Nesta página introdutória a este website que agrega traduções para a língua portuguesa de artigos do filósofo britânico Richard Swinburne segue-se, primeiramente, a tradução de uma breve autobiografia intelectual publicada originalmente no página oficial de Richard Swinburne no website da Universidade de Oxford. Em seguida, seguem-se agradecimentos dos responsáveis por este website a Richard Swinburne e às respectivas editoras ou editores responsáveis pelas publicações originais em língua inglesa pelas permissões concedidas para a traduções dos artigos para a língua portuguesa. Na base desta página, é possível encontrar a informação para contato dos responsáveis por este website.
Richard Swinburne – breve autobiografia intelectual:
Comecei a minha vida acadêmica na Universidade de Oxford, com graduação (1954-1957) e pós-graduação (1957-1959) em filosofia, seguidas de um diploma em teologia (1959-1960). Durante o meu período como estudante de graduação, desenvolvi o meu interesse duradouro por todos os problemas centrais da filosofia, especialmente pela questão de se há justificativa adequada para a crença em Deus, e mais particularmente nas doutrinas da religião cristã. (Tenho sido cristão toda a minha vida e sou membro da Igreja Ortodoxa desde 1995.) Via as conquistas das ciências como centrais para a visão de mundo moderna; por isso (financiado por duas bolsas de pesquisa – uma Fereday Fellowship no St John’s College, Oxford, e uma Leverhulme Fellowship em história e filosofia da ciência na Universidade de Leeds), dediquei os três anos seguintes a aprender muito sobre a história das ciências físicas e biológicas e a começar a filosofar sobre elas. Em 1963, tornei-me professor de filosofia na Universidade de Hull. Quase todo o meu trabalho pelos nove anos seguintes foi dedicado à filosofia da ciência. Meu primeiro livro, Space and Time [Espaço e Tempo], foi publicado em 1968 e buscou dar uma explicação da natureza do espaço e do tempo à luz das conquistas detalhadas da teoria da Relatividade e da cosmologia. O meu próximo livro de grande escala, An Introduction to Confirmation Theory [Uma Introdução à Teoria da Confirmação], tratou da formalização, por meio do cálculo de probabilidades, do que constitui evidência para o quê. A minha mudança para Professor de Filosofia na Universidade de Keele em 1972 coincidiu com uma mudança de foco acadêmico para a filosofia da religião, sobre a qual eu havia publicado até então apenas um pequeno livro, The Concept of Miracle [O Conceito de Milagre] (1971). Os doze anos seguintes viram a publicação da minha trilogia sobre a filosofia do teísmo: The Coherence of Theism [A Coerência do Teísmo] (1977, 2ª ed. 2016), The Existence of God [A Existência de Deus] (1979, 2ª ed. 2004) e Faith & Reason [Fé e Razão] (1981, 2ª ed. 2005). A obra central, The Existence of God, buscou restabelecer a “teologia natural”, fornecendo argumentos probabilísticos a partir das características gerais do mundo para a existência de Deus; e essa é a realização pela qual sou mais conhecido. Os meu trabalho no início dos anos 1980 sobre a relação entre mente e corpo ganhou forma publicada primeiro em Personal Identity [Identidade Pessoal] (coautoria com Sydney Shoemaker, 1984); e de forma mais completa em The Evolution of the Soul [A Evolução da Alma] (1986, ed. revisada 1997).Em 1985, tornei-me Nolloth Professor de Filosofia da Religião Cristã na Universidade de Oxford. Pelos dezoito anos seguintes, o meu trabalho concentrou-se no significado e na justificativa das doutrinas que distinguem o cristianismo de outras religiões, e esse trabalho ganhou forma publicada em quatro livros: Responsibility and Atonement [Responsabilidade e Expiação] (1989), Revelation [Revelação] (1992; 2ª ed. 2007), The Christian God [O Deus Cristão] (1994) e Providence and the Problem of Evil [Providência e o Problema do Mal] (1998). Epistemic Justification [Justificação Epistêmica], um exame do que constitui a justificação de uma crença (e o que constitui o conhecimento), foi publicado em 2001. The Resurrection of God Incarnate [A Ressurreição de Deus Encarnado] foi um exame, com o auxílio de todo o meu trabalho anterior sobre o que é evidência para o quê, das evidências para a Ressurreição corporal de Jesus, publicado em 2003. Como a Ressurreição de Jesus fornece uma base substancial para crer em muitas das alegações detalhadas da doutrina cristã, essa foi uma peça final necessária do meu programa apologético. Desde a minha aposentadoria da Cátedra Nolloth em 2002, grande parte do meu trabalho tem sido dedicada à produção de segundas edições (amplamente reescritas e atualizadas) de obras anteriores: The Existence of God (2004), Faith & Reason (2005), Revelation (2007) e The Coherence of Theism (2016). Também escrevi dois livros curtos “populares” resumindo meu trabalho em filosofia da religião: Is There a God? [Existe um Deus?] (1996) e Was Jesus God? [Jesus Era Deus?] (2008). Nos cinco anos seguintes, voltei a trabalhar na questão da relação entre mente e corpo, e também na questão conectada de se os seres humanos têm livre-arbítrio e na relevância para isso das neurociências recentes. Esse trabalho resultou em um novo livro, Mind, Brain, and Free Will [Mente, Cérebro e Livre-Arbítrio], publicado em 2013, no qual argumento que todos os seres humanos consistem de duas partes – alma (parte essencial) e corpo (parte contingente) – e que provavelmente temos livre-arbítrio (de um tipo indeterminado). Nos dois anos seguintes, trabalhei principalmente na segunda edição (amplamente reescrita e atualizada) de The Coherence of Theism, publicada em 2016. Esse livro busca produzir uma explicação coerente do que significa “Há um Deus” (e, portanto, examina o que significa um ser ser onipotente, onisciente, perfeitamente bom etc.), o que é um prolegômeno para meus argumentos em favor da existência de Deus. Desde então, escrevi artigos sobre vários temas filosóficos e um livro mais “popular”, intitulado Are We Bodies or Souls? [Somos Corpos ou Almas?], resumindo e desenvolvendo as minhas visões sobre a natureza da alma e sua conexão com o corpo, publicado em 2019; uma versão ligeiramente revisada foi publicada em 2023. James Sterba e eu escrevemos um livro de “debate”, Could a Good God Permit So Much Suffering? [Poderia um Deus Bom Permitir Tanto Sofrimento?], publicado na primavera de 2024; ele argumenta que a ocorrência de sofrimento horrendo implica a não existência de Deus, enquanto eu argumento que não implica isso; e que tal sofrimento não torna a existência de Deus improvável. Fui eleito Fellow da British Academy em 1993. Ao longo de muitos anos, ocupei cargos de professor visitante em universidades americanas e de outros países, e dei palestras extensas por períodos mais curtos em muitos países diferentes. Nos últimos anos, tenho dado palestras, entrevistas e participado de debates em podcasts disponíveis na internet. Em particular, forneci resumos curtos das minhas visões sobre a maioria dos temas sobre os quais escrevi, em um grande número de seções separadas no canal do YouTube “Closer to Truth”. Recebi Doutorados Honorários pela Catholic University of Lublin (2015), pela Dimitrie Cantemir Christian University, Bucareste (2016), pela International Academy of Philosophy, Liechtenstein (2017) e pela New Georgian University, Poti (2023).
Agradecimentos:
Em 2020, o filósofo brasileiro Felipe Miguel obteve, em consulta e, na maior parte dos casos, com a assistência do professor Richard Swinburne, permissão, das editoras ou editores responsáveis pela publicação original dos artigos disponibilizados neste website, para traduzi-los para o português e publicá-los no Brasil. Felipe Miguel e quaisquer pessoas eventualmente associadas a este projeto agradecem a Richard Swinburne e as editoras ou editores responsáveis pelas permissões que possibilitaram a concretização deste projeto.
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felipe.epistemology (gmail)