Existe uma ideia, muitas vezes transmitida sem percebermos, de que a vida adulta só estará realmente completa quando alguém se casar.
Já ouviram falar de ACHAR A SUA METADE? (e alma gêmea 💕então, misericórdia, tá amarrado!)
É fake news para um discípulo de Jesus, viu?
Quem se tornou discípulo, se tornou completo por causa de Cristo. Cristo em nós!
Mas, a turma não ajuda.
Muito comum, e muito chato, quando o discípulo solteiro começa a ouvir perguntas, brincadeiras e cobranças: “E você, quando vai casar?”, “Ainda não apareceu ninguém?”, “Está esperando o quê?”, "Aquela ali é uma benção"...
Precisamos ter cuidado com isso.
O discípulo solteiro não é uma pessoa incompleta esperando alguém que venha completá-lo.
Quem completa nossa vida é Jesus!
Nossa identidade, nossa segurança, nosso propósito e nossa plenitude não estão no estado civil. Paulo pôde viver plenamente para Cristo sendo solteiro e chegou a mostrar que a solteirice também pode proporcionar uma liberdade especial para servir ao Senhor (1Co 7:32-35).
O casamento é uma bênção de Deus. A família é uma bênção. Ter marido, esposa e filhos pode fazer parte do propósito de Deus para alguém. Mas nenhuma dessas coisas pode ocupar o lugar que pertence exclusivamente a Cristo.
Por isso, os irmãos da igreja, os líderes e especialmente os pais precisam tomar cuidado para não colocar pressão sobre os solteiros para que se casem. Podemos orar, aconselhar, aproximar pessoas e criar oportunidades saudáveis de convivência. Mas não devemos produzir ansiedade.
Pressão pode fazer alguém transformar o casamento em uma meta a ser alcançada a qualquer custo. E quando a pessoa passa a amar a ideia do casamento mais do que ama a vontade de Deus, ela fica vulnerável a escolhas ruins.
Não se case apenas porque deseja se casar - Se um dia você entender diante de Deus que deve se casar, não faça isso simplesmente porque está cansado de estar sozinho.
Não se case por carência. Não procure em outra pessoa aquilo que somente Cristo pode suprir.
Não se case apenas pelos benefícios legítimos do casamento. Companhia, intimidade, sexualidade, filhos, uma casa e uma família são coisas boas. Mas desejar essas coisas não é razão suficiente para escolher qualquer pessoa.
Não tome uma decisão permanente em um momento de fragilidade emocional. Há momentos em que a solidão, uma perda, uma frustração ou simplesmente o desejo de ser amado podem alterar nossa percepção. Uma pessoa emocionalmente necessitada pode interpretar atenção como compatibilidade e paixão como direção de Deus.
Não se case com o casamento. Algumas pessoas querem tanto casar que, quando alguém aparece, começam a tentar encaixar aquela pessoa no sonho que já construíram.
O desejo deixa de ser: “Senhor, essa pessoa poderá caminhar comigo no teu propósito?”
E passa a ser: “Finalmente apareceu alguém com quem eu posso realizar meu sonho de casar.”
Isso é perigoso!
Da mesma maneira, não constitua uma família simplesmente pela família. Família não é um fim em si mesma.
Não se case porque todo mundo achou que tal pessoa é idela. Não aceite deliberadamente alguém profundamente incompatível com você apenas por medo de permanecer solteiro. Fé, valores, direção de vida, maturidade, caráter e propósito precisam ser considerados com seriedade. E, certamente, precisa ter um sentimento pra querer viver o resto da vida com uma pessoa, não é uma questão de lógica. Não é por causa de paixão, mas não é sem um sentimento de satisfação de estar com a pessoa. Alguma química tem que ter.
Case-se porque você pertence ao Senhor, e porque encontrou alguém que também pertence ao Senhor e percebe que juntos poderão servi-lo melhor.
Constitua uma família porque deseja que sua casa esteja a serviço do propósito de Deus.
Tenha filhos, se Deus os conceder, não apenas para realizar o sonho de ser pai ou mãe, mas para receber a responsabilidade de formar uma nova geração para o Senhor.
O pensamento deveria ser:
“Senhor, tudo o que sou é teu. Minha vida é tua. Minha profissão é tua. Meus recursos são teus. Meu tempo é teu. Se eu permanecer solteiro, quero servir-te plenamente. E, se eu me casar, meu casamento também será teu. Se eu tiver uma família, minha família estará a serviço do teu propósito.”
Essa é uma mudança importante.
A pergunta deixa de ser: “Quando finalmente vou encontrar alguém para completar minha vida?”
E passa a ser: “Como posso glorificar a Cristo com a vida que tenho hoje?”
E, se surgir alguém: “Nós poderemos caminhar juntos no propósito de Deus?”
Jesus nunca deve ser uma parte da nossa vida que acrescentamos ao casamento. É exatamente o contrário: o casamento, quando existir, será uma parte da vida que já entregamos completamente a Jesus.
Por isso, solteiros não devem viver numa espécie de sala de espera da vida.
Vivam agora.
Sirvam agora.
Façam discípulos agora.
Tenham amigos agora.
Recebam pessoas em casa agora.
E se tiver oportunidade de ter sua própria casa, e for pacífico com seus pais, é mais uma excelente ferramenta para servir à igreja.
Trabalhem, proclamem o evangelho, cuidem dos irmãos, desenvolvam seus dons, amadureçam, viajem, cooperem com a igreja e entreguem tudo ao Senhor agora.
Não existe uma “vida verdadeira” que começa depois do casamento. A vida do discípulo começa quando ele se entregou a Jesus.
Se o casamento vier, será uma bênção acrescentada ao caminho.
Se demorar, Cristo continua suficiente.
E enquanto o Senhor conduzir alguém pela solteirice, essa pessoa não está vivendo uma versão menor da vida cristã. Está vivendo a vida que Deus lhe deu hoje.
Não precisamos de alguém para nos completar.
Já fomos completamente entregues ao amado, nosso Senhor e Rei, Jesus Cristo.