Página do Clube UNESCO da Cidade do Porto
O pinguim sem fraque
O convite para escrever um livro infantil chegou a D'Arzo em fevereiro de 1943, através de uma carta do editor Vallecchi, de Florença, que lhe propôs que se dedicasse a este género literário, mesmo que sacrificando “certos resultados mágicos da sua prosa não adequados para os leitores mais jovens”.
O escritor vinha a amadurecer esta ideia há cinco anos, quando – ao ler Charles Perrault e James Matthiew Barrie – descobriu que na literatura infantil havia "horizontes inesperados, amplíssimos, um milagre".
O escritor, prontamente, dedica-se à escrita do Pinguim sem fraque. Em maio, comunica ao editor que está "no bom caminho" e acredita que o terminará em agosto do mesmo ano. Na verdade, a redação da obra prolongar-se-ia no tempo e seria concluída em dezembro de 1949: o desfecho resulta de uma carta que o escritor envia ao editor Vallecchi (com quem restabeleceu o contacto após uma longa interrupção) na qual afirma ter escrito "um pequeno livro para crianças que o divertiu e relaxou muito" e que conta a história de um pinguim tão pobre que não pode ir à escola com os outros e nem pode comprar um fraque, e por isso vai trabalhar pelo mundo fora, entre focas e gaivotas, e pensa que enlouqueceu porque percebe que até o urso, e também o homem terrível, choram como ele, sofrem como ele e, no fundo, são como ele.
Como que para sublinhar o carácter excecional da história, dá ao pequeno pinguim o nome de Limpopo, que é o nome de um grande rio da África do Sul de que fala Rudyard Kipling num dos seus livros. No decorrer da história, como normalmente acontece na vida em família, esse nome é abreviado para Limpo.
A obra será publicada postumamente: em 1978 numa edição ilustrada por Alberto Manfredi (reeditada por Einaudi em 1983). Nos mesmos anos é publicada por Anna Luce Lenzi e, em 1981, traduzida para o holandês. Em 1985 é publicada pela Editori Riuniti e depois, em 2004, pelo MUP e finalmente, em 2014, pela Consulta, com ilustrações de Elisa Pellacani (obra esta que foi reeditada quatro vezes) e traduzida para o catalão
em 2014. Em 2020 a obra é traduzida para o português por iniciativa do Clube da UNESCO de Modena e o Clube UNESCO da Cidade do Porto, com a colaboração ativa da Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri do Porto, onde foi apresentado no dia 20 de outubro de 2020 no âmbito da XX Settimana della Lingua Italiana nel Mondo.
Silvio D’Arzo
Silvio D'Arzo (nascido Ezio Comparoni) nasceu em 6 de fevereiro de 1920 em Reggio Emilia, onde faleceu a 30 de janeiro de 1952. Filho de mãe solteira, sofreu durante toda a vida pela sua condição de "irregular" e foi confrontado com a situação de indigência de trinta anos dramáticos para a história de Itália e do mundo. Autor de poemas e contos desde a adolescência (a sua primeira obra é de 1934), publicou o romance All’ Insegna del Buon Corsiero aos vinte e dois anos, durante a guerra, enquanto servia no exército. Dessa experiência surgiram solicitações para escrever, mas também hesitações e desilusões. Na verdade, até à sua morte não viria a publicar mais nada: a sua obra-prima Casa d'altri só viu a luz em 1953 (tendo sido reeditada e traduzida para várias línguas) e Il pinguino senza frac (o primeiro de uma trilogia de livros para crianças) foi publicado apenas em 1978. Após diversas fases de interesse alternadas, marcadas por duas conferências de estudos em 1982 e 2002, o escritor será objeto de constante atenção e novas pesquisas ao longo de uma década, por parte uma associação de voluntários criada em 2010 pelo colega e dedicado estudioso Luciano Serra (cuja atividade foi continuada, após a sua morte em 2014, por Elisa Pellacani, que acompanhou em todas as fases as iniciativas de retractação). No espaço de uma década foram realizadas quatro conferências de estudo, cinco semanas darzianas e quatro edições do Prémio Literário Nacional dedicado ao escritor. Além disso, em 2020 foi publicada a primeira biografia documentada da vida de Silvio D'Arzo (Carlo Pellacani, Il figlio di Linda. La vita breve di Silvio D'Arzo, Edizioni Consulta, pp. 352), foi realizada uma conferência sobre estudos promovida pela Câmara Municipal de Reggio Emilia e Il pinguino senza frac foi traduzido para português.