MANUEL CARGALEIRO
1925-2016
Comecei a minha vida de artista como ceramista e sou ceramista mesmo quando faço pintura a óleo. Não consigo imaginar uma coisa sem a outra. As minhas duas práticas, claro que se influenciam mutuamente. Não posso esquecer todos os meus conhecimentos sobre a história da faiança ou sobre a decoração mural quando pinto, assim como não esqueço a minha cultura pictórica quando crio em cerâmica. Está tudo muito ligado, e é isso que constitui a minha especificidade. Eu não copio os meus quadros nos azulejos: pinto diretamente sobre a faiança, sem desenho prévio, como numa tela. - Manuel Cargaleiro
[C]omeça a actividade de ceramista em 1949 na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, onde lhe é concedido o estatuto de artista residente [...]. Aliado o conhecimento técnico do comportamento plástico e expressivo das pastas cerâmicas à sensibilidade escultórica [...], o artista potencia a heterogeneidade da experimentação artística elevando-a à profundidade de uma poética [e explora] o universo imagético e inspirador do acaso modelador do barro e do mistério das inconstâncias lumínicas das matérias vítreas [...] O ano de 1954 foi marcante para o início da carreira de Manuel Cargaleiro: foi distinguido com o Prémio Nacional de Cerâmica Sebastião de Almeida, iniciou funções como professor de Cerâmica na Escola de Artes Decorativas António Arroio. A reputação artística, nacional e internacional, de Manuel Cargaleiro, tanto como ceramista como pintor, consolidou-se ao longo das décadas de 1960 e 1970, através de inúmeras exposições individuais e coletivas, bem como de múltiplas encomendas de obras públicas e privadas.