Uma premissa do trabalho da matemática do Oswald é que precisamos dar a palavra aos estudantes. Tal palavra pode ser oral, na forma de registro matemático ou na linguagem alfabética. De qualquer forma, precisamos ouvir o que têm a dizer sobre os conteúdos das aulas e como os registram.
Para a Mostra de 2026, selecionamos alguns trabalhos para serem apresentados, todos juntos, independente das séries em que foram realizados.
Começamos pelo trabalho desenvolvido nas aulas de estatística do 6º ano, no qual os alunos e alunas expressam o produto final de uma proposta voltada para o estudo do perfil dos estudantes da série.
No trabalho da Torre de Hanoi do 6º ano, a proposta é chegar a uma fórmula matemática que apresente a relação entre o número de discos em uma haste e a quantidade mínima de movimentos necessários para mover todos eles para uma terceira haste. Com 0, 1, 2, 3 discos, os movimentos são respectivamente 0, 1, 3, 7 – e assim por diante.
Ao lado das torres, há um trabalho de construção de sólidos geométricos, desenvolvido pela 2ª série (EM), relacionado ao cálculo de volumes de corpos redondos e do prisma, tendo uma parte feita no papel e outra na interface do sketchup com a impressora 3D. As questões étnico-raciais são contempladas ao apresentarmos, neste mesmo trabalho, uma discussão sobre medidas de massa e sua relação com a Revolta dos Quebra-Quilos, iniciada na Paraíba no século XIX, em oposição ao novo Sistema Métrico Decimal, imposto pelo Império.
Marco Antonio Scarpa Vilar, Armênio Lannes Xavier Neto, Vania de Andrade Luz
No 9º ano, experimentamos o teorema de Pitágoras sob um viés africano, observando os padrões encontrados em espirais egípcias, paredes e móveis. Para a demonstração da relação entre as medidas dos lados de um triângulo retângulo, utilizamos os modelos de esteiras africanas e as áreas dos quadrados formados.
Dando a volta na sala, há o trabalho de geometria do 7º ano, expresso em atividades desenvolvidas sobre a condição de existência do triângulo.
Na 3ª série do Ensino Médio, os estudantes foram convidados a refletir sobre qual o papel do algoritmo dentro da disciplina de Matemática. A atividade tem como objetivo apresentar o algoritmo enquanto ideia de programação na matemática, abordando a estrutura de passos, a implicação lógica e a solução proposta. Isso é feito por meio de uma plataforma baseada nos princípios da linguagem Python, comparando os passos lógicos com os conceitos da álgebra. Para sistematizar, partimos para a ideia da computação desplugada, em que os estudantes assumem o papel do computador e têm de seguir os comandos lógicos (o algoritmo) para reproduzir a ideia dada, consolidando a importância do algoritmo dentro da Matemática.
Ao fim da exposição, há um protótipo desenvolvido no Clube da Matemática. A partir da construção de uma réplica de Things in rings, os estudantes construíram um jogo em que exploram conceitos matemáticos.
Bárbara Passadore de Oliveira, Armênio Lannes Xavier Neto, Vinícius dos Santos Ignácio, João Pedro Melo de Lima Silva