Escrito por: Vitor Martins
Após um ciclo olímpico repleto de questionamentos, as brasileiras chegaram à capital inglesa em busca do bicampeonato olímpico, visto que haviam conquistado, de maneira perfeita e apenas perdendo um único set durante toda competição, o inédito ouro em Pequim, quatro anos antes.
Porém, diferentemente da olimpíada anterior, as brasileiras pareciam abatidas, entregues e com olhares perdidos ainda durante a primeira fase da competição, correndo sério risco até mesmo de não se classificarem para a fase seguinte. O sinal de alerta estava ligado e as atletas, que viviam seus auges, não tinham as respostas necessárias para justificarem seus baixos desempenhos.
Com isto, a seleção brasileira conquistou a última vaga de seu grupo para a próxima fase e, consequentemente, enfrentaria a primeira colocada do outro grupo nas quartas.
Seriam as russas...
Logo, o imaginário dos torcedores era o mesmo, recordando-se de três traumáticas derrotas sofridas para as russas (a semifinal olímpica de 2004, e as finais da Copa do Mundo de 2006 e 2010), com a esperança que tal fantasma se tornasse passado, na medida que as brasileiras pudessem se reerguer na competição diante de um jogo tão significativo e importante.
Com equilíbrio do início ao fim e com 2 a 2 no placar, as brasileiras chegaram a abrir 13x10 no set desempate. Porém, as russas emplacaram quatro pontos consecutivos, virando o jogo e tendo a oportunidade de vencer o jogo com o “ponto da vitória” que tinha em mãos. O medo do “deja vú russo de 2004” veio à tona, mas dessa vez seria diferente…
Com seis oportunidades do ponto da vitória a favor da Rússia, as brasileiras salvaram todas. Absorvendo a energia passada dos torcedores brasileiros presente no ginásio, o Brasil virou a partida com o ponto decisivo de Fabiana, fazendo todas as atletas e comissão técnica vibrar e comemorar como se fosse um título… mas na verdade era.
Foi a motivação necessária para o Brasil conquistar, posteriormente, o bicampeonato olímpico e por um fim, dando o troco na mesma moeda, no fantasma russo diante de uma das maiores rivalidades da história do vôlei mundial em um dos jogos mais emocionantes de todos os tempos.