Escrito por: Vitor Martins
Querido por todos por sua generosidade e comprometimento, o jovem goleiro Robert Enke logo mostrou potencial suficiente para ser colocado como um dos mais promissores de sua geração (e não era pra menos). Aos 21 anos, após passagem por equipes alemãs, o goleiro chegou ao Benfica onde tornou-se uma peça fundamental no time de Lisboa.
Porém, com sua ida para o Barcelona em 2002, seus problemas começaram a se tornar visíveis.
Após se transferir para a equipe espanhola, Enke vivenciou momentos conturbados em sua vida, que consequentemente o trouxe variados problemas psicológicos. Falta de oportunidade, falhas recorrentes e a consequente vaga no banco de reservas da equipe catalã para o então titular da posição, Victor Valdés, o fez questionar sua própria capacidade técnica ainda mais.
A partir de então, o goleiro entrou em um quadro depressivo. O mesmo negava publicamente estar enfrentando dificuldades pessoais por não querer ser visto como uma pessoa “fraca”, pois naquele momento a depressão - assim como qualquer problema psicológico - era tratado como um tabu dentro do meio futebolístico como um todo.
O que agravou toda essa situação foi a perda de Lara, sua filha de 8 meses, devido a complicações de um problema cardíaco que tinha, em 2006.
Aos 32 anos, enfim, vivia seu auge. De volta ao futebol alemão e como capitão de sua equipe, Enke chegou a titularidade do gol da seleção alemã que se preparava para disputar a Copa de 2010, mas naquela altura, seu maior inimigo já havia tomado proporções inimagináveis.
Na manhã do dia 10 de novembro de 2009, o ex-atleta havia faltado à sessão de terapia alegando estar se sentindo bem. Pouco tempo depois estacionou seu carro à alguns metros de uma linha de trem - próximo ao cemitério onde sua filha Lara estava enterrada, e foi atingido por um trem a 160km por hora. Terminava ali - tragicamente - sua curta, porém marcante vida.
Atualmente, cada vez mais atletas se manifestam favoráveis aos cuidados e tratamentos psicológicos desportivamente, rompendo a barreira do preconceito referente ao assunto, atitude da qual faria Enke se sentir acolhido em meio a esse mal tão cruel.