“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” Mateus 28:19
A missão de Jesus não termina em nossa cidade, em nossa cultura ou em nosso país. Desde o início, o propósito de Deus envolve povos, línguas e nações. Jesus disse aos discípulos:
“...e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra.” Atos 1:8
Por isso, uma igreja saudável não pode olhar apenas para suas próprias necessidades. Precisamos levantar os olhos para as nações, especialmente para povos onde Cristo ainda é pouco conhecido e onde ainda não existem discípulos e igrejas locais capazes de anunciar e viver o evangelho do Reino entre seu próprio povo.
Entretanto, precisamos compreender algumas diferenças importantes.
Deus pode conduzir discípulos para outros países por diferentes razões.
Alguns irão para trabalhar, estudar, casar, acompanhar familiares ou desenvolver sua profissão. Eles continuam sendo discípulos de Jesus e, portanto, continuam chamados a testemunhar, proclamar o evangelho, servir, fazer discípulos e participar da vida da igreja onde estiverem.
A igreja pode orar por eles, acompanhá-los e até enviá-los com sua bênção.
Mas isso não significa necessariamente que sejam missionários transculturais.
Precisamos dessa distinção para não transformarmos “missões” simplesmente em um nome engajado para morar no exterior.
Um discípulo pode mudar-se para o Chile, Portugal, Alemanha ou qualquer outra nação por razões profissionais e ser extremamente frutífero para Deus ali. Isso é precioso. Mas é diferente de alguém que foi especificamente preparado e enviado para atravessar barreiras culturais com o propósito de proclamar o evangelho, fazer discípulos e trabalhar pelo estabelecimento da igreja entre aquele povo.
Ambas as situações podem glorificar a Deus, mas não precisam receber o mesmo nome. Mas, por quê? Por causa da preparação, dedicação e envolvimento especial da igreja enviadora.
Existe hoje uma grande movimentação de cristãos brasileiros para os América do Norte e países da Europa.
Deus certamente pode enviar pessoas para esses lugares. Mesmo países historicamente evangelizados possuem populações secularizadas, imigrantes e contextos nos quais há necessidade de proclamação e formação de discípulos.
Mas precisamos tomar cuidado para que nossa visão missionária não seja determinada pelos lugares onde gostaríamos de morar.
A pergunta não pode ser simplesmente: “Para qual país eu gostaria de ir?”
Precisamos perguntar: “Onde há necessidade de trabalhadores e para onde Deus deseja enviar sua igreja?”
Existem povos onde o acesso ao evangelho ainda é extremamente limitado. Existem lugares onde seguir Jesus pode significar rejeição familiar, perseguição, prisão e até risco de morte.
Por isso, missão transcultural não pode ser confundida com oportunidade de conhecer outra cultura, aprender inglês, estudar no exterior ou viver uma experiência internacional.
“Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado...”
Romanos 15:20
Isso não significa que não haja trabalho a fazer onde o evangelho já chegou. Significa que existe uma dimensão específica da missão que olha para onde Cristo ainda precisa ser anunciado e onde igrejas ainda precisam ser estabelecidas.
Nos últimos anos surgiram muitas iniciativas chamadas de “missões” que proporcionam experiências interessantes: viagens curtas, intercâmbios, visitas a projetos, semanas de evangelização, trabalhos sociais e contato com outras culturas.
Essas experiências podem ter valor.
Uma viagem pode abrir os olhos de alguém. Um contato com outra cultura pode despertar um chamado. Conhecer missionários pode mudar a direção da vida de um discípulo.
O problema acontece quando a experiência passa a ser o objetivo.
Alguém pode viajar, servir durante 1 mês, voltar emocionado, apresentar fotografias, contar testemunhos e ainda assim nunca assumir um compromisso verdadeiro com a missão.
Por isso, em Brasília, queremos caminhar numa direção clara: não queremos apenas oferecer experiências com missões; queremos criar um ambiente de envolvimento com missões.
A experiência pergunta:
“Para onde vamos viajar?”
“Quanto tempo vamos ficar?”
Envolvimento pergunta:
“Como esse povo será alcançado?”
“O que será necessário para que haja discípulos e uma igreja estabelecida entre eles?”
Envolvimento pode significar anos de oração, preparação, contribuição, aprendizado de língua, adaptação cultural, formação bíblica, envio, perdas dos relacionamentos com igreja e família, acompanhamento, solidão, mas convicção em Deus que está no lugar certo.
Uma viagem missionária pode fazer parte desse processo. Mas ela é uma ferramenta da missão, e não a própria missão.
Também precisamos recuperar uma dimensão que facilmente pode desaparecer quando missões são tratadas apenas como intercâmbio cultural, ação social ou experiência internacional.
A proclamação do evangelho é guerra espiritual.
Quando Jesus enviou os setenta e dois discípulos, eles retornaram admirados porque até os demônios se submetiam em seu nome. Jesus lhes respondeu:
“Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago.” Lucas 10:18
Eles haviam saído pelas cidades anunciando o Reino de Deus. E Jesus revelou que, por trás daquela proclamação aparentemente simples, havia uma realidade espiritual muito maior.
O Reino de Deus estava avançando.
Por isso, toda verdadeira ação missionária possui uma dimensão de batalha espiritual.
Paulo descreve nossa conversão dizendo que Deus:
“nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor.”
Colossenses 1:13
Missões participam desse avanço do Reino: homens e mulheres que estavam debaixo das trevas ouvem o evangelho, arrependem-se, submetem-se a Jesus e passam a pertencer ao seu Reino.
Nesse sentido, missão é também resgate de prisioneiros do império das trevas.
Isso muda completamente nossa maneira de pensar a preparação missionária.
Não estamos preparando turistas religiosos.
Não estamos preparando pessoas para uma aventura internacional.
Estamos preparando discípulos para entrar em contextos onde haverá oposição espiritual, religiosa, cultural e, em alguns casos, política e familiar à proclamação de Jesus Cristo.
Por isso, vida de oração, jejum, santidade, comunhão, conhecimento da Palavra, dependência do Espírito Santo e vida de igreja não são acessórios da formação missionária. São parte fundamental dela.
O chamado missionário pode começar de muitas maneiras.
Pode nascer durante uma oração.
Pode surgir lendo as Escrituras.
Pode começar ao ouvir o testemunho de um missionário.
Pode acontecer quando alguém conhece determinada nação.
Pode ser despertado durante uma viagem missionária.
Uma experiência pode produzir um impacto profundo e legítimo.
Mas existe uma diferença entre ser impactado por missões e estar preparado para ser enviado.
O chamado pode nascer no coração em um instante. A formação missionária exige um estilo de vida.
É justamente aqui que precisamos ter cuidado com uma expectativa quase mágica sobre missões.
Alguém pode pensar:
“Quando eu chegar ao campo missionário, vou evangelizar.”
“Quando estiver na África, vou fazer discípulos.”
“Quando aprender a língua, vou começar a servir.”
“Quando for enviado, vou desenvolver uma vida profunda de oração.”
Mas precisamos afirmar algo muito simples: o milagre não acontece no avião.
O avião muda nossa localização geográfica. Não muda nosso caráter, nossa vida com Deus, nossa capacidade de proclamar o evangelho ou nossa disposição para fazer discípulos.
Se alguém não proclama Cristo em Brasília, precisamos perguntar por que imaginamos que fará isso espontaneamente quando chegar a outra nação. Se não aprende a fazer discípulos aqui, a barreira cultural e linguística provavelmente tornará isso ainda mais difícil lá. Se não consegue trabalhar em equipe aqui, não será uma passagem aérea que produzirá essa capacidade. Se não sabe prestar contas, servir, perseverar e viver debaixo de autoridade aqui, essas dificuldades provavelmente aparecerão de maneira ainda mais intensa no campo transcultural.
Por isso, a preparação missionária começa antes do envio.
Antes de perguntarmos “para onde você quer ir?”, talvez precisemos perguntar “O que você já está vivendo aqui?”
Quem deseja ser preparado para missões transculturais precisa exercitar, desde agora, aquilo que pretende fazer entre outros povos.
Precisa aprender a proclamar o evangelho.
Precisa aprender a conversar com pessoas que não conhecem Jesus.
Precisa aprender a fazer discípulos, e ser discipulado
Precisa aprender a abrir sua casa, iniciativa para servir.
Precisa participar da vida da igreja, trabalhar em equipe.
Precisa desenvolver vida de oração e Palavra.
Precisa aprender perseverança, submissão, prestação de contas e relacionamento com irmãos diferentes dele.
MAS, ÁI VOCÊ NOS DESANIMA ... 😐
Gente, esta é a vida normal de um discípulo. Estas coisas devem estar presentes em quem vai e em quem fica. Porque queremos agradar ao nosso Jesus e viver como Ele!
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E, à medida que um possível envio se aproxima, essa preparação deve incluir também aspectos específicos:
formação bíblica, preparação cultural, aprendizado linguístico, conhecimento da história e religião do povo, adaptação transcultural, saúde emocional, capacidade profissional quando necessária e compreensão do contexto no qual será inserido.
Tudo isso ajuda a igreja a discernir se aquele discípulo está sendo preparado e habilitado para um envio.
Precisamos também definir claramente onde queremos chegar.
O objetivo de missões não é simplesmente realizar atividades cristãs em outro país. Também não é manter indefinidamente um missionário brasileiro realizando atividades para determinada população. O objetivo é que o evangelho produza discípulos e igreja.
Jesus ordenou: “Fazei discípulos de todas as nações...” Mateus 28:19
Paulo e seus companheiros proclamavam o evangelho, faziam discípulos e estabeleciam comunidades que posteriormente possuíam seus próprios líderes.
“E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” Atos 14:23
Esse é um ponto fundamental da visão transcultural. Não queremos simplesmente criar uma comunidade brasileira dentro de outra nação. Queremos que surjam discípulos daquele povo. Famílias daquele povo. Líderes daquele povo. Presbíteros daquele povo. Igrejas daquele povo.
E que essas igrejas sejam capazes de proclamar o evangelho e fazer novos discípulos sem permanecer indefinidamente dependentes dos missionários estrangeiros. O missionário não deve desejar tornar-se indispensável. Parte do sucesso de seu trabalho será justamente ver chegar o dia em que os discípulos nativos assumirão plenamente a responsabilidade pela vida e expansão da igreja entre seu próprio povo.
Atos 13 nos oferece um quadro importante:
“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres...” Atos 13:1
Barnabé e Saulo já estavam servindo no contexto da igreja. Então, enquanto os irmãos ministravam ao Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse:
“Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.” Atos 13:2
Depois disso:
“Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram.” Atos 13:3
Existe chamado, mas existe também igreja.
Existe vocação pessoal, mas existe também reconhecimento.
Existe disposição para ir, mas existe também preparação e envio.
Por isso, não queremos estimular uma cultura na qual alguém simplesmente declara: “Deus falou comigo, portanto estou indo.”
Queremos que o chamado seja provado na vida. Que os dons sejam exercitados. Que o caráter seja conhecido. Que haja fruto. Que haja preparação. Que a igreja possa reconhecer aquilo que Deus está fazendo e, no tempo adequado, enviar.
Missões também não devem produzir discípulos isolados da igreja.
Paulo e Barnabé foram enviados e posteriormente retornaram:
“Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles...” Atos 14:27
O enviado continua pertencendo ao Corpo. Precisamos pensar não apenas em como enviar, mas também em como acompanhar.
Quem cuidará daqueles que forem enviados?
Quem orará regularmente por eles?
Quem os ajudará nas crises?
Quem os aconselhará?
Quem acompanhará sua família e seus filhos?
Quem ajudará a discernir decisões difíceis?
Quem perceberá quando estiverem isolados ou esgotados?
Sempre que possível, também precisamos pensar em equipes, e não apenas em indivíduos solitários.
O campo missionário não elimina a necessidade do Corpo de Cristo. Pelo contrário, muitas vezes torna essa necessidade ainda mais evidente.
Hoje é idealmente, mas queremos que seja primordial enviar de dois em dois. Duas famílias, quatro famílias...
Queremos que Brasília se torne um ambiente de envolvimento e preparação missionária.
Não queremos começar por viagens.
Queremos começar por discípulos.
Queremos falar regularmente sobre povos e nações.
Queremos conhecer lugares onde há pouca presença do evangelho.
Queremos orar por esses povos.
Queremos aproximar a igreja daqueles que já estão no campo.
Queremos receber missionários e ouvi-los.
Queremos identificar irmãos que demonstrem chamado e disposição.
Queremos ajudá-los a exercitar proclamação e discipulado aqui.
Queremos oferecer preparação bíblica.
Queremos estimular aprendizado de línguas.
Queremos proporcionar conhecimento cultural.
Queremos formar equipes.
Queremos aproximar candidatos de irmãos mais experientes.
Queremos utilizar viagens de curto prazo quando elas fizerem sentido dentro de um processo maior de formação e discernimento.
Queremos preparar a igreja para sustentar, acompanhar e cuidar daqueles que forem enviados.
Assim, haverá diferentes formas de participação.
Alguns serão conduzidos por Deus para viver e trabalhar em outras nações como discípulos comuns, exercendo sua profissão e testemunhando de Cristo onde estiverem.
Outros talvez nunca saiam do Brasil, mas terão participação decisiva por meio de oração, contribuição, hospitalidade, treinamento, acompanhamento e cuidado.
E alguns serão especificamente preparados, reconhecidos e enviados para missões transculturais, dedicando-se intencionalmente à proclamação do evangelho, formação de discípulos e estabelecimento da igreja entre outros povos.
Todos podem participar da missão de Deus.
Mas não precisamos chamar todas essas formas de participação de missão transcultural.
Portanto, nossa pergunta não será simplesmente: “Quem gostaria de fazer uma viagem missionária?”
Queremos fazer perguntas mais profundas:
Quem está disposto a ser preparado?
Quem está disposto a aprender outra língua?
Quem está disposto a compreender outra cultura antes de tentar ensiná-la?
Quem está disposto a abrir mão de conforto?
Quem está disposto a servir em equipe?
Quem está disposto a ser provado, reconhecido e enviado pela igreja?
Quem está disposto a trabalhar até que discípulos nativos façam outros discípulos e igrejas locais sejam estabelecidas?
É possível que uma viagem de quinze dias faça parte dessa caminhada.
Uma experiência pode despertar alguém. Um curso pode prepará-lo. Uma língua pode habilitá-lo. Uma profissão pode abrir uma porta. Mas o centro de tudo continua sendo o mesmo:
O evangelho sendo proclamado,
o domínio das trevas sendo confrontado,
pessoas sendo transportadas para o Reino do Filho,
discípulos sendo formados e igrejas sendo estabelecidas entre os povos.
Esse é o ambiente que desejamos construir na igreja em Brasília.
Não uma plataforma para consumidores de experiências missionárias, mas um ambiente para formação de trabalhadores.
Não queremos apenas levar pessoas para conhecer o campo.Queremos preparar discípulos que possam, se Deus os chamar e a igreja os reconhecer, ser enviados ao campo. Porque o chamado pode começar com uma experiência, uma oração ou uma inquietação no coração. Mas a missão exige vida.
O milagre não acontece no avião.
A formação começa aqui.
A proclamação começa aqui.
O discipulado começa aqui.
A batalha espiritual começa aqui.
E, no tempo de Deus, a igreja poderá separar, preparar e enviar aqueles que levarão essa vida para além das nossas fronteiras, até que o evangelho do Reino encontre expressão em discípulos e igrejas entre povos e nações.
Missões, tradicionalmente, são empreendimentos com o fim de evangelizar pessoas que não se encontram ao alcance da igreja na cidade. Adicionalmente, entende-se isto em um contexto de cultura e língua diferentes.
Antes de nos aventurarmos a falar sobre o assunto “missões”, precisamos definir mais claramente pelo menos por duas razões: a primeira é que esse não é um termo que encontramos na Bíblia, e por isso não podemos sacramentá-lo; o segundo é porque essa é uma palavra que se encontra num momento de redefinição no vocabulário da Igreja.
Definições históricas e termos usuais
Missões é o serviço de pregar o Evangelho de Jesus Cristo onde a Igreja não tem alcance, seja por problema com acesso ou distância (Barreira Geográfica), seja por problemas em conseguir comunicar-se na língua do grupo (Barreira Lingüística), ou seja, pela dificuldade de comunicar as verdades para um grupo que enxerga o mundo de forma diferente (Barreira Cultural). Portanto podemos dizer que evangelismo (proclamação) e missões se referem à mesma tarefa; porém, não nas mesmas circunstâncias.
As atividades das igrejas evangélicas para realizar a tarefa da evangelização mundial desenvolveram-se durante o colonialismo no século XIX e tornaram-se uma tradição no século XX. A maioria das denominações e muitas igrejas independentes tendiam a seguir fórmulas padronizadas de "ir" e "enviar", crendo que estavam obedecendo a Deus. A maior parte do colonialismo político terminou depois da II Guerra Mundial, mas o colonialismo missionário aumentou muito, especialmente por parte dos evangélicos e fundamentalistas que realizaram muitas coisas boas, mas também causaram dano ao testemunho cristão em algumas partes do mundo.
Alguns termos comuns neste assunto.
Termo-Conceito
ACULTURAÇÃO-É o fenômeno ou conjunto de fenômenos no qual um indivíduo perde seus valores culturais que lhe são familiares, para adquiri-los em outra cultura.
AGÊNCIA MISSIONÁRIA-É uma estrutura formada por cristãos, missionários ou não, com o papel de serem facilitadores, dar suporte, preparação aos missionários no campo. Há inúmeras dificuldades para o envio de um missionário. São necessários contatos com outras agências missionárias, com autoridades governamentais, emissão de vistos de entrada e permanência, câmbio e envio de dinheiro, orientação quanto aos relacionamentos no campo com igrejas, governo e outras agências, e avaliação in loco do andamento do trabalho.
COSTUMES-Normalmente, são práticas observadas e transmitidas de geração em geração. Costumes podem sofrer alterações através dos tempos.
CULTURA-Cultura pode ser definida como o sistema integrado de padrões de comportamento aprendidos, idéias e produtos que caracterizam uma sociedade. Diz-se comumente de uma pessoa que tem cultura como sendo aquela que tem bom estudo, boa posição social, etc...mas não é esse o conceito missiológico.
ETNIA-É o aglomerado humano homogêneo, com uma vida social, material e psíquica formada em moldes idênticos. Uma etnia “é formada por um conjunto de características somáticas, lingüísticas e culturais semelhantes”. A diferença entre etnia e nação é que uma nação pode ser composta de várias etnias. Hoje na África se vê quão problemático é quando não se atenta para o fato da distinção que há entre nação e etnia. Pois inúmeros países sofrem com conflitos étnicos intermináveis.
EVANGELISMO E0, E1, E2, E3-Escala usada para medir a distância cultural que o missionário deve atravessar desde sua própria cultura para evangelizar e estabelecer igrejas. E0 se refere à tarefa de ganhar para Cristo os filhos de crentes; E1 quando se evangeliza cristãos nominais; E2 quando se evangeliza gente de uma cultura parecida mas não idêntica à do missionário; e E3 quando o missionário deve evangelizar gente de uma cultura diferente da sua.
GRANDE COMISSÃO-Textos bíblicos relacionados com o mandamento de Jesus aos seus discípulos, que mostram tanto a ênfase como o alcance da missão apostólica.
IGREJA AUTÓCTONE-Diz-se da igreja estruturada dentro da sua própria cultura, sem observar as características da igreja a qual pertence o missionário que a estabeleceu.
JANELA 10x40-Área do mundo localizada entre as latitudes 10 e 40 graus ao norte da linha do Equador que cobre o Norte da África, Oriente Médio e Ásia. A Janela 10x40 cobre a área menos evangelizada do mundo e também a mais pobre, e onde a maior parte dos governos se opõem ao cristianismo.
MISSIÓLOGO-Pessoa especializada em missões. Se dedica a estudar as características dos povos, estratégias próprias para cada grupo humano, a antropologia missionária, as questões próprias dos missionários no campo, os métodos de evangelização,
MISSIONÁRIO-O termo tem origem na palavra apóstolo, que quer dizer, enviado com a autoridade de quem envia. O missionário seria a pessoa encarregada de plantar igrejas no mundo e estabelecer a doutrina. Modernamente chamamos missionário aquele que sai com uma missão especial a mando da igreja, seja ela para projetos de evangelização ou projetos sociais e educacionais, além das fronteiras da igreja local.
MUNDO A-No esquema dos três mundos que alguns missiólogos usam, refere-se ao mundo não-evangelizado, ou seja, toda a população que jamais ouviu falar de Jesus Cristo.
MUNDO B-No esquema acima citado, dos três mundos, faz referência ao mundo evangelizado mas não cristão.
MUNDO C-No mesmo esquema, significa o mundo "cristão", ou seja, todos aqueles que se consideram cristãos (incluindo, obviamente, todos os nominais).
NAÇÃO-São entidades geopolíticas que são identificadas por suas fronteiras estabelecidas e governos mundialmente reconhecidos.
OBREIRO AUTÓCTONE-Obreiro Nativo - indivíduo natural da terra onde vive.
POVO-Agrupamento de indivíduos que têm entre si uma afinidade porque compartilham aspectos culturais comuns como: língua, religião, etnia, morada, profissão, classe ou casta social ou uma combinação destes fatores.
POVO ETNOLINGUÍSTICO-É um grupo étnico ou racial, distinto de outros, que fala o mesmo idioma ou língua materna. Pode se encontrar vivendo dentro de um só país ou distribuído por vários.
POVO NÃO ALCANÇADO-É um grupo humano onde não existe presença evangélica, que não dispõe de recursos humanos ou financeiros para alcançar com o evangelho, dependendo por isso de esforço externo.
POVO NÃO EVANGELIZADO-É um grupo humano que ainda que posam ter um conhecimento mínimo do evangelho ou de Deus, não tiveram a oportunidade real de responder a este evangelho.
POVO OCULTO-É um grupo humano (povo) que embora esteja no alcance geográfico da Igreja, está longe de sua “vista”, ou dos recursos que permitam à igreja evangelizá-lo, dependendo por isso de apoio transcultural.
RAÇA-Conjunto de indivíduos que possuem tronco comum e características semelhantes, dentro da sua espécie, geração, casta, origem, estirpe. Em antropologia, é um conceito biológico em que as raças humanas agrupam-se segundo características de cor da pele, a cor e forma do cabelo, a configuração do crânio, os grupos sanguíneos etc.
TRIBO-Grupo étnico unido pela língua, usos e tradições, que vive em comunidade sob um ou mais líderes.
Novas Definições
Atualmente tem havido uma popularização do termo missões no ambiente cristão evangélico, porém com uma nova conotação. Depois de anos de trabalho de conscientização a respeito da responsabilidade da Igreja para com missões, foi cunhado um outro termo, derivado desse para justificar a continuidade do foco da igreja apenas em seu próprio território; surgiram as Missões Urbanas. A partir dessa nova “área” de alcance da Igreja ela retornou ao velho modelo de evangelismo, porém usando o “termo da moda”.
Quando se fala em Missões Urbanas, na grande maioria das vezes, está se tratando da pregação do evangelho para pessoas que fazem parte do grupo de alcance da Igreja. As pessoas alvo, normalmente, são aquelas que convivem no nosso meio, falam a nossa língua e fazem parte da nossa cultura. Normalmente o fator diferencial é um “grande pecado” no qual elas vivem (como as prostitutas e travestis) ou um comportamento rebelde ou marginal que têm (punks, carecas, hippies, moradores de rua, etc.).
Mesmo que seja uma afirmação bastante dura, fica difícil não concluir que o termo Missões Urbanas foi cunhado para livrar a Igreja da responsabilidade de enviar pessoas a lugares onde ela não receba diretamente os resultados do trabalho e, ainda como bônus, não precisa abrir suas portas para os “enfermos”, mas somente para aqueles que estão limpos e perfumados, aqueles que se parecem mais conosco.
Realidades de Missões
Se entendermos que missões é a tarefa de pregar as Boas Novas de Jesus Cristo aos que não foram alcançados (àqueles que não têm acesso a Ele), então veremos que existem duas realidades diferentes que precisamos reconhecer: a primeira diz respeito àqueles povos que, apesar de não conhecerem a Jesus por falta de informação ou de testemunho, possuem um desenvolvimento tecnológico e/ou comercial que permite a subsistência de qualquer pessoa que chegue até eles com o objetivo de fazer discípulos; a segunda realidade diz respeito àqueles povos que não possuem tal desenvolvimento e, portanto, qualquer um que se disponha a ir até eles para fazer discípulos precisa de um envolvimento da Igreja para a sua subsistência, além do sustento espiritual.
Separar essas duas realidades pode parecer fácil à primeira vista; porém, essa impressão não é verdadeira. Um povo que pode receber um dentista que se auto-sustente, por exemplo, estrategicamente pode precisar de alguém que dedique mais tempo do que um profissional liberal pode oferecer. Da mesma forma um povo que à primeira vista não possua recursos para um missionário se auto-sustentar, pode apresentar características que, estrategicamente, seja melhor que o missionário esteja disposto a viver com algumas privações a mais do que esperava. Em ambos os casos, a definição da estratégia a ser utilizada deve ser estudada pelo missionário em conjunto com a igreja e a agência que o apoiarão no projeto.
Papel da Agência
Ao contrário do que muitos crêem, nenhuma agência envia missionários, esse é um papel da Igreja. As agências são apoio estratégico, formadas por discípulos, mas não ocupam o lugar da Igreja local.
As agências existem com o propósito de oferecerem à Igreja e ao missionário, apoio acadêmico, logístico e político necessário para o trabalho que ele se propõe a fazer. Sendo assim, longe de ser uma concorrente da Igreja, ela é, antes de tudo, uma auxiliadora para o trabalho. Por essa razão a escolha de uma agência é algo que deve ser feito com a participação tanto da Igreja como do missionário e precisa levar em conta o tipo de apoio que se espera receber.
A Expansão do Reino
Rm. 10:11-15 “Porque a Escritura diz: Ninguém que nele crê será confundido. Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? assim como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam as boas novas!”
Mt. 28:18-20 “aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho ordenado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”
Essa foi a última ordem que Jesus deixou para seus discípulos antes de voltar para o Pai. Em Mt. 10, vemos o que alguns denominam como sendo “O grande comissionamento”, também vinculado ao texto de Mt. 28:18-20, e de fato aqui Jesus estabelece a maior, a mais desafiadora, a mais definitiva de todas as tarefas dada a seus discípulos: Fazer discípulos. Essa foi a missão dada por Jesus à sua Igreja.
Em Atos 1:8, fica claro o objetivo pelo qual os discípulos precisavam aguardar o revestimento de poder do alto. Eles receberam poder do Espírito Santo “e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”. Não podemos ignorar que a vontade de Deus é alcançar todos os povos, todas as nações sem, contudo, nos esquecermos que “os confins da terra” é parte do “em Jerusalém, toda Judéia e Samaria”. Existe uma certa ordem de abrangência: Cidade > Região > País > Outras nações.
Deus quer encher a Terra com sua vontade, com seu Reino, com seus princípios e com sua bondade.
Dessa forma, entendemos que “missões” na Igreja é uma questão absoluta. É um mandamento de Deus, e como todo mandamento, deve ser obedecido. Deve também fazer parte da vida comum da igreja, do seu dia-a-dia e de seu correto ordenamento, lembrando que a manutenção desse princípio é de responsabilidade dos ministérios específicos, descrito em Ef. 4:11-14.
A fim de cooperar com esse “comissionamento” maior, de fazer discípulos de todas as nações, entendemos que existem missões específicas que os discípulos de Jesus precisam desenvolver para que mais e mais discípulos sejam feitos em toda terra.
O Envio
É o Espírito Santo quem envia, porém Ele o faz por meio de sua Igreja.
At. 13:2 – “... disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.”
Quem falou aqui? O Espírito Santo.
A quem o Espírito Santo falou? À Igreja.
Quem separou e enviou os irmãos de forma operacional? A Igreja. (v.3)
At. 13:4 – “Assim estes, enviados pelo Espírito Santo...”
At. 11:22 – “Chegou a notícia à igreja em Jerusalém, e enviaram Barnabé à Antioquia”
Atos 8.14 “Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que os da Samaria haviam recebido a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João;”
Atos 15.27 “Enviamos portanto Judas e Silas, os quais também por palavra vos anunciarão as mesmas coisas.”
At. 15:3 Embora Paulo e Barnabé tenham tido a discussão com outros discípulos sobre a questão da circuncisão, foi a igreja que novamente os enviou.
At. 16:4-5 Como enviados pela igreja estavam cumprindo a direção dada por ela, e por isso as igrejas eram fortalecidas na fé, e cada dia crescia em números.
At. 14:26-28 A responsabilidade para com a igreja que o enviou
At. 15:33 Quando a missão acaba, voltam para a sua igreja local de origem.
Esse aspecto é muito importante, pois nos abre os olhos para os “autóctones”, aqueles nativos daquele país ou etnia, que se encarregarão de continuar a proclamação do Reino de Deus entre os seus. É como Paulo diz em II Tm 2:2, é o discípulo fiel, que faz outros discípulos que também formam outros. E ali novamente o apóstolo passa para supervisionar e ordenar posteriormente. E isso nos mostra que o apóstolo é aquele que não necessariamente está num lugar permanentemente.
São desautorizados pela Igreja
São desautorizados pela Igreja aqueles que se auto-enviam, desenvolvendo coisas das quais não há testemunho e nem respaldo na Palavra de Deus. Ver At. 15:24-25
Algumas Reflexões
Existem muitas estratégias que podemos e devemos utilizar para a proclamação do Evangelho do Reino a todas as nações. Porém, como estratégias, são apenas planos elaborados de acordo com as circunstâncias que enfrentamos em determinado período e contexto, e devem, por isso, sempre ser vistas como renováveis e/ou descartáveis.
Estratégias de Sustento
Uma das estratégias bastante exploradas no decorrer da história é a conhecida no meio missionário como a dos “Fazedores de Tendas”, em alusão à estratégia utilizada por Paulo. Sem dúvida, as vantagens de sua utilização estão muito claras: ela nos aproxima do povo; identifica-nos com a sua realidade; não sobrecarrega a Igreja financeiramente; oferece um suporte emocional extra para o missionário e supre suas necessidades materiais. Por outro lado, também são bem visíveis, pelo menos duas desvantagens dessa estratégia: possibilidade de maior envolvimento com o trabalho do que com a obra, e um ministério independente da Igreja. Essa estratégia tem a limitação de poder ser utilizada somente em situações onde exista espaço para o trabalho remunerado, o que não é uma realidade em grande parte do mundo não alcançado.
Outra estratégia que tem sido muito usada, e nem sempre com sabedoria, é a do missionário sustentado financeiramente pela Igreja. Assim como a anterior essa forma de trabalhar tem suas vantagens: envolvimento maior com a obra; maior disponibilidade de tempo, envolvimento direto da Igreja; participação ativa da Igreja no trabalho, etc. Os problemas dessa estratégia estão mais ligados às barreiras criadas com o contato com o povo, que não vê o missionário como alguém que vive como eles, mas como um novo poder se infiltrando em sua cultura (ele tem dinheiro sem “trabalhar”). Contudo, essa estratégia acaba sendo indispensável quando o povo alvo não apresenta condições para que o missionário se auto-sustente.
Nós, como Igreja, precisamos nos sentir responsáveis pela proclamação do Evangelho e livres para usar todos os recursos que o Senhor tem nos dado, sem nos limitarmos a nenhum “dogma” no que diz respeito à estratégia.
Formação Geral
Todo aquele que for enviado deve ser aprovado pela Igreja local e sua liderança em pelo menos três áreas: espiritual, emocional e acadêmica.
Quando citamos a aprovação espiritual estamos nos referindo ao compromisso real do missionário com o senhorio de Cristo e ao seu caráter, que embora entendamos que sempre estará em formação, deverá, entretanto, ter alcançado um nível mínimo.
A estrutura emocional que se requer de um missionário leva em consideração o seu equilíbrio diante de diversas situações de conflito e a sua capacidade de adequação ao sentir-se sozinho e desamparado por não ter acesso físico à Igreja e familiares.
Por aprovação acadêmica entendemos todo o conjunto de conhecimento que ele deve apresentar para que o trabalho a que se propõe a fazer seja executado com eficiência. Devemos nos lembrar de que quando alguém se propõe a falar do evangelho do reino de Cristo onde Ele ainda não foi anunciado, Cristo será como ele anunciar, ou seja, se a apresentação for medíocre, o povo terá em mente um “cristo” desfigurado.
Outra verdade que devemos ter em mente é que, como fazedores de discípulos nossa primeira responsabilidade é com nossos filhos; portanto, devemos prepará-los para que tenham como principal objetivo em suas vidas proclamar o evangelho. O que não podemos perder de vista é que esse preparo deve ser o mais amplo possível, afinal não sabemos quais os planos do Senhor para eles. Sem dúvida que prepará-los espiritualmente é o principal, mas não podemos esquecer que o Senhor pode ter planos específicos para eles. Então, se podemos dar-lhes uma visão ampla do Reino, e se podemos oferecer um preparo que lhes permita olhar o mundo a partir da ótica de várias línguas e culturas, isso os ajudará tanto na vida ministerial como na profissional.
Onde é o Campo?
Outro fator que precisamos reavaliar quando falamos a respeito de missões, é que a visão desse serviço muda de acordo com o ponto de onde se olha. Enquanto para alguns, Guiné-Bissau é o fim do mundo, para os guineenses, é o centro. Essa verdade nos faz refletir que o importante não é ir, mas estar onde Deus quer que estejamos. Portanto, estar na aldeia ou num bairro nobre da cidade, tem necessariamente que estar de acordo com os planos que o Senhor tem para a nossa vida, e não com o nosso gosto ou projeto pessoal. A partir dessa posição de submissão e obediência, a proclamação do Evangelho deve acontecer ao nosso vizinho. Por esse motivo, a visão que a Igreja tem a respeito do serviço de alguém que trabalha em Papua Nova Guiné deve ser a de um missionário, mas ele próprio deve se ver como alguém comum que está vivendo o Reino e proclamando para aqueles que o Senhor lhe deu como vizinhos.
O que não podemos fazer de forma alguma é assumir a responsabilidade de dirigir nossa vida até um ponto e querer que o Senhor assuma os nossos planos como Seus e os encaminhe de onde nós deixamos para frente. Assim, definir onde eu quero morar, no que eu quero trabalhar, que tipo de padrão de vida eu quero ter e que tipo de vizinhança vou buscar e depois achar que fazer discípulos ali me coloca no centro da vontade de Deus é um engano. Deus não precisa de mim para fazer discípulos, Ele apenas me dá o privilégio de fazer parte de Seus planos. Então, o importante não é só o que eu faço, mas como eu faço.
Sem dúvida que isso não significa que o Senhor não vai abençoar o nosso trabalho porque não moramos onde Ele quer. É muito provável que se trabalharmos bem, teremos frutos; mas lembrando o que diz I Sm 15:22, é melhor obedecer do que sacrificar. Não é porque vemos bons resultados que o Senhor está se alegrando de nós, como também não devemos ser movidos pelos resultados, mas pelo amor e obediência ao Senhor.
Resumo
Talvez pudéssemos resumir um pouco isso tudo dizendo que o plano de Deus para nós é que tenhamos uma vida na sua dependência e reflitamos o Seu amor. As consequências de vivermos isso nos liberam para fazer tudo o que Ele tem para nós, inclusive missões, da forma como Ele quer que façamos. Viver o Evangelho do Reino é o propósito para nossas vidas independente de onde estejamos e por quais circunstâncias estejamos passando, mas viver esse Evangelho só é possível se o senhorio de Cristo for completo em nossa vida, abrangendo todas as áreas dela.
Se entendermos que missões é essa tarefa de pregar o Evangelho a todas as pessoas, fica claro que esse não é um serviço opcional para a Igreja, nem pode se resumir a um grupo dela. Pregar o Evangelho é a razão de a Igreja existir aqui nesse mundo; portanto, missões não é algo na vida da Igreja, mas sim a vida da Igreja.
Num congresso de missões nos Estados Unidos da América (1980), cerca de 4 mil pessoas esperavam atentas a palavra do pastor Greg Livingstone. Concederam-lhe um minuto para falar. Ele foi à frente e fez a seguinte pergunta: “Quantos de vocês estão orando pela libertação dos 52 americanos sequestrados no Irã (ficaram 444 dias reféns) ?”. Quase todas as mãos se levantaram no auditório, indicando a preocupação generalizada. Em seguida, fez outra pergunta: “Quantos estão orando pela libertação de 52 milhões de iranianos das algemas de Satanás?”. Os braços foram abaixando até não restar mais que um ou dois em toda aquela multidão. Ele sentou-se, sem utilizar todo o seu minuto, dizendo: “Percebo que vocês são mais americanos que cristãos!”.
A palavra CHAMADO carrega hoje um peso indevido diante da prática dos discípulos no novo testamento. Fundamental é entender que TODOS já fomos chamados. Quando somos batizados, somos vocacionados, recebemos uma missão: ser e fazer discípulos de todas as nações. Portanto, não podemos ficar esperando um “chamado” para fazer, mas “fazer” para obedecer ao chamado. Mesmo para o que chamamos missões, isto é fato.
Imagine o seguinte cenário: uma grande empresa resolve transferir um empregado, você, para outra cidade ou nação. Pode ser num lugar simples do interior do país, no meio do nada, ou uma metrópole em outro continente. Em boa parte dos casos, o empregado acaba se submetendo a esta mudança. Mas, e se o Senhor, ou a igreja, entenderem de movê-lo para outro lugar, raras vezes isto prosperará. A reação comum é pedirmos diversos sinais e confirmações para nos submetermos. Para a empresa dizemos, ok, para a igreja dizemos que precisamos de confirmação de Deus. Tem que ser o contrário, meu irmão 😀.
Existe um Chamado?
Certamente!
Muitas vezes, nosso Senhor colocará um carga em nós por algo mais específico. Você começa a pensar nos povos não alcançados (áreas do mundo que compreendem povos, idiomas, culturas e tradições, onde o Evangelho ainda não chegou e a Igreja não existe), nos países em dificuldades extremas, lugares onde as pessoas desprezam o evangelho.
E seu coração começa a arder.
Diante de uma imagem de crianças subnutridas, maltradas, ou de homens ricos e prepotentes, seguem-se as lágrimas, lágrimas vindas do alto.
Esta carga se evidencia quanto aumentam seus interesses ao ver mapas, vídeos, notícias, fotos de determinadas etnias ou cidades, e isto não precisa ser fora do Brasil. O Senhor gera esta carga também através de sua Palavra, à medida que a lemos, ou meditamos, ou a ouvimos; nos concedendo experiências naturais e sobrenaturais, e recebendo a paz de Deus.
Todo este chamado vem debaixo do governo do Senhor confirmando com a Sua igreja.
Sim, pode, e existe um “chamado”, e é bem melhor quando há, mas não é obrigatório este tipo de experiência para irmos, para sermos enviados.
Se prepare.
Não espere um dia a igreja perceber que você está disponível para uma obra transcultural. Invista na preparação, no conhecimento bíblico, vida de evangelizar, cursos ,etc (ver o material completo disponível no link acima)
Como discípulos, estamos conhecendo e operando na vontade do Senhor. Crescendo e frutificando. Não há entre nós os “grandes” e os “pequenos”, somos todos “pequenos” e cheios de poder, e dentre o rebanho, o Senhor separa uns para apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, discípulos para a cidade tal, ou discípulos para a nação qual. O objetivo: Formar Cristo! Fazer discípulos. Estabelecer a igreja.
Tendo um chamado sobrenatural ou não, a missão não é do discípulo (missionário). A missão é da igreja. Missionário não é uma profissão, é um destaque para o discípulo que precisa de uma preparação e suporte diferenciado para enfrentar uma nova etnia/povo/nação. "Eu tenho um chamado para Paris, igreja me envie e me sustente", não vai acontecer assim.
Seu chamado precisa ser trabalhado junto com a igreja, com os líderes, mas a igreja não pode ser refém do seu chamado. Seu coração pode arder por um determinado lugar, mas se você está só, não parece ser o momento, Jesus envia de dois em dois. Ou, a necessidade pode apontar para outro lugar. Nunca ande só, nem construa só.
Eu quero ir para as nações! Qual nação? a que está no coração de Deus? Ou a que proverá um padrão de vida bom.
Só servem as nações do ocidente? Ou Deus e a igreja podem te enviar para onde precisa?
Alguns apenas desejam morar fora, trabalhar em outro país. O foco não é o surgimento da igreja. Então, é apenas um discípulo que vai morar em outra cidade, e não há problemas com isso. Só não chame isso de missão transcultural.
Queira mesmo ir para as nações. Mas, continue sendo alguém fácil de ser conduzido pelo Senhor, e pela Sua igreja.