Por Lucas David Weber
Claramente, a quarentena tem altas chances de aumentar o caso de suicídios não somente idosos, mas sobre todas as idades, as crianças sendo as menos prováveis, ainda assim existe tal possibilidade. Entre os idosos, os dados estatísticos não são nada motivadores, uma vez que comprovam que entre os anos de 1980 e 2012, o número de suicídios entre idosos aumentou em 215,7%, o que representa um dado muito significativo, e agora com a quarentena, esse números podem subir exponencialmente.
Os maiores causadores desse aumento no índice de suicídios ao longo destes mais de 30 anos podem ser o isolamento familiar/social, pois aparenta ser latente a ideia de que, se ele já vai morrer, por que esperar mais? Além disso, perdas familiares com a quarentena também podem configurar como motivos para continuar vivo, para “continuar seu legado”, mas esses motivos vão sendo suprimidos com o prolongamento da quarentena, fazendo os idosos fortalecerem a ideia de que tal ato é a melhor opção, pois tendem a se sentir um estorvo para seus familiares e, com as visitas cada vez mais escassas, a se desmotivarem ainda mais.
Ademais, o desemprego e o pensamento de inutilidade nutrido por muitos idosos aposentados, pois alguns - após pararem de trabalhar - não enxergam mais objetivos em sua vida, os levam a querer se suicidar. Isso se dá, muitas vezes, em razão de não encontrarem espaço na sociedade para desenvolverem novas aptidões e isso não é muito bom, pois, além de se afetarem emocionalmente, afeta seu familiares e amigos. Juntando o desemprego, a quarentena e mais os aposentados com esse pensamento em mente, nem alguns dos meios mais efetivos podem lhes ajudar, como um simples e bobo, mas muito prático e funcional, animal de estimação, pois - na quarentena - não se pode passear, e assim seu pet ficará enfurnado dentro de casa, e isso pode também afetar o pensamento de seu dono, por achar que não está fazendo um bom trabalho. Assim podendo lhe optar por suicídio.
Por Leonardo Giaretta da Silva
De fato, a quarentena tem grande potencial para aumentar os casos de suicídios no Brasil e no mundo, porém não entre os idosos. Eu diria que a quarentena é mais um motivo para diminuir ou estabilizar os casos do que aumentar.
O principal aliado do suicídio sempre foi a depressão. Na maioria dos casos, ela é a causa do ato, não só entre os idosos, mas entre todas as faixas etárias, principalmente a dos jovens. Indiretamente, o Coronavírus causa depressão, pois o isolamento social acaba levando a uma tristeza, que por sua vez acaba levando a uma depressão. Os psicólogos alertam para que as famílias façam uma consulta ou um tratamento com eles ao detectar que algum familiar não está emocionalmente bem para evitar o pior. Estamos no setembro amarelo, mas os dados estatísticos ainda são péssimos. Como vemos em uma imagem abaixo, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. O que mais impressiona, é que isso são números de pandemia, mas ninguém repercurte, noticia ou fica sabendo. Contudo, tivemos um grande aumento no suicídio entre idosos: entre 1980 e 2012, o aumento foi de 215,7% e para cada 12 suicídios masculinos aos 75 anos, há um feminino. São números realmente preocupantes, mas na minha opinião, a pandemia somada ao setembro amarelo pode até reverter essa situação.
Muitos acreditam que o ato acontece pelo desejo de abreviar a vida na forma de “ah, daqui a pouco eu já vou morrer mesmo”, mas não é bem assim. Por trás desse aparente comportamento de displicência, estão as perdas não só de familiares ou pessoas importantes, mas de saúde, autonomia, produtividade e papéis sociais. Alguns dos fatores provocadores do suicídio entre os idosos são as doenças que levam à invalidez, interrupção do trabalho ou limitação da capacidade funcional. Logo depois, vem os abusos físicos (muitas vezes sofridos na juventude), abusos verbais, perdas familiares e sobrecarga financeira, sem contar a depressão, que também tem um papel muito importante.
No entanto, o principal desencadeador da intenção de abreviação se dá em razão do isolamento social. Então você me questiona: como que a quarentena, que é um distanciamento humano, pode ser um motivo para diminuir ou estabilizar os casos de suicídio entre idosos? A resposta é simples, e há vários motivos para dizer que, sim, a quarentena não piora a situação e pode estabilizá-la ou até melhorá-la.
Primeiramente, se o idoso não tinha mais motivos para viver, agora ele tem e esse motivo é tomar uma vacina contra o Coronavírus (que ainda está em fase de testes) e ser mais um dos idosos que sobreviveu à pandemia. Outra coisa importante é que, logo no início da quarentena, muitos familiares visitaram seus avós ou os idosos da família para uma possível despedida. É triste, mas isso de fato aconteceu, inclusive na minha própria família. Também temos que levar em conta que aqueles idosos que moravam com seus familiares, com no mínimo mais de duas pessoas, e estes familiares passavam o dia inteiro fora de casa, seja trabalhando, seja estudando, com a quarentena, tiveram que ficar o dia inteiro em casa, eliminando o isolamento social familiar. Os outros fatores provocadores sempre vão existir e não é a quarentena que irá agravá-los de maneira que aumente os casos de suicídio entre eles.
Um estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Enasp/Fiocruz) mostrou que o apoio de parentes e amigos foram destacados como possíveis fatores que poderiam evitar o suicídio dos idosos. Com a quarentena, mesmo aqueles que não gostavam muito dessa “coisa de tecnologia” se viram obrigados a aprender sobre ela para poderem se comunicar com amigos e familiares. As chamadas “videoconferências” se tornaram parte da rotina de muitos idosos. Só isso já é capaz de eliminar a principal causa do ato. Muitas empresas de aplicativos que servem para realizar as videoconferências aumentaram seus números de usuários expressivamente e, dentre esses usuários, estão os idosos em videoconferências com a família. O Zoom, por exemplo, aumentou seu número de usuários de 10 milhões para 200 milhões. A utilização do Google Meet é 25 vezes maior do que antes da pandemia. O Skype também registrou um aumento de 70%.
O estudo também afirmou que as perdas e os conflitos familiares também influenciam bastante o ato. Isso sim pode ter aumentado com a pandemia, afinal, muitas pessoas estão morrendo em razão do Coronavírus e os conflitos familiares têm maiores chances de acontecer, uma vez que aumentou o número de pessoas em casa e, consequentemente, o tempo de convivência entre quase todas as famílias brasileiras. Sem contar o desemprego, as contas atrasadas, dívidas se acumulando... Isso tudo é “lenha molhada à gasolina” para qualquer um da família acender um fósforo e abrir um incêndio de discussões e brigas.
Um fato curioso é que o estado do Brasil que concentra o maior percentual com casos de suicídio é o Rio Grande do Sul, com 27,3%. Vale ressaltar que essa já é uma porcentagem que abrange pessoas com 10 anos ou mais. Porém, entre 1996 e 2007, ocorreram 91.009 óbitos por suicídio e 14,2% desse total foram entre idosos. Pode parecer um percentual baixo, mas - se comparado a pesquisas e estudos anteriores - podemos observar que esse número aumentou expressivamente.
Mesmo com o aumento de perdas e conflitos familiares, acredito que, com a quarentena, há mais motivos para um idoso não cometer suicídio do que o contrário. A falta de investimento do governo em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) faz com que não tenhamos dados estatísticos de suicídio de idosos após o início da quarentena. Posso apenas relatar os motivos que levariam a aumentar ou diminuir os casos. De qualquer forma, é sempre bom informar o que pode ser feito para evitar mais casos dessa natureza na terceira idade.
Há muito a ser feito: não excluir os idosos de conversas importantes e discussões saudáveis sobre determinado assunto a fim de evitar que ele fique preocupado; não falar por eles quando forem levados ao médico; não tratá-los como crianças e não perder o contato, seja físico seja virtual. Isso faz com que o idoso mantenha sua autonomia, sua voz e seu espaço. Sem contar o isolamento social que é causado pela falta de visitas e comunicações com os filhos e demais familiares. São coisas simples, que nós como adultos, jovens ou crianças muitas vezes nem percebemos, mas que fazem toda a diferença.