Página do Clube UNESCO da Cidade do Porto
Ricardo da COSTA
Arqueologicamente, um castro (crasto, castelo dos mouros, couto dos mouros, citânia, cêrca, cividades, castelejo, castelares, castelos) (SERRÃO, 1961-1971, vol. II: 532) é um vestígio de uma povoação fortificada, muralhada com uma ou mais fileiras de pedras, um ou mais fossos, e quase sempre no topo de um cabeço (SANTOS JÚNIOR, 1957: 28), monte com cume arredondado e algumas vezes com encosta íngreme, geograficamente adequado para o domínio da paisagem local e uma observação à distância.
Os castros eram núcleos populacionais concentrados, forçados a um isolamento defensivo (SERRÃO, 1961-1971, vol. II: 532). Este é o habitat castrejo típico. Seus principais povoados estavam instalados em colinas de substrato granítico, e as populações castrejas utilizaram amplamente este material, principalmente para a construção das muralhas, feitas de blocos de granito toscamente recortados. É o que Fabião designa por "civilização do granito", embora o autor afirme que esta caracterização seja mais nítida em sua fase final (FABIÃO, s/d: 192).
Nesta cultura castreja, as casas possuíam planta circular, com cerca de 5 metros de diâmetro. Suas paredes eram formadas por pequenas pedras unidas com cascalho, sem qualquer argamassa. Possuía piso de saibro batido; em seu interior, num canto, uma lareira, revestida de argila; ao centro, um buraco para um poste que suportava a estrutura de cobertura, de colmo, material perecível e de formato cônico (FABIÃO, s/d: 193; SARAIVA, 1991: 20-23). Na parte da frente um átrio, algumas vezes com um forno ou forja.
A cultura castreja localizava-se essencialmente nos distritos de Minho e Trás-os-Montes, ao norte do rio Douro. Para o período que compreende o auge da cultura castreja, esta região era constituída por duas zonas culturais distintas: litoral (que chamaremos zona 1) e interior (zona 2) (FABIÃO, s/d: 190). O conhecimento destas zonas é desigual; ao litoral, com mais de 100 anos de escavações contínuas, opõe-se o interior, quase que totalmente desconhecido. Optamos pela zona 1.
Na região do Minho o clima é úmido, com chuvas freqüentes (até 3.000 mm anuais). Sua geografia é entalhada por uma série de vales paralelos, com falésias delimitando as praias estreitas. O solo, naturalmente pobre, tem sua fertilidade assegurada pela adubação de algas marinhas (Geografia Ilustrada - Europa, 1972: 16-17).
Trás-os-Montes ocupa uma área montanhosa, região de forte erosão secular, com uma topografia movimentada e de vales profundos como os de Tua, Tâmega e Sabor. Seus rios correm por escarpas com altitudes superiores a 1.200 metros. Tal relevo, que assistiu ao surgimento da cultura castreja em território lusitano, explica em parte seu isolamento em pequenos núcleos populacionais.
Para a zona 1, os castros mais famosos são os de Cividade do Terroso, em Póvoa do Varzim e Viana do Castelo, este último com a escavação de uma pequena necrópole no interior de um núcleo familiar. Existe um desconhecimento sobre as necrópoles do período. O Dr. Carlos Fabião supõe que os ritos funerários castrejos envolvessem a cremação, devido aos numerosos elementos que remetem ao mundo indo-europeu. As escavações arqueológicas mostram "...fossas abertas no solo das habitações, forradas com pedras, no interior das quais se guardavam urnas contendo as cinzas do(s) defunto(s). Embora não seja possível atribuir uma datação precisa a estas fossas funerárias, é admissível que correspondam ao período de que tratamos" (FABIÃO, s/d: 196).
Com os atuais dados arqueológicos até o momento, face a inexistência de necrópoles espacialmente delimitadas, podemos especular que a maior parte do ritual funerário castrejo se dava no interior do espaço doméstico, provavelmente com o intuito de sacralizar a presença do antepassado, fortalecendo o núcleo familiar celular, base da sociedade castreja. "...o núcleo familiar parece emergir vigorosamente como célula-base da sociedade" (FABIÃO, s/d: 197). A permanência das cinzas enterradas em vasos na casa pode nos sugerir a sacralização do espaço cotidiano, dessa forma "protegido" magicamente contra as habituais invasões a que os castrejos estavam submetidos.
Existem divergências quanto à datação precisa do período que abrange a cultura castreja no noroeste da Península. Seu apogeu situa-se na II Idade do Ferro (post-halstático) entre os séculos III a.C. e I d.C. (SANTOS JÚNIOR, 1957: 29). A criação dos castros propriamente ditos deve corresponder aos movimentos migratórios da área indo-européia da meseta e das regiões meridionais, principalmente com as expedições de túrdulos e turdetanos, descendentes dos antigos tartéssicos, entre os séculos V e IV a. C.: "Parece-nos que não é de excluir a hipótese de essa antiga divisão corresponder à remota divisão social registrada pelo mito fundador de Habis. Assim, os primeiros (túrdulos) poderiam pertencer à antiga plebe e os segundos (turdetanos) à velha aristocracia, ou vice-versa" (FABIÃO, s/d: 168).
Estas expedições teriam ocasionado uma instabilidade social em todo o território do Entre Douro e Minho, possibilitando o surgimento destas fortificações.
A cultura castreja sofreu influências externas distintas, a saber:
1) zonas meridionais ibero-púnicas (iniciada no Bronze Final);
2) migração dos túrdulos (refletidas nas técnicas, nos motivos cerâmicos e na ourivesaria);
3) influências continentais (com o crescente deslocamento das comunidades indo-européias) (FABIÃO, s/d: 192).
2025
NOVEMBRO
08 NOV Visita a Santiago de Compostela – José Suarez Otero, etc
15 NOV Magusto CUCP
22 NOV Olhar e sentir a época barroca, Análise comparativa da pintura mural do NE Peninsular (Galiza-Norte Portugal 1500-1565) - Teresa Cabrita
29 NOV Olhar e sentir a época barroca Visita à Braga Barroca, orientada por Eduardo Pires de Oliveira
DEZEMBRO
06 DEZ Visita a Museus da Universidade
2026
JANEIRO
17 JAN A vida nos castros do Noroeste peninsular Conferência: A organização gentílica na Hispânia proto-histórica
23/24 JAN Visita a Lisboa: Igreja Madre de Deus (Mus Azulejo) visita com Susana Flor; almoço Casa do Alentejo; Palácio da Ajuda e Joias da Coroa; Museu dos Coches
FEVEREIRO
7 FEV A vida nos castros do Noroeste peninsular Conferência: Os castros na Idade do Bronze, a metalurgia e o comércio mediterrânico
21 FEV Casas de brasileiros ou torna viagens Visita a Famalicão: Casa do Barão da Trovisqueira; Museu do Automóvel; Museu do Têxtil
MARÇO
7 MAR A vida nos castros do Noroeste peninsular Conferência: A cultura castreja na Idade do Ferro
21 MAR Espaços verdes - jardins históricos Visita a Jardins Históricos
ABRIL
11 ABR A vida nos castros do Noroeste peninsular Conferência: A ourivesaria proto-histórica
23/26 ABR Viagem à Galiza: Geoparque Cabo Ortegal e castros na Galiza
MAIO
9 Maio – A vida nos castros do Noroeste peninsular Conferência: A romanização dos povoados castrejos
23 Maio – Olhar e sentir a época barroca Conferência : A pintura maneirista e barroca Dr. Vítor Serrão
24 Maio – Jantar aniversário (Barroco?)
JUNHO
6 JUN A vida nos castros do Noroeste peninsular Conferência: Os castros de Porto e Gaia, entre a Idade do Bronze e a alta Idade Média
20 JUN A vida nos castros do Noroeste peninsular Visita: castros Porto Gaia
JULHO
4 JUL Santiago “Recordar Caminhos”, 14ª Caminhada Santiago: Da Porta Nobre até à Sé (+ Liga Portuguesa de Profilaxia Social)
11 JUL A vida nos castros do Noroeste peninsular Visita: Terroso, Bagunte, Alvarelhos, S. Lourenço
AGOSTO
XX/XX Viagem ao estrangeiro Centro França, Chipre, …