A instalação sintetiza o Estudo do Meio realizado pelos estudantes do 9º ano e reúne registros escritos, visuais e audiovisuais para investigar criticamente as transformações urbanas, as dinâmicas socioespaciais e os lugares de memória que forjaram a história e a cultura do país.
A partir do conceito de palimpsesto urbano, que vem do grego e significa “aquilo que se apaga para ser escrito novamente”, buscamos a reflexão sobre como grandes projetos de modernização e higienização estatal – do “bota-abaixo” de Pereira Passos às intervenções dos Jogos Olímpicos de 2016 – atuaram como verticalidades de poder que promoveram a segregação e a tentativa de apagamento das comunidades populares. Em contraposição a essas políticas de exclusão, os trabalhos resgatam a memória viva dos territórios da Pequena África (Cais do Valongo, Instituto dos Pretos Novos e a Pedra do Sal), articulando literatura e história para desenterrar as vozes silenciadas pela narrativa oficial.
Na investigação sobre a identidade nacional, a cultura popular surge como uma potente força de “(re)existência”. Ao debater a trajetória do samba, do Carnaval e as disputas em torno da figura do malandro, a exposição evidencia como as populações marginalizadas criaram frestas de autonomia e soluções coletivas contra a violência institucional. Essa potência comunitária reflete-se tanto nas vivências das Aldeias Vertical no Estácio e Maracanã quanto na imersão no Centro Cultural Egbé Iyá Omi àti Obaluaiê, em Nova Iguaçu, destacando o respeito à ancestralidade e o combate ao racismo religioso.
Bruno Picchi, Camila Nardoni, Diego Lucena e Tarso Loureiro