Depoimento sobre o colega Freitas
Logo que conheci o Freitas, achei-o uma pessoa muito simpática. No entanto, não encontrei espaço para me aproximar dele no início, pois ele era administrador de rede e eu técnico de hardware. Nossas funções não se cruzavam muito, então não tínhamos grandes motivos para conversar.
Percebi, com o tempo, que ele era meio rejeitado pela equipe. Muitos evitavam a sua companhia, até mesmo na hora do almoço. Ele costumava almoçar sempre com a mesma colega, e quando tentava se juntar ao restante do grupo, todos arrumavam desculpas para não acompanhá-lo. Ficava evidente a rejeição. Quando essa colega deixou a empresa, ele sentiu ainda mais esse isolamento.
Foi então que decidi convidá-lo para almoçar comigo. A partir desse gesto simples nasceu uma boa amizade e uma parceria de trabalho sólida.
Freitas era muito inteligente. Conversávamos bastante sobre hardware e software, e trocávamos ideias constantemente. Era um excelente colega e parceiro, embora tivesse também seus pontos difíceis. Descobri, com o tempo, o motivo de parte da rejeição: quando contrariado, ele mudava de humor de imediato, dava respostas atravessadas e não gostava de ser questionado. Era o tipo de pessoa que não levava desaforo para casa. Com isso, aprendi a ter cuidado nas conversas, evitando contrariá-lo diretamente.
Apesar disso, nossa troca profissional foi riquíssima. Foi com ele que percebi que a rede da empresa estava entrando em colapso, tanto na parte de infraestrutura quanto na parte lógica. Juntos, elaboramos um relatório detalhado para apresentar à gestora, propondo soluções em ambas as frentes. Ela entendeu a gravidade da situação, mas a diretoria, infelizmente, não deu a devida atenção.
O que eu mais admirava no Freitas era a paixão pela tecnologia. Nossas conversas eram sempre cheias de ideias e soluções criativas. Ele era um verdadeiro sonhador da área, alguém que amava o que fazia e buscava ir além. Montamos até uma mini rede paralela, onde realizávamos simulações e experimentos. Essa experiência foi uma verdadeira escola para mim: até então eu só tinha olhos para hardware, mas ele me abriu as portas para o mundo dos sistemas.
Foi uma amizade que ampliou muito minha visão. Até que, um dia, ele me contou que iria sair da empresa, pois havia recebido uma proposta para trabalhar no Japão.