Bons tempos na Microdigital
A Microdigital foi fundada em 1981 encerrou suas atividades em 1990
Como ex-funcionário da Microdigital, não escondo o sentimento de nostalgia ao relembrar e compartilhar sua história.
Entre meados dos anos 1980 até o final dos anos 1990, a Microdigital Eletrônica Ltda. foi uma das grandes montadoras de computadores do Brasil. A sede administrativa ficava na Rua do Bosque, nº 1234, e a fábrica, em um galpão maior, no nº 1308 da mesma rua. Os sócios da empresa eram Tomas Roberto Kovari, Abraham Popovich Deustch e Gyorgy Kovari.
O Sr. Tomas era quem mais se fazia presente na fábrica — não apenas por visitas administrativas, mas também por sua participação nas partidas de futebol com os funcionários no SESC da Fábrica da Pompéia. Sempre foi muito calmo e educado no trato com os funcionários, especialmente com o pessoal da linha de produção.
A fábrica em si era um grande galpão de esquina, coberto com telhas de Eternit. No verão, o calor era sufocante — chegava a ser quase insuportável. Mesmo assim, o ambiente de trabalho era acolhedor, e a equipe, unida.
Lembro de alguns colegas — menciono aqui apenas os primeiros nomes:
No escritório, Dona Mercedes.
Na engenharia, Meireles, Claudemir, Rogério e Marcos.
No Controle de Qualidade, Sérgio e Edson.
Entre os técnicos, Marco Aurélio, Ozires, Marcão, Tonie, Diógenes, Lêndea e Eduardo.
Na montagem, Ricardo, Roberto e Do Céu.
Na portaria, o seu Adílio.
Na expedição, Teixeira e José
Estoque, Renato.
O diretor, claro, o Sr. Tomas.
É apenas uma parte da equipe — éramos muitos. A Microdigital era uma excelente empresa para se trabalhar. Os funcionários eram valorizados e respeitados, e quem se destacava pelo esforço sempre recebia algum tipo de reconhecimento.
Tive ali um dos melhores chefes da minha vida: o Sérgio. Um amigo, descontraído, justo, que sempre deu oportunidades. Entre 1984 e 1990, ele costumava presentear a equipe com bebidas no final do ano. Guardei algumas como lembrança: um espumante, um Almadén e dois Liebfraumilch, que até hoje conservo com carinho e saudade.
As confraternizações de fim de ano eram grandes eventos, realizadas no pátio da fábrica. Havia sorteios, amigo secreto, brincadeiras e fartura de comida. O Sr. Tomas fazia questão de participar pessoalmente.
Para ser honesto, a Microdigital me deixou muitas saudades. Foram tempos mágicos. Na época, eu não imaginava que estava vivendo um dos melhores momentos da minha vida profissional. Hoje, recordo com profunda nostalgia — e gratidão.
Wagner Mendes Leal
O final agonizante da Microdigital
No governo Collor ocorreu muitas medidas financeiras que no final acabou por prejudicar algumas empresas foram os seguintes planos.
Plano Collor I, as medidas incluíam o controverso confisco de ativos financeiros e o congelamento de preços.
Entre os planos teve a abertura do mercado brasileiro à concorrência externa, mas não fez uma reforma fiscal que ajudasse a baixar os impostos das industrias nacionais, com isto os produtos nacionais tinham auto custo e baixa qualidade, não dando condições para concorrer com os importados.
Plano Collor II trouxe uma reforma monetária e uma flexibilização do congelamento de preços.
Não tinha uma fiscalização seria de fronteira fazendo que muitos computadores fossem contrabandeados do Paraguai ao Brasil, isto gerou uma quebradeira da indústria de informática no Brasil que jamais se levantou.
Fui um dos últimos a ser dispensado, mas me lembro que chamavam vários colegas no refeitório para notificar as demissões, era muito triste ver a fabrica esvaziando.
Os anos 90 ficaram marcados pela enxurrada de computadores contrabandeados.