Depois da Universo, fui para a Sepla. E aí, sim, a coisa mudou de figura.
O dono era o Altair, um jovem sério, competente, muito bom no comercial e no administrativo, mas também com conhecimento técnico. Diferente de outros lugares por onde passei, ele investia no laboratório e mantinha uma equipe técnica considerável: eu, Marco, Genário, Helber, Ozires, Susumu e mais um colega cujo nome, confesso, me foge da memória.
Na parte administrativa estavam a Leila, secretária; a Cláudia, recepcionista; dona Cidinha, a cozinheira (que fazia um almoço caseiro maravilhoso); e a irmã do Altair. O ambiente tinha vida, movimento e, acima de tudo, organização.
O Genário, sócio do Altair, coordenava os atendimentos em campo. Era um chefe gente boa: descontraído, atencioso, sempre disposto a ajudar, além de ter muito conhecimento técnico. No campo, a equipe geralmente era formada por mim, ele e o Helber. Já no laboratório ficavam o Marco, o Susumu e o outro técnico cujo nome ainda tento puxar da memória.
Altair era um bom chefe, educado, atento, mas sempre mantinha a linha divisória entre patrão e funcionário. Já o Genário era o tipo de chefe-colega, daqueles que dividem a luta do dia a dia. Foi com ele que aprimorei muito meu trabalho de campo: ele me ensinou a montar roteiros de atendimento, a organizar os materiais conforme os defeitos relatados nas OS e a ganhar tempo nas visitas.
O Genário também era politizado — simpatizante do PT. Eu, do lado oposto, não perdia a chance de provocar. Brincava dizendo:
— Genário, você viu? O Lula já sabe fazer o “X” com a digital!
Ou ainda:
— O lema dele é AÇO: Abitação, Çaúde e Onistidade!
Ele ficava doido da vida com as minhas piadas, mas no fundo sabia que era só para tirar um sarro. Entre uma risada e outra, seguimos firmes no trabalho.
Entre os clientes da Sepla havia uma seguradora onde conheci a Cris, recepcionista de apenas 16 anos. Apesar da pouca idade, era séria, atenciosa e muito competente. Tudo passava por ela. Não demorou para que conquistasse respeito: dentro da empresa sempre se ouvia a frase “quando for nesse cliente, procura a Cris; ela resolve”. Com o tempo, a Cris deixou a recepção e passou para o administrativo, e nossa amizade só cresceu. Mas essa história com a Cris ainda vai render mais páginas… espere e verá.
Infelizmente, a boa fase da Sepla não durou para sempre. O Altair, no desejo de crescer, acabou dando um passo maior que a perna. Alugou um sobrado grande em um bairro nobre, e os custos dispararam. Aos poucos, os sinais da crise apareceram: primeiro cortou o café da manhã, depois o almoço — mas justiça seja feita, nunca atrasou um pagamento.
Pelo que percebi, houve também algum desgaste entre ele e o Genário, e a sociedade acabou. A saída do Genário foi um golpe duro para os técnicos. A receita caiu, e até o Altair precisou sair para atender clientes, coisa que antes não fazia.
A situação apertou de vez quando a empresa se mudou. O novo endereço complicou minha vida: para chegar lá, eu precisava de três conduções e ainda percorrer um bom trecho a pé. Só o trajeto já tomava três horas na ida e mais três na volta. Era cansativo demais.
Conversei com o Altair e sugeri usar o Uno da empresa, pagando do meu bolso o combustível do trajeto casa–trabalho. Ele não aceitou. No entanto, a conversa foi franca e respeitosa:
— Wagner, acho melhor você procurar outro emprego — disse ele. — Eu autorizo que saia durante o expediente para entrevistas, se precisar.
Não houve mágoa. Pelo contrário, foi uma decisão madura, de quem sabia que aquele ciclo estava chegando ao fim.
E assim terminou minha história na Sepla. Mas logo em seguida começou outra, com um novo personagem: o Artur… e essa é uma nova aventura que está por vir.