Amiga Cris pequena intelectual.
Conheci a Cris quando ela ainda era uma piveta (rsrs), tinha uns 16 anos.
Ela trabalhava em uma empresa que eu atendia como técnico de campo. Sempre séria, atenciosa e dedicada, chamava atenção pelo profissionalismo. Sempre que eu ia até lá, fazia questão de procurá-la, porque ela agilizava os atendimentos e descrevia os defeitos dos equipamentos com riqueza de detalhes, o que facilitava muito o diagnóstico. Na empresa inteira já era conhecida: “quando for nesse cliente, procure a Cris”.
Com o tempo, ela foi substituída por uma nova recepcionista. Era simpática, mas não tinha a mesma competência da Cris: se atrapalhava ao identificar os equipamentos com problema e passava informações imprecisas. Isso gerava situações complicadas, como quando nos chamavam para consertar uma impressora e descobríamos que a com defeito era outra. Foi aí que o Altair, dono da empresa, pediu ao chefe da Cris que ela voltasse a ser nosso contato. E assim as coisas voltaram ao normal.
A Cris, mesmo sobrecarregada de trabalho, sempre arrumava um tempo para nos atender. Aos poucos, ficamos amigos. Ela tinha muito interesse em TI, fazia perguntas consistentes e mostrava uma curiosidade de “mini intelectual”. Passei a admirá-la ainda mais, tanto pela competência quanto pela dedicação.
Mais tarde, saí da Sepla e abri minha empresa, a Repair. Perdemos o contato por um tempo, mas acabamos nos reencontrando. Nessa época, ela estava dando seus primeiros passos de forma independente e eu cheguei a ajudá-la cedendo notas fiscais para atender clientes. Foi quando nossa amizade se fortaleceu de verdade.
Sua família.
Ela me convidou para conhecer sua casa e acabei conhecendo sua mãe, a dona Sônia. Lembro até hoje da primeira imagem: ela estava em uma escada de alumínio limpando o lustre. Mulher simpática, charmosa e encantadora, com quem tive longas conversas, muitos cafés, cigarros e risadas. Descobri logo de onde vinha tanto talento da Cris.
Também conheci a avó dela — um doce de pessoa! Esperta, ativa e cheia de histórias, totalmente diferente do estereótipo de idosa que só fala de doenças. Ali percebi o segundo segredo da Cris: com uma mãe e uma avó dessas, só poderia mesmo ser uma menina especial.
Conheci ainda o irmão, Cláudio, também da área de TI, educado e inteligente. Eu vivia na casa deles, já que tinha clientes na região, mas a verdade é que minhas maiores conversas eram mesmo com a mãe e a avó, que se tornaram meus xodós.
Teve também a história do fusquinha, que eu chamava de “little boy”. Um dia fui ensinar a Cris a dirigir, mas a verdade é que ela já dirigia muito bem.
Tentei ajudá-la a conseguir trabalho em alguns clientes, mas naquela época o machismo falava mais alto: num dos lugares, o supervisor se mostrou mais interessado nela como mulher do que como profissional. No fim, a Cris construiu sozinha sua clientela e independência.
Distanciamento.
Os meus clientes mudaram de região e eu acabei me afastando eu estava atendendo mais na região de Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Osasco. O tempo passou e perdi totalmente o contato. Eu tinha o telefone dela anotado numa agenda de bolso, mas acabei perdendo e, com isso, perdi também a chance de manter contato. Também comecei a namorar a Ale em Campo Limpo Paulista, o que contribuiu ainda mais para esse distanciamento.
Rê encontro.
Até que, já perto da virada de 1999 para 2000, em plena correria do bug do milênio, reencontrei a Cris de forma inesperada alguém creio que foi o Gazoli me passou o contato desta empresa para atualizar BIOS e fazer manutenção. Quase caí para trás quando vi era a CRIS: já não era a piveta de antes, mas uma mulher feita, casada e administradora de rede — mas com o mesmo jeito de sempre.
O choque
Lembra da Ale a tal namorada, ela acabou me dando alguns calotes, inclusive um dinheiro que a Cris tinha me emprestado e que nunca chegou até ela. A Ale iria estar na zona sul eu pedi para ela entregar o dinheiro da Cris. Ela disse que havia entregado, mas nunca o fez, como mentira tem pernas curtas.
Depois que reencontrei a Cris fomos almoçar no clube Banespa (se não me engano) e durante a conversa veio este assunto.
O fortalecimento.
Foi uma alegria enorme reencontrá-la. Ela me deu uma oportunidade de trabalho justamente quando eu passava por dificuldades. A proposta dela foi um verdadeiro “navio de resgate”. Trabalhamos juntos novamente e nossa amizade só cresceu.
Nesse período, conheci também o marido dela, o Fábio, um gerente respeitadíssimo, sempre simpático. Tanto ele quanto a Cris pegaram muito no meu pé com relação a organização e documentação dos serviços. No começo eu ficava irritado, mas depois reconheci o quanto isso me fez crescer profissionalmente.
Ela conheceu a minha noiva a Simara.
Trabalhei durante anos prestando serviço para a empresa onde ela atuava, até rescindir outros contratos para ficar dedicado a esse. Foi lá que vi todo o potencial da Cris: quantas noites viramos trabalhando, sempre enfrentando tudo de cabeça erguida.
Hoje, depois de mais de trinta anos de amizade, seguimos firmes. Atualmente ela é sócia do Café Martinelli, na Rua Líbero Badaró, 508. Recomendo a todos que passem por lá: além de provar o melhor café de São Paulo, quem sabe ainda têm a sorte de conhecer a Cris.
Resumo Final
Cris é uma profissional que sempre se destacou pela dedicação, inteligência e competência. Nossa amizade nasceu quando ela ainda era muito jovem e, ao longo de mais de três décadas, só se fortaleceu.
De família admirável, com valores sólidos e exemplo de caráter, ela sempre uniu profissionalismo e humanidade em tudo o que faz.
Hoje, além de grande amiga, é sócia do Café Martinelli, onde continua deixando sua marca de talento e acolhimento.