Escrito por: Vitor Martins
Em 2004, a olimpíada - enfim, voltava a ser realizada em Atenas. Para aqueles jogos, a disputa pelo ouro no voleibol feminino estava a todo vapor. Contudo, a hegemonia cubana (extremamente consolidada) chegava à Grécia com o intuito de conquistar o quarto ouro de maneira consecutiva e escrever ainda mais seu nome na história esportiva, desejo que "parcialmente" não aconteceu com o terceiro lugar da equipe de Cuba.
Enquanto isso, a seleção brasileira - que nunca havia chegado com tantas chances do inédito ouro olímpico como chegava em Atenas - tinha como técnico, o campeão olímpico com os homens em 1992 (José Roberto Guimarães) e contava com um elenco mesclado entre veteranas e jovens atletas em grande momento.
O que vinha sendo uma espécie de conto de fadas para as brasileiras, com cinco vitórias em cinco jogos, se fortaleceu ainda mais com a vitória contra as americanas, se classificando para as semifinais do torneio.
Porém, era apenas o começo do fim.
Na partida que valia vaga na inédita decisão do ouro para o voleibol feminino brasileiro, as adversárias seriam as russas. Em uma partida disputada, as brasileiras chegaram a ter o “ponto da vitória” por sete vezes, chegando a abrir 24 a 19 no quarto set, mas desperdiçaram todas as oportunidades, dando a energia necessária para que as russas, lideradas por Sokolova e Gamova, pudessem ganhar o quarto e quinto set, virando a partida, naquela que é considerada uma das partidas mais tristes do vôlei brasileiro.
Tal episódio fez a seleção feminina se fortalecer e continuar crescendo no cenário do voleibol mundial, enfileirando títulos atrás de títulos (incluindo o título olímpico em 2008), na medida em que a narrativa das russas se tornarem uma “pedra no sapato” das brasileiras também se desenvolvia com as derrotas nas finais da Copa do Mundo de 2006 e 2010 (ambas para as russas), consolidando o desejo de vingança em quadra dos torcedores brasileiros e transformando em ainda mais vontade para as atletas “exorcizarem tal fantasma”.
O que ninguém poderia imaginar, era que o "troco" viria da melhor forma possível...