É em idade adulta que se enfrentam os principais desafios da vida. Seja o trabalho, a família, a saúde, as relações de amizade e, ainda, o sentido da vida. Mais do que formação a Igreja pretende acompanhar cada pessoa.
Infelizmente a formação cristã (intelectual, humana e espiritual) está hoje reduzida, quase em exclusivo, à idade infanto-juvenil. Com o pretexto de receber os Sacramentos da Iniciação Cristã (Baptismo, Eucaristia e Confirmação) e, quiçá, o Sacramento do Matrimónio ainda se frequenta a "catequese" e alguma preparação para o "Crisma" e "o CPM, para casar". Contudo, a formação cristã, que implica o conhecimento, o acompanhamento humano e o auxílio à tomada de decisões, deveria ser para toda a vida, pois é em idade adulta que se enfrentam os principais desafios da vida, quando surgem as dúvidas mais áridas e as angustias mais amargas.
Assim, é o desejo da Igreja sair da "sacristia" e "ir ao encontro" (o que não significa deixar de celebrar a Eucaristia na Igreja e passar a celebrar no meio da rua, mas sim deixar de se preocupar com o ritualismo/legalismo e passar a acompanhar a vida de cada um nas suas dores e alegrias).
Ora, se a Igreja é cada baptizado, então é evidente que quem "sai ao encontro" são os mesmos que também "são encontrado". Deste modo, cada baptizado está convocado a participar em todas as oportunidades formativas ao seu alcance, para que também possa "ir ao encontro" de quantos necessitarem.
Falar de "Catequese de adultos" é a mesma coisa que dizer "ontem vamos". São palavras sem sentido que não dizem grande coisa. A maioria das pessoas ficará a pensar que se está a falar de coisas antigas ou de actividades para meia dúzia de malandros que não têm o que fazer. Tristemente, são raros os que compreendem que "ninguém dá o que não tem" e que para existirem cristãos "adultos" não bastam as boas intenções.
Catequese é todo o "programa" formativo e de acompanhamento espiritual (que inclui a dimensão humana). Se para as idades da infância e juventude já está assimilada a formação (com base num itinerário similar à escola), para os jovens e adultos ainda não é "normal" ter catequese.
Daí que muitas vezes se encontrem "doutorados de Primeira Comunhão" (adultos, com opinião sobre muitas coisas da Igreja e da vida espiritual, mas que a última vez que pegaram na Palavra de Deus ou sentaram nos bancos da igreja, foi no dia da Primeira Comunhão), que têm uma visão de Deus, da Igreja e da espiritualidade como se fossem crianças de 8 ou 10 anos. Sinal claro desta realidade são expressões como: "esta pandemia é um castigo de Deus contra os que mal-tratam a natureza e os que não acredita nele"; ou "eu acredito nas aparições de Fátima mas não acredito em Deus", ou - a pior - "sou cristão mas não acredito na ressurreição".
É claro que não acreditam! Não é possível explicar a uma criança de 10 anos o que significa dar a vida por alguém (talvez só um pai ou uma mãe o compreendam), tal como não é possível ler e entender a poesia do livro do Génesis até em idades mais maduras.
Se só aos 18 anos começamos a perceber o peso das responsabilidades, só aos 25 o custo de ganhar a vida, aos 30 as exigências de educar e aos 40 começamos a sentir a velocidade do tempo, como é que podemos ser cristãos adultos capazes de ser e responder às circunstâncias como Deus nos "pede" se há muito que deixamos de querer saber o que Ele nos tem a dizer?
A formação catequética para adultos ainda não é "normal" entre nós. E só não o é, porque não queremos. Continua a ser mais "bonito" e simples entrar a sair da igreja, uma vez por semana, sem dizer uma palavra e sem nos importarmos com o que nos rodeia. Continua a ser mais fácil responsabilizar os padres pela falta de fé e a contínua redução no número de pessoas na missa. Continua a fazer sentido ir à missa apenas porque, no tempo da catequese ou os nossos pais, nos disseram que tínhamos de ir, sob pena de acabar no inferno. Continua a ser mais importante lançar uns foguetes, chamar uns músicos ou comediantes (que tantas vezes usam os escândalos da igreja para ganhar a vida), encher as igrejas de flores e colocar os andores nas ruas, enfeitar-nos com umas "fatiotas" que nos remetem para tempos que desconhecemos e não queremos voltar a viver, exaltar as tradições e a cultura local - tantas vezes apenas para dizer a terra vizinha "toma lá, que a minha festa é maior que a tua!".
Sonho com o tempo (e trabalho com esse horizonte) em que os cristãos frequentam activamente nas propostas formativas e espirituais (como retiros)