacrifício envolvido. A equipe da Faculdade tinha que encarar cerca de 1650 quilômetros de ônibus, 300 de Diamantina até Belo Horizonte, de lá mais 750 até Brasília, e a condução final até Aragarças com 600. Os alunos tomaram o programa como uma oportunidade de trabalho independente, de criar mais segurança, de se sentirem úteis para a população carente, e até como forma de turismo, posto que era necessário fazer uma parada de dois dias na ida e dos na volta na então nova Capital.
Infelizmente, esse programa teve seu fim após três anos funcionando com êxito. Isso ocorreu após a solicitação do Projeto Rondon para que os alunos ficassem trinta dias ao invés dos quinze convencionais e a Congregação concluiu que isso levaria a uma interferência nas demais atividades curriculares.
Contudo, frente ao fim do programa desenvolvido em Aragarças em 1980, surgiu uma nova oportunidade de um novo convênio em 1982. Esse convênio teve início com a busca da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES) e da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (ABENO) por instituições de ensino superior para estabelecer um programa de Odontologia Simplificada, no qual o foco principal era o atendimento da população mais carente. Dezesseis faculdades fariam parte do programa e devido as experiências anteriores da FAFEOD com a Odontologia Social ela foi uma das escolhidas. O aporte financeiro desse programa foi realizado pela fundação filantrópica americana Kellogg, assim sendo, foi assinado um convênio entre CAPES, ABENO, Kellogg e FAFEOD.
Com a finalidade de implantação e viabilização do programa foi montada uma comissão composta de vários professores, tendo como coordenador o Prof. Walter José de Carvalho. O coordenador ficou responsável das medidas mais importantes, como a escolha do local para ser implantada uma clínica extramural. A localidade escolhida foi o Distrito de Senador Mourão, situado a 86 quilômetros de Diamantina, posto que era uma zona rural profundamente carente e com proximidade de outros dois distritos em condições semelhantes, Planalto de Minas e Desembargador Otoni.
A verba inserida pela CAPES era muito pequena quando comparada a grandeza que o plano tomou, assim sendo, houve a necessidade de mobilização de outros recursos. Desse modo, participaram também: CEDATE/MEC, responsável pelo projeto técnico e financiamento da obra; CAPES, tendo verba usada para compra de peças do equipamento, , Raios X, estufas para esterilização, entre outros; PRODECOM, participou com verba que foi utilizada para compra de consultórios completos, do modelo simplificado; PREMESU, colaborando com o projeto e construção do ambulatório; Companhia de Mineração Tejucana, responsabilizou-se por fornecer alimentação, alojamento e transporte para professores e alunos; Prefeitura Municipal de Diamantina, fazendo a doação do terreno onde se localizaria o ambulatório; e o Centro Regional de Saúde de Diamantina, colaborando com material de consumo necessário. Todos esses parceiros foram fundamentais para o estabelecimento desse programa inovador, com o que acredita-se ser a primeira clínica extramural com uma distância considerável da sede e contando com a participação de todos professores.
DE CARVALHO, Walter José. Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina - Sua História. 1. ed. Diamantina: Gráfica Urgente, 2000.
FERNANDES, Antônio Carlos; CONCEIÇÃO, Wander. Caminhos do desenvolvimento: síntese histórica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri 1953 - 2005. 1. ed. Diamantina: UFVJM, 2005.