FERNANDO LEMOS

1926-2019

A fotografia apareceu na carreira de Fernando Lemos como uma necessidade da criação de uma identidade, de uma imagem, que, na sua óptica, Portugal não tinha na altura. De facto, no fim da década de 40 e início de 50 a fotografia portuguesa dividia-se entre a fotorreportagem, o pitoresco, e a propaganda, patrocinada pelas publicações do Estado Novo, e a imagem veiculada pelos salões fotográficos, com preocupações de concurso, e que espelhavam a estética dos foto clubes amadores, entretanto formados. Os artistas politicamente mais ativos, organizados em torno do neorrealismo, não tinham na fotografia uma forma de expressão plástica consistente, e a presença desta nas Exposições Gerais de Artes Plásticas (1946-1956), por eles organizadas, foi esparsa, não tendo constituído um vector importante de intervenção estética. [...] Havia por isso necessidade de fazer o registo dessa geração não como simples retratos fotográficos de estúdio, mas com uma estética que se perfilasse com esse espírito de liberdade e aventura, valores que Fernando Lemos encontrou no Surrealismo. [...] Foi este mau estar e o sentir-se cerceado na sua liberdade, que levou Lemos a equacionar[...] a sua saída de Portugal, país ao qual regressaria de visita só depois do 25 de Abril de 1974.

🔗 Centro de Arte Moderna Gulbenkian