Por Alexandre Kuchenbecker
A série “Arremesso final”, que conta a trajetória de um dos melhores times da história do basquete, o Chicago Bulls, vangloria desnecessariamente o astro, além de deixar jogadores irritados com suas aparições na série.
Todos que acompanham pelo menos um pouco de basquete sabem quem é Michael Jordan. Um grande jogador de basquete da década de 90, que fez grande sucesso com a franquia Chicago Bulls, sendo campeão 6 vezes com o time.
Para ressaltar e fazer homenagem ao astro e a essa incrível franquia do basquete, no dia 19 de abril de 2020, foi lançado um documentário na Netflix, chamado “Arremesso Final”. A série, que foi desenvolvida principalmente pela ESPN e Netflix, com a direção de Jason Hehir, conta a trajetória de Michael junto com a de outros astros pelo clube, como Scottie Pippen e Dennis Rodman. Tendo 10 episódios de mais ou menos 50 minutos de duração, filmagens dos bastidores do grande time e também entrevistas exclusivas aos jogadores e envolvidos na história.
O documentário foi um grande sucesso, batendo recorde de espectadores no canal da ESPN, registrando média de 6.1 milhões de espectadores nos dois primeiros episódios divulgados, de acordo com o site mktesportivo. Porém, nem todos ficaram tão satisfeitos com o resultado do documentário.
Alguns dos jogadores como Scottie Pippen, não gostaram de suas aparições na série e também o jeito como Michael e a direção os colocaram na série. Segundo a jornalista Jackie Mcmullan, da ESPN, Pippen ficou desapontado com a forma como foi retratado na série. Essa especulação acontece já que todos os pontos baixos de sua carreira tomaram grande relevância na série, como sua enxaqueca antes de um jogo importante, ou a sua recusa a entrar nos segundos finais de uma partida dos playoffs de 1994.
Pippen, não se pronunciou oficialmente a respeito, mas Horace Grant, um outro jogador do time, que foi apontado por Michael como fonte do jornalista Sam Smith para o livro “The Jordan Rules”, falou sobre o assunto. Grant, em uma entrevista negou as acusações de Jordan, também chamou ele de dedo duro por revelar as farras do elenco e criticou a aparição de seu ex-companheiro Pippen na série. Ele acrescentou: “ Quando a produção é sobre uma pessoa e ela basicamente tem a última palavra sobre o que vai ser mostrado, não é um documentário”.
Então, na minha opinião, a série é muito bem feita, com cenas empolgantes dos bastidores de jogos famosos da carreira de Jordan, contando um pouco da vida pessoal de cada um do time e também entrevistas reveladoras aos envolvidos com o basquete daquela época. O ponto fraco da série, na minha visão é que a história inteira ter sido contada só por um jogador, Michael Jordan, já que como ele estava diretamente envolvido na produção, ele poderia dar sua opinião sobre o que entra na série e o que sai
Por esse motivo, a série acaba tendo só um ponto de vista maior de tudo e exaltando demais Jordan. Ele, não teve por exemplo nenhum de seus pontos fracos da sua carreira mostrados, como sua passagem desapontante pelo Washington Wizards.
Isso acaba gerando outra pergunta, será que o endeusamento excessivo de um jogador faz bem? Bom, eu acho que isso é uma das maiores falhas dos fãs e dos envolvidos com esporte. Isso é ruim pois acaba botando uma pressão enorme desnecessária nas costas do jogador, que vai sempre tentar cumprir as expectativas a respeito dele. Além disso, os colegas de time desse jogador se sentirão denegridos com sua imagem enorme para os fãs, como Scottie Pippen, que foi um grande jogador que ficou sempre na sombra de Michael, mesmo possuindo um pouco menos de talento ou até o mesmo que ele.
Por isso, acho que quando um time está ganhando os jogos e jogando super bem, devemos parar de olhar somente para um protagonista, mas devemos olhar o time como um todo. Até porque basquete, futebol, vôlei, são esportes coletivos, e não individuais.
Referências: