Conheci a Gi quando ela foi contratada para outra equipe. Tivemos uma conversa rápida em uma festa e logo percebi que ela era simpática e apaixonada pelo que fazia. A Gi sempre se destacou: alta, loira, charmosa e elegante. Uma mulher imponente que, de certa forma, despertava o ciúme de outras mulheres.
Um dia, um problema sério no quadro de energia do CPD (Centro de Processamento de Dados) causou superaquecimento e desligamentos constantes. A gestora estava de férias e a equipe, sem conhecimento em elétrica, tentava uma solução sem sucesso.
Foi então que a Gi, por ter participado da montagem da infraestrutura do CPD em uma empresa anterior, foi destacada para resolver o problema. Lembro perfeitamente dela chegando à minha bancada, com uma postura firme, perguntando sobre a situação. Ela percebeu a gravidade do problema e, com o lema "missão dada é missão cumprida", tomou a frente da situação.
Ela me deu instruções precisas:
"Wagner, monitore a cada 30 minutos a carga elétrica do CPD."
"Reduza o consumo, retirando o que for possível do quadro de elétrica."
"Vou entrar em contato com empresas de elétrica para virem com urgência."
Quando fomos checar o quadro, ela sentiu o calor e, assustada com a falta de atenção da equipe, imediatamente me instruiu a esquecer a medição e focar apenas em diminuir o consumo. Enquanto eu espalhava os servidores, percebi que a equipe não gostou da sua forma direta e "militar" de dar ordens. Eu, no entanto, entendi a urgência da situação e valorizei sua postura.
Ela gostou da minha iniciativa de criar uma planilha detalhada com o consumo e a temperatura por circuito e me destacou para entrar em contato com as empresas de elétrica, me pedindo para criar um checklist de perguntas. Juntos, analisamos os projetos e escolhemos o melhor. Conseguimos reformar toda a elétrica do CPD sem que nenhum servidor caísse. Foi algo incrível.
A Gi era uma pessoa de iniciativa e gostava de delegar responsabilidades, uma atitude que eu admirava, mas que meus colegas odiavam. A antiga gestora era uma pessoa amada por todos, e a Gi, com sua busca por resultados e sem "mimimi", criou um clima de descontentamento na equipe. A Gi foi promovida, e a antiga gestora se tornou sua auxiliar.
Lembrei de um conselho do meu ex-chefe, o Sr. Paulo, que dizia: "Wagner, você é funcionário, não o dono. Seja profissional e faça o seu melhor." Foi o que fiz. Ao invés de boicotar a nova gestão, eu me dediquei a ajudá-la. Notei que a antiga gestora ficou triste com minha atitude, mas o conselho me manteve focado.
Como resultado, a Gi foi sutilmente dispensando os colegas que resistiam à mudança. Aos poucos, todos foram substituídos ou mudados de equipe, e eu fui o único que permaneceu. Graças ao conselho do Sr. Paulo e à minha postura profissional, ganhei o respeito da Gi. Ela não era de "puxar saco" e exigia sempre resultados e a causa-raiz dos problemas, mas também defendia a equipe com unhas e dentes.
A Gi deixou claro que ninguém deveria ser atendido sem abrir um chamado, para que o trabalho fosse registrado. Certa vez, duas pessoas me pediram um serviço sem abrir um chamado, eu expliquei e pedi que abrissem o chamado, e eles se recusaram. Mais tarde, ouvi a conversa e vi que a Gi estava na sala defendendo a minha postura: "Não posso punir um funcionário que acatou minha ordem." Ela explicou a importância do registro e saiu da sala. Olhei para meu colega Kevin e disse: "A Gi briga pela equipe!"
Ela defendeu também o Kevin quando um usuário foi rude com ele. O Kevin era tímido e ficou chateado. Ela conversou com o usuário e a hostilidade cessou imediatamente. O mesmo aconteceu com o Anderson, que era surdo. A Gi foi conversar com uma pessoa que gritou com ele. Porque mesmo sendo surdo sabia pela expressão e leitura labial perceber quando gritavam com ele.
Ela era assim, "8 ou 80": se você pisasse na bola, era dispensado sem remorso; se fizesse a coisa certa, ela te defendia.
Eu e outro colega, Freitas, notamos que a rede estava à beira do colapso e apresentamos um relatório à Gi. Ela entendeu a gravidade, mas seu gerente tinha sido dispensado e ela passou a se reportar a uma diretora. A solução era cara e complexa, mas a diretora não deu a devida atenção.
Não demorou muito para a rede colapsar, i alguém tinha que ser sacrificado e não seria um tubarão, então a Gi foi dispensada.
O novo gestor, sem iniciativa, usou o projeto que a Gi havia apresentado para resolver o problema, e a rede voltou a funcionar. Ele recebeu os méritos, mas foi um sacrifício injusto.
Eles tiraram uma gestora que queria resultados e gostava de profissionais para colocar alguém que precisava de terceiros para tomar decisões por ele. E assim, ele ganhou moral de graça sem esforço.
Foi uma pena a Gi ter saído, tínhamos um sonho que compartilhávamos que era transformar a equipe em uma prestadora de serviço para outras empresas. Ao sacrificar a Gi perderam a oportunidade de ter uma prestadora de serviço que valorizaria o nome da empresa no mercado de serviço.